Quanto tempo e esforço são necessários para educar um mercado sobre a sua marca e oferta no marketing B2B?

Por Mário Soma*

Educar um mercado sobre uma marca e ofertas complexas é um desafio que requer tempo, esforço e um orçamento adequado. O tempo necessário para isso depende muito da força da marca, da oferta, do Perfil de Cliente Ideal (ICP), do ticket médio, da concorrência e de outros fatores. Portanto, a resposta para essa pergunta é complexa e varia de caso a caso.

Mario Soma-Polvora Comunicacao

De acordo com pesquisa do LinkedIn, os ciclos de compra B2B demandam, em média, 17 interações significativas com uma empresa antes do fechamento de negócio, envolvendo entre seis e dez stakeholders. Nesse contexto, 88% dos entrevistados da pesquisa apontaram que a construção de relacionamento é a chave para o sucesso, contribuindo para a chamada “confiança coletiva”.

Outra importante referência do marketing B2B é Pierre Herubel, que explora o tema com maestria e mostra como o conteúdo pode ser um poderoso aliado nesse processo, uma vez que as decisões são geralmente mais racionais e baseadas em informações detalhadas. De acordo com Herubel, a criação de um ambiente minimamente educado para começar a gerar demanda pode ser ainda mais exigente.

Dessa forma, reforço que o conteúdo é importante para gerar impacto positivo nas vendas em três etapas:

  • O ecossistema de conteúdo constrói autoridade e confiança: o conteúdo educa, gera confiança e autoridade, transformando a audiência em “oportunidade de venda”.
  • Os compradores se interessam pela sua marca: quando você cria um pool de oportunidades, os prospects estão aquecidos e prontos para serem abordados.
  • Eles entram em contato com você (demandas inbound): isso facilita a demanda inbound, pois esses prospects têm maior intenção de compra.

A maioria das empresas subestima o papel do conteúdo para o outbound. Porém, posso destacar que o conteúdo facilita o outbound ao gerar autoridade e confiança, aumentando as taxas de fechamento. Algumas empresas podem não procurá-lo por vários motivos (falta de tempo, ego, ocupação ou esquecimento). Mas elas conhecem você pelo conteúdo. Significa que elas já confiam na sua marca e entendem sua solução.

Quais são os sinais a serem coletados e analisados?

  • Conteúdo cria intenção e ajuda a encontrar sinais. As empresas se envolvem com seu conteúdo (cliques, downloads, e-mails, engajamento, mensagens diretas e encaminhamentos, entre outros). Com um sistema sólido de coleta de sinais, você pode identificar essas ações.
  • Com base nesses sinais, você pode priorizar quais contas deve contatar primeiro. Esses insights devem ser cruzados com outras fontes de informações (site, CRM e inteligência de vendas) para maior precisão.

Isso gera três benefícios:

  1. Fornece insights sobre os prospects
  2. Ajuda a identificar e priorizar contas
  3. Permite a personalização do contato com base nos sinais

Para educar um mercado sobre uma marca e suas ofertas complexas, o conteúdo é uma ferramenta indispensável. Ele não apenas cria autoridade e confiança, mas também gera sinais valiosos que podem guiar suas estratégias de outbound.

Portanto, investir tempo, esforço e orçamento em um ecossistema de conteúdo robusto é essencial para começar a gerar demanda no marketing B2B de forma eficaz.

*Mário Soma é CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação

Além de produtos e serviços: a ascensão da economia da experiência

Por Marcelo Wakatsuki*

Com a rápida evolução do mercado, uma nova abordagem está ganhando cada vez mais destaque: a economia da experiência. O termo se refere à criação de experiências marcantes e significativas para os clientes — da participação em uma iniciativa sustentável até a personalização do atendimento, a economia da experiência está revolucionando a forma como as empresas e os consumidores se relacionam.

O conceito

A economia da experiência, termo criado por Joseph Pine II e James Gilmore em 1998, é mais do que um conceito de negócios; ela propõe que as empresas proporcionem aos consumidores momentos únicos e que deixem uma impressão duradoura. Um dos momentos mais marcantes para a fidelização dos clientes é o contato derivado das diferentes formas de atendimento.

