Data Driven Decision de verdade: a diferença entre ter ferramenta e ter cultura

Por Samira Cardoso*

Vejo frequentemente profissionais se perguntando qual ferramenta de dados a empresa deveria adotar, mas, ao meu ver, essa é a pergunta errada. Depois de mais de uma década acompanhando a evolução digital de dezenas de negócios, aprendi que o problema raramente é tecnológico, mas, muito comumente, cultural. Isso porque ser data driven deveria estar ligado a como a organização toma decisões, algo que ainda escapa à maioria das lideranças de marketing.

Os números de mercado confirmam o que se vê na prática. Segundo dados da Gartner, menos da metade das ferramentas de martech adquiridas pelas empresas são efetivamente utilizadas, e análises de marketing influenciam apenas 53% das decisões, com a principal barreira citada sendo dados inconsistentes entre sistemas. Ou seja, as companhias compram a ferramenta, mas não constroem contexto para usá-la de verdade.

Já um levantamento da MarTech.org aponta que 65,7% dos profissionais de marketing consideram a integração de dados o maior desafio de suas stacks tecnológicas, sendo que cerca de 44% das ferramentas de martech são subutilizadas. Acredito que isso ocorre não por elas serem ruins, mas porque foram implementadas sem uma estratégia clara de governança e sem alinhamento entre as áreas que precisam alimentá-las e interpretá-las em conjunto.

Nesse sentido, trago comigo há algum tempo uma provocação que segue relevante: em um cenário onde dados são abundantes, mas decisões conscientes são escassas, vai se diferenciar quem tem mais método, e não informação. Portanto, o que gera valor é a capacidade de combinar métricas com contexto humano, filtrando o que realmente importa para o negócio naquele momento.

A cultura data driven começa quando a companhia define qual pergunta quer responder antes de olhar para o dashboard, e não o contrário. Os indicadores precisam ser escolhidos em função de uma estratégia clara, e nunca acumulados por reflexo. Dessa forma, a virada acontece quando o marketing entende isso e deixa de usar dados para justificar o passado e passa a usá-los para orientar o futuro. Porém, infelizmente muitas organizações ainda analisam os números apenas depois que os resultados aconteceram e as decisões mais relevantes já foram tomadas.

Na prática, construir uma cultura data driven exige três movimentos simultâneos: definir um conjunto de métricas causais que conectem marketing ao resultado econômico real, criar governança compartilhada entre marketing, vendas e finanças, e investir na capacidade humana de interpretar dados com senso crítico. É claro que a tecnologia e seus avanços sustentam esse processo, mas jamais o substituem. Portanto, está cada vez mais claro que o CMO dos próximos anos precisa ser um estrategista que sabe transformar dado em decisão com propósito.

Dessa forma, o maior equívoco que vejo nas empresas é tratar a jornada data driven como um projeto de implementação de plataforma. Ela é, antes de tudo, um projeto de transformação de como as pessoas pensam e decidem. E bato na tecla de que transformação cultural não tem atalho – tem método, liderança e consistência. Vale concluir que compreender verdadeiramente essa realidade e colocar em prática essa mudança é aceitar que o problema nunca foi falta de dado, pois foi, e continua sendo, excesso de decisão sem critério.

*Samira Cardoso é Co-fundadora e CEO da Layer Up, agência de marketing, publicidade e comunicação que oferece estratégias personalizadas, operação eficiente, branding e performance, unindo criatividade, tecnologia e dados

Quais as dicas de um CMO para um aprendiz de marketing?

por Marcelo Trevisani*

O século XXI nunca fora considerado, nas previsões dos mais consagrados especialistas, como um período tão inconstante e repleto de mudanças como tem se apresentado até este momento. Um cenário pandêmico, cheio de incertezas e de anseios do que está por vir. Diante de todas as dificuldades, os diversos setores do mercado de trabalho permaneceram ativos da forma como puderam, transformando tudo que era tendência em áreas como Marketing, Tecnologia, Inovação, em realidade cada vez mais presente na sociedade.

Dessa forma, em termos de carreira, é nítido que houve uma corrida por parte de muitos profissionais para que estivessem aptos às exigências que se fizeram necessárias quase que de um dia para o outro. Na verdade, o mundo digital saiu de algo simples como apenas um site www para algo intrínseco ao negócio, de influência em massa, de personalização de produtos e serviços, de velocidade, de automatizando processos, escalando negócios. Da criação de um ecossistema digital que o valor está na cadeia que você cria que usa a tecnologia para conectar pessoas, organizações e recursos em um ecossistema interativo. E essa avalanche de conteúdo que surge como resultado de todo esse movimento frenético da sociedade, com certeza, nos traz muitos ensinamentos.

