Programa ‘Saiba+’ destaca a tecnologia e as estratégias de vanguarda do varejo mundial

 

Lucas Daibert e Simone Sancho mostraram as tendências da NRF, maior evento do setor. IA generativa e foco no cliente foram alguns dos temas dos debates sobre os rumos do varejo

O Colinas Shopping reuniu os especialistas Lucas Daibert e Simone Sancho no Programa Saiba+, que pela primeira vez teve dose dupla, na noite de segunda (9) e manhã de terça (10), para os lojistas e convidados poderem comparecer no horário mais adequado.

A estratégia foi um sucesso, com o auditório do Hotel Golden Tulip São José dos Campos lotado nos dois dias para troca de ideias e compartilhamento de conhecimento a partir das novidades da 116ª edição da NRF (National Retail Federation) Retail´s Big Show, o mais tradicional e completo evento sobre varejo do mundo, que ocorreu em janeiro, em Nova York.

Recebido pela superintendente do Colinas Shopping, Elza Mota, Daibert celebrou a casa cheia e elogiou a iniciativa. “É legal ver que o Colinas não se preocupa só com o negócio, o shopping e esse complexo, mas também em trazer conhecimento, ser esse palco de conexão e troca”, disse.

No início de sua apresentação, ele mostrou o impacto da IA na experiência de compra, citando pesquisa da IBM que aponta que 45% dos consumidores afirmam usá-la como parte de sua compra online e 62% acreditam que os agentes de IA ajudam a poupar tempo e dinheiro.

Para ele, a IA se tornará cada vez mais acessível e a competição forçará todos a adotá-la. Mas embora traga benefícios, ela não muda os fundamentos da vantagem competitiva sustentável, que precisa ser valiosa, única para a organização e inimitável pela concorrência.

“Além de atualizar a tecnologia, temos também que atualizar o olhar. Olhar ao redor, olhar para dentro. O que mata o seu negócio não é a mudança tecnológica, mas a mudança no comportamento das pessoas. É hora de ‘resetar’ seu negócio”, afirmou, lembrando que as empresas precisam acompanhar os detalhes da jornada de compra para captar os anseios dos consumidores.

“A IA permite ver o cliente de uma maneira diferente, uma visão inteira, com o cruzamento de informações. A IA pode até acelerar o negócio, mas a direção é você quem dá. E a sua função é construir o negócio a partir do cliente. A IA não ajuda a expressar a singularidade da sua marca”, disse.

Segundo Daibert, é preciso construir novas redes de relacionamento corporativo que envolvam marcas, influenciadores, fornecedores, parceiros, indústria e clientes.

Concluindo sua apresentação, ele tratou do conceito de nexialistas. “Precisamos de pessoas capazes de navegar na incerteza, com repertório amplo, que encontram nexo entre informações aparentemente desconexas, dispostas a reaprender, nos levando a novas descobertas e soluções. Nos fazendo avançar”.

Na sequência, Simone Sancho bateu um papo com Daibert, trazendo suas impressões sobre a NRF e dicas para aplicação de estratégias nos negócios.

“O grande choque dessa edição da NRF foi que não vi muitas apostas. O que vi foram as coisas acontecendo já, um desafio muito prático, todo mundo usando IA”, contou.

Para ela, é preciso ser assertivo para adotar as soluções viáveis para cada negócio, no momento certo. “É lindo acompanhar as tendências, mas o mais importante é separar e implementar o que serve para você, e deixar para depois o que também é bacana, mas não vai te ajudar agora. Acompanhar os dados do dia a dia é fundamental”.

Entusiasta da IA generativa, ela aconselhou o público a ‘ensinar’ a máquina a trabalhar efetivamente para seus objetivos. “Configure a IA para ser brutal com você, e não um estagiário puxa-saco”, afirmou.

Citando exemplos de marcas como Google, BYD, Target, Vayner Media, Printemps, Sharkninjas, LVMH, Camp e Fanatics, eles mostraram como estratégias bem construídas podem fortalecer a identidade das marcas, fidelizar clientes e abrir espaço para inovações e parcerias.

O programa

O Saiba+ é uma parceria do Colinas Shopping com a Brasil Varejo, que tem o objetivo de difundir conhecimento e boas práticas para aprimorar o ecossistema varejista da região, com a participação de convidados que são referência no mercado.

