Coluna “Discutindo a relação…”

Quando a inteligência é artificial, mas a ideia precisa ser humana

Por Josué Brazil (com o auxílio luxuoso da IA)

Imagem gerada pela IA do Canva

A publicidade sempre viveu de boas ideias — e, agora, está aprendendo a conviver com boas máquinas. O avanço da inteligência artificial (IA) virou o assunto do momento em agências, universidades e empresas de comunicação. De assistentes que escrevem textos e roteiros a plataformas que criam imagens, trilhas e até campanhas completas, a IA promete revolucionar o trabalho criativo. Mas, no meio de tanta automação, fica a pergunta: o que ainda é humano na propaganda?

Segundo o relatório “Tendências de Marketing 2025” da Dentsu Brasil, mais de 70% das agências já utilizam alguma forma de IA generativa em seus processos — seja para acelerar brainstormings, produzir variações de anúncios ou prever desempenho de campanhas. O ganho de produtividade é inegável. A tecnologia permite testar centenas de versões de um criativo, entender padrões de comportamento e personalizar mensagens em escala. Só que, como toda relação nova, essa também traz seus dilemas.

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e a ABAP já têm discutido diretrizes para o uso ético de IA em campanhas, principalmente no que diz respeito à transparência e autoria. Afinal, se uma imagem foi criada por um algoritmo, quem assina a ideia? E mais: até que ponto o público deve saber que aquele conteúdo foi gerado por uma máquina? A Kantar (2024) mostrou que 64% dos brasileiros desconfiam de anúncios produzidos inteiramente por IA — um sinal claro de que a tecnologia pode facilitar o trabalho, mas ainda precisa conquistar confiança.

No campo criativo, há também uma inquietação mais subjetiva: será que a IA pode realmente substituir a sensibilidade humana? A publicidade não é apenas sobre eficiência — é sobre empatia, timing e repertório cultural. A máquina aprende com dados; o humano, com experiências. É essa mistura de racionalidade e intuição que dá alma às boas campanhas. Quando a IA acerta, é porque alguém a ensinou a sentir — e isso, por enquanto, ainda não se automatiza.

Busca do equilíbrio

O desafio, portanto, não é escolher entre humanos ou máquinas, mas encontrar o equilíbrio entre ambos. A IA pode ser uma parceira poderosa se usada com propósito: para libertar tempo criativo, ampliar repertórios e democratizar acesso à comunicação. Mas, se usada sem crítica, corre o risco de homogeneizar o discurso e transformar o criativo em operador de prompt.

Siga radicalmente humano!

Em tempos em que até as ideias estão sendo codificadas, talvez o papel mais importante do publicitário seja continuar sendo radicalmente humano — aquele que duvida, questiona, se emociona e provoca. Porque, no fim das contas, nenhuma inteligência artificial sabe amar uma boa ideia como a gente sabe.

Cenp apresenta Brasil Plural: estudo inédito sobre a potência econômica e cultural de marcas brasileiras

Empresas analisadas no levantamento, fora do eixo Rio-São Paulo, movimentam mais de R$ 1,34 trilhão, o equivalente a mais de 10% do PIB brasileiro, reforçando sua relevância para o desenvolvimento do país

O Cenp, Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário, apresenta o estudo inédito “Brasil Plural”, que revela a força econômica e simbólica de marcas fora do eixo Rio-São Paulo. A pesquisa, que percorreu todas as regiões do país, lança um novo olhar sobre a importância das empresas locais, redefinindo o papel dessas companhias no ecossistema publicitário e na vida dos consumidores brasileiros. O estudo focou em 11 estados, que juntos concentram 51% da população do país: Pará (região Norte), Ceará, Pernambuco e Bahia (Nordeste), Mato Grosso e Goiás (Centro-Oeste), Minas Gerais e Espírito Santo (Sudeste), Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Sul).

Conduzido pela Troiano Branding, o levantamento, que não é um mapeamento de lembrança espontânea, mas sim de impacto econômico e cultural, chegou a 370 marcas, sendo 193 de atuação local e 177 de atuação nacional, selecionadas a partir de rankings de faturamento e premiações nacionais. Juntas, essas companhias movimentam mais de R$ 1,34 trilhão, o equivalente a mais de 10% do PIB nacional, evidenciando a relevância do mapeamento.

