Que tal criar filmes dadaístas para vender chocolate?
Em uma época de Netflix, renomadas séries e grandes filmes, o papel dos roteiristas se torna cada vez mais relevante. Mas será que vale a pena abrir mão disso para vender chocolate?
Recentemente foram divulgados, por uma marca de chocolate, 3 curtas-metragens, que foram criados a partir de comentários dos próprios seguidores da marca. São os famosos roteiros colaborativos. Títulos como: O TRANSPORTADOR GALÁCTICO TEMPORAL E OS ROBÔS JURÁSSICOS DE MARTE ou O CURIOSO CASO DOS CLONES DO MAL NO FANTÁSTICO REINO MÁGICO DIMINUTO demonstram o tom dadaísta e cômico que os filmes tomaram.
Se por um lado, ações como essa geram filmes engraçados e interagem de alguma forma com o público-alvo, eu me pergunto se estamos tão fracos de ideias novas a ponto de precisarmos virar o microfone para a galera igual alguns cantores fazem, quando não lembram a letra da música?
Nessas horas é inevitável recorrer aos grandes roteiros do cinema mundial, Casablanca de Julius J. & G. Philip Epstein e Howard Koch, O Poderoso Chefão de Mario Puzo e Francis Ford Coppola ou até Cidadão Kane de Herman Mankiewicz e Orson Welles, só para citar alguns. Em todos brilham o talento, o olhar diferente do mundo, a emoção, a criatividade e, claro, uma boa produção e direção para fazer jus nas telonas.
De fato, essa campanha do chocolate teve um olhar crítico na seleção dos comentários, uma boa produção, pode virar um case de sucesso, divulgar a marca e dar resultados para a empresa, porém, me deixou com uma fome de filmes mais criativos, provocativos e interessantes no cenário nacional. Até quando vamos engolir esse tipo de solução criativa? Será que vamos encontrar saídas mais originais? Enquanto não tenho as respostas, fico torcendo por um final feliz.
Quer adotar um bot? Não precisa desistir do seu sistema legado
*por Fabio Godoy
Toda inovação pode trazer dor de cabeça. A utilização de bots para automatização de processos de negócios é uma tendência que, em pouco tempo, deverá estar presente em quase todas as empresas. A maioria reconhece as vantagens de sua adoção e deseja trabalhar com essa tecnologia, mas esbarra em um problema: seu sistema legado.
Muitos empresários acreditam que os bots são uma tecnologia muito avançada e que, justamente por isso, precisaria trocar todos os sistemas da sua empresa para adotar a ferramenta. Mas isso não é verdade. A adoção de bots não obriga ninguém a desistir de seu sistema legado ou de sistemas com tecnologias anteriores, já em uso na organização.
Justamente por ser uma tecnologia muito avançada, o bot consegue se integrar com o sistema corporativo, adaptando-se ao meio. Tudo será integrado com o que já existe, não existindo nenhuma perda ou desperdício de tecnologia.
Essa é uma excelente notícia, pois amplia as oportunidades das empresas. Hoje fala-se muito sobre os chatbot e sua capacidade de evolução com o machine learning, mas o futuro será certamente das automatizações de processos de negócios com bots. Essa é uma tendência que, segundo analistas, deve afetar cerca de 230 milhões de trabalhadores e que registra um retorno sobre investimento de 600% a 800% para algumas funções, de acordo com pesquisa da London School of Economics.
Nesse contexto, o bot irá atuar como mais um canal de comunicação, um elo entre os diversos segmentos e tecnologias. Ele irá ajudar a distribuir as informações. As tecnologias já existentes nas empresas não serão perdidas, mas terão o seu poder de trabalho ampliado pela adoção da nova ferramenta.
Eu entendo esse temor por parte dos empresários e profissionais da área. A possibilidade de ter que adotar um novo sistema – e manter a empresa em pleno funcionamento enquanto esse processo se desenrola – é realmente de causar arrepios. Mas essa preocupação apenas comprova que muitos profissionais ainda não entendem com clareza a capacidade de trabalho dos bots. O que poderia ser apontado como um ponto fraco (a necessidade de mudança dos seus sistemas anteriores) é na verdade algo simplesmente contornável.
A utilização desta tecnologia, e sua consequente evolução, irá aumentar a medida que for combinada com as tecnologias cognitivas, criando bots mais inteligentes e com uma capacidade mais apurada de machine learning. No mundo todo, a previsão é de que o mercado de automatização robótica de processos deverá alcançar a cifra de US$ 5 bilhões até 2020, de acordo com a Transparency Market Research.
