Discutindo a relação…

Reflexões após uma semana

Artigo de Josué Brazil

Artigo de Josué Brazil

Todos que me acompanham aqui devem saber que sou professor e coordenador no Depto. de Comunicação Social da Unitau. Quem me acompanha nas mídias sociais deve ter percebido que estava acontecendo ao longo desta semana (25 a 29 de agosto) a 34ª Secom – Semana de Comunicação. Cheguei a postar uma divulgação da Secom aqui no blog. Pois bem, foi uma maratona de trabalho incrível, cansativa, divertida e, sobretudo, proveitosa.

Cartaz A4

Desta semana tirei algumas reflexões para a coluna desta quinzena.

A primeira:

A comunicação está mudando porque TEM que mudar. Como disse Marcos Ferraz em sua palestra de terça a noite, estamos parindo uma nova comunicação baseada principalmente em três coisas: verdade, dinamismo e perspectiva. Mas principalmente na verdade. Comunicação verdadeira, valores verdadeiros e relações entre clientes-agências-consumidores-veículos menos hipócritas e mais reais e verdadeiras.

969372_585120398202715_1177470915_n

O publicitário Marcos Ferraz

A segunda:

A velocidade da comunicação está atingindo índices quase impossíveis. Jornalistas, publicitários, relações públicas e produtores multimídia serão colocados sobre uma enorme pressão de tempo. De prazo curto, quase inexistente. A comunicação em tempo real. Será que estamos prontos? E o que fará diferença: qualidade e fundamentos sólidos.

A terceira:

Temos que ter coragem para errar. E muito. Estamos em beta. Aprendendo. Os anunciantes e empresas de comunicação têm que entender que o erro será parte constante do jogo. Os acertos também. Alexandre Barros do CECOMPI (SJCampos), no Painel “Ideias que mudam o mundo”, afirmou que temos a obrigação e o dever de errar. Temos que exilar a culpa e o medo para longe dos nossos projetos.

Alexandre Barros, do CECOMPI

Alexandre Barros, do CECOMPI

A quarta:

Não há muito espaço para a acomodação. Temos que buscar sempre em cada trabalho algo que seja definitivo. Que caracterize nosso trabalho e que o jogue em outro patamar. Um patamar acima. Eduardo Tallia, designer premiado da Loducca, deixou isso claro em sua palestra “Design: processos e trabalhos”. Marcos Ferraz também disse: a acomodação conduz à mediocridade.

10620787_4472100096376_9144110851113684963_n

Eu e Eduardo Tallia logo após a palestra dele no encerramento da 34ª Secom, na Comunicação Unitau

A quinta:

A comunicação, além de ser verdadeira, deve existir para ajudar a solucionar problemas reais e beneficiar a todos. Ela deve ser mais colaborativa, mais compartilhada e mais social do que nunca.

A sexta:

Temos e teremos que ser corajosos para enfrentar as novas realidades. Largar fórmulas batidas e gastas. É hora de encarar. De ir pra cima. De (re)construir valor.

Slide final da apresentação de Eduardo Tallia

Slide final da apresentação de Eduardo Tallia

Uma semana… muitas reflexões! E a certeza de que tudo está mudando e vai mudar… ainda mais!

Discutindo a relação…

Arregaçar as mangas e encarar

ENIC 51

Artigo de Josué Brazil

Antes de tudo devo escrever: não quero ser nem parecer pessimista, mas algumas coisas devem ser ditas. Então vamos lá!

Os números atuais da economia brasileira não são nada alentadores. Nova revisão (para baixo) do crescimento do PIB o coloca em algo próximo ou abaixo de 1%. A inflação continua resistindo e avançando. A confiança da indústria diminui e o varejo está apertado com estoques altos.

Passada a Copa do Mundo teremos que encarar o período (quase improdutivo) das eleições. A Meio&Mensagem de 28 de julho vem com matéria de capa (longa e muito boa) com a seguinte manchete: “Mercado revê estratégias para o segundo semestre”.De acordo com a Folha de São Paulo o setor de serviços também perdeu confiança na economia brasileira (folha.com.br/no1493743).

10534085_773749952676419_5386379965049102666_n

Como disse isso tudo está aí colocado não apenas para compor um cenário de fim de mundo e promover o pessimismo, mas sim para contextualizar a grande indagação: como o mercado de comunicação do Vale do Paraíba vai encarar o segundo semestre de 2014?

