Além do Sudeste: potencialize sua campanha com estratégias regionais

Por Gustavo Alves*

Em outubro do ano passado, a L’Occitane au Bbrésil lançou, junto com a atriz Grazi Massafera, o filme “É tempo de Caju na pele!”. Nos segundos iniciais, vemos um caju, fruto que tem tanta representatividade para o Nordeste brasileiro, pendurado pela castanha e preso em uma árvore que não é um cajueiro.

Esse equívoco levou a uma repercussão negativa nas redes da marca, levando à pouca aceitação da campanha por parte do público. Esse deslize pode parecer irrelevante para quem não vive a realidade do Nordeste, mas, para quem está inserido nessa cultura, ver algo de tamanho significado ser utilizado de forma equivocada por uma marca pesa nos aspectos sentimentais para com ela.

Elaborar uma estratégia regional demanda conhecimento local aprofundado, pois é muito fácil cometer deslizes e fomentar certos estereótipos a depender da região. Sendo uma estratégia mercadológica ou não, é preciso entender como seu produto/serviço será inserido naquele local e como os atuais concorrentes, caso existam, atuam.

Dialogando com seu mercado

Independentemente de sua marca ser a primeira a atuar no setor daquela região ou não, é imprescindível criar uma conexão com a cultura local, pois não deveríamos adaptar comunicações de acordo com um direcional nacional, e sim criá-las exclusivamente para cada região.

O Nordeste tem potencial criativo para expandir ainda mais seus horizontes – basta um olhar fora da bolha e, principalmente, do eixo Rio-São Paulo -, mas, infelizmente, muitos Estados da região têm uma imagem construída por quem está de fora como pouco evoluído ou precário.

Thaynara OG, influenciadora digital e maranhense, eleva a cultura do seu Estado por meio dos seus canais há anos. Por exemplo, o São João da Thay, promovido pela influenciadora em benefício do UNICEF, já acontece há muito tempo; mais do que uma comemoração, o evento serve para mostrar ao Brasil as possibilidades que existem fora do que está à altura dos nossos olhos.

Já no Norte, há 15 anos, a Coca-Cola, patrocinadora por 25 anos do festival de Parintins, no Amazonas, abriu mão da sua principal cor, o vermelho, para dar espaço para o azul em uma ação no festival; no mesmo evento, o Banco Bradesco também deixou de lado a predominância vermelha e abriu espaço para o azul. Cases como esses nos mostram a possibilidade de marcas territórios que têm capacidade para gerar conexão, ou não, em locais sentimentais e de muito significado para cada um.

De maneira prática, utilizar abordagens tailor made garante maior agilidade, foco naquilo que precisa de fato ser resolvido e, claro, personalização. Mas, independentemente do modo de trabalho, o foco está na necessidade de falar a língua de quem queremos atingir.

Recomendações para sua marca acertar em outras regiões

Embora o exemplo da L’Occitane mostre que a marca está buscando ampliar sua área de atuação, é importante que as marcas tenham bastante cuidado na hora de se apropriar de outras culturas para abrir seu leque de potenciais consumidores. Afinal, é sabido que existe uma disputa acirrada para conquistar espaço não apenas na mídia, mas também na mente das pessoas.

A seguir, confira dicas que podem potencializar sua campanha com estratégias regionais:

1. Não apareça de surpresa e suma: Conquiste seu território e permaneça nele, cada vez mais forte e criando novas conexões com o público. É um grande risco para marcas que aproveitam apenas da sazonalidade para promover suas mensagens em regiões onde a maior parte do tempo não se vê nada sobre elas.

2. Não adapte material, crie: Crie de acordo com a realidade apresentada. Cada povo tem suas culturas e hábitos, cabe respeitar e usar aquilo que de fato seja relevante e, de alguma forma, entretenha. Adentre de fato na proposta e bons caminhos criativos surgirão.

3. Invista em agências, produtoras e veículos locais: Além de testar formatos exclusivos e provar da criatividade local, os clientes e anunciantes podem favorecer o mercado local alocando seus investimentos em propriedades regionais. É preciso levantar essa pauta, já que agências, produtoras e veículos locais têm, sim, potencial para levar sua mensagem ainda mais longe.

