Especialista comenta sobre o trabalho de gestão das redes sociais, comemorado no dia 30 de junho
Você já deve ter ouvido falar em social media. É uma profissão que vai ganhar ainda mais mercado no futuro, mas que já se faz presente e ajuda a manter a comunicação certeira em tempos de crescimento do marketing digital e relacionamentos entre pessoas e empresas via internet. No dia 30 de junho é comemorado o dia desse profissional, constantemente posto à prova para mostrar que o trabalho vai além de ser um usuário assíduo das redes sociais.
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O social media é, hoje, alguém capacitado que se especializa em diferentes ferramentas da comunicação digital e trabalha em conjunto com outras áreas da comunicação para fazer a mensagem chegar clara e precisa ao potencial cliente de uma empresa via mídias digitais. Quem explica é a especialista em marketing digital Paula Tebett, defensora da valorização da função que exige estudo em múltiplas competências.
“Não basta apenas a formação em comunicação para saber expressar um posicionamento pelas plataformas digitais. É preciso atualização constante em relação a ferramentas da tecnologia. Também é difícil pensar em conteúdo, estratégias, saber como e onde se marcar posição, os melhores dias de postar, criar anúncios e estar bem informado. Para ser social media precisa entender um pouquinho de tudo, da criação ao tráfego de dados”, afirma Paula. Ela considera ainda que existe algum preconceito sobre o social media, principalmente por falta de conhecimento sobre o que ele é capaz de produzir.
“Ainda há essa relutância, que pode ser percebida, principalmente, por parte das pessoas de gerações mais velhas, muitas delas empresárias que estão presas ao marketing tradicional offline. Mas esses também têm que entender que é um bom investimento ter um social media para cuidar das marcas, e não um gasto”, diz a especialista.
Paula Tebett
Ainda segundo Paula Tebett, o marketing digital é a primeira estratégia de vendas para profissionais de diversos segmentos, o que reforça a tendência e a necessidade de ter gente especializada capaz de anunciar nas redes sociais. No Brasil, a relevância é maior ainda quando se sabe que, em média, os brasileiros já estão usando a internet por quase 9h ao dia, sendo o uso das redes sociais correspondente a quase 5h diárias. Dentre as principais vantagens de se fazer o marketing digital, está a possibilidade de perceber alguns resultados gratuitamente, e, por isso, pensar e adaptar a comunicação estratégica com os potenciais clientes nas redes.
“Em mídias sociais a gente consegue fazer análises e ter métricas de forma mais simples e diretas, como respostas e comentários nos posts, sejam positivos ou negativos, curtidas e salvamento das postagens, além de rastrear cliques. Em mídias tradicionais como o outdoor, rádio e TV não existe isso. Tem como fazer estimativas de alcance, mas não se sabe quem, de fato, gravou a mensagem de uma marca, sem contar que hoje ainda é bastante caro investir em mídias físicas. Na mídia digital dá para atingir objetivos gastando menos”, pontua Paula, que começou a carreira ligada às mídias sociais em um período anterior ao marketing digital. “Eu fazia o marketing com publicações de forma orgânica, usando o Orkut, o MSN, o ICQ. Era muito primitivo, não existia anúncio nem plataformas próprias, mas a internet já indicava um caminho a ser seguido”, lembra Paula, que, atualmente, cria conteúdos para plataformas do Brasil e do exterior, como a MLabs, e cuida digitalmente da marca Insetisan.
Para auxiliar a comunicação é necessário contar com a tecnologia
*Por André Franco
A transformação digital se tornou uma realidade ainda mais presente com a chegada do novo coronavírus, já que o mercado de trabalho precisou se reinventar. Empresas em geral passaram a buscar estratégias de auxílio às áreas de comunicação interna e RH para poderem alinhar os processos operacionais com os colaboradores em home office. Com esse contexto, muitas delas já notaram que a chave de uma boa comunicação depende de um fator: a tecnologia. Principalmente neste cenário em que 47% dos respondentes afirmam que irão implementar o “teletrabalho” como opção permanente para os colaboradores, de acordo com um relatório da PCW baseado em um questionário com líderes de grandes empresas americanas.
