Com a mudança no cenário do varejo, as redes de retail media abrem oportunidades de monetização para marcas e varejistas

Por Tiago Cardoso*

Quando se pensa em gigantes do varejo como Casas Bahia e Magazine Luiza, a maioria das pessoas associa esses nomes aos produtos que fornecem aos consumidores que precisam deles. No entanto, dentro da indústria publicitária, esses líderes do varejo são vistos como pioneiros que aproveitaram enormes oportunidades de monetização de mídia. Ao transformarem suas plataformas de comércio eletrônico em propriedades de mídia, essas empresas agora oferecem espaços publicitários proeminentes e envolventes para marcas e consumidores.

Tiago Cardoso

Embora retail media seja um fenômeno global há mais de uma década, sua importância no Brasil está crescendo agora, impulsionada pelo aumento do comércio eletrônico e pela crescente demanda por ambientes publicitários seguros e compatíveis com as marcas. Além disso, a iminente depreciação dos cookies de terceiros em 2024 intensificou a corrida pelo acesso a dados de primeira parte duráveis e seguros para a privacidade.

As redes de retail media (RMNs) são plataformas publicitárias poderosas que permitem aos anunciantes aproveitar os dados e o estoque de primeira parte dos varejistas para oferecer anúncios altamente personalizados em momentos-chave da jornada do comprador e envolver os clientes no momento da compra, quando estão mais propensos a converter. Também permite aos anunciantes destacar seus produtos em seus próprios canais, como sites e aplicativos, oferecendo às marcas um amplo inventário de anúncios para alcançar mais clientes com alta intenção de compra.

Como retail media beneficia todas as partes

A comercialização de mídia apresenta uma oportunidade vantajosa tanto para os varejistas quanto para os anunciantes. Os varejistas colhem benefícios ao gerar fluxos adicionais de receita e ao proporcionar experiências mais personalizadas aos clientes. Por sua vez, os anunciantes aproveitam a oportunidade para obter informações valiosas sobre os consumidores por meio dos dados do varejista, capacitando-os a otimizar estratégias e alcançar resultados mais eficazes em ambientes digitais seguros para suas marcas. Além disso, o retail media beneficia diretamente os consumidores ao exibir produtos e marcas relevantes com base nos dados de primeira parte que compartilharam com o site do varejista.

À medida que o mercado brasileiro testemunha grandes varejistas investindo em soluções internas de retail media, torna-se crucial priorizar a educação. Isso assegurará que varejistas de todos os portes possam adotar essa estratégia de maneira a obter resultados positivos. Com o crescente interesse no setor, os varejistas percebem rapidamente que a construção e implementação de uma RMN não acontecem da noite para o dia. Este processo demanda compreensão e criação de novos modelos de negócios, com operações devidamente atualizadas.

Por que um parceiro de tecnologia pode ser estratégico para os varejistas construírem uma RMN:

No entanto, não é necessariamente preciso uma infraestrutura ou contratação de uma equipe totalmente novas. Em vez de construir toda a tecnologia de retail media internamente, uma maneira de encurtar o lançamento é procurar um parceiro de tecnologia com experiência de longo prazo e soluções personalizadas. Aqui estão cinco maneiras pelas quais os parceiros podem ajudar os varejistas a alcançar o sucesso em retail media.

Demanda – Conseguir a adesão de anunciantes para comprar inventário de retail media é o primeiro passo. Como este é um conceito novo para muitos anunciantes, é crucial que os varejistas demonstrem o valor de seus públicos específicos para marcas e agências para garantir o estabelecimento da demanda. Os varejistas devem buscar construir parcerias que lhes permitam acessar novos orçamentos de marcas e agências, em vez de depender apenas dos orçamentos dos compradores.

Oferta – Os varejistas também precisam considerar o inventário de anúncios que melhor atende aos objetivos de seus anunciantes. Isso vai além de um varejista ter oferta em seu próprio site, podendo se conectar a outras fontes de mídia. Ao aplicar dados do varejista a oferta adicional, os varejistas ajudam seus parceiros de marca a ampliar campanhas de retail media e acessar relatórios abrangentes ao longo de toda a jornada do comprador.

Engajamento – Os anunciantes aproveitam campanhas de retail media porque geram resultados tanto para a construção de marca quanto para o desempenho, mas os varejistas precisam oferecer formatos de anúncio diversos para alcançar o objetivo específico de uma marca ao longo da jornada do consumidor.

Métricas – Para garantir campanhas de retail media bem-sucedidas para os parceiros de marca, os varejistas precisam fornecer aos anunciantes uma medição abrangente por meio de relatórios claros e robustos. Isso inclui visualizações agregadas de métricas por campanha, por categoria, por produto e por varejista — se estiverem executando campanhas em vários varejistas. Um parceiro de tecnologia não apenas ajuda nessa gestão, mas também pode fornecer acesso a todos os relatórios em uma única plataforma.

