Quem transforma estratégia em experiência

Por Heloísa Santana*

Por muito tempo, o profissional de eventos foi associado apenas à execução. A pessoa que faz acontecer, resolve imprevistos e garante que tudo esteja no lugar certo, na hora certa.

Essa competência continua essencial. Mas limitar esse papel à operação é não reconhecer a real dimensão de quem atua com experiência e conexão.

Por trás de cada evento bem-sucedido, existe muito mais do que logística: tem leitura de contexto, sensibilidade, inteligência relacional e, principalmente, a capacidade de entender pessoas.

O profissional de eventos é, antes de tudo, quem transforma estratégia em experiência. É quem traduz o briefing em sentimentos e memórias. É quem faz a ideia sair do papel para ganhar emoção, conexão e presença.

E isso não é só técnica.

É repertório, escuta, adaptação e uma habilidade que raramente aparece no currículo, mas que define tudo: o olhar humano. Porque lidar com eventos é lidar com expectativas, emoções, frustrações, celebrações e memórias. Nenhuma experiência relevante nasce apenas de uma boa execução. Ela nasce da capacidade de tocar o outro.

Talvez por isso o marketing de experiência tenha ganhado tanta força nos últimos anos. Em um cenário saturado de informação e disputa constante por atenção, as pessoas se conectam com aquilo que conseguem viver. Experiência deixou de ser complemento e passou a ser estratégia.

E, nesse movimento, o profissional de eventos saiu dos bastidores para assumir protagonismo.

Hoje, participa diretamente da construção de valor das marcas. Ajuda a definir percepções, fortalece reputações e cria espaços reais de relacionamento. Existe entrega técnica, sim, mas existe, sobretudo, entrega emocional.

Em um mercado orientado à experiência, olhar para esses profissionais com mais profundidade não é apenas reconhecer performance. É reconhecer quem sustenta, na prática, experiências memoráveis com presença, sensibilidade e resiliência.

No fim, toda grande experiência começa muito antes da abertura de um evento.
Ela nasce na capacidade de entender que conexão não se constrói apenas com estrutura, mas com intenção, sensibilidade e propósito.

*Heloísa Santana é Presidente Executiva da AMPRO – Associação de Marketing Promocional – desde 2022, publicitária com 40 anos de carreira, sendo 18 dedicados ao marketing de experiência. Autora dos livros Uma Sobe e Puxa a Outra (best-seller 2023, edições nacional e internacional) e Protagonistas (2025).

Atua como jurada em premiações como Prêmio ABRADI, Prêmio Embratur Visit Brasil, Cannes Lions, Dubai Lynx, Effie Awards Brasil, BEA World, Young Lions, entre outros. Eleita Personalidade de Eventos pelo Eventex em 2024 e 2025, recebeu o Grand Prix Institucional do Prêmio Caio (2024), foi reconhecida pelo Black at Cannes e, em 2025, recebeu o Prêmio Garra – Liderança (APP), passando a integrar o Hall of Fame da ABRAMARK. Desde 2024, é membro do Conselho Fiscal do ODP e do Clube Aladas.

Clientes mais exigentes X orçamento reduzido: como resolver este impasse pós-pandemia?

Por Juliana Saab*

Há um ano o setor de eventos vivencia um momento de retomada. Mas é possível recomeçar do ponto onde paramos? Historicamente, a área sempre sofreu com orçamentos reduzidos, embora agora a antiga questão tenha ganhado novos contornos. As agências enfrentam um cenário de aumento de custo da mão de obra, decorrente da alta demanda represada e escassez de talentos. Muitos profissionais se reinventaram durante a pandemia e, com mais qualidade de vida, não querem voltar a trabalhar no setor. Cenografia, catering, áudio e vídeo são serviços em que os preços subiram. Os valores de matéria-prima, em geral, aumentaram devido à falta dos produtos no mercado, muitas vezes importados da China.

