Coluna Propaganda&Arte

O Oscar tem receita de bolo? Entre o choque visual e o network de milhões

Por R. Guerra Cruz

Senta aqui, vamos conversar sobre a “fórmula mágica” de Hollywood.

Recentemente, alguns filmes me fizeram parar e pensar: o que produções como A Substância, O Agente Secreto e essas batalhas viscerais que a crítica tanto ama possuem em comum?

Pode parecer heresia para os puristas, mas para quem vive de comunicação e estratégia, a sensação é que já virou receita de bolo.

Se o filme entrega uma dose generosa de sexo, uma pitada de violência, um bocado de non-sense e aquele regionalismo (seja uma cultura específica ou uma referência cinematográfica bem nichada), ele já entra em campo com grandes chances de figurar entre as “obras-primas” do Oscar.

Estou viajando? Olhem bem para as telas.

Cada um desses filmes mencionados traz algo que nos tira do eixo.

É uma referência visual aqui, uma crítica social ali, e muita coisa caótica que nos faz duvidar do que estamos vendo, a “perna cabeluda” ou a transformação grotesca em A Substância estão aí para provar. E sexo, muito sexo, muitas vezes quando a gente menos imagina.

Parece simples ser notado pelos críticos, mas além de seguir o roteiro da “polêmica planejada”, tem que ter network.

Estar estrategicamente presente nos eventos onde os avaliadores circulam não é para amadores. É caro, viu? É preciso muito investimento para aparecer e ser lembrado.

No fundo, toda a indústria criativa sofre desse mal: o talento precisa de um empurrão financeiro e de relações públicas para brilhar sob os holofotes.

Por isso, o Oscar acaba sendo, frequentemente, o alvo favorito dos “críticos dos críticos”.

Mas, como eu sou um entusiasta que estuda e ensina cinema, me sinto no pedestal para criticar, sim, mas também para valorizar quando a pauta é necessária. Questões raciais, sociais, políticas e a invisibilidade de minorias encontram nas telas um lugar para respirar.

Um exemplo que me tocou foi o filme chinês Big World, que aborda a vida de um homem com paralisia cerebral. Com uma atuação de outro mundo de Jackson Yee, a obra conseguiu o que muitos discursos políticos falharam em fazer: mudar leis para esse grupo na China.

Isso, para mim, é a arte com impacto real.

Agora, o cinema será sempre assim?
Talvez.
Vale a pena continuar filmando nossas mazelas?
Com certeza.

No fim das contas, a dúvida se a vida imita a arte ou vice-versa é o que nos move por aqui.

Talvez a receita de Hollywood seja apenas um reflexo de uma sociedade que só consegue prestar atenção no “necessário” se ele vier embalado com um pouco de choque, beleza e, claro, muito dinheiro.

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A cultura comum acabou. E isso muda tudo.

Por R. Guerra Cruz

A comunicação mudou radicalmente, e eu preciso confessar: sinto falta daquela época em que jornais, livros, filmes e canais de TV criavam um senso comum compartilhado. Todo mundo acessava as mesmas histórias, ria das mesmas piadas e discutia os mesmos escândalos no dia seguinte. Era previsível, massificado, fácil de mapear públicos-alvo.

A cibercultura bagunçou tudo isso. Nichos infinitos, criadores independentes, algoritmos que montam realidades sob medida.

Minha Teoria: Fragmentação Cultural Individualizada (TFCI)

Chamo de Fragmentação Cultural Individualizada (TFCI) esse cenário em que não conseguimos mais traçar grupos culturais coesos como antes. A demografia perdeu força explicativa.

Antes, bastava dizer: “jovens de 18-24 anos assistem à novela das 8”.

Hoje, ninguém sabe exatamente o que você consome no seu “For You”, nas suas newsletters privadas ou nos seus grupos fechados.

Não existem mais grandes blocos culturais previsíveis. Existem trajetórias individuais de consumo.

O que Pierre Lévy apontava na cibercultura e o que Chris Anderson descreveu na “cauda longa” deixou de ser teoria e virou cotidiano: identidades fluidas, repertórios híbridos, ausência de centro.

Por que definir público-alvo ficou tão complexo?

No passado, criar conteúdo para grandes grupos era relativamente simples. Uma campanha na Globo falava com milhões de forma previsível.

Hoje é um labirinto.

