Coluna Branding: A alma da marca

Futebol é DNA

Pra começar bem esse novo ano, meu primeiro artigo de 2016 vai falar sobre branding no futebol. E como esse assunto não se discute prometo não puxar sardinha para o meu timão de coração.

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No branding é chamado de DNA o núcleo da identidade de uma marca. Isso é, conhecer a si mesmo, quais são seus valores, suas fraquezas, seus concorrentes e seus princípios, os quais a marca se baseia e é fundamentada.
No futebol, esse DNA é exatamente o que faz um clube vencedor ou não, como disse Ferran Soriano em seu livro “a bola não entra por acaso”, onde conta sobre a formação do DNA do Barcelona.

E pra não dizer que não polemizarei, digo que entre os times de São Paulo o melhor trabalho do ano passado não foi o do campeão brasileiro, Corinthians. Mas para mim a reconstrução do Palmeiras. Embora não tenha muito explícito seus símbolos o Palmeiras é uma marca da tradição familiar italiana, onde a “labuta” é valorizada e a emoção aflora como nunca nos diálogos.

O interessante nisso é ver o Zé Roberto fazer um discurso tão inflamado. Tipicamente italiano!
Ele, que sempre foi um jogador de pouca exposição na mídia, de uma hora pra outra se tornou a identidade do DNA do clube.

Outro símbolo dessa boa gestão de marcas está no Allianz Arena e o reflexo disso no seu programa de sócio torcedor. Foi como chamar a família para a macarronada de Domingo. Casa cheia e dinheiro no bolso.

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É aí que se mostram as diferenças entre os dois campeões do ano passado. Não que o Corinthians não esteja com sua marca sendo bem construída, acredito que hoje ainda é a mais bem consolidada do momento em São Paulo. Tem identificação com a torcida, achou no Tite o seu representante, vem conseguindo implantar a cultura do sofredor vitorioso, um dos mais poderosos arquétipos de construção de marca o “caminho do herói”. Mas suas decisões estratégicas diretivas tem muitas vezes se equivocado. Vou dar 2 exemplos: o investimento Zizao, não foi de todo fracasso, mas deixa claro que foi mal aproveitado. Se os olhos da China estão voltados aos jogadores do Corinthians é porque estes olhos puxadinhos também conhecem e reconhecem a marca do clube. Então, cadê o retorno de marketing em cima da crise? Cadê a limonada desse limões? Abriu-se uma excelente oportunidade de fazer relação com os clubes e torcedores chineses. Não deveriam ficar se lamentando por eles estarem levando jogadores. O erro do timão foi multas pequenas, mas vamos aprender com o erro e ganhar dinheiro com o Corinthians chinês! Camisetas, jogos treinos com os Chineses, propaganda, internet! Todos os holofotes deveriam vender o sucesso da marca na China e não ficar como terra arrasada pela bomba oriental.

O segundo exemplo é exatamente o único jogador que não quis ir pra China. Alexandre Pato! O que este “jogador coxinha” tem do DNA de um clube, que é focado no proletário sofredor?

Mandaram mal na contratação porque só pensaram no negócio e não na marca. O Pato funcionou no tricolor paulista pois tem identificação com a cultura, mais “nobre” presente no DNA do São Paulo.

No tricolor a direção do clube bateu muita cabeça no ano passado. Ao meu ver foi a pior entre os 4 grandes, e precisou primeiro passar por uma reestruturação e isso começou com a perda de seus símbolos.

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No entanto, vejo com bons olhos o movimento desse começo de ano. A aposta no técnico estrangeiro é algo que, se pode dar certo nos clubes paulistas, será no Tricolor. A redução da folha salarial da equipe para equilibrar as contas está contrabalançada com a chegada do símbolo Lugano. Identificação é este o recado da direção do São Paulo para os jogadores. E estão mais do que certos.

Sobre o Santos, embora tenha pouco pra analisar no contexto do ano passado. O time da baixada, tem como seu DNA a revelação de craques. “Os meninos da vila”! O clube vem fazendo isso com perfeição, mas esta no momento de entresafra, as estrelas da vez são Gabigol, Lucas Lima (que não nasceu lá mas é tratado da mesma forma) e o Geuvânio. Todos especulados para sair, mas que o Santos mantém com maestria. Precisa manter! Pois a cultura desse clube é alimentada pelo estouro de craques na Vila e todos estes jogadores estão bem perto de fazer isso acontecer.

Depois deverá ser vendido por uma fortuna que manterá o cofre por 4 ou 5 anos até surgir o novo. Se a diretoria não fizer lambança isso funcionará muito bem como prova a história de Neymar e Robinho. O último que por sinal já deu. Minha opinião não precisa vir para o peixe, esqueçam o craque do passado e invistam na base! Pois o seu DNA é olhar para o futuro.

Até o fechamento dessa coluna pode haver alguma mudança no mercado da bola, mas uma coisa não pode mudar, DNA é pra sempre!

Que venha a temporada de futebol brasileiro. Boa sorte a todos, é um feliz 2016.