O estudo Customer Insights de 2024, realizado pela Zenvia, em parceria com a Mindminers e a SenseData, constatou que apenas 13% das empresas realizam um esforço de segmentar a comunicação de acordo com o perfil, enquanto 72% têm espaço para melhoria e 15% não têm nenhum tipo de personalização.

A personalização é um dos principais meios utilizados por empresas para evoluir a experiência do cliente. Atualmente, é possível utilizar até mesmo inteligência artificial para se adaptar aos gostos de clientes e tornar a utilização mais satisfatória. Investir em personalização ajuda a aumentar a satisfação e a diminuir cancelamentos, além de elevar radicalmente o nível do relacionamento entre empresa e cliente, por apresentar soluções adequadas e úteis.

Por outro lado, baixos níveis de personalização e segmentação, expõem o cliente a direcionamentos e comunicações superficiais e fora de contexto, gerando frustração e reclamações. Portanto, as empresas precisam estar extremamente atentas e personalizar ao máximo suas tratativas, para além do produto ou serviço.

O cliente 2.0

A ascensão da economia da experiência pode ser atribuída a várias tendências sociais e econômicas. Com os consumidores tendo acesso a uma infinidade de opções, a diferenciação tornou-se cada vez mais complexa — esse anseio por uma relação mais profunda vem do conceito de cliente 2.0, que impulsiona a economia da experiência. As empresas percebem, agora, que o verdadeiro valor está no diferencial ofertado em experiências que impressionem os consumidores. Investir na criação de experiências positivas não apenas aumenta a fidelidade do cliente, mas também ajuda a construir uma comunidade em torno da marca.

Exemplos de sucesso

Diversas empresas têm sido bem-sucedidas na implementação da economia da experiência em suas operações. Um exemplo é a Disney, que vai além da venda de ingressos para parques temáticos e filmes. A empresa proporciona experiências mágicas e memoráveis para pessoas de todas as idades, desde a preparação e entrada em um parque Disney até o momento em que assistem a um filme da companhia em casa.

Outro exemplo é a Nike, que ultrapassa a venda comum de tênis e roupas esportivas — a marca cria experiências imersivas para os clientes, como eventos de corrida comunitários e aplicativos de treinamento personalizados. Essas iniciativas promovem um estilo de vida saudável e conectam os consumidores emocionalmente à empresa.

O futuro da economia da experiência

Com o avanço da tecnologia e a crescente demanda por experiências personalizadas, as empresas terão ainda mais oportunidades de desenvolver, inovar e se destacar com seus consumidores. Entretanto, elas enfrentarão também o desafio de manter-se autênticas e relevantes em um mundo onde as expectativas do público estão sempre evoluindo.

A ascensão da economia da experiência representa uma mudança fundamental na forma como as empresas fazem negócios. Ao priorizar a criação de experiências significativas, as empresas se diferenciam da concorrência e constroem relacionamentos mais profundos e duradouros com os clientes.

*Marcelo Wakatsuki é CMO da Zenvia

Marketing para micro e pequenas empresas: sete dicas para impulsionar essa estratégia

Por Letícia Araújo*

Em um mercado dominado por grandes marcas e referências globais, o marketing para micro e pequenas empresas é uma peça primordial para seu destaque competitivo. Uma boa estratégia é o que construirá um negócio forte, atraindo e fidelizando cada vez mais clientes e, por consequência, elevando os níveis de venda. Para aquelas que ainda não sabem como aproveitar esse plano para prosperar, é importante se atentar a algumas dicas que, quando implementadas internamente, contribuirão para a implementação de ações realmente eficazes na conquista dos objetivos desejados.

Segundo dados divulgados na pesquisa SPC Brasil e Boa Vista em 2022, 65% das MPEs consideram o marketing como um investimento importante para seu crescimento. Porém, apenas 38% delas possuem um plano estruturado e formalizado nesse sentido.

A falta deste cuidado, certamente, dificultará com que a empresa se torne reconhecida em seu segmento. Por isso, veja sete dicas que irão contribuir para a construção de uma estratégia assertiva para esses empreendedores:

#1 Conheça bem seu cliente: as necessidades e anseios dos consumidores devem ser o foco de qualquer ação de marketing. Por isso, as MPEs devem conduzir um estudo aprofundado sobre seu público-alvo, compreendendo seu comportamento, expectativas e desenhando personas a partir disso. Ao entender essas necessidades, será possível criar campanhas mais relevantes e assertivas, otimizando seus investimentos e alcançando melhores resultados.

