Entre redações e marcas, jornalistas redefinem a profissão no Brasil

Com menos espaço nas redações, jornalistas migram para novas frentes e redesenham o papel da profissão no Brasil – Crédito: Freepik

No Dia do Jornalista, mudanças no mercado ampliam atuação fora dos veículos e levantam debate sobre formação e prática

No momento em que a profissão celebra seu dia, em 7 de abril, o jornalismo brasileiro vive uma mudança silenciosa, mas consistente. Cada vez mais profissionais deixam as redações e passam a atuar em áreas como assessoria de imprensa, comunicação corporativa e produção de conteúdo.

O movimento ocorre em meio à redução de postos formais em veículos e à transformação no consumo de notícias, cada vez mais mediado por plataformas digitais. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas indicam que parte significativa dos jornalistas já atua fora da mídia tradicional, com a assessoria de imprensa concentrando a maior parcela desses profissionais.

Para a jornalista Camila Augusto, que trabalhou em redação e hoje atua na formação de profissionais, a mudança reflete um novo cenário de atuação. “Hoje, o jornalista precisa entender que a formação não limita a atuação à redação. Existem outras frentes possíveis, mas elas exigem preparo específico”, afirma.

Camila Augusto – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, a transição tem exposto uma lacuna entre a formação tradicional e as demandas atuais do mercado, especialmente em áreas como comunicação estratégica, posicionamento e gestão de imagem.

Redações sob pressão

Ao mesmo tempo em que o mercado se amplia fora dos veículos, as redações enfrentam um cenário de enxugamento e reconfiguração.

Para a jornalista Angela Maria Curioletti, editora e fundadora do Portal Minutta, a saída de profissionais experientes impacta diretamente o fazer jornalístico. “Não é só a mão de obra que se perde. É a sensibilidade, a responsabilidade e a credibilidade. Jornalistas com experiência aprendem a desconfiar e a apurar com cuidado”, afirma.

Angela Maria Curioletti – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ela, o desafio vai além da formação de novos profissionais e passa pela sustentabilidade dos próprios veículos. “Ter um veículo vivo depende de bons jornalistas, mas também de estrutura. Precisamos produzir conteúdo e, ao mesmo tempo, sustentar equipe e credibilidade.”

Apesar das dificuldades, Curioletti afirma que o jornalismo pode se manter financeiramente viável, desde que haja adaptação. “Não dá mais para depender de um único modelo. É preciso se reinventar, testar formatos e buscar novas fontes de receita, sem abrir mão da responsabilidade.”

Fora da redação

Para parte dos profissionais, a saída das redações não representa ruptura, mas mudança de caminho.

O jornalista Paulo Novais, que iniciou a carreira em redação e televisão, passou a atuar com assessoria de imprensa ao buscar maior autonomia e atuação estratégica. “Foi um processo gradual. Eu percebi que poderia usar a bagagem da redação de forma mais estratégica, ajudando outras pessoas a se posicionarem melhor na mídia”, afirma.

Paulo Novais – Crédito: Arquivo pessoal

Segundo ele, a experiência em veículos continua sendo central na nova atuação. “A redação te ensina a apurar, a construir pauta e a entender o que é notícia. Isso continua sendo essencial.”

A principal diferença, está na lógica de trabalho. “Na redação, você está focado em informar. Fora dela, você precisa pensar em posicionamento, relacionamento e construção de reputação.”

Mudança de papel

A migração também implica uma redefinição da função do jornalista.

Ao deixar a redação, o profissional passa de observador externo a agente que representa interesses institucionais, o que exige maior clareza sobre sua atuação.

“O jornalista precisa entender quando está informando e quando está defendendo um interesse”, afirma Camila Augusto.

O cenário se torna mais complexo com a presença de influenciadores e produtores de conteúdo, que atuam no mesmo ambiente e aproximam informação, opinião e publicidade.

Um novo ambiente de informação

As mudanças na carreira acompanham a transformação no consumo de notícias. Relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism aponta a consolidação das plataformas digitais como principal meio de acesso à informação e a fragmentação das audiências.

No Brasil, esse contexto inclui a redução de vínculos formais nas redações e o aumento da demanda por habilidades como produção multimídia, gestão de redes sociais e análise de dados.

Fonte: TH Comunica | Assessoria de Imprensa

Mais uma vez no shortlist do Festvideo

A Outracena, produtora de SJCampos, está mais uma vez no shortlist do Festvideo, edição 2026, com o filme do natal de 2025 do Vale Sul Shopping.

