Para serem relevantes, marcas devem criar situações em que as pessoas escolham dedicar a atenção

Por Gian Martinez*

Vou te contar o que ocorre na internet a cada minuto no mundo: 16 mil vídeos são upados no TikTok; 138,9 milhões de reels são reproduzidos no Instagram e Facebook; o Youtube alcança mais de 3,4 milhões de visualizações de vídeo. Os dados da pesquisa “Data Never Sleeps” [Dados Nunca Dormem], da Domo, mostram que nunca se produziu e se publicou tanto conteúdo, com a população mundial de usuários de internet atingindo o recorde de 5,52 bilhões de pessoas.

Neste cenário, o marketing e a publicidade enfrentam o desafio constante de chamar a atenção dos consumidores no meio desse mar de conteúdo. Para se mostrarem relevantes hoje, a lógica da insistência, repetição e interrupção, como em comerciais ou anúncios, já não é mais relevante. A exposição, por si só, não garante a atenção, já que hoje o público consegue escolher o que assistir, quando e por quanto tempo, inclusive, optando ou não por ser impactado por propagandas.

Além disso, é preciso considerar que as redes sociais não trabalham a partir da lógica de importância sobre o que as marcas querem vender, mas sim sobre o que o usuário quer ver. É por isso que o conteúdo criado pelo próprio usuário sobre um produto tem tido muito mais relevância do que o feito pela própria marca. É muito mais interessante que a marca surfe nesta oportunidade de visibilidade orgânica, mesmo que neutra, do que brigue para tentar parecer a melhor.

Na verdade, as marcas que entenderam a lógica das redes sociais são aquelas que não competem diretamente por atenção, mas que criam situações e cenários em que a atenção ocorra de forma natural por parte do usuário, como quando um conteúdo conversa com o contexto cultural do momento, uma experiência gera envolvimento genuíno ou uma narrativa provoca identificação, quando inserida em um formato que respeita a dinâmica da plataforma.

Compreender, de fato, o que move as pessoas, é o que engaja, retém e valida o alcance. Nesse ponto, o uso de dados para medir a atenção do usuário se torna uma prioridade, já que, quando analisados de forma profunda e diante de múltiplos cenários, eles revelam padrões de comportamento, antecipam tendências e ajudam as marcas a construir presença nas redes sociais com intenção. Aqui, as métricas tradicionais, como social listening, dão lugar a indicadores mais precisos, como o Share of Attention™, da própria Winnin, que se baseia em dados reais de consumo de vídeo para medir a cultura e no que o público está atento enquanto utiliza as redes sociais.

*Gian Martinez é co-fundador e CEO da Winnin. Com mais de 20 anos liderando estratégias criativas em grandes empresas, é considerado uma referência no mundo quando o assunto é “ciência da criatividade”. Antes de empreender, Gian liderou por 7 anos o departamento criativo da Coca-Cola no Brasil, sendo reconhecido por dezenas de premiações. Foi o co-autor da visão global da empresa sobre o futuro do conteúdo e um dos líderes da transformação criativa que ajudou a empresa a conquistar pela primeira vez o título de marca mais criativa do mundo no Cannes Lions de 2013. Foi essa experiência que inspirou a criação da inteligência artificial da Winnin, que potencializa o processo criativo de grandes marcas com insights culturais preditivos e granulares. Entre os diversos reconhecimentos, foi nomeado Young Lion, Top 30 Under 30 e uma das 50 pessoas mais inovadoras do Brasil. Em 2020 foi reconhecido pela revista WIRED entre “Os 50 Nomes que Expandiram a Criatividade no Brasil”. Em 2021 foi indicado ao Caboré como profissional de inovação do ano pelo trabalho na Winnin. É membro do board criativo global da AbInbev.

Campanhas políticas não se ganham mais no improviso

Por Guto Araujo*

Durante muito tempo, campanhas eleitorais foram conduzidas com base na intuição, na experiência e em decisões concentradas em poucos estrategistas. Esse modelo já não responde à complexidade do ambiente político atual. A disputa eleitoral acontece hoje em um cenário fragmentado, hiperconectado e permanentemente exposto à fiscalização pública e jurídica.

Com mais de 140 milhões de brasileiros ativos nas redes sociais e a maioria do eleitorado se informando por múltiplas plataformas digitais, campanhas centralizadas perderam eficácia. O eleitor é impactado por narrativas simultâneas, muitas vezes contraditórias, o que exige leitura de cenário em tempo real e capacidade de adaptação constante.