Flexibilidade – Para construir uma RMN eficaz e conduzir campanhas bem-sucedidas de retail media, tanto as marcas quanto os varejistas devem priorizar a flexibilidade. As marcas necessitam de soluções de retail media que proporcionem controle e flexibilidade para ajustar orçamentos e otimizar campanhas de maneira ágil, preferencialmente a partir de um ponto central. Já os varejistas precisam de flexibilidade em relação às capacidades oferecidas por sua tecnologia de mídia no varejo. Para alcançar esses objetivos, alguns varejistas contam com seu parceiro de tecnologia de anúncios para alimentar toda a RMN, enquanto outros optam por combinar tecnologia e recursos de serviço gerenciado.

Com o ecossistema de retail media crescendo no Brasil, é hora de os varejistas em todos os setores começarem a entender como a estratégia publicitária pode beneficiá-los, bem como o que é necessário para construir e implantar uma rede de retail media da maneira mais eficiente e econômica. Como ainda estamos nas fases iniciais, criar uma base para uma futura RMN diferenciará os varejistas da concorrência.

*Tiago Cardoso é Managing Director para América Latina na Criteo

Coluna Propaganda&Arte

A publicidade alça voo: O futuro das mídias externas

Por R. Guerra Cruz

Em um mundo cada vez mais conectado e digital, as novas mídias emergem como um campo fértil para a inovação e a experimentação. As fronteiras da comunicação se expandem, desafiando os modelos tradicionais e abrindo portas para uma era de possibilidades ilimitadas.

Espaços Publicitários Externos em Drones:

Imagine drones que, além de entregar pacotes, servem como plataformas publicitárias em movimento. Telas LED vibrantes exibem anúncios personalizados, adaptando-se ao público em tempo real e criando uma experiência imersiva e dinâmica. Essa tecnologia abre portas para uma publicidade mais precisa e engajadora, mas é importante estar atento aos seus efeitos colaterais. Como nos alerta Marshall McLuhan em “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem”: “o ‘conteúdo’ de um meio é como a ‘bola’ de carne que o assaltante leva consigo para distrair o cão de guarda da mente” (MCLUHAN, 1969: 33).

Espaços Publicitários em Carros Voadores:

Com a promessa de revolucionar a mobilidade urbana, os carros voadores também apresentam uma oportunidade única para o futuro da publicidade. Imagine painéis digitais integrados à estrutura dos veículos, exibindo anúncios direcionados e interativos. As possibilidades são infinitadas, e um exemplo concreto está se desenvolvendo bem próximo de nós: a Embraer, empresa brasileira referência na indústria aeronáutica, anunciou recentemente que Taubaté, no interior de São Paulo, será a sede da primeira fábrica de carros voadores do país. A previsão é que os primeiros modelos estejam prontos para voar a partir de 2026, abrindo um novo capítulo na história da aviação e da publicidade.

Outras Mudanças Relevantes:

● Realidade aumentada e virtual: A integração da realidade aumentada e virtual na publicidade proporcionará experiências imersivas e interativas, permitindo que os consumidores “experimentem” os produtos antes de comprá-los. Essa tecnologia oferece um enorme potencial para as empresas, mas é importante que seja utilizada de forma responsável e ética.
● Inteligência artificial: A inteligência artificial será fundamental para a segmentação precisa de anúncios, análise de dados em tempo real e criação de conteúdo personalizado. Essa tecnologia pode ser extremamente útil para as empresas, mas é importante que seja utilizada de forma transparente e que os dados dos consumidores sejam protegidos.
● Redes sociais e influenciadores: As redes sociais continuarão a ser um canal importante para a publicidade, com o crescimento do marketing de influenciadores e a ascensão de novas plataformas. As empresas que desejam ter sucesso nesse ambiente precisam estar atentas às últimas tendências e adaptar suas estratégias de acordo.

Um convite à criatividade e à experimentação

O futuro das novas mídias é um convite à criatividade e à experimentação, mas também é um chamado à responsabilidade. As tecnologias emergentes redefinem as possibilidades de comunicação, abrindo portas para experiências imersivas e personalizadas. Cabe aos profissionais da área explorar esse universo com visão estratégica e criatividade, adaptando-se às novas demandas do mercado e construindo uma comunicação mais relevante e eficaz, sem perder de vista os efeitos sociais e psicológicos da publicidade.

