Publicidade que representa transforma: o papel da comunicação no combate à discriminação racial

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Hoje é celebrado o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Para quem vive a comunicação todos os dias, essa não deveria ser apenas mais uma data no calendário — mas um ponto de atenção, de reflexão e, sobretudo, de ação.

A publicidade ocupa um lugar estratégico na construção de imaginários. Ela não apenas acompanha os movimentos da sociedade, mas também ajuda a acelerá-los, freá-los ou redirecioná-los. Cada campanha, casting, roteiro ou conceito criativo contribui para definir quem aparece, como aparece e com que relevância.

Por isso, falar sobre discriminação racial dentro do universo publicitário é ir além do discurso óbvio. É reconhecer que, por muito tempo, a comunicação reforçou estereótipos, invisibilizou narrativas e limitou representações. E que ainda hoje há um caminho importante a ser percorrido.

Nos últimos anos, no entanto, começaram a surgir sinais de evolução. A presença de pessoas negras e de outros grupos historicamente sub-representados nas campanhas aumentou, impulsionada também por uma demanda clara do público — que, em sua maioria, quer ver mais diversidade na publicidade e acredita no seu poder de influenciar positivamente a sociedade. Ainda assim, os números revelam um paradoxo incômodo: a maior parte dos rostos ainda é branca, e a diversidade segue distante de refletir a realidade de um país plural como o Brasil.

Esse descompasso não está apenas na vitrine, mas também nos bastidores. As agências ainda são majoritariamente formadas por profissionais brancos, especialmente em cargos de liderança — o que impacta diretamente as decisões, os recortes e as narrativas que chegam ao público.

Representatividade, nesse contexto, deixa de ser uma escolha estética e passa a ser um posicionamento estratégico. Não se trata apenas de “incluir mais rostos”, mas de garantir autenticidade, profundidade e respeito nas histórias que são contadas. Até porque o público está atento — e cada vez mais crítico em relação a discursos que parecem oportunistas ou desconectados da prática.

A boa publicidade é aquela que conecta. E não há conexão verdadeira quando parte do público não se vê — ou pior, se vê de forma distorcida. Criar campanhas mais plurais é, ao mesmo tempo, uma questão ética e uma inteligência de negócio.

No fim das contas, comunicar é sempre um ato de escolha. E escolher construir narrativas mais justas, diversas e conscientes é o que diferencia marcas que apenas falam daquelas que, de fato, contribuem para transformar a sociedade.

Como organizar o fluxo de jobs dentro de uma agência

Imagem gerada por IA

Ou: como sair do caos criativo para um processo que realmente funciona.

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Se existe uma cena clássica dentro de qualquer agência de propaganda, é aquela em que tudo parece urgente ao mesmo tempo. Jobs entrando, prazos apertados, alterações de última hora e aquela sensação de que a equipe está sempre “apagando incêndio”. A verdade é que o problema raramente é a quantidade de trabalho — mas sim a forma como ele está organizado. Um bom fluxo de jobs não engessa a criação; ele dá ritmo, clareza e previsibilidade.

Comece pelo básico: centralize as demandas

Um dos erros mais comuns é receber pedidos por todos os lados: e-mail, WhatsApp, ligação, conversa de corredor… Resultado? Informação perdida e retrabalho garantido. Centralizar as demandas em um único canal ou ferramenta (mesmo que simples) já é um grande avanço. Quando todo job entra pelo mesmo lugar, fica muito mais fácil organizar, priorizar e acompanhar.

Defina etapas claras para cada job

Todo trabalho dentro de uma agência passa por etapas — briefing, planejamento, criação, aprovação e entrega. O problema é quando essas etapas não estão bem definidas ou são ignoradas no meio do caminho. Criar um fluxo padrão ajuda a equipe a entender onde cada job está e o que precisa ser feito em seguida. Menos dúvida, mais produtividade.

Prioridade não é “tudo urgente”

Se tudo é urgente, nada é urgente. Organizar o fluxo de jobs também passa por definir prioridades reais. O que tem prazo mais curto? O que tem maior impacto para o cliente? O que depende de outras entregas? Ter critérios claros evita aquela disputa silenciosa por atenção dentro da equipe — e reduz o estresse geral.

Distribua bem a carga de trabalho

Uma equipe desbalanceada é receita para atraso. Enquanto alguns profissionais ficam sobrecarregados, outros podem estar com capacidade ociosa. Ter visibilidade sobre quem está fazendo o quê ajuda a distribuir melhor os jobs e manter o fluxo mais equilibrado. Isso melhora não só a produtividade, mas também a qualidade das entregas.

Acompanhe — mas sem microgerenciar

Organizar o fluxo não significa controlar cada detalhe do trabalho da equipe. O ideal é acompanhar o andamento dos jobs, identificar possíveis gargalos e agir rapidamente quando necessário. Reuniões rápidas de alinhamento ou checkpoints ao longo do processo já ajudam a manter tudo nos trilhos sem sufocar a criatividade.

No fim das contas, organizar o fluxo de jobs é criar um sistema que permita que a agência funcione melhor — com menos ruído, menos retrabalho e mais foco no que realmente importa: boas ideias e bons resultados. Porque, no mercado publicitário, criatividade é essencial, mas organização é o que garante que ela chegue até o cliente no prazo certo.

