A Copa do Mundo chegou ao fim. Como acontece em grandes eventos, os resultados esportivos rapidamente dão lugar aos balanços sobre audiência, público, patrocínios e ativações de marca.
Mas existe uma pergunta que, na minha opinião, merece mais atenção: o que permanece depois que um grande evento acaba?
Essa reflexão vale para a Copa, mas também para festivais de música, feiras de negócios, convenções e qualquer outra experiência criada para aproximar marcas e pessoas.
Durante muito tempo, o sucesso de um patrocínio esteve diretamente ligado à visibilidade conquistada durante o evento. O foco era estar presente, aparecer e alcançar o maior número possível de pessoas.
Esse objetivo continua sendo importante, mas já não é suficiente.
Hoje, o desafio das marcas é fazer com que a experiência continue existindo depois que o evento termina. Isso acontece quando ela gera conversa, cria identificação, fortalece relacionamentos e faz com que as pessoas queiram manter contato com aquela marca. Em outras palavras, quando deixa de ser apenas um momento e passa a fazer parte de uma estratégia de relacionamento.
É por isso que, cada vez mais, vemos empresas investindo em espaços de convivência, ativações participativas, produção de conteúdo e iniciativas que incentivam o público a interagir com a marca de forma espontânea. O objetivo já não é apenas estar no evento, mas construir uma conexão que continue gerando valor ao longo do tempo.
Essa lógica acompanha uma transformação mais ampla do mercado. A Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2025–2029, da PwC, mostra que a indústria global deverá alcançar US$ 3,5 trilhões em receitas até 2029. Ao mesmo tempo, categorias não digitais, como eventos, música ao vivo e cinema, responderam por 61% dos gastos dos consumidores do setor em 2024.
Os dados mostram que, mesmo com o avanço da inteligência artificial e da digitalização, as pessoas continuam atribuindo valor às experiências presenciais.
Talvez porque existam coisas que dificilmente podem ser reproduzidas por uma tela: o encontro, a troca, o sentimento de pertencimento e a construção de memórias compartilhadas.
No fim, um grande evento não é lembrado apenas pelo que aconteceu no palco ou pelo tamanho da estrutura montada. Ele é lembrado pelo que fez as pessoas sentirem.
E esse talvez seja o maior desafio das marcas daqui para frente: criar experiências que não terminem quando as luzes se apagam, mas que continuem fortalecendo relacionamentos muito depois do encerramento do evento.
Estudo proprietário revela como a IA, o crescimento do retail media, a jornada híbrida, o consumo fluido de vídeo e o ecossistema de influência moldam a eficiência dos negócios das marcas em um cenário de publicidade guiada por dados
A Omnicom Media, por meio de sua unidade de inteligência OM Market Intelligence, anuncia o lançamento da edição 2026 do Brazil Media Landscape. O estudo proprietário oferece uma visão abrangente sobre o ecossistema de mídia e publicidade no Brasil, apresentando uma evolução histórica dos últimos anos, consolidando as movimentações de 2025 e incorporando as análises estratégicas do primeiro trimestre de 2026 para os principais canais de comunicação. O relatório baseia-se em dados e projeções da própria unidade, publicados entre 2025 e março de 2026, além do mapeamento de tendências globais e de artigos publicados no Brasil por empresas especializadas e veículos de mídia.
O report funciona como uma bússola para as marcas alinhada aos parâmetros globais da rede, detalhando como o mercado brasileiro se posiciona como um polo essencial de inovação e engajamento em um ano repleto de grandes marcos culturais, esportivos e políticos.
“O Brazil Media Landscape 2026 oferece a leitura estratégica necessária sobre como o Brasil se posiciona no centro das mudanças globais da mídia. Compreender um mercado que consome redes sociais, mídias urbanas e formatos de vídeo de maneira tão intensa e acima das médias internacionais é o ponto de partida obrigatório para transformar inovação de mídia em crescimento real de vendas direto para o negócio dos nossos clientes”, afirma Diogo Mattos, head de Analytics da Omnicom Media.
Para dar suporte a essa visão, o levantamento também aponta 6 grandes transformações mapeadas pelo estudo, que servem como diretrizes estratégicas fundamentais para orientar o crescimento das marcas nos próximos anos:
1. Algoritmos e IA redefinem a descoberta de marcas
O mercado vive a fase inicial de uma onda transformadora impulsionada por IA generativa e assistentes virtuais baseados em agentes. Em um cenário de estabilização nas métricas de crescimento tradicionais do e-commerce e da audiência, a disputa pela atenção do público tornou-se ainda mais acirrada. Como o comportamento de busca mudou, as marcas precisam construir estratégias de contexto dinâmico para se manterem relevantes frente a algoritmos que moldam o consumo em tempo real.
2. O ecossistema social como novo motor de negócios
O Brasil consolidou-se como um dos maiores mercados de influência do mundo, movimentando cerca de R$ 20 bilhões por ano com uma base crescente de criadores ficando atrás somente dos EUA. Redes sociais operam hoje como motores de busca e decisão: 48% dos brasileiros já compraram itens descobertos no Instagram, e metade dos usuários já se interessaram por anúncios de influenciadores no TikTok. Esse amadurecimento ganha força com o shoppertainment, impulsionando verticais de comércio integradas.
3. A fluidez do vídeo: do formato vertical à revolução da TV 3.0
Apesar da fragmentação da audiência linear, a TV aberta mantém um forte alcance de massa. O meio se renovará em junho de 2026 com a estreia da TV 3.0 na Copa do Mundo, unindo a transmissão aberta à internet para anúncios personalizados em tempo real. Simultaneamente, os formatos verticais mobile e as TVs conectadas (CTV) avançam com crescimento anual de faturamento publicitário projetado de 22,5% até 2029. O streaming já dita o ritmo: 44% dos espectadores afirmam que a CTV já transformou permanentemente seus hábitos de assistir TV.
4. Modelos híbridos, a expansão do DOOH e o papel dos grandes eventos
Com 2/3 dos consumidores adotando jornadas híbridas, a integração de experiências ganha força nos megaeventos urbanos, como o Carnaval de Salvador (12 milhões de foliões em 2026) e o réveillon de Copacabana (2,6 milhões). Esse fluxo também impulsionou o investimento em mídia exterior (OOH), que cresceu 13% em 2025, puxada pelo formato digital (DOOH), que já representa 80% do share do setor. Esse cenário híbrido conecta ativações de rua, consumo de conteúdo e retail media de ponta a ponta.
5. O Papel fundamental do retail media
O retail media desponta como o canal de expansão mais acelerada: seu investimento deve mais do que triplicar no Brasil até 2029, atingindo 20,1% do bolo digital. Líderes como o Mercado Livre impulsionam a tendência.
6. O Brasil diante do cenário global de mídia
O Brasil ocupa o primeiro escalão internacional ao se posicionar em nono lugar entre as maiores economias publicitárias mundiais, atingindo R$ 104,8 bilhões em 2025. Contudo, o mercado nacional destaca-se pela forte orientação social e visual em relação à média global: as redes sociais abocanham 47% (contra 36% global).
“Ao mapear essas transformações, o Brazil Media Landscape 2026 mostra que o sucesso das marcas dependerá do equilíbrio entre inteligência de dados e conexão cultural. Em um mercado de jornadas tão fluidas quanto do brasileiro, o futuro exige ir além de fórmulas prontas, traduzindo inovação tecnológica em valor real e resultados de negócios inteiramente mensuráveis”, conclui Mattos.