No entanto, não foi somente o mercado que mudou. O público também. Diante de clientes ávidos por experiências marcantes, sacrificar a qualidade da experiência em detrimento do custo não é uma opção. A agência e o cliente sabem disso. O desafio que o setor tem enfrentado é o de equacionar esta desconexão entre orçamento limitado e expectativas cada vez maiores.

Considerando os impactos desta alta de preços, não é mais possível utilizar como régua de comparação para a realização dos eventos orçamentos do período pré-pandemia – e, tampouco, do ano de 2022.

Se, por um lado, há pressão inflacionária, por outro há uma exigência estratégica e criativa muito maior do que tempos atrás. Cliente e público esperam uma jornada muito mais detalhada e ativações cada vez mais surpreendentes e tech, com realidade aumentada e metaverso. Isso significa que, para realizar o mesmo evento de anos anteriores, há dois caminhos: ou a empresa aumenta a sua alocação de orçamento para evento, ou prioriza o que realmente faz diferença para aquele público e objetivo. Muitas vezes, espera-se que a agência opere verdadeiros milagres para lidar com essas limitações – o que, na maioria das vezes, não é viável.

O processo de criação de um projeto passa pelo: recebimento do briefing e análise de objetivos; estudo dos times de planejamento e criação, criação da jornada e experiência, e então o plano tático. Tudo sempre visando a entrega de KPIs e principais objetivos do cliente. Depois as cotações são levantadas e, finalmente, há a montagem de uma planilha consolidada, incluindo a mão de obra de fornecedores parceiros remunerados que apoiam no preparo da proposta. É nesse momento que a agência sabe se vai conseguir alcançar o orçamento do cliente.

Caso o valor esteja fora do previsto, é necessário que o time de criação faça adaptações no projeto, apostando em ideias (menos custosas), sem comprometer a sua essência. Entretanto, diante de briefings cada vez mais ousados, ideias mais baratas dificilmente satisfazem os desejos e necessidades do contratante. Diminuir o valor dos serviços das agências também não é uma opção, já que há um custo fixo de equipe bastante elevado e a agência é um grande parceiro estratégico de seus clientes, que ajuda a alavancar vendas e mexe no ponteiro de consumo. Nesse sentido, a agência acaba sendo a portadora das más notícias, que nesse caso são os preços altos em decorrência de todo o cenário dos últimos tempos.

Para não cair na armadilha do “barato que sai caro”, é também importante uma avaliação criteriosa da confiabilidade do serviço por parte do cliente. Preços muito abaixo do mercado precisam ser olhados com cautela. O orçamento de um evento leva ainda em conta custos de frete, manuseio e armazenagem. Tudo isso garante a consistência da entrega.

Qual a alternativa, então, para equilibrar a balança? Entender a importância do marketing de experiência na trajetória de construção da marca. O quanto vale investir em estratégias de longo prazo para desenvolver marcas sólidas e impactar positivamente nos resultados. Ser eficiente na experiência para alavancar vendas, criar um ambiente melhor para os times, desenvolver relacionamentos duradouros com parceiros, investidores, clientes e, principalmente, conquistar a audiência através da identificação das pessoas com os valores da empresa. Entender a importância dessas práticas para a organização e investir nessa frente é uma escolha necessária para resolver o impasse pós-pandemia, transformando marcas em objetos de desejo e em histórias inesquecíveis.

*Juliana Saab é country lead da GPJ Brasil. Chegou à GPJ em 2014, onde realiza a gestão globalizada do portfólio de marcas como IBM e Salesforce. Tem no currículo ainda o atendimento a Meta, Google, Toyota, Netflix, Motorola, entre outras.

Marketing de experiência é diferencial para conquistar e fidelizar clientes

Com amplo poder de escolha que a internet proporciona, estratégia é ideal para encantar e manter laço mais próximo com o público-alvo em meio a tantos concorrentes

Conhecido por estimular e fidelizar o relacionamento com o cliente, o marketing de experiência cria estratégias para encantar os consumidores por meio dos sentidos e das emoções, e tem sido aplicado em áreas como varejo, branding e marketing de eventos e turismo. Hoje, segundo a empresa Salesforce, 89% dos clientes dizem que a experiência vivenciada com as marcas é tão importante quanto os produtos e serviços e 94% gostam de ser tratados como pessoas, e não números.

