Coluna Branding: a alma da marca

Um necessário retorno aos estudos

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No mês do dia dos professores, resolvi escrever sobre a necessidade de valorizar o estudo nessa nova maneira de se fazer comunicação.

Tenho dito que parte do que gera a crise na propaganda, é a mania do mercado publicitário de acreditar que desenvolvimento tecnológico e ineditismo são os pilares para levar a atenção do público às marcas. E, que só isto basta para se ter eficiência.
Assim, desprezam-se princípios, que acredito serem fundamentais para realização de uma construção de imagem, seja ela voltada a compra, à informação ou só ao relacionamento.

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Para mim relevância e dedicação são as palavras chaves para quem quer construir uma marca de sucesso. Neste ponto acontece a necessidade do ESTUDO DE CASO. Gosto de usar como exemplo outras áreas de serviços especializados como médicos, advogados e arquitetos. Nestes casos, o ato prático para qualquer uma dessas áreas sempre está relacionado a um estudo profundo do assunto e não deveria ser diferente para nós comunicadores.

Ao se comprar um projeto de comunicação, deveríamos entendê-lo como mais do que uma forma, mas sim, como uma estruturação de conteúdos com objetivo de gerar uma imagem formal coerente.

Estou lendo um livro de Lucy Niemeyer, chamado elementos de semiótica aplicados ao design. Um livro pequeno mas muito cheio de conteúdo. Nele a autora propõe que em todo projeto de design seja apresentado uma abordagem semiótica. Pergunto: isso não lhe parece completamente válido e plausível?

Não deveria ser a prática recomendada para que um publicitário ou designer apresente a seu cliente no mínimo um projeto semiótico de sua ação de comunicação?

Para mim parece necessário que a própria comunicação desenvolva uma necessária normativa, validada por estudos. A tecnologia muda, o público muda, mas o ato de comunicação não, no máximo evolui sendo que, é totalmente possível estudar e se comprometer.

Enquanto formos um desdobramento do ineditismo, um usuário especializado da tecnologia ou um simples vendedor de mídia, não seremos dignos de especialidade!

Coluna Propaganda&Arte

Como a música pode salvar os comerciais de TV

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A TV aberta nunca desafinou tanto no Brasil. Se antes ela era questionada sobre seus números inflados, hoje sofre com a queda de anunciantes e até gera dúvidas quanto a sua relevância para o público, uma vez que mais de 80% dos brasileiros consideram a internet o meio mais importante em sua rotina, principalmente usando smartphones. (Fonte: IAB Brasil)

Segundo informações do PNT – Painel Nacional de Televisão, a audiência da TV aberta vem caindo consideravelmente nos últimos cinco anos. Destes dados vale ressaltar o declínio de 16% da maior emissora brasileira, enquanto a TV paga se mostra forte com um crescimento de 135%. Apesar disso, o brasileiro tem navegado muito mais do que zapeado, mesmo nos canais pagos.

Por isso, como publicitário e eterno estudante, divago…

Que estamos vendo menos TV tradicional, isso nós já desconfiávamos. Que o smartphone virou a “segunda tela”, nós também percebemos. Diante dessa confusão, orquestrada principalmente pela revolução tecnológica, o que pode ser feito para reconquistar a atenção dos comerciais de TV? Ainda mais na TV aberta?

A resposta pode estar em uma das artes mais antigas do mundo: a música.

Empresas de telefonia, estão apostando em temas musicais repetitivos, com diversas versões e estilos, para conquistar o gosto do público e gerar lembrança de marca. Hora eletrônica, hora uma mistura de sons tecnológicos, nos vemos em um tipo de jogo em que devemos preencher, em nossa cabeça, as notas faltantes da melodia já conhecida.

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Nesse momento, acontece algo diferente. Nossa atenção é atraída, paramos de olhar para o celular, mesmo que por instantes e interagimos de alguma forma com a TV. Foi aí que deu aquele “estalo”: a ideia que inspirou esse artigo! (sim, até as ideias tem som).

Será que eles perceberam que o sucesso dos comerciais agora depende muito mais da música?
Se a TV está ligada, mas ninguém olha para ela, porque estão jogando ou checando aplicativos de mensagens nos celulares, é preciso fazer alguma coisa! Fazer barulho! De preferência um barulho bom. Aí você percebe que algumas marcas estão fazendo algo nesse sentido, criando linguagens sonoras fortes e próprias, como por exemplo grandes bancos e telefonias, mas ainda assim, é muito pouco.

Resumo da ópera: chegou a hora de investir mais em jingles, usar nossa criatividade e musicalidade brasileira em trilhas realmente interessantes. É preciso dar ouvidos às novas tendências e comportamentos dos consumidores, caso contrário o comercial de TV vai se tornar um show cada vez mais sem graça em que o público vai embora, bem no meio da música.

E você? Qual melodia de comercial não sai da sua cabeça ultimamente?

Coluna “Discutindo a relação…”

O desafio de ensinar e aprender

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Minha coluna acabou por cair no Dia dos Professores este mês. E resolvi escrever sobre ensinar propaganda ou, mais amplamente, ensinar comunicação. Vamos lá!

