Coluna Propaganda&Arte

O timing na propaganda, na arte e na sua vida

Se você vive no ambiente do Marketing e Propaganda já deve ter escutado esse termo “timing”. Em uma tradução direta do inglês, seria algo como “cronometragem”. Em uma tradução informal é a capacidade de dar uma resposta em um momento ideal, nem antes e nem depois. Se olharmos especificamente na propaganda, é a capacidade de utilizar algum assunto do momento para divulgar o seu produto, gerando maior proximidade com o público e reforçando a lembrança da marca. Afinal, você está falando de algo que todos estão comentando, mas por ser uma marca, a sua voz tem mais força e acaba ganhando maior destaque (positivo ou negativo).

E, olha, não tem fórmula do sucesso para isso não. Se você acha que basta ficar de olho nos assuntos mais comentados e nos TTs do Twitter, está enganado. É preciso falar algo relevante e que tenha fit com a sua marca, ou seja, que tenha alguma conexão com a voz e os valores da empresa. Senão, fica feio. Dá para perceber quando tentam forçar uma situação, para pegar “carona” em uma nova moda, hit ou meme que “deu onda” na galera.

A gente poderia fazer um paralelo com as nossas amizades. Quem não tem um amigo que faz uma brincadeira com algum assunto e sempre parece fazê-la na hora errada? Ou fala algo que não deveria ser falado, ou no momento mais inapropriado, geralmente envolvendo mortes e afins, como o repórter da Globo que imitou o personagem peludo do Star Wars em um momento de luto pela atriz que fazia a Léia. Simplesmente não. Não “seje” essa pessoa que faz “huuuuh” na hora errada. Daqui algum tempo isso pode até ser mais aceitável, leve e engraçado, porém só depois do luto. Faltou timing do jornalista, percebe?

Agora na arte não é diferente. Você está sempre mudando, estamos sempre atentos a assuntos diferentes: moda, gastronomia, esportes, jogos, filmes… E naquele momento, naquele dia, você assiste a um filme que fala de um assunto relevante para você. Daí você ri, chora, se diverte, muito mais que outras pessoas que não estão nesse timing. Sacou?

Raoul Hausmann, ABCD, Self Portrait, 1921 (Dadaísmo)

Tem períodos da vida que estamos mais surrealistas, non senses, dadaístas, em alguns dias da semana somos muito abstratos, futuristas, em outros não queremos falar de rótulos ou estilos, apenas queremos curtir o momento. Esse é o timing da vida.

Cada um de nós tem uma história, cada um observa um detalhe de toda essa obra de arte chamada vida. Para mim, certo filme foi o melhor do ano, para você, tal ator foi esplêndido naquela série, ou então tal marca criou algo relevante que mudou o jeito de nos relacionar. Pensando nisso, acho que deveria existir um “Oscar do Timing Pessoal” das coisas que mais mexeram com a gente. Claro, são as coisas que vieram na hora exata, falando daquilo precisávamos escutar, ver ou sentir. E cada um deve decidir quem são os indicados e os vencedores desse prêmio tão particular.

*Se esse texto veio na hora certa para você, que bom! Fico feliz que eu tenha acertado o timing desse artigo.

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No mês mais vermelho do ano, refleti sobre essa cor 

Esse não é um artigo sobre o Natal. Muito menos sobre os motivos do papai-noel icônico ser vermelho. Nem da influência daquela marca vermelha de refrigerantes em nossa cultura (que por sinal fez uma bela campanha natalina – “6224 Obrigados”). Nada disso. O assunto desse artigo é sobre a cor vermelha e como ela está intimamente ligada às artes, dentro e fora da propaganda.

Segundo alguns sites, o vermelho transmite energia, paixão e ação. Mais especificamente, o vermelho está ligado às nossas necessidades mais físicas, como a sexualidade, por exemplo. Não por acaso, esta é a cor do amor, do romance, do sexo e em várias propagandas e filmes é usada para estimular a ação, a ambição e a determinação.

Na 7ª arte, lembro do filme Beleza Americana (1999), que conta com uma cena clássica onde nosso personagem devaneia sobre a aparição da amiga de sua filha, no teto, nua, ou melhor, vestindo apenas pétalas de rosas (vermelhas), como em um sonho, daqueles que Freud adora. Está tudo ali, paixão, vontade, desejo sexual, vermelho, vermelho, vermelho, presente também em outras cenas do filme, com no sangue, no carro, no uniforme, na porta, nos objetos de cena, e claro, nas flores.

