Coluna Propaganda&Arte

O lugar onde vivemos não é um “prompt”

Por R. Guerra Cruz

Imagem real de uma paisagem rural em Juiz de Fora/MG. Um registro da vegetação da Mata Atlântica feito pelo celular durante minhas férias.

“Gere uma imagem de uma fazenda no interior.”

Em segundos, a tela entrega uma cena impecável. Mas olhe de perto: aquela árvore não existe aqui, o desenho das montanhas é genérico e a luz não é o nosso sol. O que parece “agilidade tecnológica” é, na verdade, um apagamento.

Quando a publicidade ou o design trocam uma locação real por um cenário de IA, estamos jogando fora a biografia do lugar e, de quebra, asfixiando a economia de quem vive nele.

O cenário não é fundo, é personagem

Uma paisagem real não é um palco passivo. O morro que o morador vê da janela, a curva específica de um rio ou o tipo de vegetação que cresce no nosso solo são documentos vivos. Eles dizem quem somos.

A IA trabalha com médias estatísticas globais. Ela não conhece o relevo da nossa região, a nossa fauna ou o jeito que o mato cresce na beira da estrada. Ao trocar o real pelo fictício, criamos dois grandes problemas:

1. A Morte do Pertencimento: O morador olha para a campanha e não se reconhece. Ele sente que a sua realidade “não é boa o suficiente” para ser mostrada, alimentando um padrão estético que não pertence a ninguém.

2. O Esvaziamento Econômico: Produzir localmente movimenta a engrenagem da região. É a equipe de filmagem, o fotógrafo local, o transporte, a alimentação e o comércio. Quando tudo é gerado em uma tela, o investimento que deveria circular no território simplesmente desaparece. O “custo zero” da IA tem um preço altíssimo para o desenvolvimento regional.

Do Eurocentrismo ao Algoritmo-centrismo

Já criticamos muito os antigos bancos de imagens que traziam famílias suecas para vender produtos no Brasil. Agora, corremos o risco de repetir o erro com uma máscara de “inovação”. A IA pode criar imagens “perfeitas”, mas elas são mudas e sem DNA.

Valorizar as particularidades de uma paisagem e contratar quem entende o chão que pisa é um ato de respeito territorial. É entender que a comunicação tem o poder de validar, ou de esconder, uma identidade inteira.

O que sobra quando o real é descartado?

Cada vez que escolhemos a conveniência do algoritmo em vez da verdade do território, deixamos de registrar a nossa própria história e de investir na nossa própria gente. Uma marca que não pisa no chão da sua região pode até criar imagens bonitas, mas ela perde a alma e a relevância.

A pergunta para quem planeja e cria é simples: você quer construir uma conexão real com as pessoas ou apenas entregar uma estética perfeita?

No fim das contas, a tecnologia deveria servir para destacar as nossas raízes, não para arrancá-las.

Autorregulação: Central de Outdoor lança Manifesto de OOH Brasileiro durante o OOH Summit 2026

O Manifesto do OOH Brasileiro consolida princípios de autorregulação, estabelecendo diretrizes de ética, transparência e responsabilidade na atuação da mídia exterior – Crédito: Aline Sol

Documento estabelece princípios de autorregulação e reforça compromisso do setor com a regeneração das cidades; Mídia exterior é a terceira que mais recebe investimentos publicitários

A Central de Outdoor, maior associação de mídia OOH do país e uma das cinco maiores do mundo, apresentou oficialmente o Manifesto do OOH Brasileiro durante o OOH Summit 2026, evento que reúne mais de 700 lideranças do setor para discutir os caminhos e o futuro da mídia exterior, terceiro meio que mais recebe investimentos publicitários (CENP-Meios). O documento integra o Plano Nacional de Autorregulação das afiliadas da entidade e estabelece diretrizes que orientam a atuação responsável das empresas exibidoras em todo o território nacional, reforçando princípios como ética, legalidade, segurança operacional e respeito à paisagem urbana. O Manifesto, que conta com apoio das entidades FENAPEX, e CONAR, pode ser acessado na íntegra pelo link: https://centraldeoutdoor.org.br/ebooks

O crescimento da mídia exterior no Brasil vem sendo construído ao longo dos últimos anos. Um estudo da Tendências Consultoria, em parceria com a Central de Outdoor, mostra que o OOH respondeu por 10,8% dos investimentos publicitários em 2023, já entre os três maiores meios de comunicação do país.

Em 2024, esse espaço aumentou ainda mais, chegando a 11,3%, acompanhando a evolução do setor, cada vez mais conectado a dados, tecnologia e novas formas de planejar comunicação .