André Franco
Algumas ferramentas têm se mostrado bastante efetivas para desenvolverem ações de comunicação interna, engajamento de colaboradores e employer branding – forma de transformar uma corporação em uma marca desejada para atrair e manter talentos. Com essa tendência, uma possibilidade que ganha cada dia mais espaço são os aplicativos e redes sociais corporativas, que dão voz para a liderança e conectam as organizações de uma forma interativa como uma rede social comum. Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada pelo Google mostra que o coronavírus promoveu várias transformações nos hábitos dos brasileiros e entre elas está presente o aumento da dependência da internet e tudo está se tornando virtual.
Mesmo antes da pandemia esse movimento também já estava acontecendo dentro da comunicação corporativa. Em 2019 a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) colocou a comunicação digital e instantânea entre as tendências para aquele ano e segundo a própria associação, “a Comunicação Interna é agora digital e instantânea e para ser eficaz precisa de apoios como repetição, atratividade, dinamismo e interação”. Um ano e meio depois a tendência se tornou essencial: 90% das empresas intensificaram o processo de comunicação digital, por meio da criação de canais, plataformas e redes sociais como medida tomada em decorrência do covid-19.
E é por esse motivo que líderes precisam se atentar às oportunidades que a tecnologia tem oferecido para o mercado. Também é importante que grandes corporações busquem formas de estarem preparadas para uma possível crise, por meio de funcionalidades desses aplicativos aplicativos que ajudam os profissionais de comunicação interna ou de agências na hora de gerir uma crise, disponibilizando um acesso a informações assertivas em tempo real, além de testarem o conhecimento e preparo de seus porta-vozes e colaboradores sobre o posicionamento da empresa com relação a temas sensíveis.
Já sabemos que a mudança para o digital chegou para ficar, além de otimizar processos, ela mudou a forma como nos relacionamos e comunicamos. Mas para ser uma transformação efetiva dentro das companhias, ela deve refletir a cultura organizacional e o propósito daquele ambiente. Por isso, tecnologia é uma das soluções para facilitar essa adaptação dentro da comunicação organizacional.
Portanto, manter uma boa estratégia de comunicação interna pode fazer a diferença para atravessar esse momento de crise. Ainda não é possível prever a extensão dos efeitos de uma pandemia ou mesmo quando tudo vai voltar ao “novo normal”. enquanto isso, a informação se torna o maior aliado para manter equipes engajadas e times unidos. As agências de comunicação, setor de comunicação interna e rh já podem contar com a ajuda dessas tecnologias para auxiliarem seus clientes em diferentes cenários.
*André Franco é CEO do Dialog.ci, startup responsável por desenvolver uma plataforma online de comunicação interna e RH para melhorar o engajamento dentro das empresas
Inteligência artificial no jornalismo: atravessamos a mais recente fronteira tecnológica, e agora?
por Guilherme Carvalho*
O dilema entre seres humanos e máquinas é, sem dúvida, um dos mais instigantes temas da modernidade. Seja por instrumentos movidos por força mecânica, a vapor, carvão, ondas eletromagnéticas, eletricidade, bytes ou algoritmos, este assunto é motivo de medos e, ao mesmo tempo, fascínio. Filmes como “Blade runner” (1982), “Matrix” (1999), “A.I. Inteligência Artificial” (2001), “Eu Robô” (2004) e “Ela” (2013), além da série “Black Mirror” (2019) não fizeram sucesso à toa. Além dos efeitos especiais, são produções que tocam na ferida e apontam para um futuro possível na convergência humana e tecnológica, geralmente retratada de modo conflituoso.
Como é característica de toda polêmica, este assunto é permeado por um dualismo. Parafraseando Umberto Eco, os “apocalípticos” tendem a traçar um futuro sombrio, no qual o trabalho humano se torna obsoleto. Para muitos destes, as máquinas são inimigas e o discurso soa conservador, percepção que remete aos tempos de ludismo, quando operários resolveram quebrar máquinas de tear no início do século XIX ao notaram que estavam sendo substituídos.
Esta percepção muitas vezes pessimista é confrontada pelos “integrados”, que tendem a ver os benefícios do desenvolvimento científico e tecnológico, sobretudo para o mundo dos negócios. Para estes, o uso de máquinas, robôs, e outras tecnologias é imperativa e um caminho sem volta que deve ser considerado como o futuro da humanidade. Temos então uma visão mais otimista que se referencia nos benefícios que isto pode trazer.