A acima citada matéria da Meio&Mensagem traz informação de que as agências esperam redução das verbas e maior cobrança por resultados. Vai rolar isso por aqui também? O tempo dirá.

grafico

Uma das carências de nosso mercado é não ter números que evidenciem o tamanho de nosso mercado e que indiquem se estamos crescendo, encolhendo ou mantendo posições.Esta ausência torna complicada uma abordagem estratégica de médio e longo prazo. Os players do setor movimentam-se apenas baseados em seus próprios números e em observações não muito amplas do mercado. Que tal lançar uma pesquisa que indique, ao menos, se houve crescimento, estagnação ou encolhimento? Ninguém precisa abrir números, só dizer como foi, em dados percentuais, esse primeiro semestre. Todos: veículos, agências e fornecedores. Seria ótimo!!!

Neste momento em que a atividade publicitária lida com grande perda de valor e a quase extinção do tão comentado glamour, nada pior que a atividade econômica perder força. Devemos estar prontos para reagir, para rever estratégias e, principalmente, olhar mais a frente e reposicionar de vez nosso ganha pão.

dia_midia_01[1]

Patricia Cordeiro em foto da época em que atuou no marketing da TV Vanguarda

É hora de lembrar que temos que partir para a briga! Temos que trabalhar mais e não só pelos nossos negócios e sim pelo mercado e atividade como um todo. Trago aqui o comentário feito no post da entrevista do Jair Rodrigues (essa causou mesmo) feito pela nossa querida Patricia Cordeiro. Vale a leitura:

“Que bela entrevista! Sou fã do Jair desde que trabalhamos (eu bem menos que ele) na extinta KS Propaganda, em Taubaté, quando comecei minha carreira profissional, como estagiária. De lá pra cá vi muita coisa do mercado do Vale do Paraíba, São Paulo e agora da região de Campinas. E digo a vocês: não há outro caminho senão um trabalho sério de desenvolvimento de mercado. Pra que vocês não se desesperem, as agências daqui sofrem com a proximidade de São Paulo, e têm problemas comuns, porém, pouco foi feito em conjunto. Agora, o pontapé inicial foi dado. Agências, veículos, anunciantes sentados na mesma mesa pra entender o modelo ideal de negócio da região. É preciso explicar ao mercado anunciante qual é o valor de uma agência e de profissionais competentes. É preciso explicar pras agências, e seus diretores, como se ganha respeito trabalhando de forma ética, criativa, investindo em pesquisas e valorizando o trabalho de seus profissionais. É preciso explicar aos profissionais que só tem valor quem constrói uma carreira de muito trabalho e transparência. Há esperança, mas há também muito trabalho. O mercado será de quem tiver forças e determinação pra fazer a lição de casa.
Um abraço saudoso (que palavra antiga) aos amigos do Vale do Paraíba.”

Simbora arregaçar as mangas porque o bagulho promete ser ainda mais louco neste segundo semestre!

Coluna Social Media – Tuani Carvalho

Pelo direito de viver em banda larga

“Na minha época não era assim, a gente conversava!!!”
“Pára de mexer nesse celular e vai viver a vida!!!”
“Uma geração de alienados”
– bradam, raivosos, no Facebook direto de seus smartphones na Starbucks mais próxima de você.

Coluna Social Media

Coluna Social Media

Você já deve ter lido na sua timeline algo do tipo. Gente defendendo “viver a vida de verdade”, compartilhando aquele vídeo “impressionante” de como as redes sociais afetam as nossas vidas (sempre de forma negativa).

Eu acredito que foi-se o tempo em que estar na internet era praticamente hibernar dentro do quarto, sem luz, rodeado de pacotes de salgadinho e dos restos mortais da pizza de 3 dias atrás. Todos já passamos – e sobrevivemos – à época da internet discada em que tínhamos hora marcada para sentar em frente àquele trambolho mágico. O mundo hoje é outro completamente diferente daquela caverna em que vivíamos.

FotoTuani

Sou cria da Geração Y e como a maioria das pessoas que eu conheço, vivi em épocas completamente distintas: brinquei de boneca e de queimada, tive um computador em que só usava o Paint, presenciei o auge dos finados Orkut e MSN e hoje vivo nesse turbilhão de novidades que surgem a todo momento de forma ativa e constante.
E, por isso, não vou jamais endossar o coro daqueles que subestimam a vida em banda larga.

Com o avanço tecnológico que nos atingiu feito uma avalanche nos últimos anos, é possível postar uma foto no Instagram, compartilhá-la simultaneamente no Twitter e no Facebook enquanto faz um check-in no Foursquare e dá uma olhadinha no Tinder pra ver se tem um boy magia por perto.
Estar sempre com o seu smartphone em mãos não quer dizer que você não esteja vivendo a sua vida, curtindo a sua viagem, aproveitando o seu jantar romântico.

her

É claro que existem casos extremos e a influência da internet na vida das pessoas é, sim, algo que deve ser estudado e compreendido.
Mas, será que é realmente – ou exclusivamente – culpa da ferramenta? Será que as respostas para os exageros não estão em quem a maneja?
Quero dizer: entender – do ponto de vista psicológico mesmo – o que leva ao desespero por atenção; à carência; à violência; à reclusão, à depressão?

