Coluna Propaganda&Arte

Marcas, antes de criar seu avatar, leia este texto

por Ricardo Guerra

Eles estão em toda a parte, se multiplicando sem controle, dominando não apenas o metaverso (que nem existe ainda), mas o nosso universo também. Os avatares virtuais das empresas são o novo #trend, mas existe o risco de uma linda criação cair no terrível uncanny valley e é sobre essa hipótese muito real que precisamos falar hoje (antes que seja tarde!).

O que é o uncanny valley? Sem enrrolação.

Para explicar esse “vale da estranheza” que nada mais é do que uma hipótese do japonês Masahiro Mori, eu posso mostrar simplesmente um gráfico.

Não entendeu? Tudo bem, vamos então explicar através dos avanços da robótica, mas pode ser aplicada em campos de computação gráfica também. A teoria proposta diz que nós (humanos) temos grande empatia e afetividade por seres que de alguma forma se parecem conosco. Um braço robótico, por exemplo, não possui quase nenhuma semelhança com um braço de carne e osso, mas o movimento nos é familiar e logo criamos uma boa impressão. Conforme criamos mais elementos, como cabeça, braços e pernas, ele pode ficar mais amigável e, com certeza, não iriamos fugir de um robozinho simpático, certo? A proposta aqui é justamente destacar o “vale da estranheza” quando o objeto/ser em questão começa a se aproximar demais do aspecto estético humano, mas você sabe que não é, gerando uma sensação de repulsa (aqui estão aqueles terríveis robôs humanoides, que tentam nos imitar, mas soam bizarros como o robô da imagem de destaque deste texto).

Após o vale, temos um crescimento da empatia, conforme cresce a verossimilhança ao ponto de se parecer 100% com um humano e voltamos a criar uma boa impressão e afeto com o objeto/ser. Aqui seria o caso de alguns robôs ultrarrealistas. Porém, essa linha (ou vale) é muito perigosa e é nessa hora que as empresas pecam em seus projetos de avatares de marca, que possuem justamente o objetivo contrário: criar empatia com o público.

Não criem seus avatares sem investir com inteligência!

Como vimos, o gráfico do começo do uncanny valley é super fofo! É nesse universo que estão os desenhos animados, robôs ajudantes e até alguns avatares famosos, como o Baianinho das Casas Bahia, tanto na versão antiga (2D) como na atual (3D). Ele não tem o compromisso de parecer 100% real, mas sim uma caricatura artística e essa é a estratégia mais conservadora, segura e comum de se seguir.

TOP 5 avatares que chegaram perto demais do uncanny valley

Criar um avatar virtual pode ser um projeto caro para uma marca. Alguns deles custam em média R$120 mil, só para se ter uma ideia. Além disso, quanto mais complexos, realistas e mais texturas tivermos, podemos colocar mais uma grana nesse custo inicial aí.

As marcas adoram surfar nas modas, porém, é preciso planejar muito bem como serão os aspectos técnicos da criação de um avatar, para não pecarmos nesse olhar humanizado e cair no “vale da estranheza”. Selecionei alguns avatares que correram esse risco.

1) Lu, do Magalu

2) Moça, do Leite Moça

3) Lil Miquela, influencer do Instagram


4) Iza, do Epa.

5) Mara, da Amaro.

Gostou? Veja se você não sente algo estranho com algum dos avatares e me diga sua opinião! Lembrou de algum outro avatar nesta mesma situação?

Como definir a continuidade de uma campanha

por Josué Brazil

Iniciei uma sequência de textos sobre planejamento aqui no blog. Começamos falando do planejamento como um todo. Depois detalhamos um pouco mais no texto seguinte, no qual abordamos os três conceitos fundamentais para definição da estratégia. Em um terceiro texto explicamos como definir o alcance de uma campanha.

Esse texto aqui tem a pretensão de finalizar esta sequência trazendo os indicadores que vão nos ajudar a definir qual é a continuidade ideal para sua campanha ou ação de comunicação.

Imagem por annca de Pixabay

Só para lembrar, continuidade é um conceito ligado a extensão de tempo de sua campanha e, principalmente, como são definidos os esforços de mídia ao longo deste tempo. E que nós adotamos quatro tipos básicos de continuidade: linear, concentrada, ondas e pulsação.

Nos últimos anos podemos nos arriscar a dizer que em função de mercados quase todos muito mais dinâmicos e competitivos, a continuidade do tipo pulsação virou uma espécie de coringa e acaba sendo a mais utilizada por planejadores de mídia.

Vamos aos indicadores:

▹CATEGORIA DE PRODUTO/SAZONALIDADE – consumo horizontal leva a continuidade linear ou pulsação. Sazonalidade conduz ao uso de concentrada;

▹CICLO DE VIDA DO PRODUTO – lançamento/relançamento levam a linear. Para marcas/produtos em sustentação podem ser usadas ondas, linear e até pulsação;

▹FREQÜÊNCIA DE COMPRA – alta frequência de compra indica continuidade linear ou pulsação. Baixa frequência permite o uso de ondas;

▹FIDELIDADE DE MARCA – baixa fidelidade conduz á linear, alta fidelidade indica atuação em ondas;

▹DIFERENCIAÇÃO DE DESEMPENHO – ondas para produto com claro desempenho superior aos concorrente. Desempenho pouco diferenciado leva ao uso de linear ou pulsação;

▹CONCORRÊNCIA – a atividade da concorrência é importantíssima e pode modificar totalmente qualquer decisão já tomada em função de situações anteriormente colocadas;

▹CONTEÚDO DE COMUNICAÇÃO – alto impacto de comunicação permite atuação em ondas ou pulsação. Já baixo impacto da mensagem sugere o uso de linear ou pulsação, dependendo da concorrência;

▹IMAGEM DE MARCA – boa imagem de marca conduz ao uso de ondas ou pulsação. Fraca imagem de marca leva a adoção de continuidade linear ou de pulsação.

