Fidelização vale mais que desconto: como CRM e WhatsApp estão redefinindo o varejo no Dia do Comerciante

Especialistas explicam por que comerciantes que investem em relacionamento conseguem vender com mais frequência, reduzir a dependência de datas promocionais e fortalecer a fidelidade dos clientes

Celebrado em 16 de julho, o Dia do Comerciante marca uma mudança importante na forma de fazer varejo. Durante muito tempo, o diferencial estava no produto, no preço ou na promoção, enquanto hoje o crescimento das vendas depende cada vez mais da capacidade de manter o cliente próximo depois da primeira compra. Ferramentas como CRM, sigla para Customer Relationship Management, ou gestão de relacionamento com o cliente, que reúne dados e interações para melhorar o atendimento e as vendas, grupos no WhatsApp e comunicação personalizada passaram a ocupar um espaço que antes era das campanhas pontuais.

Para Hugo Silveira, cofundador do Grupo HRZ, holding especializada em aceleração de vendas para varejo e e-commerce, essa transformação fez o relacionamento se tornar um dos principais ativos do comércio. “Muitos empresários ainda acreditam que a venda termina quando o pagamento é aprovado. Na prática, ela começa ali. Quem continua presente depois da compra aumenta as chances de recompra, reduz a dependência de anúncios e constrói um faturamento mais consistente”, afirma.

A mudança de comportamento também aparece nos números, de acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, 82% dos pequenos negócios já utilizam o WhatsApp como principal canal de comunicação e vendas, enquanto 73% vendem por meios digitais. O dado mostra que os canais de relacionamento passaram a fazer parte da rotina dos comerciantes, mas ainda há empresas que utilizam essas ferramentas apenas para divulgar promoções, sem uma estratégia de fidelização.

O cliente já não compra apenas pelo preço

Essa mudança também responde a uma nova expectativa do consumidor, já que com acesso a dezenas de lojas oferecendo produtos semelhantes, ele tende a voltar onde encontra facilidade no atendimento, comunicação relevante e uma experiência de compra mais personalizada. Para os especialistas, competir apenas pelo menor preço faz com que a decisão de compra seja cada vez mais passageira.

O erro que mantém pequenos varejistas dependentes de promoções

Na avaliação de Iury Borges, sócio-diretor do Grupo HRZ e criador do método Venda 10X, muitos comerciantes acabam criando um ciclo que prejudica tanto a empresa quanto o consumidor. “Quando a comunicação acontece apenas para anunciar descontos, o cliente passa a esperar sempre a próxima promoção para comprar. Isso reduz a margem da empresa e desgasta o relacionamento. O consumidor quer sentir que existe vantagem em continuar conectado com aquela marca, seja por atendimento, benefícios exclusivos ou experiências diferentes, e não apenas porque o preço caiu”, explica.

Segundo os especialistas, algumas mudanças simples já ajudam pequenos e médios comerciantes a construir uma carteira de clientes mais fiel e reduzir a dependência das grandes datas promocionais.

Cinco práticas para transformar compradores em clientes recorrentes

Entre as principais recomendações estão:

  1. Organizar a base de clientes para entender quem compra com frequência, quem está inativo e quem merece abordagens diferentes.
  2. Criar grupos VIP ou listas segmentadas no WhatsApp para oferecer benefícios exclusivos, em vez de disparar a mesma mensagem para toda a base.
  3. Manter uma comunicação constante com conteúdos úteis, novidades e lançamentos, sem utilizar o canal apenas para promoções.
  4. Desenvolver campanhas próprias ao longo do ano, reduzindo a dependência de datas como Black Friday, Natal e Dia das Mães.
  5. Utilizar ferramentas de CRM para registrar o histórico de compras e personalizar ofertas de acordo com o perfil de cada consumidor.

Relacionamento gera vendas durante o ano inteiro

Na prática, essa estratégia permite que o comerciante aumente a recompra e reduza o custo para gerar novas vendas. Em vez de investir continuamente para atrair clientes inéditos, passa a aproveitar melhor quem já conhece a marca, criando um crescimento mais previsível.