Coluna “Discutindo a relação…”

As vagas… ahhh essas vagas!

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Nas últimas duas semanas este blog postou um grande número de vagas abertas no mercado de comunicação do vale do Paraíba. Tem sido até surpreendente tal movimentação em função do cenário de alta retração na economia do país. Esse texto, entretanto, não quer discutir ou apontar os motivos por trás desse número grande de vagas ofertadas. Não! Esse texto quer comentar as reações às vagas ofertadas.

Vamos lá!

Uma das motivações para esse artigo foi este post no Facebook de minha ex aluna e ex orientanda Juliana de Oliveira:

“Ultimamente, vendo vagas abertas para a área de Comunicação, não sei se sou eu é quem está por fora ou se as agências e/ou empresas que ‘exageram’ na procura do candidato. Nos requisitos a gente vê cada exigência que eu fico tipo ‘ué?’.
Se é para estágio, tem que dominar quase todas as ferramentas de edição de imagem; tem que dominar as redes sociais; tem que dominar everything! [mas acabou de entrar tem que saber tudo isso?]
Se é para um emprego, tem que ter tido vasta experiência; ter atuado como social media; conhecer marketing, planejamento, redes sociais, e edições de imagem, excel, word, access [acabou de se formar, quer ter uma experiência e nem olham o currículo].
Quem está numa Pós, aprendendo tudo isso, mesmo sem ter trabalhado em áreas afins, é quase que eliminado? Mandar currículo é fácil: anexar e enviar. Mas cadê o retorno? Nem do tipo: ‘obrigado pelo interesse, deixaremos seu currículo aqui e se precisar entraremos em contato’. Muito menos um: ‘venha nos fazer uma visita; seja voluntária; obtenha prática’. Nem isso as empresas/RH fazem.”

Quero num primeiro momento dizer que divulgo quase 100% das vagas de estágio ou emprego que chegam até meu conhecimento sem fazer julgamento de qualquer ordem. Faço isso porque acredito que toda oferta de emprego ou oportunidade de estágio tenha que ser divulgada. Se boa ou ruim o tempo e a experiência de quem preencheu a vaga dirá. Quem nunca teve um emprego ruim que levante a mão. Eu tive. E mais de um. Mas aprendi neles. Aprendi principalmente o que não queria e não deveria fazer. Aprendizados não surgem apenas de boas experiências, mas também das que não são boas.

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Depois devo dizer que há muita vaga ofertada incorretamente. Sim, é verdade! Muitas vezes isso ocorre por desconhecimento (principalmente quando a vaga é ofertada por empresas que não são de comunicação). Há confusão de funções e atividades, marketing e propaganda/comunicação principalmente. Temos que entender que o mercado contratante tem pouca e em alguns casos nenhuma informação sobre tais atividades.

Quando a vaga é ofertada por uma agência ou empresa de comunicação considero o erro mais grave. Agências querem pessoas com múltiplas funções. Um dos erros mais frequentes é pedir um estagiário ou profissional de criação. Oras, a agência quer um diretor de arte ou um redator? Querer um super profissional que faça as duas coisas bem feito é incorrer num erro primário. Outro erro frequente é querer que a pessoa entenda de mídias sociais, criação(?), produção e edição de vídeos e marketing.

Outra falha comum tanto entre agências como entre empresas é exigir experiência quando se trata de estágio. Não existe estagiário experiente, certo? Estamos combinados? Estagiário irá para sua empresa para ganhar experiência e contribuir com alguns novos conhecimentos que por ventura traga das universidades que frequentam.Estágio foi feito para aprender e ganhar experiência e, como já escrevi outras vezes, de preferência deve haver um plano de estágio e profissionais seniores que trabalhem com os garotos e garotas. Um estagiário NÃO DEVE ser a área toda de comunicação de uma empresa!!!

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Acredito que um caminho para que agências e empresas acertem ao ofertar vagas com perfil bem definido é refletir com profundidade sobre quais necessidades e/ou demandas de comunicação precisam ser atendidas com a contratação de um estagiário ou profissional. Caso sejam muito amplas, o ideal é agrupar tarefas por afinidade e abrir mais de uma vaga. Caso exijam muito conhecimento e experiência, a opção deve ser por um profissional e não por um estagiário. Ou até mesmo contratar uma agência/empresa de comunicação (no caso específico de empresas que não sejam de comunicação).

Em todas as situações o que DEVE prevalecer é o bom senso e a honestidade. Contratar bem para resolver bem suas demandas de comunicação significa oferecer condições justas, adequadas e, sobretudo, atraentes. Bons profissionais e aprendizes são atraídos por desafios interessantes e uma combinação equlibrada de boa remuneração e bom ambiente de trabalho. Há muita oferta de mão de obra e muitos jovens talentosos e dedicados espalhados pelos bancos das nossas universidades (especificamente as do Vale do Paraíba). Uma boa oferta de vaga e uma seleção criteriosa podem lhe garantir uma ótima equipe.

