Coluna “Discutindo a relação…”

“Sei que nada será como antes…”

Josué coluna correto

 

Todo mundo está cansado de saber que a comunicação digital e a mídia e o marketing digital causaram imensos impactos e mudanças no cenário da comunicação como um todo. Mudanças irreversíveis e desafiadoras.

Todos estão aprendendo a lidar (ainda) com esse cenário em que o antigo receptor passivo passou não só a interagir, mas também a produzir conteúdo e influenciar pessoas. Os “influenciadores” estão aí para provar o que eu digo e para ganhar uma grana preta das marcas(rsrs).

Uma contribuição enorme que vejo emergir deste crescimento rápido das mídias digitais é a mensuração. O uso de métricas cada vez mais sofisticadas e complexas – muitas delas gratuitas – têm fornecido dados em quantidade e qualidade nunca antes vistos na indústria da comunicação.

Zeff e Aronson, lá em 1997, já listavam o rastreamento como uma das principais características e vantagens da internet.Desde o início, quando o que predominava na internet eram os sites, já era possível “rastrear o modo como os usuários interagem com suas marcas e localizar o que é do interesse dos consumidores e prospects”.

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Para agências regionais sempre foi um martírio não poder contar com dados de pesquisa de público consumidor e de mídia. Detectar hábitos, costumes, tendências e comportamentos do público de sua marca/empresa/serviço/produto custava e custa caro para empresas regionais sem muita verba de investimento em marketing e comunicação. A restrição de verbas também afeta a compra de pesquisas de mídia.É quase como se mover na escuridão…

Com a presença dos anunciantes na internet (em suas diversas possibilidades), o rastreamento, a mensuração de seus contatos e interações com o público passou a ser um trunfo. De maneira gratuita e/ou com baixo investimento é possível, a partir da fanpage da marca no Facebook, por exemplo, começar a entender bem melhor o que o público pensa, sente, quer e como reage a temas propostos na comunicação.

Mesmo para os grandes anunciantes esse novo volume de dados tem sido decisivo. Eles ajudam a fomentar não só a estratégia de comunicação digital da empresa, mas também toda sua comunicação, on e off.

Esses novos e promissores dados ajudam a criação a produzir conteúdos de comunicação mais relevantes e pertinentes. Ajudam o planejamento a ajustar ainda mais as estratégias e escolhas, ajudam a mídia a tomar decisões mais acertadas em relação a espaços (mídias, veículos) mais valorizados pelos públicos da marca.

Com a chegada e estabelecimento da internet e de todo seu universo digital de informações, métricas e mensuração, definitivamente, nada será como antes.

Coluna {De dentro pra fora}

Sabe o que a gente tem? Medo.

Vitor 2016

 

Com raras exceções, ok, mas somos medrosos. Optamos por caminhos sem grandes riscos e, consequentemente, sem grandes resultados. Temos medo do que o consumidor vai achar, subestimamos a interpretação dele e acabamos evitando as discussões entre a equipe.

Pode confessar: você nunca teve uma ideia e não a levou pra frente porque saberia que teria que comprar uma briga com a equipe toda? Chegou a hora de comprar essa briga.
E tem mais. Nossos clientes também têm medo! E a gente entra num clico de medos sem fim.

Estava numa viagem recentemente e me deparei com o seguinte anúncio:

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Instantaneamente pensei em várias coisas.
• Quantas brigas rolaram pra esse anúncio ir para a rua?
• O redator sofreu muito para levar adiante uma negação?
• No processo, alguém subestimou a inteligência do público?
• No Brasil, a gente aprovaria isso?

“Essa negativa aí: não pode ser afirmativa?”
Juro que eu ouvi isso dentro da minha cabeça. Pense nesse anúncio na afirmativa. Perderia totalmente a graça. Essa soma da linguagem textual com a visual deixa a mensagem muito clara. Não há o que temer. A gente precisa ser menos chato. E também mais provocativo, sem dúvidas.

Vitor, sua coluna não é de Comunicação Interna? Sim! É que a campanha tinha uma sequência sarcástica que me fez pensar muito em nosso comportamento (como profissionais de comunicação) e nossos medos. Isso também se aplica ao público interno. Os medos são ainda maiores!

Um exemplo em CI:
https://www.youtube.com/watch?v=FA9EVqDDat8&feature=youtu.be

Um vídeo de treinamento totalmente fora da casinha. É disso que a gente precisa!