O programa foi retomado em fevereiro de 2025, em uma edição especial com Juliemy Machado e Lucas Daibert apresentando as novidades da NRF. Em julho, o programa reuniu a especialista em educação corporativa Carol Manciola e o cofundador e diretor executivo da startup de tecnologia para o varejo Oto CRM, Guilherme Bohnen, que apontaram caminhos para o aprimoramento do atendimento e das experiências para os clientes.

A edição de agosto recebeu Simone Sancho, que apresentou a palestra “A Nova Era Digital e o Social Commerce que Redesenha o Consumo” e depois comandou um talk com a empreendedora Beatriz Costacurta, fundadora da Parafinesse velas aromáticas, um dos principais cases de sucesso do Tik Tok Shop no Brasil.

Na última atração do ano, Caio Camargo, um dos principais especialistas em varejo e inovação do país, falou sobre as habilidades necessárias no atual panorama do varejo.

O Saiba+ integra a estratégia do Colinas Shopping de se consolidar como polo de debates sobre tendências e temas relevantes da atualidade, que já inspirou iniciativas como o Colinas Talks, em edições sobre assuntos como design, moda e maternidade.

Likes constroem audiência. Credibilidade constrói marcas.

Por Samara Perez Valadão de Freitas*

Por muito tempo, o mercado tratou assessoria de imprensa e social media como frentes concorrentes, como se fosse preciso escolher entre alcance ou posicionamento, visibilidade ou autoridade. Mas essa comparação é rasa e, muitas vezes, perigosa, pelo simples fato de que audiência pode ser comprada e credibilidade, não.

Sem dúvida, as redes sociais revolucionaram a forma como as marcas se comunicam, ampliaram vozes e democratizaram narrativas. Um bom social media é capaz de gerar engajamento, criar comunidade e dar ritmo à presença digital. O desafio surge quando likes passam a ser confundidos com relevância e seguidores com legitimidade.

Visibilidade não é sinônimo de reconhecimento. Uma marca pode viralizar hoje e desaparecer amanhã; pode ter milhares de seguidores e nenhuma autoridade real quando chega o momento decisivo, como uma crise, uma rodada de investimento, uma expansão, uma venda ou uma disputa por atenção qualificada.

É nesse contexto que a assessoria de imprensa reafirma seu papel estratégico e insubstituível. Mais do que gerar visibilidade, trata-se de construir reconhecimento e reputação. Diferentemente de ações baseadas em atalhos, tendências passageiras ou fórmulas prontas, o trabalho da assessoria se sustenta em narrativa, consistência e validação externa. Quando uma marca é citada por um veículo relevante, não é a própria empresa que se promove, mas um terceiro, com credibilidade consolidada, que endossa sua autoridade. Esse tipo de chancela amplia a confiança, fortalece o posicionamento e gera impacto real na percepção do mercado.

Enquanto as redes sociais dialogam majoritariamente com públicos já engajados, uma narrativa construida por uma empresa especializada amplia o território da marca, inserindo-a em espaços onde ela ainda não está presente. É por meio do relacionamento com a mídia que empresários e executivos passam a integrar o debate público, participam de pautas que formam opinião e ocupam arenas que constroem reputação e legado. Trata-se de um trabalho menos ruidoso, porém mais profundo, consistente e duradouro.

Marcas fortes não se constroem apenas de estética ou pelo volume de alcance, mas de substância. Elas não se sustentam apenas por métricas de visibilidade, e sim pela confiança, construída ao longo do tempo com coerência, credibilidade e presença estratégica em ambientes que realmente importam. Nesse contexto, empresas orientadas ao longo prazo priorizam a relevância institucional como base para, então, potencializar engajamento e performance.

Isso não significa que social media e assessoria de imprensa disputam espaço. Pelo contrário: quando bem integrados, se potencializam. Uma constrói autoridade e a outra amplia e distribui a narrativa. Um fortalece o outro. Mas a base precisa ser sólida, porque sem credibilidade, o alcance vira ruído.

Nos últimos anos, a comunicação se tornou mais veloz, mais exposta e, paradoxalmente, mais frágil. A tecnologia encurtou distâncias, mas também reduziu o tempo de reação. Hoje, uma informação mal contextualizada pode se espalhar em segundos, ganhar versões, gerar julgamentos e afetar imagens públicas antes mesmo que os fatos estejam claros. Nesse cenário, a assessoria assume um papel ainda mais estratégico: o de organizar narrativas em meio ao ruído, proteger marcas quando elas são impactadas negativamente e sustentar discursos com responsabilidade, apuração e consistência editorial.

