Namoro a propaganda há anos

Por Josué Brazil

Foto de Matt Nelson na Unsplash

Hoje é Dia dos Namorados. Bares, restaurantes e motéis lotados. Lojas de rua e shoppings faturando com a venda de presentes. Casais fazendo juras de amor e trocando carinhos. Tudo muito lindo, de verdade.

Várias campanhas publicitárias expostas em digital, TV, rádio, ooh, revistas, jornais etc. Mas…

Você sabe como surgiu o Dia dos Namorados no Brasil?

Você já se perguntou por que o Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho no Brasil, enquanto em muitos outros países ele acontece em 14 de fevereiro? A resposta tem tudo a ver com cultura, calendário e… propaganda&marketing!

Nos Estados Unidos e em vários países da Europa, o Dia dos Namorados é celebrado no dia 14 de fevereiro, em homenagem a São Valentim (Valentine’s Day), um padre que, segundo a tradição, desafiou ordens do imperador romano e celebrava casamentos em segredo. Ele acabou sendo executado e se tornou símbolo do amor romântico.

Já no Brasil, a história é diferente. Aqui, a data foi criada em 1948 por uma campanha publicitária. O publicitário João Doria (pai do ex-governador de São Paulo João Doria Jr.) foi contratado por uma loja chamada Clipper, que queria aumentar as vendas no mês de junho — considerado fraco para o comércio. A inspiração veio do sucesso do Valentine’s Day no exterior.

A escolha do dia 12 de junho não foi por acaso: é véspera do dia de Santo Antônio, conhecido como o “santo casamenteiro”, muito popular no Brasil por suas associações com o amor e os relacionamentos. A conexão com o santo ajudou a tornar a data mais simpática ao público brasileiro.

Anúncio das Lojas Clipper para o Dia dos Namorados

A campanha deu tão certo que, com o tempo, o Dia dos Namorados passou a ser celebrado em todo o país. Hoje, é uma das datas mais importantes para o comércio, ao lado do Natal e do Dia das Mães — e, claro, um momento especial para demonstrar carinho e afeto a quem se ama.

Rende muito

Sabe aquela música do Seu Jorge que diz “…tô namorando aquela mina, mas não sei se ela me namora…”? Assim é minha relação com a propaganda há muitos anos. Eu sou apaixonado por ela, a namoro há muito tempo… Mas se ela namora comigo não sei…rs

Eu acredito que sim, já que essa paixão por ela me rendeu frutos incríveis: quase vinte anos liderando agências de propaganda (que fundei), mais de trinta anos como professor universitário de propaganda, um casamento com uma publicitária linda (que foi minha aluna) e uma filha que está indo agora para o quarto semestre da faculdade de publicidade e propaganda. Além disso: amigos incríveis, oportunidades incríveis, aprendizados constantes. Mais recentemente a propaganda me deu a chance de atuar na APP (Associação de Profissionais de Propaganda) como diretor regional (Vale do Paraíba) e nacional (APP Brasil, na diretoria de Expansão e Mercados Regionais).

Grandes ideias e grandes campanhas

Dia dos Namorados é data obrigatória no calendário de todo publicitário e publicitária, e de toda agência de propaganda. Principalmente de quem trabalha com contas de varejo.

E esse trabalho anual e constante já resultou em grandes ideias e grandes campanhas ao longo do tempo.

Trago aqui três exemplos mais recentes listados no listenx.com.br/:

Reserva — O amor é simples
Tendo as suas camisetas como um dos principais produtos, a marca de roupas Reserva resolveu mostrar aos clientes que o amor é um ato que não exige muito, podendo ser simples, assim como os produtos que eles vendem. Desta forma, ela conseguiu conversar com os clientes que optaram por itens mais simples na hora de presentear.

Além do mais, presentear no Dia dos Namorados não é tudo. O mais importante é reservar a data para comemorar com quem você ama. Por isso, a campanha da Reserva ajuda a aumentar a conexão com os clientes que enxergam a data desta forma.

O Boticário — Amor é amor
Em sua campanha do Dia dos Namorados, O Boticário decidiu enfatizar que não importa a sua orientação sexual, amor é amor. A empresa introduz uma reflexão com a pergunta: “Como eu poderia explicar isso aos meus filhos?”, enquanto diversos casais compartilham momentos de amor e cumplicidade. No entanto, conforme enfatizado no vídeo, algumas coisas simplesmente não podem ser explicadas, já que todas as formas de amor são legítimas para aqueles que genuinamente amam.

