Coluna Propaganda&Arte

Como fazer Propaganda no mosaico de um mundo em pedaços?

Por R. Guerra Cruz

Nos tempos de nossos avós, o mundo parecia se mover em um ritmo mais lento. As novidades chegavam aos poucos, e as mudanças de uma geração para outra ocorriam de forma gradual. Imagine, por exemplo, o tempo que um filme demorava para estrear em terras brasileiras após seu lançamento nos Estados Unidos. Hoje, vivemos em um cenário completamente diferente, onde as novidades chegam a um clique de distância e a comunicação instantânea é a norma.

🌐 Choque Geracional e Redes Sociais

As redes sociais revolucionaram o modo como nos comunicamos e compartilhamos informações, mas também aceleraram o choque geracional. Antes, tínhamos décadas para nos acostumar com as novas gerações e suas peculiaridades. Agora, parece que uma nova tendência surge a cada mês. Isso torna o trabalho dos profissionais de marketing cada vez mais desafiador: como entender e capturar os desejos e visões de mundo de um público que muda tão rapidamente?
Don Tapscott, em “Grown Up Digital”, observa que “a ‘Net Generation’ pensa e processa informação de forma diferente devido ao uso constante da tecnologia”. Ele destaca que entender esse grupo é essencial para compreender o futuro.

🎬 Globalização Cultural e Comunicação Instantânea

Antes da era digital, a comunicação e a transferência de culturas entre países ocorriam de maneira mais lenta. Filmes, por exemplo, levavam meses para estrear em diferentes regiões. Hoje, as barreiras culturais foram praticamente eliminadas, e a comunicação instantânea tornou-se a norma, criando um mercado global mais homogêneo, mas também mais saturado.

Arjun Appadurai, em “Modernity at Large”, discute como a globalização cultural não é um processo passivo, mas sim um conjunto de negociações e contestações entre diferentes grupos sociais, destacando que “os fluxos culturais não são homogêneos, mas sim heterogêneos e híbridos”.

📺 Saturação Publicitária

Antigamente, a publicidade tinha um ar de novidade. Qualquer campanha inovadora causava impacto pelo simples fato de ser algo novo. Hoje, estamos saturados de anúncios por todos os lados, e muitas campanhas acabam se tornando “paisagem”, quase invisíveis para um público bombardeado por informações a todo momento.
Uma notícia da BBC intitulada “Why are we so immune to advertising?” explica que o excesso de anúncios tornou as pessoas mais resistentes e seletivas em relação ao que prestam atenção.

👪 Mudança na Estrutura Familiar

Os jovens estão saindo de casa cada vez mais tarde, influenciados por questões econômicas e sociais. Isso muda a dinâmica de consumo dentro das famílias e, consequentemente, as estratégias de marketing.
Jeffrey Jensen Arnett, em “Emerging Adulthood”, menciona que “muitos jovens adultos estão adiando a independência financeira e a formação de novas famílias devido a incertezas econômicas e sociais”.

🌍 Fragmentação da Opinião Pública

Os pensamentos estão difusos e não temos mais ícones ou famosos de expressão global ou nacional. Em vez disso, temos influenciadores de nicho, especializados, que fragmentam ainda mais a opinião pública e complicam a mensuração de tendências e comportamentos.

Alice Marwick, em “Status Update”, descreve como as redes sociais criaram uma nova classe de celebridades de nicho que fragmentam a audiência e desafiam os modelos tradicionais de publicidade.

📊 Desafios na Mensuração da Opinião Pública

A opinião pública não é mais facilmente mensurada. Embora as tecnologias forneçam uma abundância de dados, esses números muitas vezes não refletem a complexidade dos novos comportamentos.
Nate Silver, em “The Signal and the Noise”, afirma que “a abundância de dados nem sempre leva a melhores previsões e que é crucial separar os sinais reais do ruído”.

💾 Excesso de Dados e Subutilização

Os profissionais de marketing possuem uma grande quantidade de dados à disposição, mas muitas vezes não conseguem utilizar nem 50% de sua potencialidade. As inteligências artificiais podem surgir como uma solução para ajudar na análise e aplicação desses dados de maneira mais eficiente.
Thomas Davenport, em “Competing on Analytics”, destaca que “muitas organizações não conseguem aproveitar totalmente o potencial dos dados que possuem”.

