Coluna “Discutindo a relação…”

Redação: capacidade de expressão e repertório

Dentre as diversas características peculiares a um bom publicitário (principalmente os que lidam diretamente com a criação de anúncios) podemos destacar duas: capacidade de expressão (incluindo-se aqui, obviamente, a lingüística, mas passando por toda e qualquer forma de expressão ou linguagem); e um amplo “repertório”.

Chamamos de “repertório” toda e qualquer informação que possa ser acumulada, e também todo conhecimento que a pessoa possa adquirir e desenvolver, não importando sua origem: cultura acadêmica, cultura de massa, cultura popular. Ter “repertório” é ter “assunto”, é ter um universo de conhecimentos tal que facilite, nas mais diversas situações, associar coisas, fatos, referências, idéias que permitam encaminhar uma solução criativa.

Maingueneau afirma que podemos considerar um determinado número de “leis do discurso que regem a comunicação verbal”. Tais leis, que se aplicam a toda atividade verbal, devem ser adequadas às especificidades de cada gênero de discurso. E segundo o autor, o domínio das leis e dos gêneros de discurso (que ele chama de competência genérica) são os componentes fundamentais de nossa competência comunicativa, ou seja, a nossa capacidade para produzir e interpretar enunciados de modo correto nas diversas situações de nossa vida.

O amplo domínio da competência comunicativa não é o bastante para a participação em uma atividade verbal. Outros níveis devem ser ativados para se produzir e interpretar um enunciado. É o caso da competência linguística, o domínio da língua em que se enuncia. Mais do que isso, é preciso possuir um grande número de conhecimentos sobre o mundo, uma competência chamada de enciclopédica.

Maingueneau estabelece três instâncias principais que interferem na dupla dimensão (produção e interpretação dos enunciados) da atividade verbal: domínio da língua, conhecimento de mundo e aptidão para se inserir no mundo por intermédio da língua. O mesmo autor afirma que essas diferentes competências interagem, se completam e não são, em hipótese alguma, excludentes. Ao contrário, o somatório de competências é essencial para que possamos nos adaptar aos diferentes gêneros de discurso, seja para produzi-los ou interpretá-los, podendo uma dada competência remediar as limitações de uma outra.

O nosso conceito de “repertório”, portanto, encontra suporte nas ideias apresentadas por Maingueneau. E é justamente esse “repertório” que vai povoar a produção das mensagens publicitárias de inúmeras vozes diferentes. Ao construir um texto publicitário, o redator, de maneira consciente, escolhe palavras, expressões e construções, buscando persuadir seu interlocutor. Ele faz tais escolhas de acordo com o seu “repertório” e do “repertório” que ele acredita possuir quem vai receber a mensagem.

Sob essa ótica, o ato de criar textos publicitários não é obra de um acaso criativo, de um estalo momentâneo. É fruto das experiências sociais de quem produz, influenciado, e muito, pelas experiências sociais de seu interlocutor. O texto publicitário deve ser trabalhado, estruturado de modo intencional. Levando, ainda, em consideração que todo enunciado é dirigido a um interlocutor, e o fato de o texto publicitário ser mais fortemente, senão totalmente, orientado para o interlocutor em função da intencionalidade com que o produtor efetivo do texto constrói seu enunciado visando a persuasão, podemos afirmar que há (na maioria das vezes) um total apagamento do autor original do texto, o produtor do texto, em prol de uma (ou mais) voz(es) que seja(m) capaz(es) de dialogar melhor com o alvo da mensagem publicitária.

Tal linha de pensamento ajuda a colocar por terra a falsa crença de que o trabalho de Redação Publicitária e de Criação Publicitária como um todo é realizado sem planejamento, que está calcado apenas na “inspiração” momentânea. É o que se costuma denominar de visão “romântica” do processo criativo. É necessário que se veja e entenda a diversidade de vozes presentes nos enunciados publicitários para que se perceba a importância de desenvolver a capacidade de expressão e de se montar um vasto “repertório”.

Colinas Shopping celebra o Mês da Mulher

Com Elisa Lucinda e mais convidadas, Colinas Shopping celebra o Mês da Mulher em bate-papos sobre ‘feminismos’

Programação começa com a 4ª edição do Colinas Talks – Especial Mês da Mulher, no dia 15 de março, e segue com encontros mediados pela psicóloga Cris Borges, nos dias 17, 24 e 31 de março; todas as atrações são gratuitas

Leticia Soares

Com convidadas ilustres, respeitadas e cujas vozes inspiram tantas e tantos, o Colinas Shopping promove uma série de bate-papos ao longo do mês de março em celebração ao Dia Internacional das Mulheres (8 de março). O primeiro deles, que recebe a atriz e escritora Elisa Lucinda, será no dia 15 de março, no Teatro Colinas.

Na data, será realizada a 4ª edição do “Colinas Talks – Especial Mês das Mulheres”, a partir das 19h, em evento gratuito. Ao lado de Elisa, estarão a cantora e atriz Letícia Soares e a bailarina Débora Veneziani. Mediadas pela crítica literária e editora Rita Palmeira, elas vão conversar sobre o tema “Que feminismos estamos construindo?”.