Qual a lição que fica? A de que o futuro da comunicação não será definido por quem fala mais rápido, mas por quem consegue construir relações de confiança em ambientes cada vez mais imediatos. Porque, no fim, tecnologias mudam, plataformas surgem e desaparecem, mas a solidez de uma marca continua sendo o ativo mais valioso de qualquer negócio.

*Samara Perez Valadão de Freitas é jornalista com mais de 20 anos de atuação em Comunicação Corporativa. Integra o programa global 10,000 Women, iniciativa do Goldman Sachs em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Fundadora e CEO da Markable Comunicação, lidera há 14 anos projetos estratégicos de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para empresas de diversos segmentos

Primeira edição do Doses de Mercado em 2026 discute Mídia Programática

A cidade de São José dos Campos recebe, no dia 03 de março de 2026, o evento Doses de Mercado — Mídia Programática, que será realizado no auditório do Sincomércio. A iniciativa da Associação de Profissionais de Propaganda do Vale do Paraíba (APP Vale) é voltada a profissionais e estudantes de propaganda, marketing e comunicação, e propõe um mergulho prático e estratégico em um dos temas mais relevantes da publicidade contemporânea.

O encontro tem como foco ampliar a compreensão sobre o que é, de fato, a mídia programática, conceito que vem transformando a forma como marcas planejam, compram e distribuem publicidade. Mais do que uma tendência, trata-se de um modelo consolidado de compra automatizada de mídia, baseado em dados, tecnologia e algoritmos, capaz de tornar a comunicação mais eficiente e direcionada.

De maneira didática, a mídia programática pode ser entendida como a negociação de espaços publicitários realizada por meio de plataformas tecnológicas, em tempo real, substituindo processos manuais por sistemas que analisam perfis, comportamentos e contextos para exibir o anúncio mais relevante a cada usuário. É a lógica do “anúncio certo, para a pessoa certa, no momento certo”, operando em milissegundos.

O evento também destaca um ponto essencial: a mídia programática já ultrapassou os limites da internet tradicional. Hoje, ela está presente em ambientes como TV conectada (CTV) e plataformas de streaming, onde anúncios são segmentados com base em dados de audiência; no áudio digital, incluindo serviços de música e podcasts; e na mídia out of home digital (DOOH), como painéis eletrônicos em ruas, shoppings e aeroportos, que podem adaptar mensagens conforme horário, localização, clima e fluxo de pessoas.

Quem vai falar sobre o tema são os profissionais Hérika Luquete e Gustavo Gobbato. Hérika está à frente do escritório regional da Publya, trading desk especializada em mídia programática, onde desenvolve estratégias multicanais conectando dados, tecnologia e inteligência para gerar resultados reais aos anunciantes. Já Gustavo é Fundador e Membro do Conselho na MIDAX Holding, empresa situada em SJCampos e usuária dos serviços da Publya.

Essa expansão mostra que o conceito de mídia programática não está restrito ao canal, mas à lógica de automação e uso inteligente de dados aplicada a meios digitalizados. O tema ganha ainda mais relevância diante de um cenário em que a mensuração de resultados, a personalização da mensagem e a eficiência dos investimentos se tornaram prioridades para marcas e agências.

O Doses de Mercado — Mídia Programática surge, assim, como um espaço de atualização e troca de conhecimento, aproximando o público das práticas, ferramentas e oportunidades que estão redesenhando o ecossistema publicitário. A proposta é traduzir a complexidade técnica do tema em uma linguagem acessível, conectando teoria, mercado e aplicação real.

Com foco em formação e visão de futuro, o evento reforça a atuação da APP Vale como uma promotora de discussão sobre inovação em comunicação, oferecendo a profissionais e estudantes a oportunidade de compreender como a mídia programática está moldando o presente — e o futuro — da publicidade.

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Por que o trabalho criativo nos deixa exaustos antes mesmo de começarmos a criar?

Por Matt Rouif*

Visto de fora, o trabalho criativo ainda é frequentemente associado à liberdade, ao fluxo de ideias e a rotinas flexíveis, com espaço para experimentação. No entanto, o que vejo na prática, ao trabalhar com designers, profissionais de marketing e equipes criativas, é bem diferente. A maior parte do tempo não é dedicada à criação, mas à gestão do processo que sustenta a criação.

Essa gestão envolve arquivos, versões, feedback, pequenos ajustes técnicos, alterações de última hora e validações intermináveis. Nada disso é particularmente complexo, mas tudo requer atenção constante, tomada de decisões e mudanças de contexto. É esse acúmulo que causa o cansaço.