Entre as empresas analisadas, a pesquisa destacou 22 marcas, uma local e uma nacional de cada estado, conforme quadro abaixo:

*Com atuação em até seis estados. **Com atuação em sete estados ou mais.

Para Luiz Lara, presidente do Cenp, a iniciativa tem um papel crucial no desenvolvimento do setor: “este estudo não é apenas um mapeamento econômico porque ilumina o valor essencial das identidades locais e sua contribuição vital para a vida de milhões de brasileiros. O Cenp, ao viabilizar o ‘Brasil Plural’, reafirma seu compromisso de ampliar o diálogo com essa vasta diversidade, garantindo que o mercado publicitário enxergue e dê o devido valor a todas as vozes e realidades que constroem nosso país”, afirma Lara.

Os resultados mostram que o mercado fora do eixo tradicional de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal é um motor econômico robusto, sustentado por setores estratégicos como a indústria de alimentos e bebidas (58 marcas), o varejo alimentício (44 marcas) e o agronegócio (64 marcas). O ponto central do “Brasil Plural” é a descoberta de que empresas locais e nacionais não competem pelo mesmo espaço simbólico, mas ocupam territórios emocionais distintos e complementares.

Viagem para dentro e para fora

As empresas identificadas foram classificadas como nacionais ou locais. As nacionais são aquelas com atuação em sete ou mais estados, enquanto as locais atuam em até seis estados. De acordo com a análise, desenvolvida pela Troiano Branding por meio da metodologia ZMET® (Zaltman Metaphor Elicitation Technique, que utiliza metáforas e imagens para acessar e revelar significados, pensamentos e emoções profundas capazes de orientar o comportamento dos consumidores), as nacionais promovem uma “viagem para fora”, gerando no consumidor a percepção de modernidade, status e conexão com o que há de mais atual no país e no mundo. Em contrapartida, as empresas locais promovem uma “viagem para dentro”, se conectam diretamente com as raízes, a origem e a identidade pessoal do consumidor e evocam sentimentos profundos como intimidade, cuidado, nostalgia e laços familiares, gerando um senso de orgulho por ver a região prosperar.

Para Lara, o reconhecimento da pluralidade é o primeiro passo para a comunicação eficaz. “Nos últimos anos, temos buscado compreender o universo da comunicação de forma ampla, enxergando-o não apenas como ações e aportes financeiros, mas como um organismo dinâmico que conecta pessoas, culturas, territórios e sentimentos. Falar sobre marcas é falar sobre identidade, orgulho e pertencimento. É reconhecer que cada expressão local, cada jeito de falar e cada memória são capazes de criar significado e gerar valor”, finaliza.

A análise confirma que o local e o nacional se completam, unindo a autenticidade e o vínculo das identidades locais à escala e à perspectiva ampliada das marcas nacionais. Juntas, formam um ecossistema mais potente, no qual cabe à publicidade traduzir, com sensibilidade e ética, a essência de cada uma, respeitando seus territórios simbólicos.

Grandes nomes do mercado nacional e regional trazem tendências mundiais para o Fest´UP Vale

Edição 2023 do Fest’up Vale
Foto de Ana Victória de Cássia Mangini Nery

Ainda dá tempo de garantir ingressos para o evento, que ocorre sábado nos dois auditórios do Departamento de Comunicação e Negócios da Unitau.

Está chegando a hora do Vale do Paraíba mostrar sua ginga, ziriguidum, sotaque e borogodó na terceira edição do Fest’UP Vale, o Festival Universitário de Propaganda, que será realizado no próximo dia 29 de novembro (sábado), das 9h às 18h, no Departamento de Comunicação e Negócios da Universidade de Taubaté (UNITAU), em Taubaté.

Os ingressos do último lote serão vendidos até a próxima sexta-feira e custam R$ 40,00 para estudantes e R$ 60,00 para profissionais neste link. Na plataforma também foi disponibilizada a programação completa do evento.

Entre alguns dos temas que serão abordados no festival estão a criatividade, experiência com o cliente, patrocínio esportivo, o lado B2B do Marketing, a estratégia do riso, comunicação audiovisual em tempos de inteligência artificial e muito mais.