Por fim, a questão é maior que isso: ela ultrapassa o que é campanha ou qualquer estratégia. Estamos falando de locais com potenciais criativos brilhantes que precisam ser enxergados e investidos.

*Gustavo Alves é sócio e Head de Projetos e Atendimento na Karu, agência de marketing especializada em soluções tailor made.

Coluna “Discutindo a relação…”

No que devo estar ligado?!

Por Josué Brazil

Imagem de Jan Vašek por Pixabay

O mercado de publicidade e propaganda é, sem dúvida alguma, um dos mais impactados pelas constantes mudanças e inovações advindas da tecnologia. Como consequência desta ininterrupta onda de mudanças, as práticas do mercado de propaganda vão se modificando e novidades passam a fazer parte do dia a dia de todos os profissionais e estudantes de propaganda.

Elas são muitas, mas vou listar aqui cinco tendências e/ou inovações importantes para estudantes e jovens profissionais de publicidade e propaganda:

Publicidade nativa e conteúdo patrocinado: À medida que os consumidores se tornam mais avessos à publicidade tradicional, a publicidade nativa e o conteúdo patrocinado estão ganhando destaque. Essas formas de publicidade se integram de forma orgânica ao ambiente em que estão inseridas, proporcionando uma experiência menos intrusiva para os usuários. Os estudantes devem compreender como criar conteúdo que se misture naturalmente ao contexto em que está sendo apresentado, mantendo a autenticidade e o interesse do público.

Inteligência Artificial (IA) e análise de dados: A IA está revolucionando a forma como a publicidade é feita, desde a segmentação de audiência até a personalização de conteúdo. Os jovens profissionais devem estar familiarizados com ferramentas de análise de dados e algoritmos de IA para compreender melhor o comportamento do consumidor e otimizar suas campanhas de publicidade.

Marketing de influência: Os influenciadores digitais têm um poder significativo sobre as decisões de compra dos consumidores, especialmente entre os jovens. Estudantes e jovens profissionais devem entender como identificar e colaborar com influenciadores que são relevantes para o público-alvo de suas campanhas, bem como medir o impacto dessas parcerias.

Realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR): A AR e a VR estão oferecendo novas formas imersivas de experiência do consumidor. Os profissionais de publicidade podem utilizar essas tecnologias para criar experiências interativas e envolventes que destacam os produtos ou serviços de seus clientes. Os estudantes devem acompanhar as últimas tendências em AR e VR e explorar como podem aplicá-las de forma criativa em suas campanhas publicitárias.

Publicidade programática: A publicidade programática permite a compra e venda automatizada de espaço publicitário em tempo real, com base em dados demográficos e comportamentais. Isso permite uma segmentação mais precisa e eficiente do público-alvo, além de proporcionar uma maior transparência e controle sobre o processo de compra de mídia. É essencial que os estudantes e jovens profissionais compreendam os conceitos básicos da publicidade programática e saibam como utilizá-la para maximizar o retorno sobre o investimento de seus clientes.

Essas tendências e inovações estão moldando o futuro da publicidade e propaganda, e os estudantes e jovens profissionais que as dominarem terão vantagem competitiva no mercado.

Em webinar exclusivo para associados, Central de Outdoor destaca insights do Foro Alooh

Associados falaram sobre a importância de unir os meios clássico e digital para aumentar impacto das campanhas

Halisson Pontarolla, Vice-Presidente da Central de Outdoor, durante o Foro Alooh – Crédito: Divulgação

Na última quinta-feira, 02 de maio, a Central de Outdoor, maior associação de mídia exterior do Brasil e uma das cinco maiores do mundo, realizou um webinar exclusivo para associados com o tema “Insights Foro Alooh México 2024 – Entre dois mundos”. O encontro destacou os principais insights do evento de OOH latino, que aconteceu no México, para os associados que não puderam comparecer. No encontro desta quinta, cinco dos 21 associados presentes no Foro Alooh, parte da delegação da Central de Outdoor e maior brasileira no evento, compartilharam com os participantes do webinar suas percepções sobre a importância da união de meios clássicos e digitais para o sucesso das campanhas.