E o movimento continua. Dados mais recentes do CENP Meios 2025 indicam que o OOH já alcança cerca de 12,1% do investimento publicitário, reforçando sua consolidação no mix de mídia e seu papel como o terceiro maior meio do país.

O lançamento do manifesto integrou a programação oficial do evento em um painel dedicado ao tema autorregulação que reuniu representantes de entidades como FENAPEX, CONAR e da Central de Outdoor. O debate abordou a importância das boas práticas, da transparência e da governança para a construção de um mercado mais maduro, sustentável e alinhado às transformações das cidades e do consumo.

A presença da comunicação exterior pode contribuir para qualificar o espaço urbano, destaca Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor – Crédito: Alê Oliveira

A iniciativa parte do reconhecimento de que a mídia OOH ocupa um papel relevante na dinâmica das cidades, conectando marcas, pessoas e territórios. Diante dessa presença, o setor assume publicamente a responsabilidade de atuar de forma equilibrada e harmonizada com o espaço urbano, priorizando qualidade, organização visual e responsabilidade social.

Para Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, o documento representa um marco na consolidação de um modelo mais maduro e responsável para o setor. “Acreditamos no conceito de mídia regenerativa, em que a presença da comunicação exterior pode contribuir para qualificar o espaço urbano, estimular boas práticas e fortalecer a relação entre cidade, marcas e sociedade. O Manifesto do OOH Brasileiro consolida esse compromisso do setor com um modelo mais responsável, equilibrado e alinhado ao futuro das nossas cidades”, afirma.

Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, e Fabi Soriano, diretora executiva da entidade, durante o OOH Summit Brasil 2026 – Crédito: Alê Oliveira

A construção do manifesto foi resultado de um processo amplo de escuta e colaboração do setor, que contou com a consultoria do especialista Sérgio Rizzo, da RS Projetos. “Este é um trabalho que levou mais de um ano para ser desenvolvido, reunindo diferentes olhares do mercado com o objetivo de fortalecer ainda mais o segmento, trazer clareza sobre as boas práticas e contribuir para a evolução sustentável da mídia OOH no Brasil”, destaca Fabi Soriano, diretora executiva da Central de Outdoor.

Com OOH consolidado como terceiro meio de comunicação que mais recebe investimentos, o lançamento do manifesto marca o avanço de um setor mais compromissado com as cidades e a população – Crédito: Aline Sol

Entre os pilares do documento estão dez princípios estruturantes que orientam a presença responsável do OOH nas cidades, incluindo o distanciamento adequado entre peças publicitárias, a rarefação, baseada no conceito de “menos é mais”, a conservação das estruturas, a segurança técnica das instalações, a sustentabilidade das operações, a transparência nas métricas e o compromisso social do meio, com a destinação de espaços para campanhas de utilidade pública.

O manifesto também estabelece diretrizes relacionadas à governança e à legalidade, reforçando a importância do cumprimento da legislação municipal, do respeito a áreas protegidas e patrimônios históricos e da adoção de normas técnicas que garantam segurança e qualidade na operação do inventário publicitário.

Com o lançamento do Manifesto do OOH Brasileiro, a Central de Outdoor reforça a importância da autorregulação como instrumento para fortalecer a credibilidade do setor e ampliar o diálogo com o poder público e a sociedade.

Fonte: Agência ERA®

Briefing bem feito: metade do sucesso de uma campanha

Ou: como evitar retrabalho, desalinhamento e aquela sensação de “acho que não era bem isso…”

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Se existe um momento capaz de definir o rumo de uma campanha antes mesmo da primeira ideia surgir, esse momento é o briefing. E, ainda assim, ele costuma ser tratado como uma etapa rápida, quase burocrática. Resultado? Retrabalho, desalinhamento, frustração e aquela clássica frase no meio do processo: “acho que não era bem isso que eu tinha em mente”. Um briefing bem feito não engessa a criatividade — ele direciona, inspira e economiza tempo.

O briefing é mais do que um formulário

Muita gente encara o briefing como um documento a ser preenchido, quando na verdade ele é um processo de entendimento. É o momento de fazer perguntas, ouvir com atenção e, principalmente, interpretar o que está sendo dito (e o que não está). Um bom briefing nasce de uma boa conversa — e não de um PDF padrão enviado por e-mail.

Clareza de objetivo é tudo

Uma campanha sem objetivo claro é como um anúncio sem público: pode até existir, mas dificilmente funciona. O que o cliente quer de verdade? Vender mais? Posicionar marca? Lançar um produto? Gerar leads? Quanto mais claro for o objetivo, mais assertiva será a estratégia. E aqui vale reforçar: “quero bombar” não é objetivo — é desejo.