Como há muitas atividades e funções novas em função principalmente do amplo desenvolvimento das plataformas digitais de comunicação, ainda vão ocorrer grandes e pequenas confusões na hora de definir e ofertar uma vaga. Portanto devemos ter também uma boa dose de paciência neste período.

E boa sorte tanto para contratantes quanto para contratados!

Coluna {De dentro pra fora}

Feliz Ano Novo! Feliz Comunicação Interna nova!

Vitor 2016

No finalzinho do ano passado, estava numa reunião de alinhamento de estratégias e meu Diretor soltou uma frase que eu achei muito interessante. Era mais ou menos assim: “2015 foi o ano das empresas cortarem verbas de comunicação. 2016 vai ser o ano de cortarem profissionais de comunicação”. (É claro que sempre existem exceções. Segmentos que vão melhor ainda em –tempos difíceis-). Porém, essa afirmação nos faz refletir sobre como será o cenário neste ano.

As agências terão que fazer muito mais pelos clientes. Inclusive assumir responsabilidades que a princípio seriam de um analista de comunicação (da empresa). Para isso tudo funcionar, as parcerias precisam ser fortalecidas e as empresas necessitarão confiar totalmente nas agências que contratam. Ponto positivo pra quem já faz trabalhos alinhados às estratégias das empresas! Afinal, o superficial vai perder espaço para o que realmente é importante. (Como deveria ser naturalmente, não?).

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Mas não quero focar muito nessa questão de como será e o que as agências terão que fazer. Quero refletir sobre as pessoas. A gente sempre estabelece aquelas metas pessoais de ano novo. Vamos estabelecer metas para essa relação agência-empresa? Agências e clientes terão que estreitar o relacionamento mais que nunca. Lembrar que são pessoas dos dois lados. E que tudo o que fazemos também é pelas pessoas. A chapa vai esquentar. A pressão vai aumentar. A demanda também! Pra gente não sair frito dessa história, é preciso de mais gentileza. Mais compreensão. Mais planejamento. Mais flexibilidade. Então, antes de qualquer correria e desespero em 2016, eu quero desejar que todos nós sejamos mais parceiros, mais tolerantes e mais unidos num ano que promete grandes desafios.

Ideias sim, formatos não

Coisas para pensar em propaganda no início deste ano

Em matéria e reportagem de capa da edição de 21 de dezembro de 2015, a Meio&Mensagem ouviu Ajaz Ahmed, fundador/proprietário da AKQA, uma das agências mais fora de padrão da indústria de comunicação atual. Ele começou a AKQA com apenas 21 anos. Hoje conta com 17 escritórios espalhados pelo mundo (incluindo o Brasil).

Ajaz Ahmed, fundador da AKQA

Ajaz Ahmed, fundador da AKQA

Dentre as várias coisas interessantes ditas por Ajaz destaco duas partes da entrevista.

A primeira é quando ele fala da necessidade urgente da propaganda deixar de ser “uma fábrica de formatos para se tornar uma fábrica de ideias”. E exemplifica com o uso dos chatíssimos comerciais de 30″ colocados antes dos vídeos do Youtube.Ou seja, a prevalência de um formato tradicional sobre uma mídia/canal/meio com características totalmente atuais e na qual o público escolhe ver o conteúdo onde, quando e como quiser. Aí vem a propaganda e impõe um formato tradicional e interruptivo. Totalmente incorreto!

Lembro de ter discutido algo bem semelhante em uma das minhas aulas de mídia ao falar do Spotfy. Para que colocar spots tradicionais num canal em que as pessoas querem ouvir música e apenas música? Quem usa Spotfy quer ouvir o que quer e na hora que quer. Sem interrupções. Então que tal buscar saídas inovadoras e criativas para mídias inovadoras? Pensar em uma ideia e não em um formato!

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A segunda parte que quero destacar é quando ele trata de três aspectos que considera fundamentais no perfil do novo profissional de comunicação: autonomia, domínio e propósito.

Autonomia está relacionado a maneira como crio meu próprio espaço para fazer o que é necessário fazer e também para conseguir educar outras pessoas. Ou seja, como estabeleço meu espaço produtivo e como isso influencia/influenciará na montagem de times criativos e produtivos. Modelos de negócio de agências são importantes aqui. Como sua agência atua, como ela organiza o escritório, como é a hierarquia? Como é o ritmo de trabalho?

Domínio trata do controle sobre o que se quer fazer ou o que se faz, seja arte, finanças ou ideias. É preciso ter conhecimento para ter domínio dos processos. Domínio resulta em segurança e credibilidade. Auto confiança!

E por último, mas nem por isso menos importante, temos o propósito. Ele está ligado ao fato de fazer algo pela comunidade, fazer algo que estabeleça um espírito de corpo em sua equipe. Fazer sua empresa de comunicação ser parte de algo maior que apenas o aspecto comercial. E o mais bacana é que é possível fazer isso com as marcas que a agência atende.

Ajaz Ahmed fecha a entrevista dizendo que a AKQA acredita totalmente nisso e que busca criar carreiras que deem às pessoas esses três pontos.