Para Hugo e Iury, o comerciante que investe em relacionamento não depende exclusivamente de campanhas promocionais para vender. A proximidade constante com o cliente fortalece a confiança na marca, estimula novas compras ao longo do ano e reduz a necessidade de concentrar o faturamento em poucas datas do calendário comercial. Para eles, é justamente essa capacidade de manter uma comunicação relevante depois da primeira venda que diferencia empresas com crescimento consistente daquelas que alternam períodos de forte movimento com longos intervalos de baixa demanda.

Uma ótima semana!!!

Painel do ProConecta Summit 2026: Tatiana Acquino, Kaique Oliveira e mariane Cara

Por Josué Brazil

Ter a oportunidade de participar de dois ótimos eventos em uma mesma semana é um tremendo privilégio.

Esta semana pude participar, na quarta feira, da terceira edição do ProConecta Summit no PIT – Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos. O evento organizado pela Proimagem Eventos teve um line up de primeiríssima linha distribuido em quatro trilhas: Experiência, Comunicação, Audiovisual e Negócios Criativos.

Claro que me concentrei mais na trilha de Comunicação e destaco o painel com a participação de Mariane Cara e Kaique Oliveira, com mediação de Tatiana Acquilino; e também a palestra de Liliane Ferrari sobre o uso estratégico do Pinterest.

Já na sexta feira fui acompanhar, ao lado da minha filha Maria Eduarda Brazil, o 1° Fórum de Inovação em Marketing e Vendas, promovido pela Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas (em São Paulo). O line up misturou palestras e painéis e trouxe ótimos insights sobre comportamento do consumidor, experiência do consumidor, mudança nos padrões de consumo e uso estratégico da inteligência artificial em marketing e vendas.

Cenário do Primeiro Fórum de Inovação em Marketing e Vendas

Em ambos os eventos ficou o aprendizado que o futuro já chegou. Profissionais e empresas que não perceberem isso ficarão – muito – para trás.

Uma semana repleta de aprendizados, relacionamento e novas experiências. Fica a convicção – ainda mais reforçada – que eventos são uma das maiores fontes de aprendizado e de oportunidades pessoais/profissionais

E como sempre digo: BORA PRA MAIS!!!

Arrumar a casa antes de comunicar

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Existe uma cena clássica no universo do marketing: a empresa troca a logomarca, cria um slogan emocionante, investe em anúncios impecáveis nas redes sociais… mas, quando o cliente entra em contato, ninguém responde. Ou pior: o produto atrasa, o atendimento falha e a experiência prometida simplesmente não existe. É como convidar visitas para um jantar sofisticado enquanto a cozinha ainda está pegando fogo. Comunicação sem estratégia pode até gerar atenção, mas dificilmente sustenta reputação.

O problema é que muitas organizações ainda confundem marketing com propaganda. Segundo Philip Kotler, considerado um dos maiores nomes do marketing moderno, marketing é um processo de geração de valor para o cliente e para a empresa — e não apenas divulgação. Ou seja: antes de pensar no post bonito, no vídeo emocionante ou na campanha “criativa”, é preciso entender quem é o público, qual problema será resolvido e se a empresa realmente entrega aquilo que promete.

Na prática, isso significa “arrumar a casa” antes de abrir o megafone. O marketing estratégico começa muito antes da comunicação. Ele passa por análise de mercado, definição de posicionamento, entendimento de concorrência, precificação, experiência do consumidor e alinhamento interno. Afinal, não adianta vender inovação com processos internos jurássicos ou prometer agilidade enquanto o cliente espera três dias por uma resposta no WhatsApp. O consumidor percebe rapidamente quando existe um abismo entre discurso e realidade.

De acordo com pesquisas da PwC sobre experiência do consumidor, boa parte dos clientes abandona marcas após poucas experiências negativas, mesmo quando gostam do produto. Isso mostra que comunicação forte até atrai pessoas, mas é a experiência consistente que constrói relacionamento. Em outras palavras: marketing pode trazer o cliente até a porta, mas é a operação que decide se ele entra, volta e ainda recomenda.

Outro ponto importante é o alinhamento interno. Muitas empresas querem parecer modernas para o mercado, mas ainda possuem culturas organizacionais desorganizadas, equipes desalinhadas e processos improvisados. Segundo Peter Drucker, “a cultura come a estratégia no café da manhã”. A frase virou um clássico porque traduz uma verdade simples: nenhuma comunicação externa consegue sustentar, por muito tempo, uma realidade interna caótica. O público pode até ser impactado por uma campanha; os colaboradores convivem diariamente com a verdade da empresa.