Na sequência do mês, o mesmo tema será abordado em outras três mesas de bate-papo, conduzidas pela psicóloga e especialista em perinatalidade e medicina sexual Cris Borges. Ela recebe convidadas nos dias 17, 24 e 31 de março, sempre às 19h, no Espaço Cultural Colinas (localizado dentro da Livraria Leitura). A entrada também é gratuita.

Colinas Talks – Especial Mês das Mulheres

O feminismo é plural – e um “s” é muito importante quando falamos sobre o assunto. É por isso que a 4ª edição do “Colinas Talks – Especial Mês da Mulher” quer ampliar o debate, furar a bolha e mostrar por que os vários feminismos debatidos na contemporaneidade dizem respeito a todos nós.

Debora Veneziani

Portanto, como a pauta diz respeito a todos, pretende abranger variados olhares, e as convidadas representam a amplitude do tema, a fim de tornar o debate ainda mais rico e oferecer mais possibilidades de ações práticas.

Elisa Lucinda é uma poetisa, jornalista, escritora, cantora e atriz brasileira. Reconhecida no meio musical e de atuação por seus trabalhos em cinema, televisão e teatro, ela é vencedora de um Kikito do Festival de Gramado, por “Por que Você Não Chora?”, e um Troféu Raça Negra, na categoria Teatro. Elisa foi ganhadora do Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Gramado, pelo conjunto de sua obra, no ano de 2020. Também foi premiada no cinema pelo filme “A Última Estação”, de Marcio Curi, no qual protagoniza o personagem Cissa. O filme abriu o Festival de Brasília em 2012.

Débora Veneziani, que é de São José dos Campos, estudou teatro na USP e danças urbanas e contemporâneas em diversas escolas, inclusive em intercâmbios em Nova York, Barcelona e Senegal. Atualmente, estuda Ciências Sociais e trabalha com dança e descoberta do corpo e da sexualidade no projeto Treino da Laje, que oferece atividades físicas e inclusão social em comunidades periféricas.

Cris Borges

Letícia Soares, por sua vez, é assistente social formada pela UFF, com carreira nos palcos. Vencedora dos Prêmios APTR, Cesgranrio de Teatro, Botequim Cultural e Destaques Musical Rio como Melhor Atriz Protagonista por seu trabalho em “A Cor Púrpura”, participou de diversos espetáculos premiados, como “Besouro Cordão de Ouro”, “O Rei Leão” e “Les Misérables”. Atualmente, interpreta a personagem principal (Celie) do espetáculo “A Cor Púrpura”.

As três vão ser mediadas por Rita Palmeira, que é doutora em Literatura Brasileira pela USP e mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp. Rita também é editora da revista Novos Estudos Cebrap e curadora de livros da livraria Megafauna.

Feminismos

Reconhecer que o racismo estrutura a sociedade, como um sistema de opressão que nega direitos, criando desigualdades e fraturas – ou seja, é muito mais do que um simples ato voluntário e individual –, pode ser paralisante, como escreveu Djamila Ribeiro, mas não devemos nos intimidar.

Dessa forma, urge massificar essas discussões – iniciadas por pensadoras como Lélia Gonzales e Angela Davis, entre tantas mais, e hoje brilhantemente conduzidas por intelectuais como a própria Djamila Ribeiro – e manter uma pauta constante de valorização de movimentos de mulheres multirraciais e pluriétnicos.

Elisa Lucinda

É por esse motivo que empoderamento e luta antirracista são debates urgentes – e é por meio da intersecção que o diálogo pode se tornar ainda mais rico e oferecer mais possibilidades de ações práticas.

Encontros com Cris Borges

Os diálogos sobre feminismos e feminilidade continuam em encontros no Espaço Cultural Colinas. No dia 17, às 19h, Cris Borges recebe as empresárias Laura Barbosa e Monica Marques para falar sobre mulheres que empreendem e lideram.

Depois, no dia 24, também às 19h, as médicas Talita Orlandi e Rosa Maria Marquezine conversam com a psicóloga sob o tema “Como escolhi envelhecer”.

Por fim, no dia 31, no mesmo horário das outras mesas, Cris Borges conversa sobre ousadia com as atletas Mariana Azevedo e Tchérena Mundin.

Todos os eventos são gratuitos, e a entrada é por ordem de chegada. A participação nos eventos é condicionada à apresentação do comprovante de vacinação contra Covid.

Memória

Este é o quarto ano seguido em que o Colinas Shopping propõe debates acerca do Mês da Mulher, sempre com vozes plurais, pioneiras e reconhecidas nacionalmente, com o objetivo de estimular a valorização de movimentos de mulheres – neste ano, especialmente, com um olhar multirracial e pluriétnico.

A primeira edição do Colinas Talks – Especial Mês da Mulher, em 2018, reuniu Clarice Falcão e Ruth Manus, que discutiram “Questões Femininas e Feministas”. No ano seguinte, as convidadas foram Fernanda Young e Joselia Aguiar, no bate-papo “Mulheres que escrevem: um diálogo sobre o feminismo”. Por fim, em 2020, as convidadas foram Marina Person e Fernanda Lensky, sob o tema “Feminismo sem caricaturas e clichês”.