Autorregulação: Central de Outdoor lança Manifesto de OOH Brasileiro durante o OOH Summit 2026

O Manifesto do OOH Brasileiro consolida princípios de autorregulação, estabelecendo diretrizes de ética, transparência e responsabilidade na atuação da mídia exterior – Crédito: Aline Sol

Documento estabelece princípios de autorregulação e reforça compromisso do setor com a regeneração das cidades; Mídia exterior é a terceira que mais recebe investimentos publicitários

A Central de Outdoor, maior associação de mídia OOH do país e uma das cinco maiores do mundo, apresentou oficialmente o Manifesto do OOH Brasileiro durante o OOH Summit 2026, evento que reúne mais de 700 lideranças do setor para discutir os caminhos e o futuro da mídia exterior, terceiro meio que mais recebe investimentos publicitários (CENP-Meios). O documento integra o Plano Nacional de Autorregulação das afiliadas da entidade e estabelece diretrizes que orientam a atuação responsável das empresas exibidoras em todo o território nacional, reforçando princípios como ética, legalidade, segurança operacional e respeito à paisagem urbana. O Manifesto, que conta com apoio das entidades FENAPEX, e CONAR, pode ser acessado na íntegra pelo link: https://centraldeoutdoor.org.br/ebooks

O crescimento da mídia exterior no Brasil vem sendo construído ao longo dos últimos anos. Um estudo da Tendências Consultoria, em parceria com a Central de Outdoor, mostra que o OOH respondeu por 10,8% dos investimentos publicitários em 2023, já entre os três maiores meios de comunicação do país.

Em 2024, esse espaço aumentou ainda mais, chegando a 11,3%, acompanhando a evolução do setor, cada vez mais conectado a dados, tecnologia e novas formas de planejar comunicação .

E o movimento continua. Dados mais recentes do CENP Meios 2025 indicam que o OOH já alcança cerca de 12,1% do investimento publicitário, reforçando sua consolidação no mix de mídia e seu papel como o terceiro maior meio do país.

O lançamento do manifesto integrou a programação oficial do evento em um painel dedicado ao tema autorregulação que reuniu representantes de entidades como FENAPEX, CONAR e da Central de Outdoor. O debate abordou a importância das boas práticas, da transparência e da governança para a construção de um mercado mais maduro, sustentável e alinhado às transformações das cidades e do consumo.

A presença da comunicação exterior pode contribuir para qualificar o espaço urbano, destaca Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor – Crédito: Alê Oliveira

A iniciativa parte do reconhecimento de que a mídia OOH ocupa um papel relevante na dinâmica das cidades, conectando marcas, pessoas e territórios. Diante dessa presença, o setor assume publicamente a responsabilidade de atuar de forma equilibrada e harmonizada com o espaço urbano, priorizando qualidade, organização visual e responsabilidade social.

Para Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, o documento representa um marco na consolidação de um modelo mais maduro e responsável para o setor. “Acreditamos no conceito de mídia regenerativa, em que a presença da comunicação exterior pode contribuir para qualificar o espaço urbano, estimular boas práticas e fortalecer a relação entre cidade, marcas e sociedade. O Manifesto do OOH Brasileiro consolida esse compromisso do setor com um modelo mais responsável, equilibrado e alinhado ao futuro das nossas cidades”, afirma.

Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, e Fabi Soriano, diretora executiva da entidade, durante o OOH Summit Brasil 2026 – Crédito: Alê Oliveira

A construção do manifesto foi resultado de um processo amplo de escuta e colaboração do setor, que contou com a consultoria do especialista Sérgio Rizzo, da RS Projetos. “Este é um trabalho que levou mais de um ano para ser desenvolvido, reunindo diferentes olhares do mercado com o objetivo de fortalecer ainda mais o segmento, trazer clareza sobre as boas práticas e contribuir para a evolução sustentável da mídia OOH no Brasil”, destaca Fabi Soriano, diretora executiva da Central de Outdoor.

Com OOH consolidado como terceiro meio de comunicação que mais recebe investimentos, o lançamento do manifesto marca o avanço de um setor mais compromissado com as cidades e a população – Crédito: Aline Sol

Entre os pilares do documento estão dez princípios estruturantes que orientam a presença responsável do OOH nas cidades, incluindo o distanciamento adequado entre peças publicitárias, a rarefação, baseada no conceito de “menos é mais”, a conservação das estruturas, a segurança técnica das instalações, a sustentabilidade das operações, a transparência nas métricas e o compromisso social do meio, com a destinação de espaços para campanhas de utilidade pública.

O manifesto também estabelece diretrizes relacionadas à governança e à legalidade, reforçando a importância do cumprimento da legislação municipal, do respeito a áreas protegidas e patrimônios históricos e da adoção de normas técnicas que garantam segurança e qualidade na operação do inventário publicitário.

Com o lançamento do Manifesto do OOH Brasileiro, a Central de Outdoor reforça a importância da autorregulação como instrumento para fortalecer a credibilidade do setor e ampliar o diálogo com o poder público e a sociedade.

Fonte: Agência ERA®