Esse é um dos principais festivais de comunicação e publicidade do Brasil. Com quase 40 anos de história, o Fest’UP é realizado pela APP Brasil (Associação de Profissionais de Propaganda).

Este ano, a organização, que espera contar com a presença de um público de 300 pessoas, decidiu dar um salto ainda maior, convidando algumas das lideranças mais influentes do mercado, grandes nomes da propaganda que irão ocupar dois auditórios. Entre eles, André Kassu, sócio e chief creative officer da CP+B, e Gisele Estefano, superintendente executiva nacional da Rádio e TV Band. Kassu é um dos criativos mais premiados e Gisele é prata da casa.

Segunda edição do Fest’up Vale em 2024 – Foto de Ana Victória de Cássia Mangini Nery

Nessa edição o objetivo é trazer as últimas tendências mundiais da comunicação, mas sem deixar de valorizar a nossa região e os profissionais formados nas instituições regionais de ensino superior.

Para que o festival acontecesse, a organização contou com o apoio de várias empresas: Comunicaê, Globo, Unitau, Verge, Rede Vanguarda, Only Entretenimentos, grupos Band Vale e 012 Comunicação, Locomotiva, TH+ SBT, Parlo, Podcast Bora Escutar, C+ Plus, Eletromidia e Record Litoral e Vale.

O artista plástico Felipe If fará uma intervenção de pintura mural (grafite) patrocinada pela Locomotiva e que depois ficará como legado para o campus de Comunicação e Negócios da Universidade de Taubaté.

Já a C+Plus, uma das apoiadoras do evento, montará um lounge com o objetivo de mostrar aos estudantes que a área de eventos é uma boa opção de carreira.

Fonte: Patrícia Lima (Comunicaê)
12 997866261

International Advertising Association (IAA) chega ao Brasil

International Advertising Association (IAA) chega ao Brasil com parceria global do LinkedIn e liderança de Fabiana Schaeffer, da Netza&CO

Primeiro capítulo na América Latina visa conectar o mercado brasileiro à rede global de criatividade, desenvolvimento de carreiras e sustentabilidade; Brasil é destacado como “melhor exportador de criatividade”

A International Advertising Association (IAA), entidade global fundada em 1938 em Nova York, acaba de ser lançada oficialmente no Brasil – o primeiro país da América Latina a receber um braço da organização. Em parceria global com o LinkedIn, o capítulo nacional ficará a cargo de Fabiana Schaeffer, vice-presidente de Sustentabilidade da IAA global e integrante do conselho mundial, bem como co-CEO da Netza&Co, ecossistema de soluções de marketing há mais de 25 anos no mercado com forte atuação em inovação, conexão de negócios e impacto social.

Fredrik Borestrom, presidente global da IAA e executivo de publicidade digital do LinkedIn, destaca o potencial criativo do mercado brasileiro e ressalta a importância estratégica da expansão: “Quando você entra em uma agência criativa em qualquer lugar do mundo – de Estocolmo a Sydney –, a pessoa mais criativa costuma ser a brasileira. O Brasil é um dos melhores exportadores de criatividade, e queremos trazer essa rede global para cá, mas também levar o Brasil para o mundo”.

Já Fabiana Schaeffer enfatiza o propósito colaborativo do braço brasileiro da associação: “Nosso objetivo é construir pontes entre marcas, agências, universidades e instituições. Queremos ser um espaço de aprendizado, ação e protagonismo de boas ideias, gerando valor real para o setor”.

A atuação da IAA no Brasil está estruturada em três pilares estratégicos interconectados: para a indústria, a entidade atuará como uma bússola global para guiar as transformações do setor por meio de debates, pesquisas e promoção de boas práticas; para as marcas, buscará ampliar visibilidade e engajamento com os diferentes atores da cadeia publicitária, fortalecendo oportunidades de reputação e negócios; e para os profissionais, promoverá o desenvolvimento de carreiras por meio de uma rede internacional de networking, educação e trocas profissionais entre líderes e jovens talentos do mercado.

Com presença em 56 países, a IAA representa todos os segmentos de marketing e comunicação e busca, por meio do novo capítulo brasileiro, potencializar a troca de conhecimento, impulsionar a sustentabilidade e conectar o ecossistema local às tendências e oportunidades globais.