A experiência em campanhas presidenciais no Brasil e na América Latina me mostrou que eleições deixaram de ser vencidas por decisões isoladas ou lideranças criativas solitárias. Campanhas competitivas são construídas por equipes multidisciplinares, que integram estratégia política, comunicação, dados, tecnologia e direito eleitoral.

A centralidade dos dados tornou-se inescapável. Pesquisas recorrentes, análise de engajamento e monitoramento digital orientam decisões diárias de discurso e posicionamento. A intuição continua importante, mas, quando não é sustentada por evidências, transforma-se em risco.

Ao mesmo tempo, a comunicação política se fragmentou e o ambiente jurídico se tornou mais rigoroso, com regras mais claras sobre propaganda digital, uso de dados e novas tecnologias. Isso empurrou advogados eleitorais e especialistas em compliance para o centro das decisões estratégicas.

Campanhas modernas funcionam como organizações sob alta pressão, com pouco espaço para improviso. Em um cenário de eleitores mais críticos e informados, vencer uma eleição deixou de ser apenas uma questão de discurso ou visibilidade. Tornou-se um exercício coletivo de inteligência estratégica.

*Guto Araujo é publicitário e estrategista de marketing político. Colaborou em 6 campanhas presidenciais no Brasil e América Latina e mais de trinta campanhas para governos estaduais e prefeituras. É vice-presidente de planejamento do CAMP e co-autor do livro Marketing Político no Brasil.

Marketing 360° proporciona estratégias integradas

Conceito de Marketing 360° proporciona estratégias integradas para engajar consumidores

Para Fernando Andrade, especialista em marketing e vendas, esse movimento é essencial para uma presença digital mais envolvente e autêntica, proporcionando uma maior conexão com o público-alvo

As técnicas de marketing estão passando por uma transformação radical, impulsionada pela revolução digital e o surgimento de novas tecnologias. O conceito de Marketing 360°, por exemplo, surge para integrar estratégias que vão além dos métodos tradicionais e abraçam os múltiplos pontos de contato com os consumidores, sejam eles online ou offline.

Historicamente, o marketing teve foco em campanhas de publicidade massivas, como anúncios de TV, rádio, outdoors e impressos. No entanto, com o advento da internet e das redes sociais, o poder de influência mudou de mãos, com consumidores compartilhando opiniões, experiências e interagindo com as marcas em diversos canais.

De acordo com Fernando Andrade, CEO da Business Networking, CMO da Master Cooler Performance e especialista em marketing e vendas, o conceito de Marketing 360° se torna essencial nessa revolução, incluindo não apenas os meios tradicionais, mas também plataformas digitais, redes sociais, dispositivos móveis e outros meios emergentes de comunicação. “Isso faz com que as empresas alcancem os clientes nos mais diversos pontos de contato, oferecendo uma experiência integrada e consistente em toda a jornada do consumidor”, revela.

Um dos pilares do Marketing 360° é a construção de uma presença digital sólida, envolvente, relevante e autêntica, capaz de atrair e reter consumidores. “Para isso, as marcas precisam entender seu público-alvo. O uso de dados e análises é fundamental para compreender as preferências, comportamentos e necessidades. Essa compreensão permite a criação de conteúdo personalizado e direcionado, aumentando a relevância das mensagens transmitidas”, pontua.

Além disso, a interação com os clientes nas redes sociais e outros canais digitais tornou-se crucial. “As marcas não apenas compartilham informações, mas também dialogam, respondem a dúvidas, oferecem suporte e, mais importante, constroem relacionamentos significativos. Essa interação contínua e autêntica é fundamental para conquistar a confiança e a lealdade dos consumidores”, declara Andrade.

Segundo o especialista, outro aspecto importante do Marketing 360° é a utilização de múltiplos formatos de conteúdo. “Isso inclui não apenas textos, mas também vídeos, infográficos, podcasts e outras opções de interação. Diversificar os formatos de conteúdo ajuda a alcançar diferentes segmentos de público e a tornar a comunicação mais atraente e impactante”, relata.

Estratégias como marketing de influência, SEO, automação e análise preditiva são ferramentas que estão sendo incorporadas ao Marketing 360°, permitindo uma abordagem mais eficaz e orientada por dados. “Esse movimento é essencial para uma presença digital mais consistente, envolvente e autêntica, proporcionando uma conexão mais profunda e significativa com o público-alvo”, finaliza.

O uso de dados como diferencial competitivo na publicidade digital

Por Camilla Veiga*

O avanço tecnológico tem trazido mudanças significativas no comportamento do consumidor e, com essa evolução, o ecossistema de marketing digital também passa por transformações para se manter relevante e gerar impacto. De acordo com o estudo Digital AdSpend Brasil, produzido pelo IAB Brasil em parceria com a Kantar Ibope Media, a publicidade digital nacional movimentou R$ 14,7 bilhões no primeiro semestre de 2022.