Melissa – Mapa do Amor (2021)
A marca de calçados Melissa apostou em uma campanha interativa chamada Mapa do Amor, um site que permitia aos usuários compartilharem suas histórias de amor geolocalizadas. A ideia era construir um mapa colaborativo com relatos emocionantes, celebrando todas as formas de amor — inclusive amor próprio, amor entre amigos e familiares.

O resultado foi uma ação com alto engajamento digital e emocional, que rendeu cobertura espontânea nas redes sociais e na imprensa. A Melissa também conectou a ação a promoções em sua loja virtual, ampliando o impacto em vendas.

 

Taubaté Shopping recebe exposição sobre o envelhecimento a partir desta quarta-feira (11)

A mostra “E quando eu envelhecer, como vai ser?” integra a campanha Junho Violeta, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a violência contra a pessoa idosa

Promovida pela Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social da Prefeitura de Taubaté, a campanha “Junho Violeta: todos contra violência à pessoa idosa” chega nesta quarta-feira (11) ao Taubaté Shopping, administrado pelo Grupo AD. Com o objetivo de conscientizar a comunidade sobre a violência contra pessoas com 60 anos ou mais, a exposição estará disponível no centro de compras até o dia 17 de junho, no corredor da Pernambucanas.

Com o tema “E quando eu envelhecer, como vai ser?”, a mostra apresenta um ensaio fotográfico com idosos do município realizando atividades em espaços públicos. A exposição retrata a realidade de pessoas com mais de 60 anos, evidenciando como a vida na velhice pode ser promissora e satisfatória. Durante a ação, também serão distribuídas cartilhas educativas sobre o combate à violência contra a pessoa idosa.

“O Taubaté Shopping é um espaço de convivência e informação, por isso receber a exposição é uma forma de reforçar o nosso compromisso com temas sociais relevantes para a comunidade”, destaca Lilian Giacomini, Coordenadora de Marketing do Taubaté Shopping.

Já Ana Cristina Ribeiro, Gerente Geral do centro de compras, destaca: “Acreditamos que o respeito e a valorização da pessoa idosa devem estar sempre em pauta e iniciativas como essa nos ajudam a construir uma sociedade acolhedora.”

Exposição Junho Violeta:

Data: de 11 a 17 de junho

Hora: de segunda a sábado: 10h às 22h; aos domingos e feriados: das 14h às 20h

Local: corredor da Pernambucanas

Retail Media: o ponto de venda como protagonista da nova era da publicidade

Por Richard Albanesi*

O varejo brasileiro está diante de uma grande virada de chave: o ponto de venda está se transformando em canal estratégico de mídia. Mais do que um espaço de transação, o PDV assume, cada vez mais, um papel ativo na construção de marca, influência de decisão e geração de resultados concretos. Essa é a essência do retail media – um movimento global que ganha cada vez mais tração por aqui.

Dados da THE LED mostram que lojas que utilizam painéis digitais registram, em média, um aumento de 32% nas vendas. Além disso, 68% dos consumidores afirmam que a sinalização digital influencia diretamente suas decisões de compra. Estamos falando de uma mudança significativa no comportamento de consumo e, principalmente, na forma como marcas e varejistas devem se comunicar.

Essa transformação não exige necessariamente grandes revoluções estruturais. A simples implementação de displays digitais, por exemplo, pode gerar um aumento de até 24% no tráfego das lojas. O digital no ponto de venda não é apenas decorativo: é funcional, estratégico e mensurável.

E os varejistas já reconhecem essa força. Segundo o mesmo levantamento, 84% consideram que a comunicação digital é mais eficaz para criar reconhecimento de marca do que os canais tradicionais. Isso mostra que o PDV pode – e deve – ser integrado à estratégia de mídia das marcas, com o mesmo peso e planejamento dedicado às demais frentes de comunicação.

O que estamos vendo é o nascimento de um novo território de comunicação, no qual o conteúdo é entregue no momento mais valioso da jornada do consumidor: a decisão de compra. É o instante em que a atenção está focada, o contexto é relevante e o impacto pode ser imediato.

Para acompanhar essa evolução, é fundamental que o mercado publicitário olhe para o ambiente físico com a mesma lógica aplicada ao digital: segmentação, personalização, dados e performance. O retail media oferece tudo isso e com a vantagem de unir experiência e resultado em um único ponto de contato.

O futuro da publicidade passa, cada vez mais, pelo chão da loja. Quem entender isso agora estará mais bem posicionado para capturar valor nos próximos anos.