#2 Mapeie seu concorrente: toda empresa precisa saber, muito bem, quem são seus competidores, seus pontos fortes e fracos para que consiga disputar esse jogo por igual. Isso exige um mapeamento profundo acerca de seus concorrentes, identificando como se posicionam, produtos ofertados e estratégias lançadas para que consigam identificar gaps de oportunidades de diferenciação. Esse panorama permitirá que as MPEs tomem decisões mais assertivas para se destacar e alcançar seus objetivos.

#3 Entenda a jornada de compra do consumidor: compreender com máxima clareza o caminho que percorrem até a finalização da venda, contribuirá para que as MPEs otimizem seus esforços de marketing e prospecção, proporcionando uma experiência mais personalizada, relevante e satisfatória para seus clientes e, consequentemente, aumentando suas vendas e as chances de fidelizá-los. Essa jornada inclui quatro etapas: aprendizado, reconhecimento, consideração e decisão – cada qual com sua importância para o desenvolvimento de uma campanha aderente.

#4 Faça um bom planejamento estratégico de maketing: com os dados dos itens anteriores colhidos e analisados, chega o momento de as MPEs desenharem seu planejamento estratégico. Aqui, leve em consideração as matrizes da análise SWOT (pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades), de forma que tenham uma visão mais nítida sobre seu ambiente de trabalho e qual o melhor plano de ação a ser colocado em prática. Lembre-se que a estratégia precisa ser realista e executável, evitando frustrações dos times na dificuldade em atingir as metas estipuladas.

#5 Crie conteúdos relevantes: ficar de fora do universo online é impensável. As MPEs precisam reforçar sua imagem no digital, criando conteúdos relevantes para seu público-alvo de forma que consigam alcançar uma maior quantidade de clientes, aumentar o conhecimento da marca, fidelizá-los e criar um maior tráfego para seu site. Isso irá contribuir muito para uma maior autoridade em seu segmento.

#6 Tenha um atendimento de excelência: clientes bem atendidos tendem a retornar à marca para futuras compras, além de recomendá-la organicamente para outras pessoas. Essa é uma das maiores prioridades das MPEs, garantindo uma relação próxima, ágil e humanizada entre as partes. Existem muitos treinamentos que podem ser aplicados aos profissionais para que saibam como conduzir esse contato da melhor forma possível, ajudando a construir experiências memoráveis.

#7 Firme boas parcerias: escalar um negócio de forma isolada, nem sempre, é uma boa opção. Ao invés disso, as MPEs podem firmar parcerias estratégicas com outras pequenas empresas ou micro influenciadores, como exemplo, unindo forças para que, juntos, se tornem multiplicadores de ambas as marcas.

Todos os pontos destacados, por mais que possam exigir um certo investimento financeiro, serão cruciais para ajudar as MPEs a alavancarem seu potencial no segmento atuado. Para dar ainda mais segurança nesse planejamento, é sempre vantajoso buscar o apoio de um profissional especializado na área, que traga uma visão holística de marketing a fim de identificar oportunidades de crescimento do empreendimento.

No final, uma boa estratégia de marketing não deve se restringir ao físico ou online, mas unir todas as fontes possíveis que possam trazer resultados cada vez melhores – o que, com a orientação de um especialista na área, reforçará ainda mais essa prosperidade.

*Letícia Araújo é consultora de marketing e vendas, e fundadora da Escola de Lojistas e da LA Consultoria.

O profissional de mídia 4.0: entre algoritmos, prompts e criatividade

Por Thiago Fernandes*

Recentemente, comemoramos o dia do Profissional de Mídia. É impossível mensurar ao certo quando esta profissão surgiu de fato, porém, o que podemos ter certeza é que ele passou por inúmeras mudanças desde então. Inclusive, a potencial maior delas acontece neste exato momento.

Thiago Fernandes

Antes de mais nada, porém, é preciso avaliar o contexto histórico. Há alguns anos, os profissionais técnicos que operam nas plataformas de comunicação, principalmente Google e Facebook, eram chamados de “traders”. Isso porque havia uma clara semelhança entre a forma de atuação destas pessoas com funcionários do setor financeiro, em um leilão frenético entre publishers vendendo seus espaços e as agências/anunciantes calibrando os lances.

