Coluna Propaganda&Arte

Por R. Guerra Cruz

As propagandas estão mais burras e emocionais? (Spoiler: a inteligência artificial não tem nada a ver com isso).

Na era das propagandas com IAs e das redes sociais, o que não falta são campanhas surpreendentes e controversas que repercutem por muito tempo. Mas será que, no meio de tanta informação, algumas delas estão indo na contramão da inteligência? Vamos investigar essa questão enquanto falamos do caju invertido, do ressurgimento de Elis Regina e nos dados alarmantes sobre a queda do QI.

O Caju de Cabeça para Baixo – Falem bem ou falem mal…

Há alguns meses, a propaganda do caju invertido da L’Occitane deixou muita gente de cabeça para baixo – literalmente. Com a fruta crescendo de forma nada convencional, a marca arriscou perder a cabeça dos consumidores, levando-os a questionar: “Eles realmente acham que somos tão burros assim?” Talvez eles estivessem só tentando dar um nó na concorrência, mas acabaram criando um nó na cabeça do público que “xingou muito no Twiiter” (ou X?) falando da burrice da marca. A questão é: vendeu ou não vendeu mais?

O Legado de Elis Regina – Vale tudo por mais um vídeo clipe

Enquanto isso, a Volkswagen decidiu ressuscitar a inigualável Elis Regina com a ajuda da inteligência artificial e recebeu tanto críticas como elogios. Parece que eles queriam tocar nossos corações, mas será que precisavam nos deixar tão emocionados a ponto de duvidarmos se estamos assistindo a um comercial ou a uma cena de um universo paralelo? Afinal, o grande objetivo disso tudo era ressuscitar nosso desejo de comprar uma kombi nova.

A Queda do QI – Estamos ficando mais burros.

E como se não bastasse, os dados sobre a queda do QI entre as gerações mais jovens chegaram para nos lembrar que talvez não sejam só as propagandas que estão ficando mais burras. Será que é o excesso de telas? A falta de leitura? Ou será que estamos nos tornando tão inteligentes artificialmente que estamos perdendo nossa própria inteligência?

Como diria o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França: Costumo ouvir que os nativos digitais sabem “de maneira diferente”. A ideia é que embora apresentem déficits linguísticos, de atenção e de conhecimento, são muito bons em “outras coisas”. A questão está na definição dessas “outras coisas”.

Então, amigos, enquanto nos divertimos com as propagandas mais burras e emocionais que o mundo já viu, vale a pena lembrar que, no final das contas, somos nós, o público, que decidimos o que é inteligente e o que não é. E sejamos sinceros, nada supera a inteligência genuína, nem mesmo os truques mais elaborados da inteligência artificial. Que possamos continuar a desfrutar das propagandas mais absurdas e comoventes com o bom humor e a perspicácia que só a verdadeira inteligência pode proporcionar.

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Além do Sudeste: potencialize sua campanha com estratégias regionais

Por Gustavo Alves*

Em outubro do ano passado, a L’Occitane au Bbrésil lançou, junto com a atriz Grazi Massafera, o filme “É tempo de Caju na pele!”. Nos segundos iniciais, vemos um caju, fruto que tem tanta representatividade para o Nordeste brasileiro, pendurado pela castanha e preso em uma árvore que não é um cajueiro.

Esse equívoco levou a uma repercussão negativa nas redes da marca, levando à pouca aceitação da campanha por parte do público. Esse deslize pode parecer irrelevante para quem não vive a realidade do Nordeste, mas, para quem está inserido nessa cultura, ver algo de tamanho significado ser utilizado de forma equivocada por uma marca pesa nos aspectos sentimentais para com ela.

Elaborar uma estratégia regional demanda conhecimento local aprofundado, pois é muito fácil cometer deslizes e fomentar certos estereótipos a depender da região. Sendo uma estratégia mercadológica ou não, é preciso entender como seu produto/serviço será inserido naquele local e como os atuais concorrentes, caso existam, atuam.

Dialogando com seu mercado

Independentemente de sua marca ser a primeira a atuar no setor daquela região ou não, é imprescindível criar uma conexão com a cultura local, pois não deveríamos adaptar comunicações de acordo com um direcional nacional, e sim criá-las exclusivamente para cada região.

O Nordeste tem potencial criativo para expandir ainda mais seus horizontes – basta um olhar fora da bolha e, principalmente, do eixo Rio-São Paulo -, mas, infelizmente, muitos Estados da região têm uma imagem construída por quem está de fora como pouco evoluído ou precário.

Thaynara OG, influenciadora digital e maranhense, eleva a cultura do seu Estado por meio dos seus canais há anos. Por exemplo, o São João da Thay, promovido pela influenciadora em benefício do UNICEF, já acontece há muito tempo; mais do que uma comemoração, o evento serve para mostrar ao Brasil as possibilidades que existem fora do que está à altura dos nossos olhos.

Já no Norte, há 15 anos, a Coca-Cola, patrocinadora por 25 anos do festival de Parintins, no Amazonas, abriu mão da sua principal cor, o vermelho, para dar espaço para o azul em uma ação no festival; no mesmo evento, o Banco Bradesco também deixou de lado a predominância vermelha e abriu espaço para o azul. Cases como esses nos mostram a possibilidade de marcas territórios que têm capacidade para gerar conexão, ou não, em locais sentimentais e de muito significado para cada um.

De maneira prática, utilizar abordagens tailor made garante maior agilidade, foco naquilo que precisa de fato ser resolvido e, claro, personalização. Mas, independentemente do modo de trabalho, o foco está na necessidade de falar a língua de quem queremos atingir.

Recomendações para sua marca acertar em outras regiões

Embora o exemplo da L’Occitane mostre que a marca está buscando ampliar sua área de atuação, é importante que as marcas tenham bastante cuidado na hora de se apropriar de outras culturas para abrir seu leque de potenciais consumidores. Afinal, é sabido que existe uma disputa acirrada para conquistar espaço não apenas na mídia, mas também na mente das pessoas.

A seguir, confira dicas que podem potencializar sua campanha com estratégias regionais:

1. Não apareça de surpresa e suma: Conquiste seu território e permaneça nele, cada vez mais forte e criando novas conexões com o público. É um grande risco para marcas que aproveitam apenas da sazonalidade para promover suas mensagens em regiões onde a maior parte do tempo não se vê nada sobre elas.

2. Não adapte material, crie: Crie de acordo com a realidade apresentada. Cada povo tem suas culturas e hábitos, cabe respeitar e usar aquilo que de fato seja relevante e, de alguma forma, entretenha. Adentre de fato na proposta e bons caminhos criativos surgirão.

3. Invista em agências, produtoras e veículos locais: Além de testar formatos exclusivos e provar da criatividade local, os clientes e anunciantes podem favorecer o mercado local alocando seus investimentos em propriedades regionais. É preciso levantar essa pauta, já que agências, produtoras e veículos locais têm, sim, potencial para levar sua mensagem ainda mais longe.

Por fim, a questão é maior que isso: ela ultrapassa o que é campanha ou qualquer estratégia. Estamos falando de locais com potenciais criativos brilhantes que precisam ser enxergados e investidos.

*Gustavo Alves é sócio e Head de Projetos e Atendimento na Karu, agência de marketing especializada em soluções tailor made.