Sóbrancelhas busca Vídeo Maker
Confira tudo sobre a vaga na arte abaixo
Por R. Guerra Cruz
Uma mensagem circulou nas redes em novembro de 2025 e é devastadora em sua lógica: uma empresa publica um email ou push notification sobre o falecimento de um funcionário, tecendo palavras sobre dedicação e legado, e na sequência imediata, anuncia 15% de desconto na Black Friday.
Não é questão de redação.
Se alguém solicita à IA “criar mensagem cordial sobre falecimento e promoção”, a ferramenta entregará exatamente isso: linguagem empática, estrutura emotiva, até um emoji de coração estrategicamente posicionado.
A inteligência artificial não questiona se colocar homenagem e desconto na mesma comunicação atravessa uma fronteira ética fundamental.
Ela não sente rejeição moral.
Ela apenas otimiza o comando que recebeu.
Reformular o texto dez vezes, formal, emotiva, corporativa, não altera o núcleo do problema: transformar luto organizacional em oportunidade de conversão é moralmente indefensável.
A máquina ajusta palavras, mas não examina a premissa estratégica.
Ela não pára para pensar que existem momentos em que o silêncio respeitoso é a única resposta ética possível.
Estudos sobre gestão de crise demonstram que comunicação transparente, priorização dos afetados e alinhamento entre valores e ações exigem discernimento humano.
Nenhum algoritmo substitui alguém na sala capaz de dizer “não”, alguém que reconheça quando uma estratégia, embora executável, viola o básico de dignidade.
A máquina sem coração nem sempre é a IA.
Muitas vezes, é quem escreveu o prompt, quem aprovou cada palavra, quem decidiu que essa “sacada” era comercialmente viável.
Ferramentas amplificam intenções: se a decisão é desumana, a tecnologia apenas a torna mais eficiente.
Históricos como o funcionário do Walmart pisoteado em 2008 durante a Black Friday deveriam servir como um aviso permanente do custo humano quando abraçamos o consumismo a todo preço.
Quando otimização operacional substitui a compaixão, a responsabilidade permanece, inevitavelmente, nossa.
E não tem prompt que resolva.
A agência Maria Fumaça, de São José dos Campos, anuncia a chegada de um novo cliente: Serramar Laticinios.
O comunicado foi feito através dos perfis de redes sociais da agência através de um vídeo em que as sócias da operação aparecem brindando com um dos produtos do cliente.
O texto da postagem afirma:
“A Serramar agora é nossa cliente, e estamos prontos para construir estratégias criativas, fortalecer a marca e gerar resultados. Que seja o início de uma grande jornada juntos!”
Empresas buscam profissionais capazes de construir análises inteligentes e traduzir o que os dados dizem em linguagens simples
Cerca de 65% das empresas do Brasil já têm cultura de dados na área de comunicação, é o que revela um estudo desenvolvido pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), em parceria com a Cortex. Entretanto, o mercado ainda enfrenta uma escassez de profissionais qualificados para análise de dados, especialmente fora da área de ciências exatas.
Mais de 173 zettabytes de dados foram criados, capturados, copiados e consumidos globalmente em 2025. Com o avanço da inteligência artificial, já existem plataformas capazes de gerar gráficos e insights com base nesses dados, a partir de simples prompts. O que as empresas estão buscando nesse momento, são profissionais capazes de formular as perguntas certas para produzir análises realmente inteligentes.
Em contrapartida, de acordo com dados do Censo da Educação Superior do INEP, mais de 300 mil profissionais foram formados em ciências sociais nos últimos cinco anos. Área de estudo onde são desenvolvidas habilidades essenciais para o que o mercado busca em análise de dados, como pensamento crítico, comunicação clara e questionamentos bem direcionados.
Nesse cenário, grupos como Comunidade Examanas — que tem o objetivo de aproximar profissionais da área de humanas de habilidades práticas de exatas — ganham espaço. Para o especialista em business intelligence Kaique Oliveira, que atua há mais de dez anos com análise de dados e fundou a comunidade, o crescimento do setor de dados não tem sido acompanhado pela formação de novos profissionais em exatas, mas existe uma oportunidade no campo de humanas.
Com isso, iniciativas de capacitação prática se tornam necessárias. Um exemplo é o workshop “Meu primeiro dashboard”, que será realizado no dia 24 de janeiro, das 9h às 13h, em São José dos Campos (SP). A proposta da realizadora do evento, Comunidade Examanas, é apresentar conceitos básicos de análise de dados a profissionais da área de comunicação que nunca tiveram contato com o tema, por meio da resolução de um problema prático.
● Dashboards são painéis visuais que organizam dados, métricas e indicadores de desempenho em gráficos e tabelas, permitindo análises rápidas e decisões mais embasadas em diferentes setores.
As inscrições para o evento estão abertas, e o especialista Kaique Oliveira está disponível para comentar o cenário do mercado de Big Data, a falta de profissionais qualificados e as perspectivas da área para os próximos anos.
As inscrições para o evento estão disponíveis neste link.