Entretanto, hoje, como CMO e com mais de 20 anos de experiência, sei o valor que é contribuir e retribuir com o crescimento profissional de alguém. Vivi em uma época mais “dura”, em que o colega de trabalho muitas vezes era visto como um concorrente e a hierarquia não abria espaço para a troca. Era cada um na sua posição e desenvolvendo as tarefas que lhe pertenciam. Atitudes que não fazem mais sentido nos dias de hoje em que a palavra de ordem é colaboração – pois hoje nenhum saber detêm todo conhecimento, é preciso somar as visões, perspectivas, olhares para resolver assuntos muito mais complexos. Portanto, é esse o sentido que busco por meio desse texto, oferecer e compartilhar algumas orientações que me deram – ou que eu gostaria de ter recebido no início de minha carreira; pois são sagazes para fazer a diferença na vida de quem inicia sua jornada, em especial, na área do marketing:

  • Faça algo que te preencha, encontre um sentido pessoal e profissional: vivemos em uma sociedade acometida pela ansiedade, onde tudo precisa ser “pra ontem”. Portanto, procurar conteúdos, fazer cursos, estar antenados em noticiários é de grande valia.
  • Antes de entender de negócios, é preciso entender de Pessoas. Se você consegue entender de pessoas, vc consegue colaborar e se um líder melhor.
  • Agradeça a todos os NÃOs que receber na vida, acredite, eles são bem mais educadores que os SIMs.
  • Jamais confie em quem nunca erra. Você conhece os melhores profissionais no momento em que eles erram e como lidam com isso.
  • A forma como tomamos decisões será mais importante do que as próprias decisões em si: ser uma pessoa mais centrada, equilibrada ao tomar decisões obterá mais sucesso em sua trajetória de vida.
  • Seja um resolvedor de problemas, as pessoas fogem de problemas e esquecem que são neles que podemos encontrar e enxergar novas possibilidades, soluções e oportunidades
  • Nunca pare de estudar: um profissional da área de Marketing precisa ser antenado, precisa saber atuar em todas as frentes na empresa, interna e externamente. Seja capaz de influenciar e engajar novas parcerias.
  • Pedir ajuda é necessário: a maneira mais fácil de resolver um problema é pedindo ajuda pra quem é especialista. Não ter medo, não ter orgulho, não ter vergonha são peças-chaves. A verdade é que a sua vida vai mudando na proporção da sua coragem e atitudes.
  • Respeito ao próximo: quem faz bem o seu trabalho não só demonstra respeito pelo próximo como entende que o sucesso é uma medida relativa, cada um tem a sua. Por isso, nunca se espelhe somente pelo sucesso do outro e muito menos espere querer ser mais feliz do que os outros. Cada um constrói o seu caminho.

Apesar de todas as mudanças que estamos passando, as empresas continuam esperando que o trabalho de marketing e comunicação seja ousado e transgressor, que a leve para um outro patamar de imagem e relacionamento com o mercado e consumidores. Portanto, inovação e criatividade continuam sendo alicerces para esse profissional, que tem de gostar muito de experimentação, trabalhando quase como um cientista. O novo mercado e os novos clientes não esperam. É preciso encontrar na soma Construir, Medir e Aprender os caminhos para alcançar a rapidez e a agilidade necessárias. Validando hipóteses rapidamente em busca de aprendizado e melhoria constantes sempre utilizando dados, novas tecnologias e ser condutor da introdução do “novo” na empresa e saber que os seus líderes estão lá para te orientar nesse caminho. É uma troca de experiência, de vivência profissional e, acima de tudo, uma troca de saberes singulares que só uma pessoa é capaz de passar à outra.

Um outro ponto que não posso deixar de destacar são os relacionamentos profissionais, o denominado Networking. Compreender que, mesmo com uma transformação digital constante, tentar quebrar barreiras e promover interações pessoais, pode trazer grandes resultados, principalmente, para sua trajetória profissional. Hoje o profissional de marketing precisa saber navegar dentro e fora da empresa. Estabelecer parcerias e desenvolver bons relacionamentos. Acabou a era do profissional isolado, o que chamo de gênio solitário. É preciso ter espírito conciliador, ser capaz de influenciar e engajar parceiros. Essas condições passam a ser premissas para alcançar os resultados, e por consequência, o sucesso.

Por isso é tão importante nos planejarmos para grandes mudanças, para grandes trajetórias. Acredito no provérbio da poetisa Adélia Prado, “Não quero a faca, nem o queijo. Quero a fome”. Entenda seu caminho, defenda seu propósito. Isso, com certeza, te levará muito longe.

*Marcelo Trevisani – com mais de 18 anos de experiência como profissional nas áreas de Digital Marketing, Transformação Digital e Inovação, é Chief Marketing Officer da IBM no Brasil. Participou de grandes cases de Marketing Digital do Brasil para empresas como Tecnisa, BRF, Itaú, Coca-Cola, Nestlé e Vivo, além de ter sido finalista e vencedor em prêmios como Caboré 2017 e CMO 2019, respectivamente. Foi criador e professor do primeiro curso de pós-graduação em Marketing Digital do Brasil, além de professor de MBAs e Pós-Graduações por mais de 10 anos em instituições como ESPM, FGV Business School e FIAP. Também é palestrante em eventos da área em locais como ESPM, Endeavor, CUBO Itaú, SEBRAE, Digitalks, Casa Digital, ProXXima, Social Media Week, In Companies, entre outros.

Fonte: Grupo Image – Fabiana Cardoso

Agência faz live com liderança digital

NTZ traz live com Kiso

A agência NTZ promove um papo com um dos principais speakers sobre Comunicação Digital do país.

Na próxima quarta-feira, dia 02/09, a conversa on line será com Rafael Kiso, fundador e CMO da MLabs. A live vai tratar de estratégias, tendências e boas práticas com uma abordagem voltada para o terceiro setor. Além disso, a mLabs explicará melhor sobre como obter o benefício de acesso gratuito à plataforma por ONGs e Instituições sem fins lucrativos.

Serviço:

Data: 02 de setembro (quarta-feira), às 16h.
Transmissão pelo instagram @agenciantz