Com obra de arte em lona reutilizada, Central de Outdoor abre evento com um convite a pensar as cidades, suas conexões e a sustentabilidade

A 33ª edição da Convenção Nacional Central de Outdoor expõe projetos e conteúdos na programação que buscam um olhar mais criterioso para o meio social e ambiental

Lona de outdoor reutilizada: obra de arte pintada à mão pelo artista Danilo Sanches é exposta durante convenção da Central de Outdoor, que reforça papel da mídia exterior com as cidades e o ESG – Crédito: Divulgação

Com cerimônia de abertura e presença de autoridades da cidade de Florianópolis e do estado de Santa Catarina, a Central de Outdoor dá início oficialmente nesta quinta-feira, 14/03, à programação de conteúdo da 33ª Convenção Nacional Central de Outdoor, o maior encontro de mídia exterior do Brasil. Direcionado para empresários, diretores, gerentes e executivos das exibidoras e de agências de planejamento de todo o país, associados ou não, a edição com o mote “Conexões Urbanas, Conexões Humanas” é um convite para os participantes aprimorarem a gestão de seus negócios e refletirem sobre temas como sustentabilidade. Neste sentido, o cartão-postal do evento é uma obra de arte pintada à mão desenvolvida pelo artista Danilo Sanches, que reutilizou uma lona usada em outdoors.

A obra de arte de Danilo Sanches intitulada “Conexões humana, conexões urbanas” será leiloada ao final do evento, no dia 15/03, e o valor será revertido para uma instituição sem fins lucrativos que realiza trabalho com pessoas em situação de rua, com o objetivo de deixar um legado na cidade. A obra tem 4,30 m X 2,30 m e foi feita usando a técnica de tinta acrílica, spray e marcador. Fabi Soriano, diretora executiva da Central de Outdoor, comenta que o evento foi criado para abordar todo o ecossistema que envolve o mercado de mídia OOH no Brasil e as questões ambientais e sociais são pautas relevantes nos negócios dos associados. “A mídia exterior se conecta com as cidades, com as pessoas e sabemos da importância de estarmos também atentos aos desafios que envolvem os locais, que são o pano de fundo entre as pessoas e a mídia. É preciso mostrar que existe um universo de possibilidades e que pode ser através da arte, para resolver desafios como o descarte de lonas. E precisamos ir além do discurso, mostrando soluções práticas. Todas as lonas usadas no evento serão reutlizadas”.

O artista plástico Danilo Sanches destaca que a ideia do painel é reutilizar a lona, que seria descartada, e transformá-la em uma obra de arte. “Além do impacto visual pelo tamanho, é um convite para um olhar artístico sobre relações e conexões do nosso dia a dia. Mostra, também, um novo destino para as lonas que seriam descartadas, que é possível passar novas mensagens através delas, contribuir com a sociedade e interagir com as pessoas”.

As palestras da 33ª Convenção Nacional Central de Outdoor abordarão assuntos como cidades inteligentes, empresas com propósito, negócios sustentáveis, comunidade e cases de sucesso. “Nos últimos anos, a mídia exterior de nosso país tem se destacado no mundo todo, com sua criatividade e digitalização avançada. Ter um encontro dos profissionais da área a fim de discutir temas relevantes para o meio é uma forma de desenvolver cada vez mais o nosso setor. Os profissionais presentes poderão se inspirar nas palestras de nomes de referência do OOH e, assim, transformar e desenvolver cada vez mais a mídia exterior brasileira”, completa João Batista, presidente da Central de Outdoor.

A Convenção Nacional é patrocinada pela Adsmovil OOH, The Led, Inviron, LedWave e Samaha Bank.

Exposição

Na convenção terá um espaço com outras obras de Danilo, feitas também em lonas reutilizadas, que serão expostas aos convidados do evento. A exposição conta com nove obras e tem como tema o universo feminino e sua relação com a sociedade. “O resultado foi surpreendente, a lona deu um efeito singular para as obras, feitas com tinta acrílica, spray e marcador, e a ideia é proporcionar um momento de interação das obras com o público”, diz o artista. As pinturas também estarão disponíveis para compra durante o evento.

Confira a programação:

Dia 14/03:

8h – Recepção
8h30 – Abertura
9h – “Mídia do Futuro”, com Daniela Klaiman
10h10 – “Infinitas Possibilidades”, com Richard Albanesi
10h45 – “Share do OOH no Investimento Publicitário Brasileiro”, com Felipe Davis
11h45 – “ESG Não é Sobre Ativismo. É Sobre Capital”, com Lana Pinheiro
12h45 – “Aumente em Mais de 10x seu Faturamento Digitalizando Seu Mundo OOH”, com Priscila Samaha e Gabriel Coitiño
14h45 – “Meu Brasil é com S. As Oportunidades de Mídia no Brasil Regional”, com Leonardo Lazzaroto
15h – “Inovando Experiências”, com Alessandro Batista
15h20 – “Integração da Mídia OOH nas Cidades do Futuro”, com Raul Lores
16h10 – “Novas Tecnologias para o OOH”, com Douglas Pombo
16h55 – “Evolução do OOH no Brasil – A Nova Fronteira da Publicidade Urbana”, com Juliana Grilo
17h30 – “Desmarketize-se”, com João Branco
Dia 15/03:

8h30 – Abertura
9h – “Inovação a Partir da Centralidade do Cliente”, com José Salibi Neto
10h05 – “Ações que Transformam a Indústria do OOH”, com Fabi Soriano
11h10 – “Propaganda Responsável e o Impacto na Sociedade”, com Silvio Soledade
11h50 – “Dominando o Espaço Urbano: O Poder dos Grandes Formatos”, com Ricardo Bastos
12h40 – Palavra do Presidente da Central de Outdoor, João Batista

Fonte: Mariana Cruz | Agência ERA®

Como a digitalização está moldando o setor de mídia OOH

Silvia Ramazzotti, presidente do Comitê de DOOH do IAB Brasil apresenta perspectivas, tendências e desafios enfrentados pelas marcas e anunciantes da mídia Out of Home

A mídia Out of Home (OOH) tem vivenciado uma evolução acelerada nos últimos anos, impulsionada pela digitalização e pela inovação tecnológica. Silvia Ramazzotti, presidente do Comitê de DOOH do IAB Brasil e diretora de marketing da JCDecaux, destaca que este setor está em um momento de transformação inédito, marcado por oportunidades e novos desafios para os profissionais de marketing e marcas.

A mídia OOH, também conhecida como mídia exterior, engloba todas as mensagens e ações publicitárias que atingem o público fora de suas casas, ou seja, em ambientes de movimentação pública. “O OOH tem crescido de forma relevante no Brasil nos últimos anos”, observa Ramazzotti, mencionando o estudo Inside OOH 2023 da Kantar IBOPE Media, que revela que o Out of Home já atinge 89% da população brasileira regularmente, alcançando um índice ainda maior em cidades como São Paulo (91%) e Brasília (95%), consolidando-se como o segundo meio mais consumido no país. “Atualmente, o OOH já representa o 3º maior share de investimento publicitário no Brasil, com cerca de 10% do mercado”, aponta.

A digitalização desempenha um papel crucial nesse contexto, com 93% das pessoas indicando que os formatos digitais chamam mais atenção do que as mídias tradicionais, conforme observado no estudo da Kantar. Ramazzotti enfatiza que essa transição para o digital traz vantagens significativas para o setor, incluindo a capacidade de criar campanhas mais interativas e dinâmicas, maior flexibilidade na veiculação de anúncios e a possibilidade de personalizar as mensagens para públicos específicos. “Isso mostra que o processo de digitalização está em evidência, englobando todos os players do mercado”, destaca.

Segundo a presidente do Comitê de DOOH do IAB Brasil, a introdução de novos formatos de compra, como a mídia programática, também está moldando essa indústria. Ela destaca que a mídia programática permite uma segmentação mais precisa da audiência, possibilitando que as marcas veiculem campanhas altamente direcionadas com base em dados de inteligência. “As marcas podem anunciar em regiões pontuais da cidade, em diferentes tipos de ambientes/modais, escolhendo um mix de ativos de acordo com o público-alvo que desejam atingir”, afirma.

No entanto, os desafios persistem, especialmente em relação à mensuração de resultados e ao estabelecimento de métricas padronizadas. Ramazzoti ressalta a importância em investir em inteligência de dados e tecnologia para superar esses obstáculos e garantir que as campanhas de DOOH sejam eficazes e mensuráveis.

Quanto ao futuro da mídia Out of Home, a executiva enxerga um cenário onde a personalização e a interatividade se tornarão ainda mais proeminentes. “O futuro da mídia DOOH não é uma compra por roteiro, mas sim por inteligência de dados”, diz. Segundo ela, os profissionais de marketing devem estar atentos aos novos recursos de inteligência artificial, para criar campanhas assertivas e que promovam experiências singulares para a audiência, fortalecendo as conexões com o público.

Dessa forma, a mídia OOH continua a oferecer oportunidades singulares para os profissionais de marketing e para as marcas que buscam se destacar em um cenário competitivo e em constante mudança. Nesse contexto, o IAB Brasil, associação que tem como objetivo o desenvolvimento sustentável da publicidade digital no país, trabalha para produzir materiais e conteúdos que auxiliem profissionais do setor no entendimento de tendências, como o paper “DOOH: A transformação da publicidade Out of Home”, que aborda os conceitos básicos sobre DOOH e suas características.

Fonte: XCOM Agência de Comunicação IAB Brasil