E aqui entra um detalhe curioso: o consumidor atual investiga marcas quase como um detetive particular. Ele lê avaliações, consulta redes sociais, compara experiências e conversa em grupos. Um relatório da Nielsen aponta que recomendações e experiências reais têm enorme influência nas decisões de compra. Ou seja, não basta dizer que sua marca é incrível. As pessoas querem provas — e, de preferência, provas entregues sem filtro, sem roteiro e sem efeito especial.

Talvez por isso algumas das campanhas mais eficientes do mercado sejam justamente aquelas sustentadas por coerência. Quando produto, atendimento, cultura, experiência e posicionamento caminham juntos, a comunicação deixa de ser maquiagem e passa a ser amplificação. A propaganda funciona melhor quando ela apenas revela algo que já existe de verdade. É quase como aquele amigo naturalmente engraçado: ele não precisa forçar piada o tempo todo para ser interessante.

No fim das contas, marketing estratégico é menos sobre “falar muito” e mais sobre “fazer sentido”. Antes de comunicar, é preciso estruturar, organizar, alinhar e entregar valor real. Porque nenhuma campanha salva uma experiência ruim por muito tempo. E, convenhamos, é muito mais inteligente arrumar a casa antes de chamar todo mundo para entrar.

Coluna “Discutindo a relação…”

Discutindo a relação entre marcas e creators

Por Josué Brazil com apoio de IA)

Imagem gerada pela IA do Canva

Nos últimos anos, uma transformação silenciosa — e ao mesmo tempo poderosa — vem redesenhando o cenário da comunicação: a ascensão dos creators. Influenciadores, produtores de conteúdo, especialistas de nicho ou simplesmente pessoas com uma audiência fiel passaram a ocupar um espaço que antes era quase exclusivo das marcas e dos veículos tradicionais. Hoje, em muitos casos, não são apenas as empresas que falam com o público. São as pessoas.

Para as marcas, essa mudança trouxe uma oportunidade evidente: dialogar com o consumidor de forma mais próxima, humana e espontânea. Um creator não fala apenas sobre um produto. Ele o insere em uma narrativa pessoal, em uma rotina, em um estilo de vida. Isso gera identificação. E identificação, no universo da comunicação, costuma ser um atalho poderoso para a atenção e para a confiança.

Na era dos creators, a comunicação das marcas deixou de ser apenas mensagem e passou a ser relacionamento.

Mas essa relação também levanta algumas perguntas interessantes. Quando uma marca se apoia fortemente em creators para transmitir sua mensagem, ela está ampliando sua voz ou terceirizando sua própria identidade? Em outras palavras: quem está construindo a marca — a empresa ou o creator que a representa naquele momento?

Essa dúvida surgiu em minha mente pela primeira vez após acompanhar uma palestra sobre branding e identidade de marca.

Existe ainda uma questão delicada chamada autenticidade. O valor de um creator está justamente na percepção de que ele fala de forma genuína com sua audiência. Porém, quando a presença de marcas se torna excessiva ou artificial, essa relação de confiança pode se desgastar rapidamente. O público de hoje é cada vez mais sensível a conteúdos que parecem apenas publicidade disfarçada.

Por outro lado, quando bem construída, a parceria entre marcas e creators pode ser extremamente estratégica. Creators entendem profundamente sua comunidade, dominam a linguagem das plataformas e sabem como transformar comunicação em conversa. Marcas que compreendem isso deixam de tratar creators apenas como mídia e passam a enxergá-los como parceiros criativos.

Quando uma marca trabalha com creators, ela não está apenas comprando mídia. Está compartilhando narrativa.

Talvez o verdadeiro desafio esteja justamente nesse ponto de equilíbrio. Nem transformar creators em meros canais publicitários, nem esperar que eles carreguem sozinhos o peso da construção da marca. A relação mais inteligente parece ser aquela em que estratégia de marca e autenticidade do creator caminham juntas.

No fim das contas, a pergunta que fica para o mercado é simples — e provocativa: na era da economia dos creators, as marcas estão aprendendo a dialogar com essas novas vozes ou apenas tentando alugar sua audiência? A resposta, como quase tudo na comunicação, provavelmente depende de como cada marca escolhe construir essa relação.