No universo da música, é impossível não falar da canção imortalizada na voz de Daniela Mercury: Vermelho. Nesse caso, é interessante ressaltar nesta letra a citação ao comunismo, ao boi Garantido, ao curral (que por algum motivo vermelhou e até hoje eu não sei como), a fragmentos da nossa cultura e do folclore brasileiro muito bem lembrados pelo compositor.

Para esse artigo eu fiz uma pesquisa e tive uma feliz descoberta! Um artista que faz parte de um movimento artístico do Barém (do Golfo Pérsico) e sua obra que fala sobre o movimento, a liberdade e a transição entre o físico e o líquido.

Confesso que me inspirou e me fez lembrar um aspecto físico da luz vermelha. Ela só é dessa cor, devido ao seu cumprimento de onda. Ou seja, luzes mais lentas chegam até nossos olhos com menos velocidade e nós interpretamos como outras cores. (Físicos de plantão, me corrijam se estiver errado!).

Nesse ponto tudo faz sentido. O vermelho é a cor mais rápida, na prática chama mais nossa atenção. Está no trânsito, nos comércios, nas marcas e em tudo mais, basta prestar atenção. Isso explica, por exemplo, no mundo dos quadrinhos, porquê sempre o personagem mais rápido está atrelado de alguma maneira à cor vermelha. Basta olhar o uniforme do Flash, super-herói famoso por ser o mais rápido de todos.

Depois de tantas voltas, chegamos ao ponto final. Foi rápido, eu sei, afinal o assunto é sobre a cor mais rápida de todas e não poderia ser diferente. E para fechar o artigo e o ano de 2016, ainda envolvido por essa cor e nesse clima quente e festivo, quero agradecer a quem me acompanha e apoia aqui no blog e fora dele, pois saibam, faz toda diferença. (Agora devo estar vermelho de emoção, mas é normal, logo passa).

Faço também aqui minha promessa de usar toda essa energia para iniciar mais um ano, falando de arte, propaganda e, por que não, sobre a vida, com o mesmo amor, paixão e emoção que o vermelho me ensinou. Ótima virada a todos! Obrigado.

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Quanto custa essa arte?

guerraarteDiscutir sobre arte é saber, desde o começo, que estamos certos e errados e que muitas interpretações são possíveis, pois tratamos do subjetivo, do psicológico, daquilo que não se pode medir: a importância da arte para um indivíduo e para a história da humanidade.

Se o assunto é preço essa diferença pode ser gritante (desculpe o trocadilho), como é o caso de “O grito”, obra do norueguês Edvard Munch, vendido por mais de US$119 milhões.

http://www.updateordie.com/2015/04/16/curta-em-stop-motion-inspirado-em-o-grito/

Se você acha esse preço alto, saiba que ele é só o terceiro no ranking dos mais caros já vendidos no mundo. Isso quer dizer que existem outros fora desse ranking, que nunca foram vendidos e possuem preços gigantes ou “incalculáveis”. Sobre esses casos específicos, falaremos em outra oportunidade.

“Mulheres de Argel” do Pablo Picasso e “Três estudos de Lucian Freud” do Bacon, fecham nosso top 3, respectivamente com primeiro sendo vendido por mais de US$179 milhões e o segundo por mais de US$142 milhões. (Olha que estamos falando em dólares!)

Tudo bem… Que o negócio da arte pode ser lucrativo e movimentar bilhões anualmente, você já deve ter percebido, porém esse reconhecimento (muitas vezes tardio) já ultrapassa o nicho dos especialistas e está chegando até a cultura popular. Nessa hora a propaganda ganha material relevante para trabalhar em suas campanhas e peças interessantes surgem, como o caso dessa ótica que representou o autorretrato de Vincent Van Gogh sendo corrigido pelas lentes do produto.

Vemos então, que a propaganda pode se apropriar de uma obra introduzindo-a explicitamente como um item de argumentação visual, ou inspirar-se no seu conteúdo para gerar um conceito. Como exemplo, lembro as propagandas totalmente malucas que surgiram nos últimos anos, inspiradas em surrealistas, como Salvador Dalí, que brincam com imagens, recortes realistas e ao mesmo tempo impossíveis, com repetições bizarras de cenas e simbologias oníricas. Dessa nova geração, lembro das propagandas e cortes de câmera realmente pirados do Old Spice, um desodorante masculino, que para mim é um exemplo contemporâneo do nonsense em grande estilo.