🤖 Influência das IAs nas Campanhas Publicitárias

As inteligências artificiais estão gerando conteúdos e influenciando nos números e resultados de campanhas de SEO e de diversos outros nichos, criando um novo problema de mensuração real.

Stuart Russell e Peter Norvig, em “Artificial Intelligence: A Modern Approach”, por sua vez, destacam um lado mais positivo e explicam que “as IAs estão se tornando fundamentais na análise de grandes volumes de dados e na automação de processos complexos”.

📖 Novas Gerações e a Falta de Questionamento

A geração anterior, que sempre questionava as tradições das gerações anteriores, foi substituída por gerações que nem sabem mais o que devem questionar. A falta de leitura e referências parece ter criado uma geração mais conformista ou simplesmente confusa, o que representa um desafio adicional para os profissionais de comunicação e propaganda.

Mark Bauerlein, em “The Dumbest Generation”, argumenta que “a dependência excessiva da tecnologia tem levado à superficialidade no conhecimento e na compreensão crítica”.

🎨 Mais Criatividade, Menos Ansiedade

Vivemos em uma sociedade líquida, onde tudo é fluido e em constante mudança. Não sabemos ao certo para onde estamos indo, mas uma coisa é certa: as estratégias de marketing precisam evoluir constantemente para acompanhar essa complexidade e continuar sendo relevantes.

Uma notícia do The Guardian, “The age of anxiety: How the future of advertising is changing”, discute como a ansiedade e a incerteza estão moldando o futuro da publicidade e a necessidade de se adaptar rapidamente.

E então, como podemos nos preparar para esses desafios? A resposta talvez esteja em manter-se sempre atualizado, entender profundamente as novas tecnologias e, acima de tudo, nunca perder de vista o fator humano que está no centro de toda comunicação. Afinal, por mais que os dados e as tecnologias avancem, ainda estamos falando com pessoas, e é nelas que devemos focar nossas atenções, mesmo que isso pareça mais desafiador do que nunca nos dias de hoje.

Dança das cadeiras

Mercado um pouco parado…

Nos últimos dois meses parece que o vai e vem de profissionais de comunicação e marketing deu uma desacelerada.

Mesmo assim trouxemos duas movimentações recentes do mercado.

Daiane Marcon Capeleto acaba de ser promovida ao cargo de Diretora de arte na Universidade de Taubaté.

Letícia Corrêa assumiu o novo cargo de Analista de Marketing Pleno no Shopping Jardim Oriente em São José dos Campos.

Marketing Human to Human: como ele fortalece a conexão com os clientes?

Por Renan Cardarello*

E se, ao invés de focar na venda de seus produtos ou serviços, sua empresa priorizasse as relações humanas como centro de suas estratégias? Essa é a proposta do marketing human to human (H2H), uma abordagem que contribui para a construção de conexões genuínas e duradouras entre as partes. Por mais que o conceito já esteja presente no mercado há anos, foi apenas em 2024 que começou, de fato, a ganhar espaço no mundo corporativo, o qual merece maior atenção considerando os benefícios que pode trazer para o fortalecimento da marca em seu segmento.

Imagem de Gordon Johnson por Pixabay

Este conceito vem recebendo destaque diante da conscientização sobre a importância de se criar experiências individualizadas e memoráveis aos clientes, se comunicando com eles de forma mais transparente, autêntica e humana, criando, com isso, relações de maior confiança que os retenham à marca e, ainda contribuam para sua recomendação orgânica.

Não à toa, há alguns anos, pudemos notar uma maior preocupação das empresas em mudar seu tom de voz e posicionamento no mercado, diante de tamanhas mudanças referentes ao comportamento do consumidor e suas exigências – as quais, em sua maioria, se destinavam a aproximar sua relação com o público-alvo. Então, o que temos aqui não é algo inovador, mas um aprofundamento nas questões que têm relação com esse tipo de estratégia.

Esse cuidado pode ser claramente visto em empresas dos mais diversos portes e segmentos, mesmo aquelas “mais famosas” e referências no mercado, como ocorre nos empreendimentos de luxo, como exemplo. Algumas das ações que mais costumam ser adotadas por esses negócios, nesse sentido, são vinculadas a causas sociais, criação do senso de comunidade e uma abordagem mais ética e ligada ao mundo de hoje. Afinal, segundo um relatório especial do Edelman Trust Barometer, 70% da geração Z se diz estar envolvida em causas sociais e políticas, tidos como alguns dos fatores que pesam nesse público ao considerarem os produtos que compram e usam, optando por escolher marcas ecológicas que se posicionam sobre essas questões sociais.