Se eu falo de nostalgia dos anos 90, com quem eu conecto?

Com quem viveu a MTV ou com quem redescobriu essa estética via Reels?

A jornada individualizada não elimina personas, mas as torna insuficientes. Precisamos ir além de faixa etária e renda.
Precisamos entender repertórios, microculturas, comunidades temporárias.

Conteúdo massivo falha porque tenta falar com todos ao mesmo tempo. E quando você fala com todos, acaba não pertencendo a ninguém.

O futuro sem cultura hegemônica

A nostalgia virou personalizada.

O que me emociona (Orkut, MSN, fitas VHS) talvez não diga nada para você. Sua memória afetiva pode estar em um TikTok viral de 2022 ou em um fórum obscuro do Reddit.

Esse é o novo ouro emocional: afetos individuais, conectados por microtribos.

Oportunidades? Muitas.

● Experiências desenhadas para nichos leais.
● Parcerias com microcriadores que realmente representam comunidades.
● Narrativas adaptáveis.

No fim, quem entender a TFCI não vai tentar reconstruir a cultura de massa. Vai transformar fragmentação em pertencimento.

E talvez esse seja o verdadeiro novo senso comum: cada um no seu universo, mas profundamente engajado nele.

Outracena a todo vapor

Produtora entrega filmes de final de ano

A Outracena Produtora de Vídeo, sediada em SJCampos e capitaneada pelo Renato Pulice, está a todo vapor e entregando filmes belíssimos de Natal e final de ano.

O primeiro que vamos colocar aqui é o filme feito para o Natal Vale Sul Shopping 2025. Uma super produção que enche a gente de orgulho. Confira:

E pra comprovar que foi mesmo uma super produção, confira também o making off desse filme:

O outro filme que a produtora entregou recentemente é o do natal do Shopping Colinas, que tem até participação de atriz global. Veja:

E esse também tem o making off pra gente conferir todo o rolê da produção:

São Luiz do Paraitinga recebe Festival Internacional do Documentário Musical a partir de quinta (20)

Lorena Calábria

Primeiro dia do In-Edit exibe filmes sobre o maestro baiano Letieres Leite, a tradição musical da Guiné-Bissau, a história da soul music nacional e o vencedor da edição 2025 do festival, “Brasiliana – O Musical Negro Que apresentou O Brasil Ao Mundo”, do diretor Joel Zito Araújo

Coletivo Paraitinga, formado por músicos e intérpretes luizenses, se apresenta às 21h no Coreto Elpídio dos Santos, que também recebe nos próximos dias shows especiais com o cantor Hyldon, Zé Pitoco e seu grupo de forró

Bate-papos com o cineasta Emílio Domingos, a jornalista Lorena Calábria e o violonista Paulo Bellinati, do grupo Pau Brasil, também movimentam a programação gratuita até domingo (23)

O In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical está de volta a São Luiz do Paraitinga de 20 a 23 de novembro, trazendo 15 filmes nacionais e internacionais, além de shows, encontros e debates, com programação gratuita no Mercado Municipal, Biblioteca Municipal e Coreto Elpídio dos Santos.

Pelo terceiro ano seguido na cidade, o evento apresenta longas nacionais inéditos no circuito que homenageiam grandes nomes e momentos da música nacional. Na quinta (20), a abertura do evento terá “As Travessias De Letieres Leite”, às 11h, na Biblioteca Municipal. A obra, de Iris de Oliveira e Day Sena, presta tributo ao maestro baiano idealizador das orquestras Rumpilezz e Rumpelezzinho.

O local ainda recebe “Nteregu” (de Manuel Loureiro e Roger Mor, que percorre a rica tradição musical da Guiné-Bissau, unindo passado e presente por meio das vozes e ritmos do país), às 15h, e “Brasiliana – O Musical Negro Que apresentou O Brasil Ao Mundo” (do consagrado diretor Joel Zito Araújo, vencedor da edição de 2025 do In-Edit Brasil, que celebra a herança africana na música e no folclore brasileiro), às 17h, antes da sessão oficial de abertura, com “Alma Negra, Do Quilombo Ao Baile”, de Flavio Frederico, um mergulho na história da soul music brasileira, no Mercado Municipal, às 19h.