Resisto em acreditar que uma pessoa equilibrada em suas relações interpessoais e conflitos internos se torne refém de uma telinha brilhante e abra mão de sua “vida real” por causa dessa lavagem cerebral que tentam nos fazer acreditar que sofremos diariamente.

A nossa maneira de se relacionar com o mundo e com quem está por perto se transforma a cada dia e em muitos aspectos a internet aproxima mais do que afasta e desinibe mais do que cala, educa mais do que aliena. Mas essas histórias raramente são contadas. “Lutar contra o sistema” é bem o tipo de coisa que as pessoas tem gostado de fazer ultimamente, mesmo sendo, elas mesmas, partes integrantes e colaboradoras desse modelo de comportamento.

Discutindo a relação…

Por de pé

ENIC 51

Artigo de Josué Brazil

Há um sentimento muito claro no ar do mundo da propaganda regional e, ao que tudo indica, nacional. Está ficando tão forte que parece que podemos tocar. É o sentimento de que algo (ou tudo) precisa ser mudado. Que algo precisa ser feito para que a atividade publicitária volte a ter o valor que teve há pouco tempo. Parecido com a discussão que vemos em toda a mídia agora sobre nosso futebol. Será que estamos também tomando goleada na semifinal???

Dia desses li uma coluna e até separei um trecho para postar na fanpage deste blog. O que o trecho do artigo dizia é que não basta ter uma boa ideia. Que a tal da Big Idea por si só não resolve. É preciso executá-la. Fazer com que ela aconteça, fique em pé. Já tinha ouvido algo semelhante em uma palestra do Fernando Musa, da Ogilvy Brasil.

musagrande

Fernando Musa, da Ogilvy Brasil

Estou escrevendo isso porque acredito que temos de passar da discussão, do diz que me diz, das ideias soltas e isoladas para a ação.  O que o mercado publicitário como um todo – veículos, fornecedores e principalmente agências de comunicação – precisa é de um planejamento comum e um detalhado plano de ação para sair da inércia e começar a agir principalmente sobre um dos elos fundamentais do processo publicitário: o anunciante.

Modelos publicitários estão sendo revistos no mundo todo e já há alguns cases brasileiros. O cenário de comunicação mudou absurdamente nas últimas duas décadas. O consumidor brasileiro é outro. O Vale do Paraíba mudou. A tecnologia não para de mudar. Por que um setor que vive de criatividade, inovação e de gerar valor através da difrenciação é tão resistente a discutir sua própria necessidade de mudar?

Temos que estabelecer estratégias e práticas comuns ao mercado para que a atividade publicitária volte a ganhar valor. Para tanto, um dos passos fundamentais é parar de mentir para si mesmo. É fazer o contrário do que fez a comissão técnica (ex, já que foi demitida ontem) da seleção brasileira pós fracasso na copa e admitir que há erros e desvios. Alguns graves. Não dá mais para ficar dizendo que está tudo ótimo e que está faturando horrores e tem clientes lindos.

Admito que há agências, veículos e fornecedores que estão muito bem, obrigado.Mas é nesta hora, em que está tudo bem, que devemos pensar em tornar o mercado maior e melhor para todos. Publicitários aos montes criticaram a desorganização tática e a falta de plano de jogo da seleção nacional de futebol através das mídias sociais ou em papos nos botecos da vida. Alguns criticaram o individualismo de alguns atletas. Mas o mercado publicitário regional atualmente parece seguir a tática do “cada um corra por seu lado que, se der, nos encontramos no vestiário”.

Não temos uma associação, por enquanto. Então por que não estabelecer alguns GTs que se encarreguem de pensar e executar ações voltadas para o fortalecimento do mercado? Por que não agendar um fórum regional e estabelecer algumas pautas para discussão? Essas são só duas sugestões. Precisamos de mais, muito mais. Prontifico-me a participar e colaborar, dedicando o tempo livre que me sobra.

O post com a entrevista do Jair Rodrigues, diretor de arte da Regional Marketing, publicado aqui há alguns dias causou as mais diversas e extremadas reações do mercado. Por que não aproveitar essas acaloradas discussões para por alguma ideia em pé em favor do mercado?

181937_192581734098276_8077492_n

Jair Rodrigues, último entrevistado do Publicitando.

Caso você pense diferente e ache que nada precisa ser feito, das duas uma: ou você está mesmo muito bem, obrigado, ou mente muito bem para você mesmo.

Vamos passar para a ação planejada ou vamos continuar choramingando pelos cantos que é para ninguém ver???