Minha coluna acabou por cair no Dia dos Professores este mês. E resolvi escrever sobre ensinar propaganda ou, mais amplamente, ensinar comunicação. Vamos lá!
Começo lembrando de uma frase que ouvi em um curso rápido que fiz e que foi ministrado por um grande amigo e companheiro de profissões (professor e publicitário), José Maria da Silva Jr.: “Era fácil dar aula de propaganda até há algum tempo…”
Realmente era mais fácil, embora lecionar qualquer coisa nunca seja tarefa simples e fácil. A propaganda, entretanto, permaneceu presa a um modelo de funcionamento por muito tempo. Embora sempre tenha sido uma atividade dinâmica e meio sem rotina, a propaganda vinha repetindo fórmulas e receitas por décadas.
As funções em torno das principais áreas – atendimento, planejamento, criação, produção e mídia – permaneciam quase imutáveis, embora algumas tenham aumentado de importância entre os anos 1980 e 1990, caso do planejamento e da mídia. Mas era tudo mais previsível e relativamente lento.
A partir do início dos anos 2000 a tecnologia acelerou tudo. A internet e os meios digitais vieram com tudo e alteraram tudo. Ou quase tudo. O mercado passou a ter dificuldade de apreender o que ocorria e tentar prever e/ou antecipar cenários. De lá para cá já lá se vão quase duas décadas. E as mudanças continuam em ritmo acelerado.
A academia (faculdades e universidades) colaborava com pesquisas, estudos e teorias sobre tudo que vinha ocorrendo.Tentava se manter no olho do furacão e ao mesmo tempo analisar e pensar. Tentava conceituar. Teve bons resultados, mas não foi e nem está sendo tarefa fácil. As mudanças são tantas que tenho dito que quem diz saber o que vai rolar daqui a cinco anos está claramente mentindo.
Desde então ensinar a tal da propaganda ficou mais complexo. Foi preciso esforço para aprender rapidamente o novo contexto. Para tentar entender de tecnologia. Tivemos que penetrar no universo digital para entendê-lo na prática. Tivemos que buscar novos autores, novas bibliografias, novos cursos e novos professores. Sim, gente nova para ensinar coisas novas.
O aluno também mudou muito. Ele é mais ansioso, menos paciente e apressado. Também quer as coisas mais “mastigadas” e nem sempre está disposto a absorver informação de forma linear e progressiva. Ele checa, no mesmo instante, o que você fala em sala de aula no Google via smartphone. Ele tem a atenção mais fragmentada e dispersa.
Tenho dito que tudo isso deixou maior o desafio de ensinar. E também deixou mais interessante. É preciso aprender e ensinar quase que simultaneamente. É preciso entender que aquele professor dono absoluto do conhecimento e da verdade sobre propaganda não existe e nem existirá mais.
Também tenho dito que não sei o que estarei ensinando daqui a cinco anos. Só sei que estarei ensinando comunicação. Seja lá como ela estiver até lá. E isso é que é bacana. Isso é que deixa tudo mais legal e desafiador.
Viva os professores de propaganda e comunicação. Feliz dia, meus amigos de profissão!!!
O “Uma pergunta” voltou. E desta vez questionamos o Fabiano Porto. O Fabiano é sócio diretor na Tec TríadeBrasil, é integrante do Comitê de Mídias Sociais da ABRADi Nacional, Diretor do Capítulo São José dos Campos da ABRADi-ISP e foi Diretor Regional Vale do Paraíba na empresa ILADEC.
Vamos conferir o que ele nos respondeu:
Qual é o maior desafio para atuar em mídias sociais no Vale do Paraíba?
O maior desafio em atuar nas mídias sociais como agência no Vale do Paraíba é a baixa percepção de valor das empresas da região em relação ao trabalho necessário para se atingir os objetivos. Existe um desconhecimento em relação as competência e habilidades necessárias para realizar um bom trabalho nas mídias sociais. Outro ponto é a falta de envolvimento real com o trabalho, uma vez que o marketing tradicional muitas vezes colocam a empresa como passiva no processo do marketing, ou seja, solicita para a agência e apenas aguarda os resultados. Porém, no marketing digital é preciso envolvimento e comprometimento em se instituir uma cultura organizacional compatível com o DNA das mídias sociais. Em outras palavras, as empresas da região ainda pensam que atuar com sucesso nas mídias sociais é apenas manter um facebook, instagram, youtube, etc atualizados. Mas não, é preciso que todos os funcionários, especialmente os que se relacionam com os clientes, saibam que precisam entregar agilidade, veracidade e qualidade em todo o atendimento, seja presencial ou virtual.
Para ter resultados crescentes e duradouros nas mídias sociais, é preciso ir além das publicações diárias, e envolver toda equipe da empresa para fazer da internet um canal genuíno de comunicação com os clientes.
O Meon – portal de notícias e informação do Vale do Paraíba, tem novo Executivo de Negócios. É Gilberto Marques, que já foi sócio da antiga e já inexistente Publicus Comunicação Publicitária, teve destacada passagem pelo SBT Vale do Paraíba ( onde atuou por muitos anos) e mais recentemente esteve no marketing da Sectron – Elevadores.