Neste âmbito de consumo cada vez mais digital, os profissionais se deparam com um universo em que as possibilidades são vastas e as audiências fragmentadas. Com isso, os dados emergem como a ferramenta necessária para conhecer a audiência e impulsionar estratégias publicitárias eficazes e personalizadas. Por meio deles, é possível ter uma visão holística dos consumidores, que permite criar campanhas segmentadas e de alto impacto.

Desvendando o poder dos dados

O processo de coletar, organizar e interpretar dados provenientes de diversas fontes, permite às marcas não apenas entender quem são seus consumidores, mas também como eles se comportam, o que desejam e como interagem com as mensagens. Contudo, nesta tarefa, os anunciantes podem se deparar com o desafio de escolher em qual conjunto de dados basear suas decisões.

Hoje, plataformas e adtechs modernas oferecem ferramentas estratégicas para combinar e filtrar métricas, e são grandes aliadas nas análises detalhadas. Por meio delas, é possível, por exemplo, cruzar dados de custo por mil impressões (CPM), budget e alcance total para obter insights profundos sobre a eficácia de uma campanha. Essa abordagem quantitativa também ajuda a definir e mensurar objetivos claros, como conscientização, aumento de cliques ou conversões, que garantem resultados mais concretos e direcionados.

Ou seja, por meio dessas soluções, o impacto da campanha pode ser avaliado em tempo real, permitindo que ajustes sejam feitos com agilidade para maximizar o impacto da ação. Essa percepção aprofundada sobre os resultados cria uma base sólida para que ações futuras sejam altamente direcionadas e personalizadas, aumentando exponencialmente sua eficácia e relevância.

Outra vantagem da análise de dados na publicidade é a possibilidade de integrações com sistemas de CRM e plataformas de e-commerce, que proporcionam um conhecimento mais profundo sobre os hábitos de consumo, revelando aspectos como market share e aumento nas vendas. Isso transcende o simples impacto da campanha e possibilita um mergulho nas operações internas, gerando conhecimento para moldar a estratégia da marca.

Essa visão preditiva é mais uma vantagem de mercado, pois com a volatilidade das relações de consumo, análises que dependem do comportamento anterior do usuário nem sempre são uma boa base de informações. Em vez disso, focar na predisposição objetiva de certos segmentos de público para produtos anunciados pode abrir a possibilidade de visualizar tendências que trarão retornos mais gratificantes aos anunciantes.

A jornada do consumidor em diferentes canais

Outro desafio enfrentado pelos profissionais de marketing ao criar campanhas é considerar a jornada do consumidor em diferentes plataformas. Como cada canal oferece uma oportunidade única para se envolver com o público, a análise de dados é necessária para decifrar padrões comportamentais distintos em cada plataforma, permitindo a adaptação de estratégias para otimizar a experiência do usuário.

O uso crescente de celulares e tablets, por exemplo, exige a criação de publicidade específica para esses dispositivos, tornando o impacto mais adequado às demandas dos consumidores nesses canais. Segundo dados da Abcomm, o consumo via dispositivos móveis representou 55% das vendas do e-commerce em 2022, ultrapassando as compras em plataformas desktop.

Dados para informar, informação para conquistar

Por fim, é importante considerar que a análise de dados na publicidade digital não é apenas um exercício numérico, mas uma ferramenta que transforma informações frias em insights inspiradores. A utilidade dos dados reside em sua acessibilidade e interpretabilidade e, por isso, os profissionais precisam saber como apresentá-los de maneira clara e concisa, para que as equipes de marketing tomem decisões embasadas e assertivas.

Neste contexto, mais recentemente, a ascensão da inteligência artificial generativa aparece como mais um impulsionador da capacidade de processar dados em larga escala. A colaboração entre a IA e a intuição humana cria uma sinergia única, em que os dados se tornam a matéria-prima da criatividade, e a interpretação humana é capaz de perceber nuances, contextos e tendências que vão além dos números.

Ainda que o mundo digital se apresente muitas vezes como um labirinto repleto de oportunidades, a análise de dados pode transformar essa complexidade em vantagem competitiva. As marcas que compreendem e abraçam esse poder estão mais próximas de conquistar a atenção do público digital e construir conexões profundas e duradouras que transcendem os limites da tela.

*Camilla Veiga é Head of Sales da plataforma global de publicidade MGID.