Durante o webinar, a Central de Outdoor abriu espaço para os associados apresentarem os destaques que captaram das palestras do Foro Alooh. Ira Rodrigues, CEO do Grupo Inteligência de Mídia, ressaltou a importância de estar presente em um evento ao lado de empresas de 25 países diferentes, absorvendo as diferenças culturais e trocando experiência e conhecimento. Ela lembrou que o Brasil tem diversidade em seus formatos, mas compartilhou fotos que tirou das ruas da Cidade do México, com formatos como paineis de LED a altura dos olhos e cabine de reciclagem, que não são comuns no OOH brasileiro.

Guilherme Meyer, CEO da VEX OOH, apresentou os destaques de três palestras: a de Chris Cowlbeck, CVO da IBO USA, que destacou a importância do associativismo para a profissionalização do meio; a iniciativa de Barry Frey, presidente e CEO da DPAA, que desenvolveu uma empresa de networking entre exibidoras e CMOs; e a palestra de Rick Robinson, CEO da PJX Media, que exemplificou a força criativa do meio clássico com campanhas inovadoras e atrativas.

Ainda abordando o meio clássico, Leandro Formigone, CEO da Amplilume Paineis OOH, reforçou seu papel em manter o reconhecimento de marca, estimular a criatividade personalizada por parte das exibidoras, para além das agências criativas, e trabalhar campanhas de forma sustentável. Ela citou como exemplo a campanha realizada para a Heineken, exibida pela Hezagono Brasil Publicidade, planejada pela BE 180 e desenvolvida pela Le Pub, do Grupo Publicis, em que foram instalados outdoors fotovoltaicos em um bar do Rio de Janeiro para gelar a cerveja a partir da energia gerada pela luz solar.

Já Leonardo Pereira, diretor executivo da Action Mídia Out Of Home, falou sobre a importância de aproveitar soluções de métricas de audiência e padronizá-las para que todos os players do mercado utilizem uma mesma linguagem para abordar os dados. Ele ressaltou que os dados são necessários para o planejamento de uma compra de mídia e que a padronização dessas métricas é a grande alavanca de crescimento do meio no Brasil.

Felipe Davis, CEO da OOH Brasil, relembrou que, apesar do evento ser voltado para a mídia exterior da América Latina, o Foro Alooh contou com a presença de empresas de países também da Europa e da Ásia, o que demonstra que o potencial de desenvolvimento da mídia exterior latina chama a atenção de todo o mundo. O Brasil, em especial, se destaca devido a velocidade de crescimento do setor e da alta porcentagem do share. Como tendência destaca a criatividade do clássico, o crescimento do DOOH, com campanhas em 3D anamórfico, e o uso de big data.

A mídia exterior está caminhando cada vez mais em direção a programática, mas os exemplos trazidos nas palestras do Foro Alooh evidenciam que é preciso combiná-la com a criatividade e oportunidades do clássico para potencializar a conversão e os resultados das campanhas.

A Central de Outdoor encerrou o webinar destacando a presença do Brasil na mídia exterior mundial. “O Brasil recebeu três prêmios no Foro Alooh, com a ECOSS OOH, nossa plataforma de automação de dados, o uso da Trace OOH pela CHICOOH+ e a campanha da Hezagono. Podemos dizer com orgulho que realmente representamos o nosso país e mostramos a força de nossa associação”, diz Halisson Pontarolla, vice-presidente da Central de Outdoor.

Sobre a Central de Outdoor

A Central de Outdoor é a maior associação de mídia OOH do país e uma das cinco maiores do mundo, que reúne empresas do ecossistema do OOH, entre exibidores de mídia, agências de planejamento e fornecedores do meio. É cofundadora do CENP (Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário), do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), da Associação Latino Americana de Out of Home (ALOOH), e membro da World Out of Home Organization (WOOHO).

Fonte: Agência ERA®