Nas três edições, o Teatro Colinas ficou lotado. Em 2021, o evento foi cancelado por causa da pandemia de Covid. Neste ano, todas as pessoas envolvidas na realização do evento vão ser testadas com antecedência e vão trabalhar respeitando o distanciamento social e todas as orientações das autoridades.

SERVIÇO

Colinas Talks – Especial Mês das Mulheres

Que feminismos estamos construindo

Com Elisa Lucinda, Letícia Soares, Débora Veneziani e Rita Palmeira

Dia 15 de março (terça-feira), às 19h

Teatro Colinas

Colinas Talks – Encontros com Cris Borges

Mulheres que empreendem e lideram, com as empresárias Laura Barbosa e Monica Marques

Dia 17 de março (quinta-feira), às 19h

Espaço Cultural Colinas

Colinas Talks – Encontros com Cris Borges

Como escolhi envelhecer, com as médicas Talita Orlandi e Rosa Maria Marquezini

Dia 24 de março (quinta-feira), às 19h

Espaço Cultural Colinas

Colinas Talks – Encontros com Cris Borges

A ousadia de trilhar caminhos inusitados, com as atletas Mariana Azevedo e Tchérena Mundin

Dia 31 de março (quinta-feira), às 19h

Espaço Cultural Colinas

Fonte: CABANA | Suzane Rodrigues

Coluna Propaganda&Arte

De Almeida Júnior a Boticário: quando o normal vira arte

Estereótipo, inclusão e identificação. Essa combinação de palavras nunca esteve tanto em discussão na propaganda como hoje em dia. Mas na arte, ela já é debatida há muito tempo, com Almeida Júnior, por exemplo, lá por 1880. Será que o tema é moda ou é um fenômeno que veio pra ficar? Bora entender melhor!

Gente como a gente

Almeida Júnior foi um importante pintor brasileiro nascido em Itu em 1850. Pois é, faz tempo sim e, como a cidade já prometia, seu talento era GIGANTE. (ha-ha) Tanto que, em 1876, o Imperador Dom Pedro II conheceu seu trabalho em uma viagem ao interior paulista e decidiu pagar uma bolsa para ele estudar na Europa.

Lá é onde ele começa sua jornada de aperfeiçoamento e mudança gradativa nos temas abordados nas pinturas, diferentemente dos trabalhos do meio acadêmico, mudando de figuras religiosas para retratar o “caipira paulista” e a vida comum. Esse olhar pro interior lhe rendeu muitas comparações com movimentos na Europa de valorização do comum, cotidiano, uma linha artística chamada de naturalismo, tentando captar o real da sua forma mais crua. Uma busca que volta com tudo agora na propaganda.

O Violeiro, Almeida Junior

Boticário & CIA mudando geral (mas nem tanto)

De volta ao nosso milênio, grandes marcas ligadas ao ramo da beleza, como o Boticário, estão mudando os discursos, evitando palavras (normal e perfeito) que geram uma busca por uma beleza irreal, mudando os castings e atores, evitando o Photoshop, trazendo figuras mais “comuns”, tanto de estilo, como de características físicas, para tentar trazer mais realismo e naturalidade à comunicação de seus produtos. Algo que na prática mira em uma maior identificação do público, um cuidado com a saúde mental dos clientes em questões de autoaceitação e de olhar pro “interior”. Ou seja, estão indo na contramão dos filtros que deixam nossa carinha perfeita no Instagram, convenhamos. Mas, apesar do sucesso dessas redes sociais mais prejudiciais, até que tá rolando um movimento das marcas valorizando o que realmente importa: o que você é por dentro.

O que isso impacta na propaganda? Esteticamente, vale destacar os “defeitos”, como marcas da idade na pele, cicatrizes etc., todas as coisas que fazem a gente ser a gente, né? E, na minha opinião, isso vai continuar, independente dos rostinhos perfeitos, que também devem continuar.

O que vamos colocar no quadro?

A propaganda e a arte possuem papéis distintos e podem ser utilizados de formas diferentes. A arte pode ser feita para vender. A arte pode ser feita apenas para mostrar técnica, ser bela, inspirar, mudar o foco da discussão, mudar visões e criticar aspectos sociais. A propaganda também pode ser mais profunda, pode apenas vender, pode ser incrível, inspirar, pode apenas nos persuadir a fazer algo como comprar algum produto ou pode levantar debates sociais. Assim, estes assuntos continuam e devem ir longe, pois dizem muito sobre nós mesmos e nossas escolhas.

No final, a pergunta que fica é: o que vamos colocar no quadro?

Texto inspirado nas obras de Almeida Júnior, que apesar do fim trágico, deixou um legado inspirador durante sua vida.

A minha foto de abertura do texto foi alterada com base em uma inteligência artificial que aprendeu os traços de Leonardo Da Vinci. Conheça o projeto no site: https://www.davinciface.com