Conhecer o público faz toda a diferença

Falar com todo mundo é, na prática, não falar com ninguém. Um briefing eficiente precisa detalhar quem é o público da campanha: hábitos, comportamentos, dores, desejos e até linguagem. Quanto mais a equipe criativa entender com quem está falando, maiores são as chances de gerar conexão real.

Contexto é combustível criativo

Informações sobre o mercado, concorrência, histórico da marca e campanhas anteriores ajudam a evitar erros repetidos e a identificar oportunidades. Muitas vezes, uma ideia brilhante já foi usada — ou já falhou — no passado. Um briefing rico em contexto dá repertório e amplia as possibilidades criativas.

Alinhamento evita retrabalho

Uma das maiores vantagens de um bom briefing é reduzir idas e vindas desnecessárias. Quando expectativas, prazos, entregas e limites estão claros desde o início, a equipe trabalha com mais segurança e o cliente acompanha o processo com mais confiança. Todo mundo ganha — inclusive o prazo (e a sanidade da equipe).

Do lado de quem recebe o briefing

Quem recebe o briefing, especialmente o profissional de criação, deve prestar muita atenção, ler com calma e paciência. Buscar ter uma compreensão plena. E qualquer dúvida o ideal é conversar com o profissional de atendimento responsável pela conta e pelo briefing. Alguns erros criativos nascem de um mal entendimento das informações passadas.

No fim das contas, um briefing bem feito não é perda de tempo, é investimento. Ele organiza o pensamento, direciona a criação e aumenta consideravelmente as chances de sucesso de uma campanha. Porque, no universo da comunicação, boas ideias são essenciais — mas boas ideias bem direcionadas são ainda melhores.

Como precificar serviços em uma agência de propaganda

Imagem gerada pela IA do Canva

Um guia prático para jovens profissionais que querem valorizar seu trabalho.

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Definir quanto cobrar por um projeto é uma das maiores dúvidas de quem empreende em comunicação. Muitos profissionais dominam criatividade, estratégia e execução, mas travam quando o assunto é preço. O risco é cair em dois extremos: cobrar tão barato que o trabalho não se sustenta ou tão caro que o cliente não entende o valor. A boa notícia é que precificação não é mistério — é método, clareza e posicionamento.

Entenda primeiro os seus custos

Antes de pensar no preço final para o cliente, a agência precisa entender quanto custa para funcionar. Isso inclui salários, softwares, estrutura, impostos, horas de trabalho e até aquele café que mantém a equipe criativa viva durante o brainstorming. Conhecer esses custos ajuda a definir o chamado custo hora da equipe, uma referência essencial para calcular o valor real de cada projeto.

Valor não é apenas tempo

Um erro comum é cobrar apenas pelas horas trabalhadas. Em comunicação, muitas vezes o valor está na ideia, na estratégia e no impacto que a campanha pode gerar para o cliente. Uma solução criativa pode levar algumas horas para ser executada, mas resultar em meses ou anos de valor para a marca. Por isso, precificação também envolve perceber o valor estratégico do que está sendo entregue.

Cada projeto pede um modelo

No mercado publicitário existem diferentes formas de cobrança. Algumas agências trabalham por job (projeto fechado), outras por fee mensal, e há também modelos híbridos. A escolha depende do tipo de cliente, da previsibilidade da demanda e da relação construída. O importante é que o modelo escolhido seja claro para ambas as partes desde o início.

Transparência gera confiança

Clientes costumam se sentir mais confortáveis quando entendem o que está sendo cobrado. Apresentar etapas do trabalho, escopo do projeto e entregas previstas ajuda a justificar o valor proposto. Mais do que um número, o preço passa a representar um conjunto de atividades estratégicas e criativas.

Não tenha medo de valorizar seu trabalho

No começo da jornada empreendedora, é comum aceitar valores muito baixos para “entrar no mercado”. Isso pode até acontecer em alguns casos pontuais, mas não deve virar regra. Profissionais e agências que valorizam sua expertise, seu tempo e sua capacidade estratégica tendem a construir relações mais saudáveis com os clientes.

No fim das contas, precificar bem é encontrar equilíbrio entre sustentabilidade financeira, valor percebido e posicionamento de mercado. Para jovens empreendedores da comunicação, aprender a fazer essa conta é tão importante quanto ter boas ideias — porque, no mercado publicitário, criatividade move campanhas, mas uma precificação inteligente ajuda a manter a agência funcionando.