Começo lembrando de uma frase que ouvi em um curso rápido que fiz e que foi ministrado por um grande amigo e companheiro de profissões (professor e publicitário), José Maria da Silva Jr.: “Era fácil dar aula de propaganda até há algum tempo…”

Realmente era mais fácil, embora lecionar qualquer coisa nunca seja tarefa simples e fácil. A propaganda, entretanto, permaneceu presa a um modelo de funcionamento por muito tempo. Embora sempre tenha sido uma atividade dinâmica e meio sem rotina, a propaganda vinha repetindo fórmulas e receitas por décadas.

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As funções em torno das principais áreas – atendimento, planejamento, criação, produção e mídia – permaneciam quase imutáveis, embora algumas tenham aumentado de importância entre os anos 1980 e 1990, caso do planejamento e da mídia. Mas era tudo mais previsível e relativamente lento.

A partir do início dos anos 2000 a tecnologia acelerou tudo. A internet e os meios digitais vieram com tudo e alteraram tudo. Ou quase tudo. O mercado passou a ter dificuldade de apreender o que ocorria e tentar prever e/ou antecipar cenários. De lá para cá já lá se vão quase duas décadas. E as mudanças continuam em ritmo acelerado.

A academia (faculdades e universidades) colaborava com pesquisas, estudos e teorias sobre tudo que vinha ocorrendo.Tentava se manter no olho do furacão e ao mesmo tempo analisar e pensar. Tentava conceituar. Teve bons resultados, mas não foi e nem está sendo tarefa fácil. As mudanças são tantas que tenho dito que quem diz saber o que vai rolar daqui a cinco anos está claramente mentindo.

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Desde então ensinar a tal da propaganda ficou mais complexo. Foi preciso esforço para aprender rapidamente o novo contexto. Para tentar entender de tecnologia. Tivemos que penetrar no universo digital para entendê-lo na prática. Tivemos que buscar novos autores, novas bibliografias, novos cursos e novos professores. Sim, gente nova para ensinar coisas novas.

O aluno também mudou muito. Ele é mais ansioso, menos paciente e apressado. Também quer as coisas mais “mastigadas” e nem sempre está disposto a absorver informação de forma linear e progressiva. Ele checa, no mesmo instante, o que você fala em sala de aula no Google via smartphone. Ele tem a atenção mais fragmentada e dispersa.

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Tenho dito que tudo isso deixou maior o desafio de ensinar. E também deixou mais interessante. É preciso aprender e ensinar quase que simultaneamente. É preciso entender que aquele professor dono absoluto do conhecimento e da verdade sobre propaganda não existe e nem existirá mais.

Também tenho dito que não sei o que estarei ensinando daqui a cinco anos. Só sei que estarei ensinando comunicação. Seja lá como ela estiver até lá. E isso é que é bacana. Isso é que deixa tudo mais legal e desafiador.

Viva os professores de propaganda e comunicação. Feliz dia, meus amigos de profissão!!!

Fica a dica: romeiros, fé e apoio de marcas

Oportunidades

Hoje é dia das Crianças e também dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.E datas promocionais e festivas sempre foram vistas como oportunidades pelo pessoal de propaganda e marketing. Sempre lidamos com o chamado calendário promocional.

A cidade de Aparecida, situada aqui no Vale do Paraíba e onde está localizado o Santuário Nacional, como todos sabem, atrai milhares de romeiros todos os anos. Este ano, entretanto, tanto eu como vários amigos aqui da região temos percebido um volume acentuado de pessoas caminhando até Aparecida pelas margens da Rodovia Presidente Dutra. Não me lembro de ter visto tanta gente como desta vez. Sim, todos os anos o movimento de romeiros caminhando é grande, mas parece ser claro para muita gente que este ano o movimento está maior.

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Estes romeiros estão cada vez mais organizados também. Há grupos de apoio ao longo da rodovia, em todo o trajeto. São familiares, amigos, voluntários. Houve até o caso bastante noticiado de um grupo de outra ramificação religiosa (evangélicos) que montou um núcleo de apoio às margens da rodovia para prestar ajuda aos católicos. Louvável atitude!

Este blog fala de propaganda, marketing e negócios. O que tem a ver com romeiros, Aparecida e religião? Tudo!

Caso você não tenha entendido ainda, fique tranquilo. Você não está sozinho. As marcas também não entenderam…

Deixa eu explicar.

Ao invés de pontos de apoio voluntários e/ou organizados por familiares, por que não um ou vários posto (s) de atendimento de uma marca de água? Ou de chás? Ou de sucos? Ou de refrigerantes? Ou de bebidas isotônicas? Ou de bebidas energéticas (afinal o esforço para se caminhar tantos quilômetros é imenso)?

Imagina o impacto positivo sobre a imagem da marca? Um momento tão especial, único para as pessoas. Uma experiência incrível e que marcará a vida de todos que fizeram a romaria. E por que não associar sua marca à esta incrível jornada?

Os pontos de apoio poderiam ter médicos, enfermeiros, massagistas (sim, as pessoas sofrem com as dores da caminhada) e até mesmo refeições leves (barras de cereais, por exemplo).

Acho uma baita oportunidade! Uma boa ação de live marketing. Em momentos de crise como o que vivemos agora as pessoas se agarram ainda mais a fé. Não é oportunismo estar ali presente com sua marca. É contribuir de verdade e de fato para uma experiência importante de boa parte do público consumidor da nossa região. E de outras também, afinal muitos romeiros que optam por fazer parte do trajeto a pé são de outras regiões do estado e até do país.

Fica a dica! Quem sabe ano que vem?!

Josué Brazil