Com a evolução do papel da comunicação no negócio e nos resultados dos clientes, a operação de mídia passou a receber um teor mais analítico e matemático. Não me entenda mal, ser criativo e estratégico sempre foi parte importante do pacote. No entanto, os profissionais mais recentes que ingressaram no mercado passavam mais tempo operando plataformas digitais do que expondo o seu lado inspiracional.

Avaliando o atual cenário, a IA definitivamente chegou e está sendo integrada de forma definitiva na rotina de praticamente todas as áreas. E o profissional de mídia, é claro, não está passando ileso a isso. Em um movimento liderado por essas mesmas grandes plataformas, como Google e Facebook, estão sendo implementadas soluções complexas e integradas ao setor, praticamente unindo a parte criativa à operação de comunicação.

Por meio da integração da IA com as plataformas de mídia, você é capaz de montar sua peça, troca o fundo, adiciona o call to action, muda o copy, integra nas campanhas, testa o resultado, tira insights, otimiza e corre pro abraço. Tudo numa mesma jornada de usuário e sequência rápida de cliques e prompts. Este é o futuro presente da profissão, pelo menos no que depender das plataformas self-service.

Esse novo cenário cria um momento de reflexão – como será o profissional que irá cumprir essa função? Daqui a mais ou menos 2 anos (ou será 6 meses?), quando esse profissional for contratado, como será sua rotina? E qual será a nomenclatura desse cargo? Criatimídia? Midiativo? Criativo analítico? Estrategista de campanhas? Trader criativo?

Apesar de todas essas incógnitas, o que fica claro é que o novo profissional de mídia, ou de criação, ou de marketing em geral, vai precisar adicionar inúmeras novas camadas em uma única função: capacidade analítica, ser bom com números, ter senso estético, criatividade, redação e desenvolver bons prompts. Ou seja, um uso intenso de ambos os lados do cérebro.

A ampliação das atribuições não ocorre sem um contexto propício. Com a IA integrando-se cada vez mais às plataformas, a automação de tarefas repetitivas irá liberar tempo para que os profissionais da área possam focar cada vez mais em estratégias criativas e analíticas. No entanto, isto exigirá novos conhecimentos e demandas por parte dos especialistas. Plataformas como o Google Ads, por exemplo, já utilizam machine learning para otimizar lances e segmentação de forma automática, mas demandam conhecimento, mesmo que básico, em programação básica e compreensão de algoritmos da tecnologia.

Ou seja, a convergência entre departamentos criativos e de mídia sugere uma maior necessidade de colaboração interdisciplinar, com equipes integradas de criadores, analistas de dados e especialistas em IA trabalhando juntas para criar campanhas holísticas. O grande ponto é: será que os departamentos de Criação e Mídia, apartados, porém integrados, como são hoje, continuarão a existir? Aliás, será que departamentos irão existir?

“Ah Thiago, mas os profissionais de hoje já são assim!” São mesmo? Claro que existem profissionais que conseguem alinhar todas essas expertises, seja por talento ou necessidade. Contudo, cada vez mais esse será o default da profissão – e precisaremos aprender na marra a viver dentro desta nova realidade. Estamos num momento de deslumbramento, adaptação, incertezas e novidades. É normal estar apreensivo, mas também é mágico poder participar de tudo isso, desde ajudando a desenhar o futuro ou mesmo experimentando como as coisas acontecerão.

A grande verdade é que a profissão de mídia digital está em constante evolução, e a integração da IA está transformando a maneira como as campanhas são criadas e gerenciadas. O especialista precisa estar mais preparado do que nunca, alinhando uma combinação equilibrada de analista de dados, criativo, estrategista, tecnólogo e adaptando-se continuamente às novas ferramentas e métodos que a tecnologia traz para o campo. O caminho à frente é desafiador, mas também repleto de oportunidades para inovação e crescimento.

*Thiago Fernandes é Diretor Executivo de Canais e Audiências da iD\TBWA, considerada uma das principais agências de publicidade do Brasil que combina dados, criatividade e inovação. Ele é responsável por liderar um time multidisciplinar responsável pela construção de estratégias focadas no crescimento de diferentes marcas e negócios, em setores de alta concorrência, como Automotivo e Telecom.