Eu, que não gosto de ditados populares, principalmente aqueles que reforçam o senso comum, me rendo em busca de uma frase que possa explicar de forma simples meu pensamento. “Nem tanto ao céu, nem tanto à terra”, meus amigos.
O jornalismo, atividade profissional como poucas que trabalha no tratamento da informação, vive intimamente uma relação de amor e ódio com as tecnologias. De um lado, acelerou a produção de conteúdos, facilitou o acesso a dados e fontes de informação, diversificou as atividades destes profissionais, expandiu de forma ilimitada a circulação de produtos jornalísticos, comprimiu tempo e espaço aumentando a produtividade. Ninguém negaria que estes são bônus colecionados ao longo dos anos para o jornalismo. Entretanto, vemos também as demissões de jornalistas, o esvaziamento das redações, a explosão de notícias falsas e desinformação, o cenário de hiperconcorrência midiática, o fim do monopólio da informação e as crises do modelo de negócios, entre tantos fatores que impactam negativamente a profissão.
A mais recente fronteira tecnológica atravessada pelo jornalismo é a do uso de inteligência artificial (IA) para a produção de notícias. Acontece que comparado a outras áreas como a indústria, o mercado financeiro, a medicina e a engenharia, o negócio jornalístico está ainda engatinhando. Apesar que devemos reconhecer as iniciativas que já circulam em nosso meio. É o caso da Narrative Science, empresa norte-americana que processa dados e os transforma em textos noticiosos. A agência Associated Press utiliza a ferramenta Automated Insights. O Washington Post, o Heliograf. O Los Angeles Times, o Bot Quake, que produz pequenas notas sobre tremores de terra. CNN, Forbes e The Wall Street Journal também já utilizam estes recursos. Em um nível intermediário, encontramos iniciativas como a Local Labs que opera pequenos jornais regionais e oferece edições locais e outros serviços para jornais de metrôs nos subúrbios. Também a ProPublica, que inspira vários projetos brasileiros, já utiliza um aplicativo de notícias, a Opportunity Gap. Estes exemplos são empregados desde 2009.
No Brasil, tirando alguns poucos casos (um exemplo é o Aos Fatos, que oferece aos leitores um robô checador de informações chamado “Fátima”), o assunto ainda é um tabu entre muitos jornalistas e pesquisadores. Parte deste silêncio se deve ao desconhecimento sobre o assunto. Termos como Machine learning e NLG e mesmo a utilização de algoritmos são pouco tratados no meio. Talvez, seja esta a sina expressa naquela velha máxima jornalística de que o jornalismo fala de tudo, menos de jornalismo.
É o que explica porque notícias que apontam a adoção de Inteligência artificial no jornalismo causem ainda arrepios. O episódio mais recente foi o anúncio da Microsoft Notícias e da MSN e que estaria demitindo 50 jornalistas para substituí-los por IA. Casos semelhantes já haviam sido publicados em outros lugares. A editora portuguesa MotorPress já havia sido denunciada pela demissão de 28 funcionários em 2009 pelo mesmo motivo.
Um dos desafios atuais, portanto, daqueles que vivem o meio jornalístico, seja profissional ou academicamente, é justamente o de entender o uso destas ferramentas e compreender de que maneira podem ser utilizadas para o bem do próprio jornalismo. Se partirmos da premissa descrita pelo pesquisador finlandês Carl-Gustav Linden, ou seja, de que se trata de um sistema regido por “um conjunto de operações autossuficientes a serem desempenhadas passo-a-passo, como cálculos, processamento de dados e raciocínio automatizado – um conjunto de regras que definem precisamente uma sequência de instruções que serão compreendidas por um computador”, perceberemos que a ação humana é insubstituível. Afinal, quem programa estes sistemas, quem define o que é mais ou menos relevante, qual estrutura hierárquica de informações deve ser considerada na elaboração do conteúdo?
Não perceber esta realidade pode relegar os jornalistas a um papel secundário neste processo, enquanto programadores, engenheiros, gestores e tecnólogos da informação, entre outros profissionais, assumirão este posto.
A partir de uma compreensão mais técnica, podemos vislumbrar o uso destas tecnologias no processamento de grande volume de dados, a busca de informações em bases restritas ou segmentadas, o acesso a informações de arquivos históricos, na checagem de informações e declarações de autoridades, na produção de notas complementares que podem ser somadas a reportagens e outros conteúdos. Enfim, são várias as possibilidades.