No Brasil, ainda vemos muitas dessas ações associadas a grandes empresas, sendo que uma experiência não precisa necessariamente ser grandiosa para tocar as pessoas e emocionar. Isso ocorre porque muitas empresas ainda desconhecem as aplicações do marketing de experiência, e tendem a manter o tradicional ao invés de surpreender, mesmo que com pequenas e significativas ações.

Imagem de Gerd Altmann do Pixabay

Segundo Manuela Schmidt fundadora da Happy Help – plataforma que nasceu com o objetivo de facilitar a criação de redes de colaboração- as empresas poderiam ter um melhor aproveitamento do marketing de experiência para se destacarem em um mundo onde há cada vez mais concorrência, e onde os consumidores estão mais exigentes e buscando por diferenciais no momento de comprar ou consumir determinado produto ou serviço.“ As ações de marketing estão cada vez mais abundantes e as pessoas estão buscando valorizar seu tempo e dinheiro com experiências que façam sentido e que caibam em suas vidas e em seus valores”, explica.

Além do mais, o marketing de experiência é considerado um diferencial competitivo por fidelizar clientes a partir das emoções. “Ao usar as emoções e os sentidos para se conectar com as pessoas, as marcas criam uma relação além do consumo fazendo com que os clientes consigam ver e sentir a presença delas em suas vidas”, aponta Manuela. “Cada estratégia constrói um pequeno laço com o cliente. Daí a importância da oferta contínua de experiências memoráveis, de todas as formas possíveis”, completa.

A maneira mais simples e utilizada de aplicação de marketing de experiência é a partir do estímulo dos cinco sentidos. “Associar sons, perfumes, imagens e texturas a cada contato do cliente com a marca pode ser caracterizado como marketing de experiência, quando feito com propósito”, explica Manuela. Há também aquelas formas de fazer o cliente se sentir especial, extrapolando a relação para além do básico. “Um bom atendimento, um pós venda atencioso, um presente em uma data importante, uma surpresa – cada detalhe conta para emocionar os clientes”, conclui.

O valor do marketing de experiência para a comunidade

Quando uma pessoa vivencia uma boa experiência em um negócio local, tende a falar disso. Caso contrário, deixa de consumir a marca. Segundo pesquisa “2021 Global Marketing Trends”, dos quase 2.500 entrevistados, uma a cada quatro pessoas declarou que se afastou de marcas que mostraram agir apenas por interesse próprio.

Considerando que atualmente a maioria dos negócios possui alguma presença digital – e muitos migraram para plataformas digitais por causa da pandemia – o alcance desses depoimentos se expandem consideravelmente, assim como a atenção (positiva ou negativa) sobre empresas e profissionais. Isso, somado à mudança do perfil dos consumidores que estão mais exigentes e mais conscientes do poder de sua opinião, mostra a importância de uma boa impressão a cada contato.

Um exemplo de como proporcionar uma boa experiência é a ferramenta que a Happy Help está lançando em breve, os Happy Places & Partners – uma forma inovadora de conectar empresas que querem impactar positivamente as pessoas e comunidades, com atuais e futuros clientes que estão abertos e interessados em vivenciar novas maneiras de se relacionar com produtos e serviços. “Nossos usuários são estimulados a falar sempre a verdade das marcas e estabelecimentos e compartilhar organicamente em suas redes sociais sobre o relacionamento e a experiência que tiveram no local. Dessa forma, outros usuários poderão escolher ir ou não nesses locais”, explica a fundadora.

De acordo com Manuela, uma boa impressão é o cartão de visita que fala por si só, assim como o boca a boca – o marketing mais antigo e que gera uma credibilidade quase inquestionável. “As pessoas estão retomando o valor das comunidades locais e querem consumir de empresas que valorizem a vizinhança, respeitem e criem laços com as pessoas. Os negócios acabam virando um bem comum, que serve e cuida da comunidade”, explica.