A adoção de bots não impede o uso do seu sistema legado. Em outras palavras, qualquer empresa pode apostar na ferramenta porque não irá perder a sua tecnologia atual. O que vai acontecer é a integração com o que já existe, sem desperdício. Os bots não serão responsáveis pela dor de cabeça gerada por uma mudança de sistema. Pelo contrário: eles irão facilitar o trabalho, automatizando processos e adicionando inteligência para o dia a dia da organização.
*Fabio Godoy, diretor da Lealis, startup que atua com o desenvolvimento e consultoria diferenciada para serviços digitais e de inovação, produtos para fidelização, OCR, FR e desenvolvimentos de bots.
Programa de fidelidade na Era Digital traz mais benefícios às empresas do que apenas reter clientes*
Todo mundo já participou de ao menos uma promoção na qual você volta 10 vezes ao estabelecimento e ganha um produto ou serviço. Pode ser um corte de cabelo, uma lavagem completa no carro ou o almoço do dia. Quase todo brasileiro já teve ao menos uma dessas cartelinhas semi-preenchidas em sua carteira. E alguns conseguiram resgatar seu prêmio. Essa é uma das formas mais simples de se fazer um programa de fidelização de clientes. A prática busca fazer com que os consumidores voltem mais vezes ao estabelecimento, criando um relacionamento duradouro.
Jailson Ramos, gerente da Lealis
E clientes que retornam para o seu negócio são os melhores clientes! Isso porque custa entre 6 e 7 vezes mais conseguir um novo cliente do que reter um que já conhece seu negócio. Clientes recorrentes gastam, em média, 67% a mais que os novos. Além disso, a probabilidade do cliente antigo converter uma venda fica entre 60 e 70%, enquanto o novo cliente tem apenas 5 a 20% de chance. Os dados são da Selfstartr.
Além das clássicas cartelinhas, existem também os planos mais sofisticados, que trabalham com pontuações e recompensas. Os primeiros planos deste tipo nasceram com as companhias aéreas norte-americanas, quando em junho 1980, a Western Airlines lançou um programa que dava 50 dólares de desconto a cada 5 viagens realizadas pelo passageiro na rota Los Angeles-São Francisco. Em maio de 1981, a American Airlines lançou o Aadvantage, programa de pontuação que tinha como objetivo fidelizar clientes através de descontos e upgrades nas passagens aéreas.
Depois das companhias aéreas, os programas de pontos das operadoras de cartões de crédito também passaram a fazer muito sucesso. Hoje, programas de fidelização e troca por recompensas fazem parte da rotina de grandes redes. A ferramenta, quando bem empregada, é capaz de aumentar vendas e melhorar o relacionamento com o cliente. E graças às novas tecnologias do mercado, esses programas apresentam excelentes resultados também para pequenas e médias empresas.
Segundo a ABEMF (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização), de 2016 para 2017, houve um crescimento de 24% no número de cadastros realizados, chegando a mais de 100 milhões. A quantidade de pontos ou milhas emitidas teve um aumento de 25% dentro do mesmo período. Isso mostra o peso deste mercado.
Com os novos recursos, os programas de pontos e recompensas passaram a ser uma importante ferramenta de fidelização e relacionamento. Graças aos dados gerados pela ferramenta, é possível analisar o comportamento do consumidor e passar a oferecer descontos, promoções e recompensas cada vez mais personalizadas.
As novas plataformas de programas de fidelidade são, na verdade, um verdadeiro CRM. As soluções permitem entender melhor o seu cliente, estudar seus hábitos e, assim, conhecer melhor a sua empresa. O gestor pode descobrir quais são os dias e horários com mais movimento, prêmios mais resgatados, a frequência com que cada cliente visita a sua loja, etc. E o ideal é que o proprietário aproveite essa poderosa ferramenta e busque constantemente melhorar seu relacionamento com os consumidores.
Mais do que esperar o cliente vir e marcar pontos, hoje as plataformas permitem um trabalho contínuo para atrair e reter visitantes. Por exemplo: se você descobrir que as pessoas costumam visitar o seu negócio a cada 20 dias, pode criar uma promoção exclusiva para quem voltar para sua loja em um prazo menor, em uma semana, por exemplo. Podem ser pontos em dobro, um brinde ou desconto.
Trabalhe também com a personalização das recompensas. Entenda quais são os produtos mais consumidos por cada cliente e quais as recompensas favoritas. Ofereça prêmios que faça sentido para o consumidor e, sempre que possível, busque a exclusividade. O sentimento de ser um “cliente VIP” faz com que o consumidor se sinta valorizado e aproxime-se ainda mais de seu negócio.