O que esses dois exemplos têm em comum?
Uma linguagem sem medos. Mais provocativa, mais a linguagem que a gente usa apenas entre os amigos. Todo mundo sabe, a audiência de qualquer mídia anda altíssima. Logo, mais que se diferenciar por formatos, a gente precisa se diferenciar na linguagem.

Vamos repensar tudo o que fazemos, como fazemos e por que fazemos?
Deixa o medo pra lá. Uma provocaçãozinha de vez em quando faz bem.

Coluna Branding: alma da marca

Mudando o Brasil 2/2

Qual a diferença que se dá em nossa cultura um mês, entre a coluna anterior e esta? Na animosidade muito, mas na prática, quase nada. Ainda há uma crise política, a sociedade parece discutir pontos de vista sem fim como se fosse briga de torcida e não chegamos a nenhuma conclusão coletivamente. Mas por que?

Porque cultura não se muda de um dia para outro, de um mês para outro, nem de um ano para outro … Cultura demanda tempo, gerações para mudanças florescerem, mas no dia a dia podemos ver duramente os seus reflexos e é preciso aprender a suporta-los.

Se me perguntarem: o que devemos fazer para mudar o Brasil hoje? Minha resposta direta é: NADA, e o país já estará mudando! Se fizermos algo radical, não!

Não sou nenhum alheio aos problemas de corrupção que acontecem aqui. E não acho que não devem ser punidos os culpados. Mas, a exemplo de outros países, onde isso também ocorreu e ocorre ainda hoje, acredito que a roupa suja deve ser lavada em casa e não em rede internacional.

Temos em nossa cultura o histórico de “golpismo” que precisa ser mudado, como vem mudando, vejam: Getulio foi ditador, mas também eleito, só que se matou deixando no ar uma grande suspeita, já Jânio renunciou por forças ocultas e então João Goulart assume e é deposto para termos 21 anos de ditadura militar. Após isso, conseguimos nas ruas “Diretas já” só que de forma indireta, morre outro presidente e quem governa é o vice. O primeiro presidente eleito é Collor, colocado e tirado pela mídia em 2 anos, e temos mais um vice no poder! Enfim 20 anos de democracia eleita pelo povo. No meio, após 8 anos de um partido, uma transição entre lados radicalmente opostos com projetos de governo totalmente diferentes em teoria, mas com uma civilidade nunca vista em nosso país.
Novos anos de uma nova política e uma falsa civilidade na atualidade, um lado mentindo em campanha e o outro fomentando a derrubada de governo.

O que queremos de verdade? Mudar de forma radical novamente? Ou queremos mudar a nossa cultura!

É lógico que existem motivos para a derrubada radical, mas não se aprende só acertando, é preciso cometer erros, aceitar que os cometeu e corrigi-los da forma certa. Sem essa, de não estou jogando, pego a bola e saio… Isso não ensina as crianças, e nossa democracia é uma criança.

Mas já vemos alguns aprendizados nesses 20 anos de democracia brasileira, o povo não aceita mais viver sem estabilidade econômica e esse é um preço que coloca a presidenta em saia justa. Ela precisa estar mesmo em dificuldade, para que o país ganhe resiliência e supere essas e outras dificuldades que virão, com suas próprias experiências. Se conseguir, pode perpetuar seus descendente, senão será trocada naturalmente.

Mas também são aprendizados as mudanças sociais desse governo. Quantos estão se beneficiando de um Fies, Minha casa,minha vida ou do Bolsa Família?

E sem essa de que isso é um disparate populista. Vivemos reclamando que o imposto não retorna à população. Pra se ter uma ideia o Bolsa família representa algo em torno de 2,5 % da receita do país, é muito? Além disso não dá pra negar a importância em ter 80% dos meus alunos vindo pelo FIES ou PROUNI, sendo em sua grande maioria o primeiro de sua família a cursar a universidade.

Programa sociais também mudam a cultura e cultura precisa de várias gerações para florescer, se lembram? Os filhos destes meus alunos não se contentarão em ter menos educação que seus pais. É aí que algo mudará. Se em algum momento não tiverem o benefício ainda assim buscarão a formação porque não verão mais como voltar à vida anterior.

Vi isso acontecer com boa parte de meus alunos em 2015. Com a crise, a dificuldade do benefício fez com que os alunos buscassem alternativas e elas vieram pelas propostas de financiamento do mercado privado ou na própria proposta da universidade que achou caminhos para viabilizar o aluno.

Ué? Isso já não podia estar disponível antes? Claro que sim. Mas o fato é que na dificuldade aparecem soluções, mas só se já houver referências. Senão é caminho inexistente.