Novamente nos apoiamos bastante aqui nas ideias de Edson Benetti em seu capítulo do livro “Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar”.

Importante ressaltar que para um bom planejamento de mídia os três pilares ou conceitos fundamentais (alcance, frequência e continuidade) devem estar equilibrados e atender aos objetivos de comunicação e marketing.

Consuma todos os textos desta sequência sobre planejamento de mídia. Sem moderação!

 

Como definir o alcance de público em uma campanha

Indicadores para definição de alcance

por Josué Brazil

Em meu último texto aqui sobre planejamento de mídia escrevi sobre alcance, frequência e continuidade; os três pilares do pensamento estratégico no plano de mídia.

Imagem de Brian Merrill do Pixabay

Agora vou trazer aqui alguns indicadores que nos mostram com que tipo de cobertura trabalhar de acordo com cada situação de mercado e comunicação. Para quem não leu o texto anterior, definimos três níveis de alcance: baixo (quando objetivamos atingir menos de 40% de nosso público alvo); médio (quando pretendemos falar com 40 a 70% de nosso público) e alto (quando buscamos conversar com mais de 70% de nosso público).

Vamos falar dos indicadores então:

CICLO DE VIDA DA MARCA – marcas e/ou produtos em situação de lançamento, relançamento e sustentação (principalmente para marcas de destacada liderança) é recomendável a alta cobertura (acima de 70%). Por outro lado marcas com baixa participação, sem produção suficiente para atender à demanda, a solução é média ou baixa cobertura;

OBJETIVOS DE MERCADO – De modo geral, quanto maiores os objetivos de mercado, maior a necessidade de atingir progressivamente novas parcelas de público;

CAMPANHA PROMOCIONAL – campanhas promocionais curtas e de rápida resposta exigem altas coberturas. Dependendo do volume de resposta desejado e necessário e da mecânica da promoção, soluções com média cobertura são boa opção;

DINÂMICA DA CONCORRÊNCIA/MERCADO – diretamente ligado ao posicionamento estratégico adotado pelo anunciante e da sua posição de mercado, além da configuração do mercado em que está inserido, ou seja, o que o cliente pretende em relação ao seu mercado afeta a escolha do nível de alcance de público;

COMUNICAÇÃO – quanto maior o nível de conhecimento e de lembrança da marca menor a necessidade de buscar novas parcelas de público;

PERÍODOS – a cobertura pode e deve variar ao longo da campanha (sazonalidade, férias, custos etc). Ela não precisa ser igual do início ao fim de um esforço de comunicação.

Neste texto me apoiei nas ideias de Edson Benetti em seu capítulo sobre Mídia do livro “Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar”.

Num próximo texto traremos os indicadores para definirmos que tipo de continuidade adotar em nosso planejamento de mídia para uma marca/empresa/produto/serviço.

Comércio phygital: 4 dicas para quem quer aderir à tendência e não sabe por onde começar

Especialista destaca importância de oferecer uma experiência phygital para atrair e fidelizar consumidores e traz exemplos de como aplicar a mudança no varejo

Cerca de 30% das vendas do varejo físico no ano passado tiveram participação da internet, sendo um fator decisivo na escolha dos consumidores, segundo pesquisa do Google, em parceria com a Forrester Research. A projeção para cinco anos é que o varejo venda R$1,85 trilhão, sendo R$403 bilhões provenientes do tráfego online. Estima-se também que 60% dos consumidores passaram a consumir de forma híbrida após a pandemia, de acordo com um levantamento da All iN e Social Miner, em parceria com a Opinion Box.

Essa jornada que transita entre o online e o off-line, por meio da integração de canais de venda físicos e digitais, é o que hoje se chama de comércio Phygital, considerado o futuro do varejo pelos especialistas do setor. Adaptar os negócios a essa nova realidade se tornou uma obrigação para quem pretende se manter competitivo no mercado e corresponder às expectativas do consumidor.

“Aderir ao phygital é uma questão de sobrevivência. Os lojistas precisam se adaptar e entender que essas mudanças são impostas por novos hábitos de consumo, mais aderentes ao consumidor conectado da atualidade, que deseja ter autonomia e liberdade para definir como será sua jornada de compra e quais etapas ele deseja fazer de forma digital e em quais ele prefere estar na loja física. Oferecer essa experiência phygital aumenta a competitividade do negócio e as chances de fidelização”, defende Anderson Locatelli, CEO da Sled, fintech criada para revolucionar o varejo físico com produtos financeiros inovadores.

O especialista destaca alguns exemplos de aplicações phygital que podem ajudar o varejo físico que quer investir nessa tendência:

Totens de autoatendimento – dão mais autonomia e agilidade para os clientes dentro das lojas físicas, permitindo que eles finalizem suas compras sem precisar passar por caixas e vendedores.

Aplicativos – são uma boa alternativa de canal adicional de vendas. É possível oferecer ao cliente a opção de comprar online e receber o produto em casa ou retirá-lo na loja física.

QR Code – é uma ferramenta versátil e econômica, que oferece diferentes aplicações. Pode direcionar para descrição de produtos expostos na loja física ou ainda permitir pagamentos via PIX com mais agilidade.

Pagamentos Digitais – eles caíram no gosto dos brasileiros e, portanto, diversificar os meios de pagamento é um fator de competitividade também. Além dos meios tradicionais, é interessante que o varejo físico disponibilize outros métodos, alinhados às tendências. Diversas fintechs oferecem soluções nesse sentido e vêm ganhando a confiança dos consumidores.