Com o tempo, a soma dessas pequenas decisões cria um ruído mental permanente. A energia criativa não desaparece porque as pessoas deixam de se importar ou perdem o talento, mas porque a capacidade mental é consumida por tudo o que acontece em torno do ato criativo.

Quando esse esforço se prolonga, o pensamento tende a perder profundidade. As decisões tornam-se mais reativas e imediatas, não por falta de cuidado, mas como uma forma natural de lidar com a sobrecarga. O mais delicado é que esse desgaste raramente é percebido conscientemente. As pessoas continuam a produzir, entregar e decidir, sem perceber que a fadiga já está afetando a qualidade de seu raciocínio.

É nesse contexto que a inteligência artificial começa a fazer sentido além de ser uma ferramenta para a eficiência, mas também como uma possível aliada na redução da carga mental.

No entanto, apesar do avanço da IA na vida profissional cotidiana, em grande parte do tempo ela ainda é consumida por tarefas repetitivas e operacionais. Muitos profissionais já utilizam a inteligência artificial intencionalmente, mas continuam presos a ajustes, padronizações e retrabalhos, o que ajuda a explicar por que a fadiga persiste.

Uma pesquisa global realizada pela Universidade de Melbourne em parceria com a KPMG, envolvendo mais de 48 mil profissionais em dezenas de países, indica que cerca de 58% das pessoas já utilizam inteligência artificial no trabalho, sem que isso tenha eliminado a sobrecarga de atividades operacionais.

Em média, os profissionais passam cerca de 2,6 horas por dia lidando com ajustes, formatação, padronização e retrabalho. Esse volume afeta tanto a produtividade quanto os níveis de estresse e exaustão emocional. As organizações que adotaram a automação de forma mais estruturada relataram reduções de até 25% na exaustão emocional e avanços na identificação precoce de sinais de esgotamento.

No trabalho criativo, esse impacto se torna ainda mais concreto quando a IA assume ajustes repetitivos, variações visuais ou correções técnicas. Não se trata apenas de acelerar processos, mas de remover dezenas de microdecisões do dia a dia, o que libera espaço mental, clareza e energia para decisões que realmente exigem pensamento estratégico e sensibilidade humana.

Ao mesmo tempo, o uso da tecnologia também revela suas limitações. Quando a tecnologia é usada sem critérios claros, sempre conectada e acelerando o ritmo do trabalho, ela pode acabar reforçando a fadiga em vez de aliviá-la.

Esse paradoxo aparece em uma pesquisa da Quantum Workplace, que indica níveis mais altos de exaustão entre profissionais que usam inteligência artificial com muita frequência. Os dados ajudam a nos lembrar que a IA por si só não resolve o problema do esgotamento. Sem mudanças na forma como o trabalho é organizado, ela apenas transfere a pressão.

Esse ponto muda o foco da discussão, já que o desafio não é simplesmente adotar mais tecnologia, mas sim projetar melhor o trabalho. Para que a inteligência artificial contribua verdadeiramente para o bem-estar, ela precisa ser usada com intenção, limites claros e alinhamento com a cultura da organização. Sem isso, a pressão apenas muda de lugar, em vez de diminuir.

Cuidar da saúde mental no trabalho criativo envolve reconhecer sinais de fadiga, planejar o tempo de forma mais realista e distribuir as demandas considerando não apenas a produtividade, mas também o descanso e a vida pessoal. No contexto do trabalho remoto, isso inclui estabelecer horários claros e reduzir a sensação de disponibilidade permanente.

Usada com responsabilidade, a inteligência artificial pode apoiar esse processo, simplificando fluxos de trabalho, redistribuindo cargas de trabalho e reduzindo o volume de decisões operacionais. O segredo é evitar que ela se torne apenas mais uma ferramenta para aceleração contínua. Na minha opinião, o verdadeiro valor dessas ferramentas está no que elas removem de nossa carga cognitiva, não no quão mais rápido elas nos levam a produzir.

Talvez seja hora de repensar os modelos de produtividade baseados exclusivamente em volume e velocidade. Nas esferas criativas, onde o pensamento é o principal ativo, proteger o espaço mental daqueles que criam se torna uma decisão estratégica.

Em última análise, a verdadeira inovação pode não estar em produzir mais, mas em criar melhor, com menos peso na mente e mais espaço para as decisões que realmente importam.

*Matt Rouif é co-fundador e CEO da Photoroom.