Esse é o preço que toda a sociedade brasileira terá que pagar pela diminuição do abismo social e isso é só um outro jeito de pensar o país, diferente do modelo “meritocrático” que era pregado anteriormente. Pode ser bom ou ruim, mas se não tá bom mudemos nas urnas em poucos anos. É preciso aceitar e trabalhar para melhorar.

Trabalhar para melhorar significa aceitar corrupção? Claro que não! Mas é só pensar, que estas mesmas construtoras, apontadas hoje em investigações da Polícia Federal, estão fazendo comércio com os governos há muitas décadas. É só nesse governo que houve corrupção?

Parece que nossa cultura também está mudando para isso. Não aceitamos mais a vantagem. Não queremos mais o “rouba mas faz”, e hoje podemos e devemos fiscalizar sim, julgar sim, prender sim, recuperar o dinheiro sim. É fazer exatamente o que estamos fazendo. Menos uma coisa, transformar isso em alarde internacional destruindo a imagem de símbolos nacionais e retirando os investimentos do mercado. Isso é jogar contra o patrimônio.

Se continuarmos com este padrão de reação emocional retornaremos ao golpismo, não mudará nada.

Muitos não concordarão com que escrevo aqui. Inclusive, acredito, meu editor deste blog, mas é aí que a cultura democrática está aparecendo. Somos diferentes, não inimigos! Pensamos e fazemos o que podemos, sempre buscando o melhor para construir uma cultura Brasileira, que é famosa por sua receptividade. Somos mesmo receptivos? Se algo é diferente, aceitamos?

Existem 3 formas de mudar uma cultura, a primeira é a educação que se resume em aprender a ouvir e transmitir ensinamentos, experimentar e tirar conclusões. A segunda é fortalecer seus próprios valores, não desistir no meio do caminho, não parar frente a qualquer obstáculo. E a terceira é o choque de culturas, olhar o outro de frente e aguentar a estranheza causada.

Estamos vivendo um momento mágico em nosso país, onde as 3 formas de mudanças de cultura abalam nossas estrutura. Ter consciência disso é fundamental para o futuro que queremos construir. Não é bom, nem mal é só a mudança que tanto queremos

Coluna {De dentro pra fora}

O jogo virou, não é mesmo? É preciso reinventar tudo

Vitor 2016

De tempos em tempos, a gente observa alguns movimentos no mercado de marcas que mudam seu posicionamento e reinventam seu modelo de negócio. O intervalo entre essas mudanças tende a ser cada vez mais curto.

Particularmente, eu acho que isso é um reflexo do comportamento do consumidor, que muda constantemente. E, ainda uma opinião particular, acredito que isso seja consequência das redes sociais e de como elas se integraram ao nosso dia a dia.

Do lado de dentro, o movimento é o mesmo. Porém, ele acontecia mais devagar. Atualmente, não dá mais pra esperar. O jogo virou. O público interno quer participar, quer contatos diferentes com a empresa. Quer informação? Claro, mas de uma forma diferente.

Já reinventamos a narrativa para fora. Agora, sentimos a obrigação de repensar a narrativa interna. É preciso reinventar tudo: canais, narrativa, linguagem.

Em uns três clientes (de Comunicação Interna mesmo), eu tive a oportunidade de participar de projetos para gerar conteúdos diferenciados para canais digitais. O resultado foi muito legal. Pegamos as informações necessárias e traduzimos para uma linguagem de memes, explorando gifs famosos e abordagens ao estilo “Como eu me sinto quando trabalho numa empresa com responsabilidade social”. Aprovar esse tipo de trabalho em CI mostra como as empresas podem ser mais leves e mais próximas de seus empregados. Até nos veículos tradicionais, como jornais e revistas, a linguagem informal e leve ganhou mais espaço. Títulos mais descontraídos, hashtags e uma estrutura de texto bem diferente do padrão.

Ainda nessa linha, vou falar de um dos últimos trabalhos que entrou pro hall dos meus queridinhos. A demanda era um vídeo institucional para falar sobre a história dos produtos da 3M (para os empregados). A solução foi somar elementos de vídeos institucionais com elementos de storytelling. O resultado foi tão positivo que o cliente decidiu compartilhar a série de vídeos no canal da empresa no Youtube. Esse também é um bom exemplo de como a Comunicação Interna deixou de ser interna e pode colaborar para a construção da imagem da marca. Reinvente tudo aí dentro!

Para quem ficou curioso, seguem dois dos vídeos da série. Eu participe do projeto pela Supera Comunicação.