Sobre Manuela Schmidt

*Manuela Schmidt, Fundadora da Happy Help. Com mais de 17 anos de carreira, é formada em Publicidade pela Unisul, com mestrado em Direção Criativa pelo Istituto Europeo di Design de Roma, e certificada em Empreendedorismo pela Harvard BSO. Após uma experiência pessoal desafiadora, viveu a necessidade de uma rede de apoio ativa e assim criou a Happy Help.

Sobre a Happy Help

A Happy Help é uma plataforma que nasceu com o objetivo de facilitar a criação de redes de colaboração. Disponível na web e aplicativo (IOS e Android), permite o compartilhamento de talentos, conhecimentos e habilidades entre os usuários. Conta com uma moeda interna para mediar trocas indiretas de ajuda, como terapias, ensino de idiomas, consultorias para pequenos empreendedores e diversas outras formas de apoio ao próximo.

Fonte: Motim.cc – Assessoria de Imprensa

Coluna Propaganda&Arte

Evolua naturalmente como um robô ainda em 2020

AI. Você já deve ter lido essa sigla em algum lugar. Não é uma interjeição de dor e sim um termo em inglês abreviado (Artificial Intelligence) ou aportuguesando IA, Inteligência Artificial.

Estes mecanismos estão em todo lugar hoje com a internet a todo vapor. Fazem atendimento personalizado para seu banco, fazem buscas por rastreamento de face, fazem varreduras em palavras que são produzidas aos milhões por dia nas redes sociais, estas inteligências realmente já fazem parte do nosso dia a dia e, portanto, já são normais e até naturais. Ainda assim, paradoxalmente assusta.

Você está se preparando para a fusão (homemXmáquina)?

Já está acontecendo e não é uma história de ficção científica, com androides e ciborgues, é algo mais palpável com pessoas utilizando celulares cada vez mais como extensão de suas mentes, cérebros, no caso da memória, até mesmo para resolução de problemas complexos. Em alguns casos, sim, parece filme de ficção científica e vemos pessoas se conectando a computadores para ganharem super visão, super audição ou algum tipo de ampliação sensorial ao se plugar à um computador preparado para isso. Mas essa assunto ficaria para outro dia. O foco aqui é o quanto nós estamos deixando a oportunidade passar e não estamos nos preparando para o futuro que está se desenhando.

Ok, Google, dessa vez você passou dos limites

Os atendentes virtuais que estão no seu celular, no banco, no site etc. são apenas coadjuvantes, talvez as grandes inteligências artificiais você nem saiba que existe, elas não tem voz, cara ou nome fofo. Quando a gigante chinesa Alibaba ou a Amazon, faz vendas, várias IAs se mexem para otimizar e maximizar as entregas. Eles podem prever o que você vai querer comprar no futuro e realmente vender. Ou em alguns casos, como do Facebook, eles fazem uma leitura profunda dos textos produzidos e conseguem saber se a pessoa está com bom humor, depressiva, etc. Além de caçar imagens inadequadas e proibir sua veiculação, no caso de pornografia, só para citar um dos problemas atuais.

Ai, ai, essa AI

As gigantes do comércio online estão se movimentando e aproveitando das IAs, porém nós, meros mortais, parecemos ainda engatinhar nessa compreensão e em como vai nos impactar no trabalho, no lazer e como podem nos ajudar na qualidade de vida. Será que nós estamos tão desatualizados que poderemos ser deletados nos próximos 10 anos deste mercado de trabalho atual? Eu não quero esperar a próxima atualização para descobrir. Por isso, sugiro perder o medo, conhecer e se especializar em áreas com menos dedicação de seus parceiros de trabalho. Programação, User experience, Marketing de Experiência e outras áreas estão crescendo muito e provavelmente muitos profissionais (e IAs) serão necessários para fazer tudo isso rodar.

Vamos apertar o botão de ATUALIZAR ainda em 2020?