No encerramento do dia, o show “Os In-Éditos: Coletivo Paraitinga celebra o In-Edit 2025” anima o Coreto Elpídio dos Santos, a partir das 21h. Com músicos e intérpretes luizenses, o grupo faz releituras vibrantes de canções presentes nos filmes da programação.

Programação

Até domingo, o evento oferece atividades durante todos os dias. Aldo Bueno: O Eterno Amanhecer, de Adriano De Luca, revisita a trajetória do cantor e ator paulistano Aldo Bueno; Amor e Morte em Julio Reny, de Fabrício Cantanhede, revela a intensidade do roqueiro gaúcho Júlio Reny; As Dores Do Mundo: Hyldon, de Emílio Domingos e Felipe David Rodrigues, mostra a história de um dos maiores nomes da música brasileira.

Hyldon – As dores do mundo

Também serão exibidos Jackson – Na Batida do Pandeiro, de Marcus Vilar e Cacá Teixeira, que conta a história do cantor, compositor e percussionista Jackson do Pandeiro; Um Homem de Moral, de Ricardo Dias, que celebra o legado do compositor Paulo Vanzolini; e Os Afro-Sambas: O Brasil de Baden e Vinícius, de Emílio Domingos, mergulha no processo de criação do álbum de 1966 Os Afro-Sambas, parceria de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Os curtas Vamembolá, de Lucila Meirelles e Cid Campos, com depoimentos de Chico Antônio sobre seu encontro com o escritor Mário de Andrade, e Volta Seca A Favor Do Vento – Cantigas De Lampião, de Marlon Delano, sobre o cangaceiro do bando de Lampião, autor das clássicas “Acorda Maria Bonita” e “Mulher Rendeira”, também estão na programação nacional.

O festival apresenta ainda quatro documentários internacionais inéditos: Dory Previn: On My Way To Where, de Dianna Dilworth e Julia Greenberg, que mostra a força e a vulnerabilidade da compositora americana Dory Previn; Legacy, de Manal Masri, no qual filhos de músicos negros do jazz norte-americano revisitam a história de seus pais exilados na Escandinávia; e Revival 69: The Concert That Rocked The World, de Ron Chapman, que revive o lendário show em Toronto que marcou a estreia de John Lennon fora dos Beatles.

A programação paralela celebra o encontro entre o cinema e a música. Depois do show de abertura com o Coletivo Paraitinga, o festival recebe, no dia seguinte, o cantor Hyldon, protagonista de As Dores do Mundo, que apresenta um show intimista em formato voz e violão, revisitando sucessos que marcaram o soul brasileiro. No sábado, o multi-instrumentista Zé Pitoco comanda o Forró do Zé Pitoco, com a participação especial da cantora Luciana Alves, homenagem dançante a Jackson do Pandeiro.

O festival promove dois encontros com convidados no Conversa Afinada. Na sexta, o cineasta Emílio Domingos conversa com a jornalista Lorena Calábria sobre a presença da música negra em seus filmes, que abordam o funk carioca, o álbum Os Afro-Sambas, o cantor e compositor Hyldon, a história da Chic Show, a ascensão da Black Rio e a explosão do Pagode 90. No sábado, Paulo Bellinati, um dos maiores nomes do violão brasileiro, fala das inovações musicais dos Afro-Sambas de Baden e Vinícius e de seu álbum de 1994, em que recria este grande clássico da música brasileira em duo com a cantora Monica Salmaso. E, para fechar a programação de debates, Lorena Calábria apresenta e comenta a sessão do filme Jackson – Na Batida Do Pandeiro, também no sábado.

O In-Edit Brasil em São Luiz do Paraitinga é uma realização da In Brasil Cultural, da Associação Kinoforum e do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. O evento foi viabilizado por emenda parlamentar impositiva indicada pelo deputado estadual Carlos Giannazi e tem o apoio da Prefeitura de São Luiz do Paraitinga, através da Secretaria de Turismo, e do Fórum dos Festivais.

Serviço:

In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical – São Luiz do Paraitinga-SP

De 20 a 23 de novembro de 2025

Sessões de cinema: Mercado Municipal, Biblioteca Municipal

Apresentações musicais: Coreto Elpídio dos Santos (Praça Dr. Oswaldo Cruz)

Conversas: Café Cultural Mai Será o Binidito, Centro Cultural Nelsinho Rodrigues

Programacão completa aqui