Mas o que a propaganda tem a ver com o preço da arte?

Parece que tudo. Se pensarmos que a propaganda tem o poder de agregar valores subjetivos a um artista ou a um movimento, ela tem papel fundamental no reconhecimento de alguém. Um exemplo atual é o caso do polêmico Romero Britto, artista brasileiro que mora no exterior e tem grande reconhecimento mundial. Não estou aqui para discutir sobre a relevância ou qualidade de seu trabalho, mas sim reconhecer sua importância na cultura popular, uma vez que suas obras estão sendo compradas aos milhares por famosos e anônimos de todo o mundo.

É observável que suas peças são coloridas, simples e retratam coisas e pessoas sempre de forma irreverente e positiva. Talvez ele tenha conseguido fazer algo que poucos artistas conseguem: transformar seus trabalhos em produtos e seus traços em um tipo de marca registrada. Ele soube criar o seu valor e não precisou morrer para ser reconhecido.

Obras de Romero Britto já foram vendidas na faixa de US$800 mil, apesar de esse não ser o seu foco, conforme disse em uma entrevista. Segundo relatado, sua estratégia é apostar na venda em quantidade para o público em geral, ganhando assim, maior receita. Isso pode ser comprovado com tantos produtos no mercado que utilizam suas obras para ilustrar cadernos, móveis, vestuários, bolsas, etc.

No final das contas, o artista que percebeu o poder da propaganda e usou ela a seu favor, conseguiu criar um estilo, uma tendência e hoje consegue fazer o que muitos artistas sonham um dia alcançar: viver de arte. Agora, se para você essa arte não tem valor, isso já são outros 500s.

Minha obra favorita de todos os tempos? Eu gosto do Salvador Dalí e da obra “Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar”.

E você? Qual sua obra de valor incalculável?

Jovem, publicitária e agora também autora de livro

Publicitária lançará livro que teve origem em TCC

A publicitária Mariana Ceciliato de 22 anos e formada na Unitau ano passado
acaba de anunciar que sua graduação trouxe uma segunda conquista muito grande: seu primeiro livro, nascido de um projeto de conclusão de curso,será editado. O projeto tem como objetivo destacar a arte de rua, o Grafite.

A jovem publicitária Mariana Ceciliato

A jovem publicitária Mariana Ceciliato

É um livro composto por fotografias, músicas e poemas destacando 5 artistas importantes regionais. A ideia foi relatar brevemente a vida deles e seus trabalhos, cada um com a sua essência. A jovem autora acredita que a oferta de publicações para esse tema não é muito grande, há poucos livros artísticos, conforme pesquisa realizada quando do trabalho de conclusão.E os que já existem tem um valor um alto.

“Vejo que livros com esse tema voltado para uma certa região não existem, sendo assim, seria uma forma de revelar a cultura daquele lugar e de seus artistas, que não possuem um destaque merecido. Um deles é o Vespa, de São José dos Campos, ele tem várias artes pelo mundo e já participou de alguns eventos na Capital. Então, o projeto divulgaria o trabalho deles e também o Vale como um todo”, declara Mariana.

Alguns meses depois de formada a publicitária foi morar e trabalhar na capital por conta de mercado profissional e também por adorar a cidade. Também por esses motivos ela quis construir seu projeto na capital de S.Paulo.

Depois de alguns meses e algumas reuniões, a editora Kazua abraçou o projeto de Mariana. Sediada no centro de SP, a editora tem como foco fazer com que as obras de seus autores tenham o devido reconhecimento. O que os estimula em seu trabalho são os desafios trazidos por cada nova proposta. Contam com a singularidade de cada artista de diversos campos envolvidos no processo de elaboração dos livros, assegurando que todas as publicações tenham um projeto gráfico de alto padrão estético e de conteúdo.

A Kazua também tem seu próprio espaço cultural, onde são organizado galerias, festas, coletivos e exposições.

O primeiro evento aberto para lançamento do livro ocorrerá dia 9 de novembro com um jantar para os mais próximos. Segundo a jovem autora e publicitária, após isso, há muitas ideias para a divulgação e eventos, até chegar fevereiro, quando ocorrerá o primeiro lançamento em Taubaté, perto de onde tudo isso começou, ao lado de um bar de sua querida faculdade.

O segundo lançamento ocorrerá na cidade de São Paulo, semanas depois.