Estou convencido de que ponto fundamental deste debate deve seguir no sentido de compreender os aspectos técnicos da IA associado aos princípios éticos do jornalismo e seu caráter de interesse público, que incluem a honestidade para com os consumidores de produtos jornalísticos. Nesse sentido, é preciso superar o dualismo entre humanos e máquinas e começar a pensar sobre as aplicações e implicações desta associação, reconhecendo o papel do trabalho humano, crítico, criativo, sensível às condições sociais e aos mais variados contextos.
A superação destas limitações pode não apenas apontar a superação da crise de legitimidade do jornalismo aberta com a difusão da internet, mas colocar o jornalismo de fato no século XXI, associando precisão, volume e rapidez, aspectos que caminham de braços dados com a sustentação financeira e relevância social dos veículos.
*Guilherme Carvalho é pós-doutor em Jornalismo e coordenador do curso de Bacharelado em Jornalismo do Cento Universitário Internacional Uninter.
A nova função lançada pelo Instagram promete fazer o aplicativo ganhar força em uma disputa sobre produção de conteúdo de vídeo com o TikTok. A plataforma do Facebook anunciou que vai colocar em funcionamento nesta quarta-feira, 24 de junho, o Reels, um jeito diferente de criar os vídeos que podem ser compartilhados nos stories e no feed de cada perfil.
O Reels, como é conhecido no exterior, é o antigo Cenas, e vai permitir que o usuário edite os vídeos, insira músicas e salve rascunhos da criação, sendo bem parecido e incorporando algumas ideias do TikTok, da empresa chinesa ByteDance. A preocupação do Facebook, detentora do Instagram, é a forte concorrência dos chineses, que tiveram o aplicativo mais baixado nos últimos meses e bombaram com o crescimento durante a quarentena.
O Instagram já tem algumas estratégias definidas para o Reels. A maneira diferente de gravar e produzir os vídeos pode ser encontrada como uma das diferentes opções ao entrar na tela de criação dos Stories. De lá, é fácil seguir os passos de forma intuitiva e começar a filmar e editar o conteúdo. Mas o ponto central está no espaço dedicado aos vídeos produzidos no formato do Reels. O Instagram vai dar mais destaque a esse tipo de conteúdo na seção “explorar”, onde o usuário pode pesquisar e ver os conteúdos sugeridos pela mídia. Nesta parte o Instagram vai se aproximar do TikTok ao disponibilizar conteúdos que estão em alta, independentemente da escolha do usuário. O Reels também chega nos perfis com ícone de destaque ao lado do ícone do IGTV, tornando o acesso aos conteúdos produzidos bem intuitivo e simplificado.
Toda essa estratégia do Instagram tem ainda outro motivo. O TikTok permite que os seus vídeos sejam compartilhados em mais plataformas, incluindo na rede do Facebook. Quando isso acontece, o Instagram automaticamente diminui o engajamento dos posts vindos com a marca d’água do concorrente, para não dar muita visibilidade à outra mídia. Assim, a adaptação do Cenas no Reels vai dar mais força ao conteúdo nativo do Instagram gerado pela funcionalidade. Para os usuários e influencers no Instagram, será uma boa fonte de crescimento na rede em futuro próximo.
Vale lembrar que o Instagram tem esse perfil de incorporar conceitos dos concorrentes para também crescer. A criação dos stories, que hoje fazem tanto sucesso, foi um dos casos, quando a plataforma se utilizou das ideias do Snapchat, aplicativo que fez sucesso e foi superado no Brasil, por exemplo. O Reels já está disponível em três países, entre eles o Brasil. Os brasileiros são grandes criadores de conteúdo e sempre se adaptaram muito bem às redes que estimulam a produção de vídeos, além, é claro, de constituem um grande mercado para o Instagram. A plataforma também disponibilizou a função Reels na Alemanha e na França.
Parece que o TikTok entrou mesmo no Instagram.
*Paula Tebett é carioca, especialista em marketing digital e empreendedora apaixonada por comunicação. Graduada pela FACHA (jornalismo) e Fundação Getúlio Vargas (marketing). Tem experiência de mais de 10 anos em Marketing e hoje atua como consultora e palestrante, ministrando treinamentos em mídias sociais.