Clientes satisfeitos, aumento nas visitas e um estudo detalhado sobre seu consumidor e suas vendas. Um programa de fidelidade pode trazer muito mais do que apenas uma mecânica de pontos. Em um mercado onde todo diferencial é essencial para destacar o seu negócio – independente do tamanho – acredito que valha muito a pena encontrar uma ferramenta e criar vantagens exclusivas para seu cliente. Os resultados serão visíveis.
*Por Jailson Ramos, gerente da Lealis, startup que atua com o desenvolvimento e consultoria diferenciada para serviços digitais e de inovação, produtos para fidelização, OCR, FR e desenvolvimentos de bots. Para mais informações acesse: www.lealis.com.br
Ainda é legal ser publicitário, jornalista e relações públicas!
O ano que está perto de acabar foi marcado basicamente pela crise política e financeira. Esta crise afetou de modo arrasador todos os setores da economia brasileira. Praticamente sem exceção!
O setor de comunicação e propaganda não ficou, portanto, alheio aos efeitos da crise. Mas a propaganda mais especificamente foi alvo de muitos questionamentos e discussões neste ano. Houve muitas críticas ao modelo de atuação das agências (excesso de horas trabalhadas e outras coisas não tão legais também), houve a pesquisa do GP (Grupo de Planejamento) apontando e revelando o quão insalubres podem ser as relações profissionais nos ambientes de trabalho (a pesquisa fez foco na questão do assédio), perfis mal delineados na hora de abrir uma vaga ou com exigências exageradas na hora de selecionar estagiários.
Há mais coisas que não consigo lembrar bem agora. Há inverdades e há fatos. Há lendas e mitos e há novas questões verdadeiras que devem ser enfrentadas.
Já escrevi antes aqui que a chegada da tecnologia digital alterou e vem alterando substancialmente o mercado da comunicação, da propaganda e do marketing. O momento é de absoluta transição. Estamos operando em beta. E é meio que óbvio que em momentos assim as coisas fiquem mais difíceis, menos claras e que as relações profissionais fiquem conturbadas.
Tudo isso acabou refletindo na imagem da profissão. No desejo de ser publicitário. Tenho conversado com muitas pessoas e recebido muita informação que dá conta de que a procura nos cursos de comunicação caiu. Há universidades/faculdades demitindo professores dos cursos de comunicação. Claro, há o peso enorme do fator econômico, mas com muita gente com quem conversei abordou a questão da queda de interesse por parte da garotada pelos cursos de propaganda, jornalismo e relações públicas. Alguns artigos de publicações especializadas também esbarraram no tema.
Alguns alunos comentaram comigo que nos diferentes programas de reality show sempre há publicitários tentando deixar a profissão. Coincidência? Talvez sim, talvez não. Acredito que foi tanta notícia ruim, foi tanta gente comentando que trabalhar com propaganda já não era tão legal, foi tanta gente comentando nas redes sociais que quem estudou publicidade e propaganda ia morrer de fome que… a vontade de ser publicitário (principalmente) diminuiu.
A indústria da propaganda (da comunicação e do marketing como um todo) tem sua enorme parcela de culpa nisso. Houve e há erros, abusos, más intenções e enganos.
Quero trazer um pouco o outro lado da moeda. Li uma coluna muito boa na Meio&Mensagem que afirmava que a propaganda não morreu e nem vai morrer. Ela mudou. E vai mudar ainda mais. Vai mudar por que é preciso, é necessário! E as mudanças já estão acontecendo de forma positiva. Já há ilhas de prosperidade e excelência emergindo aqui e ali e acolá. Os novos desafios trazidos pelos ventos ruidosos da mudança são tremendos. E, por isso mesmo, sensacionais! Há muita oportunidade profissional novinha em folha, há muitas novas abordagens e fronteiras para descortinar, há muito diálogo para buscar ideias e soluções, há sim muitos motivos pra lá de bacanas para ser publicitário, jornalista e relações públicas.
Sim, senhoras e senhores! Eu vos digo: essa ainda é e continuará sendo uma atividade/profissão/mercado muito intrigante e genial. Ainda é e será uma atividade que junta pessoas, marcas, propósitos, ideias, empresas e negócios. Ainda é e será uma atividade que constrói projetos e compartilha atitudes e comportamentos benéficos para o todo da sociedade!
E mais! Dá para fazer mais. Dá para fazer diferente. Dá para fazer melhor! Tenho certeza disso.
Podem ter certeza. Ainda é muito legal ser publicitário. Ainda é muito legal atuar em comunicação. Essa é uma atividade que, como todas as outras tomou muita porrada com as mudanças, a crise, a desordem moral, ética e política do país. Mas ela está longe de ser desinteressante e moribunda.
Esse é o último artigo para essa coluna em 2017. O ano em que sobrevivemos. Em 2018 já vamos colher alguns frutos mais bonitos. Até lá!