Para a produção foi construída uma praça de 400m2, com árvores, bancos, playground, e um fundo cenográfico de 320m2, em um estúdio de 1.000 m2 em São Paulo, onde a produtora contou uma emocionante história sobre gentileza, que foi a mensagem escolhida pelo shopping no natal de 2025.

Foram mais de 97 profissionais envolvidos, uma equipe incrível, elenco, figurino, maquiagem, cenografia, canção original, montagem, color, tudo feito com muito detalhe.

Nesse link você assiste ao filme 
E quem quiser ver um pouco sobre o que rolou por traz das câmeras, tem o making of nesse link

Dia da Mentira: 4 mitos sobre Live Marketing em que o mercado ainda acredita

Especialista analisa como a estratégia passou a integrar as iniciativas de construção de marcas

Todo 1º de abril costuma ser marcado por brincadeiras e histórias duvidosas. Mas, fora das redes sociais, algumas ideias equivocadas continuam circulando com bastante seriedade no mercado de comunicação. Uma delas envolve o Live Marketing, estratégia que, apesar de cada vez mais presente em eventos, festivais e ativações de marcas, ainda é cercada por interpretações erradas.

“Em muitos casos, essa estratégia é reduzida a ações pontuais ou associada apenas a grandes produções. Na realidade, o Live Marketing evoluiu para uma frente estratégica de relacionamento entre marcas e público, com impacto que vai muito além do momento da experiência”, comenta Haynabian Amarante, COO da HUSTLERS. BR.

Pensando nisso, a executiva cita quatro mitos sobre o live marketing. Confira:

Mito 1: Live Marketing é apenas entretenimento

A associação com experiências divertidas e chamativas é compreensível — estandes interativos em festivais, ativações que rendem fotos nas redes sociais e ambientações imersivas fazem parte do repertório do Live Marketing. Mas reduzir a estratégia a entretenimento é parar na superfície.

Na prática, o Live Marketing funciona como um ambiente privilegiado de experimentação e relacionamento. É quando as marcas conseguem observar o comportamento do público em tempo real, testar narrativas, apresentar produtos com profundidade e criar conexões que dificilmente se constroem por meio de publicidade tradicional.

A experiência pode ser divertida, mas o que fica é a construção de uma relação entre marca e pessoa que influencia percepção, preferência e decisão de compra.

Mito 2: Live Marketing é coisa de empresa grande

Estruturas monumentais em festivais de grande porte têm visibilidade garantida, e ajudam a alimentar a ideia de que Live Marketing é sinônimo de alto investimento. Esse cenário existe, mas está longe de representar tudo o que a estratégia oferece.

Ativações locais, experiências em pontos de venda, intervenções urbanas e iniciativas culturais de menor escala podem gerar conexão intensa com o público sem exigir produções complexas.

A precisão da proposta é que define resultados, muito mais do que o tamanho do orçamento. Uma experiência bem pensada, contextualizada e alinhada ao público certo frequentemente supera, em impacto real, iniciativas de alto custo que não dialogam com quem participa.

Mito 3: Live Marketing é somente evento corporativo

Durante muito tempo, o Live Marketing foi confundido com eventos empresariais, convenções, feiras de negócios e encontros internos. Essa associação ajudou a consolidar a ideia de que se trata de uma área ligada exclusivamente à produção de eventos institucionais.

Hoje o conceito se expandiu e abrange formatos muito distintos, como ativações em festivais culturais, experiências em espaços públicos, ações itinerantes, intervenções artísticas, pop-up stores, experiências em lojas e iniciativas híbridas que combinam presença física e interação digital.

Cada formato responde a objetivos específicos, como lançamento de produto, construção de marca, fidelização e geração de leads, e pode ser aplicado em contextos completamente diferentes entre si.

Mito 4: É uma ação pontual, sem impacto de longo prazo

A ideia de que o Live Marketing se esgota no dia do evento desconsidera uma das características centrais da estratégia, que é sua capacidade de gerar desdobramentos. Experiências ao vivo produzem conteúdo espontâneo nas redes sociais, estimulam cobertura da imprensa, geram material para campanhas futuras e, quando bem executadas, influenciam a percepção da marca por um período prolongado.

A ativação é só o ponto de partida, o impacto real costuma se revelar nos dias e semanas seguintes, quando a experiência continua circulando em forma de relatos, vídeos e compartilhamentos. Quando integrado a uma estratégia de comunicação mais ampla, o Live Marketing ocupa um dos pontos de maior densidade na jornada do consumidor.