*Richard Albanesi é CEO da THE LED

Flexibilidade pode ser a força que falta na sua estratégia

O marketing não pode mais se dar ao luxo de ser inflexível

Por Simone Cyrineu*

O comportamento do consumidor muda a cada instante, influenciado por tendências, notícias e contextos que surgem em tempo real. Nesse cenário, seguir planos longos e engessados é uma estratégia arriscada que pode levar à desconexão com o público.

Um exemplo recente que reforça a importância da agilidade é a estratégia de marketing da novela Beleza Fatal, que com certeza você ouviu falar por aí.

De acordo com o artigo, “A estratégia de Beleza Fatal: o conceito de novelão no streaming” publicado recentemente no portal Meio & Mensagem, diferentemente de campanhas mais convencionais, a equipe de marketing adotou um modelo responsivo, baseado em dados colhidos em tempo real e ajustes frequentes, ou seja, ao invés de ter um longo planejamento, o próximo passo era o foco.

O resultado foi um engajamento consistentemente elevado e uma conversa constante nas redes sociais.

Mas o que exatamente podemos aprender com esse caso?

A lição que a divulgação da novela nos traz é que a combinação de planejamento e flexibilidade é imprescindível.

A campanha inicial, pensada para atrair atenção, foi rapidamente adaptada com base nos dados de desempenho e nas reações do público nas mídias, episódios que geravam mais discussão nas redes sociais recebiam reforços publicitários, enquanto os personagens que mais engajavam eram colocados em destaque nas próximas semanas.

Isso manteve a relevância da novela e também criou uma conexão mais forte com a audiência.

Ao adotar essa postura, os produtores demonstraram que não apenas ouviram o público, mas responderam a ele de forma proativa.

Esse é o cerne do marketing ágil: usar dados para tomar decisões rápidas e fundamentadas, permitindo ajustes contínuos e mantendo a campanha alinhada com as expectativas e necessidades do consumidor.

Durante muito tempo, o marketing foi visto como uma disciplina que exigia um planejamento extenso e detalhado antes de qualquer execução.

A ideia de que “se planejarmos bem o suficiente, tudo vai dar certo” ainda permeia muitas organizações. No entanto, a realidade é que o mercado e os consumidores mudam mais rápido do que qualquer planejamento pode prever.

Isso não significa que o planejamento deva ser abandonado, pelo contrário, ele é essencial para traçar direções, objetivos e conceitos.

Mas o segredo está em pensar menor: dividir grandes planos em partes menores, que possam ser testadas e ajustadas ao longo do caminho, em vez de mirar em um resultado perfeito ao final de uma campanha de seis meses, por exemplo, o foco deve estar em conquistas menores e incrementais ao longo de cada semana ou mês.

A estratégia de pensar menor e ajustar continuamente oferece benefícios para qualquer tipo de produto ou serviço.

Ao monitorar dados em tempo real e ajustar a estratégia, é possível garantir que sua mensagem continue relevante para o público.

Campanhas que não estão funcionando podem ser ajustadas rapidamente, evitando desperdícios de tempo e recursos.

Responder às demandas e preferências do consumidor em tempo real cria conexão e aumenta a lealdade à marca.

Ajustes frequentes permitem testar novas ideias e formatos sem comprometer toda a campanha.

Você pode até me perguntar agora: “Tudo isso é muito lindo, mas como implementar no meu modelo de negócio?”

  1. O que é essencial é a vontade e a abertura para adotar uma abordagem mais adaptativa que requer algumas mudanças no modelo de trabalho e de criação.
  2. Invista em dados e tecnologia: Ferramentas de monitoramento e pessoal dedicado à análise em tempo real são indispensáveis para identificar o que está funcionando e o que precisa ser ajustado;
  3. Crie ciclos curtos: Planeje campanhas em sprints, com revisões frequentes, em vez de prazos longos e fixos;
  4. Empodere sua equipe: Dê autonomia para que os times tomem decisões rápidas, sem burocracia;
  5. Teste e aprenda: Encoraje experimentação constante, até mesmo erros podem ser valiosos para encontrar o melhor caminho.

E claro, adotar a mentalidade de “pensar menor” não significa limitar a visão.

É o exato oposto, trata-se de criar uma base sólida para um crescimento mais consistente e significativo, pequenos passos ajustados continuamente podem levar a conquistas maiores e mais sustentáveis.

Assim como na estratégia de Beleza Fatal, o foco está em manter uma relação ativa com o consumidor, garantindo que o marketing esteja sempre em sintonia com o público e suas expectativas.

No final das contas, flexibilidade é força.

*Simone Cyrineu é CEO e fundadora da thanks for sharing