Coluna {De dentro pra fora}

A Comunicação Interna da sua empresa é um investimento ou um custo?

Vitor coluna

Quando os orçamentos se apertam, a primeira área que sofre, na maioria das vezes, é a Comunicação. Por quê? Talvez a própria área não esteja se levando a sério.

Trabalho em agência, então tenho contato com diversos perfis (e tamanhos) de clientes. Ultimamente, percebi um movimento bem positivo para quem tem uma visão mais cuidadosa com Comunicação Interna. Em momentos de crise, as medidas tomadas são mais radicais. E, como a gente sabe, quando essas mudanças acontecem sem preparação e sem informação, o caos toma conta da situação. As áreas de Comunicação que têm compromisso com as estratégias das empresas já se atentaram a isso. E são as agências que sentem os reflexos.

Enquanto diversos setores reclamam da crise, a demanda de comunicação cresce. Com prazos cada vez mais curtos, claro. Mas é o que já disse: sem comunicação (estratégica), qualquer mudança vira um caos.

Leve a sério.
E, agora, você deve estar pensando: investimento ou custo? Então, responda para você mesmo: a Comunicação Interna da sua empresa colabora para a organização alcançar os objetivos estratégicos ou ela apenas faz comunicados sobre datas comemorativas? Essa resposta é o segredo.

Muitas vezes, o problema é ainda mais delicado: as áreas de Comunicação nem sabem quais são os objetivos estratégicos da empresa. Sem esse alinhamento, é impossível elaborar um planejamento de comunicação estratégico e coerente. Não que as datas comemorativas não sejam importantes, mas nós podemos investir tempo, dinheiro e energia em projetos bem mais impactantes para o resultado da empresa. Esse posicionamento vai determinar se a sua comunicação é um custo ou investimento. E, de coração, eu torço muito para que seja um investimento. Afinal, eu quero que nossas áreas de Comunicação sejam cada vez mais reconhecidas, mais estratégicas, mais profissionalizadas e fundamentais para o andamento da organização.

Vamos nessa? Não custa nada pensar diferente.

Planejar é mergulhar

Na superfície vemos o que todo mundo vê

O mercado de bens de consumo, marcas e serviços tornou-se extremamente competitivo nos últimos anos. Isso não é novidade nem segredo. Muitos brasileiro foram adicionados ao cenário de consumo recentemente. E isso também já está desbotando, perdendo as cores de surpresa ou fato novo.

Num cenário como o atual, no mundo da comunicação, planejar e criar/adequar estratégias é de suma importância. Pipocam por todos os lados cursos de planejamento de mídia digital, planejamento de comunicação em redes sociais, planejamento de comunicação, de eventos etc. E as agências de propaganda ou de comunicação tentam aprimorar suas áreas de planejamento e estratégia. Mas, muitas vezes, não é fácil encontrar um profissional realmente lapidado para planejamento.

A formação escolar brasileira parece que deixou de lado o ensino do raciocínio, da análise, da interpretação. As escolas de ensino médio valorizam o vestibular e entopem os alunos de conteúdo. Sobra pouco ou quase nada para explorar e trabalhar a capacidade de análise. Isso traz sérias dificuldades para o aluno no curso superior. Sinto essa dificuldade nas salas de aula quando vou trabalhar planejamento de mídia.

mergulho

Há uma certa preguiça em pensar, analisar, compreender e pesquisar. Todo mundo quer fazer. Quer ir para a prática, para a ação. Nem sempre dá certo. Quase nunca!

Planejar é entender! Estratégia é, antes de tudo, ter uma clara visão do cenário para então encontrar um caminho. Para tanto, olhar as coisas apenas superficialmente não basta. Costumo brincar que ver o mar visto da areia é algo prazeiroso, mas como eu gostaria de saber mergulhar (de verdade, com equipamento e tudo. Mas os cursos são meio caros…) para descobrir o que está abaixo da linha da água. Com certeza é um outro mundo. Mas é o mar… do mesmo modo. Apenas vamos conhecê-lo melhor e de maneira mais, desculpem o trocadilho, profunda.

Outra coisa: planejar comunicação é planejar comunicação. Não importa se é digital, em redes sociais, em ações diferenciadas etc. Uma das coisas mais importantes em planejamento é encontrar uma metodologia, um método. E aí não há um único modo correto. Há várias e boas possibilidades. O mesmo ocorre com o roteiro de planejamento. Cada um usa aquele a que melhor se adapta. O roteiro não é receita. É um guia para estruturar e organizar o pensamento. Você pode e vai encontrar muitos roteiros diferentes. Mas todos eles só lhe ajudam a pensar!

Voltando ao mergulho, costumo dizer que, independente do método ou do roteiro, para planejar bem devemos pensar em três etapas:

1 – Pesquisar, conhecer, buscar, entrar no universo da marca/produto/serviço. Buscar informações (elas nunca estiveram tão disponíveis). Tentar compreender todas as possibilidades. É a fase da curiosidade, do querer aprender e entender as coisas. É a hora de mergulhar! É a hora de não ficar satisfeito apenas com a superfície;

2 – Depois de mergulhar e compreender o cenário, vem a etapa de encontrar uma resposta ao problema de comunicação. Hora de achar a saída! É a hora da proposição. Não adianta só pesquisar e entender. É preciso propor;

3 – Achou a proposição, a resposta? Agora é o momento de dizer como tornar real esse caminho. Hora de pensar nas ações estratégicas. De modo detalhado, amarrado à proposta, mostre como cada uma das ações fará o consumidor entender, sentir e incorporar a proposta do que é anunciado.

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Esse é, claro, o meu modo de ver planejamento. Há muitos outros. Possivelmente até melhores. Mas assim eu consigo fazer. O importante é achar seu modo e por as coisas em movimento. Mas, insisto, mergulhe!!! Não fique satisfeito com a superfície. Ache um caminho novo, original, impactante e criativo para seus clientes vendo aquilo que poucas pessoas conseguem ver.

Bons mergulhos!

Planejamento de Mídia

Essa é uma área que ainda levanta muitos questionamentos e dúvidas. Por isso, vamos apresentar aqui as funções principais do planejamento de mídia na estrutura das agências, assim como no desenvolvimento de campanhas de comunicação.

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1- Responder pelas atividades gerais de planejamento, tais como:

– discutir o briefing com o restante da agência;

– estratégia e planpo anual de mídia;

– administrar a verba de mídia, com revisões periódicas.

2 – Responder pelas recomendações gerais de tática de mídia:

– indicar os veículos;

– indicar projetos/propostas/eventos especiais (integração off/on).

3 – Responsabilizar-se pelas reservas e execução das programações de mídia

4 – Ajustar com o cheking dos meios as compensações de possíveis falhas

5 – Analisar:

– informações de mercado;

– informações gerais de mídia;

– informações gerais de concorrência;

– pesquisas de mídia;

– pesquisas de comunicação e de consumo;

– oportunidades de mídia;

6 – Responder pelo relacionamento com os veículos:

– relacionamento externo: clientes, veículos e fornecedores de informação;

– relacionamento interno: atendimento, criação e pesquisa de mercado.

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E como estrutura, num nível de excelência, o departamento de mídia deve constituir-se de:

– Diretoria de mídia;

– Planejamento de Mídia;

– Pesquisa de Mídia;

– Concorrência/Avaliação;

– Compras de Mídia.

Principal fonte: Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar – Capítulo de Mídia – Edson Benetti