“Talvez o maior equívoco seja tratar o Live Marketing como algo pontual. Na prática, ele funciona como um catalisador de conversas, conteúdo e relacionamento. Quando bem planejada, uma experiência pode manter acesa a chama do tema durante muito tempo depois do momento em que acontece”, finaliza.

Ação que transforma rede wi-fi em defesa ao meio-ambiente vira Lei em cidade do Litoral Paulista

Criada pela agência Felicidade Collective, “Wi-Fi Consciente” busca novos destinos para ampliar programa de conscientização e preservação ambiental

Um projeto que nasceu como uma forma simples e efetiva de levar maior conscientização sobre importantes causas do meio ambiente acaba de virar Lei na cidade de Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo. Intitulada “Wi-Fi Consciente e criada no início de 2025 pela agência Felicidade Collective para a Associação Amigos de Itamambuca, a iniciativa foi aplicada primeiramente no bairro de Itamambuca, tendo ampla adesão do comércio e estabelecimentos de serviços locais para, na sequência, evoluir para uma proposta de legislação – que foi rapidamente aceita e, agora, promulgada.

A Lei N.º 132/2025, em vigor desde fevereiro de 2026, leva o nome da campanha “Wi-Fi Consciente” e estabelece a divulgação de mensagens ambientais no nome das redes de wi-fi. Aprovada por unanimidade, ela já começa a ser adaptada pelos estabelecimentos da região. Em vez de “Pousada_da_Maria”, por exemplo, o público começa a se deparar com mensagens de incentivo e conscientização ambiental como “não_deixe_lixo_na_praia”, “mantenha_a_praia_limpa”, “proteja_o_sarue” e “preserve_o_jundu” ao buscar o acesso ao wi-fi.

Com isso, instituições públicas da cidade são obrigadas, enquanto estabelecimentos privados são convidados, a trocar o nome de suas redes de internet sem fio oferecidas à população por dicas e direcionamentos de preservação, ampliando conscientização e engajamento da população e, principalmente, dos turistas e visitantes sobre o cuidado com o meio ambiente. Além dos nomes das redes, os estabelecimentos também são orientados a colocar uma senha que dê continuidade às mensagens de boas práticas.

“Foi uma ideia simples, que dependia apenas do engajamento dos comerciantes para funcionar e ser amplamente divulgada entre a população. Em alguns meses de projeto rolando, a aceitação foi tão boa que logo levaram para discussão na Câmara Municipal com objetivo de estabelecer uma lei. É um projeto com custo zero para quem adere, que usa um elemento que todos querem como ponto de contato para educar e gerar consciência”, conta Tomás Correa, cofundador e CCO (Chief Creative Officer) da Felicidade Collective.

Para ampliar ainda mais a participação de comércios e instituições privadas, o projeto prevê que as empresas que aderirem ao programa recebam o selo de Empresa Amiga do Meio Ambiente, concedido pela Prefeitura de Ubatuba e que precisa ser renovado anualmente, estabelecendo uma chancela para quem cuida e ajuda a disseminar a educação e boas práticas ambientais. Além dos adesivos que sinalizam “Aqui tem wi-fi com educação ambiental”, a agência está trabalhando em novos materiais de comunicação como displays e banners que vão ampliar o conhecimento do projeto, convidando o público a acessar via QR Code uma cartilha que ensina como aproveitar as praias preservando a natureza. Com a mensagem distribuída por toda a cidade, a campanha deixa de ser uma ação isolada e passa a fazer parte da cultura local, e os turistas entendem o contexto e, naturalmente, passam a fazer parte do movimento.

Criada em formato “open source”, em que qualquer comunidade ou município pode replicar, a Felicidade busca agora ampliar a iniciativa para outras cidades brasileiras, transformando os nomes das redes de wi-fi em veículos de conscientização. O programa conta com um site que permite aos estabelecimentos solicitar o selo participante, baixar materiais de comunicação do programa e guias de capacitação para empresas.

“Estamos falando de uma ação que não tem fronteiras ou barreiras de língua. Uma vez que a conscientização ambiental é importante e necessária em qualquer lugar do mundo, sobretudo em pontos turísticos, essa iniciativa pode em breve se tornar um padrão global com zero investimento e baixíssima complexidade, mas com um enorme impacto positivo.”, complementa Correa.