Em outro exemplo prático, o H2H beneficia, significativamente, o setor de infoprodutos e cursos digitais, os quais sofreram um boom gigantesco durante e após a pandemia. Isso porque, com o crescimento dessa esfera, uma movimentação que também a acompanhou foi o marketing de autoridade. Nesse sentido, cursos de gestão de tráfego pago, por exemplo, deixaram de ter o foco no campo de estudo em si e começaram a ser vendidos, principalmente, com ênfase em seus criadores, que acabaram por se tornar grandes influencers no atual mercado do marketing digital. E o que é possível notar na maior parte desses criadores? O foco em um tom de voz humanizado e próximo dos “clientes”. Além, é claro, da copy feita de modo a colocar seus instrutores em um pedestal.

Por mais que, a um primeiro momento, essa nomenclatura possa sugerir algo extremamente recente no mercado e pouco difundido no mundo do marketing digital, na realidade, já estamos em contato com o H2H há muito mais tempo do que imaginamos. Cada vez mais, a partir de agora, veremos esse tipo de comunicação se tornando algo essencial para todo tipo de marca que nasce e busca um contato com novas gerações em seus relatórios de faturamento mensais, e ficar de fora dessa tendência, certamente, será fatal para a prosperidade do seu negócio.

*Renan Cardarello é CEO da iOBEE, Assessoria de Marketing Digital e Tecnologia.

Flix Media estreia mídia programática de cinema no Brasil

Iniciativa oferece automatização na compra de espaço publicitário pensada para o meio Cinema e garantindo audiência e 100% de atenção

A FLIX Media, maior empresa especializada em mídia cinema do país, acaba de anunciar sua estreia na mídia programática. A companhia é a pioneira no Brasil – e uma das primeiras do mundo – na integração de sua rede, com a programação de mais de 2.150 salas de cinema brasileiras, a uma SSP (Sell-Side Platform). Além da mídia em tela, o novo formato de venda acessará as demais propriedades da FLIX, como DOOH e ações especiais.

A integração do inventário e do sistema de programação da FLIX acontecem por meio de uma parceria com a Magnite, que opera no projeto como SSP (Sell-Side Platform) integrada à uma plataforma que opera como DSP (Demanda Side Platform). A estratégia da empresa foi desenvolver uma programática que respeitasse as características e atributos do meio cinema. A venda será feita no modelo de “deals garantidos” onde o time comercial da Flix Media define antecipadamente com agências e clientes a negociação, inventário e segmentação da campanha. Trata-se de uma programática que acessa todo o inventário da mídia em cinema negociado pela FLIX, incluindo espaços premium.

Com esse passo, os anunciantes e agências podem usar ferramentas programáticas para terem uma solução mais completa, acessando um inventário único de vídeo premium e com níveis de atenção sem paralelo, além da possibilidade de acompanhamento do andamento das suas campanhas. Além disso, a programática de cinema, assim como já é feito com as vendas diretas da FLIX, contará com views garantidos e otimização de campanhas, feitos utilizando dados de audiência reais e consolidados pela Comscore.

“Percebemos que esse passo era importante para oferecermos aos nossos clientes mais uma alternativa de compra do nosso inventário premium, ainda garantindo todos os atributos exclusivos da mídia cinema. Queremos através desta iniciativa facilitar e trazer marcas que ainda não contemplam o meio cinema em seus planos de mídia, mas precisam de uma solução mais completa para sua comunicação,”, afirma Adriana Cacace, diretora geral Brasil e Latam da FLIX. “Além da garantia de audiência, a questão da atenção possibilitada por uma experiência imersiva e pela maior e melhor tela de vídeo, diferenciam a nossa mídia e fazem com que as mensagens sejam melhor compreendidas e muito mais lembradas”.

A operação começa com a equipe da FLIX, que vai até agências e clientes, entende suas necessidades e executa uma proposta. Uma vez aceita, tudo pode ser realizado digitalmente. “O inventário disponibilizado via programática é o mesmo que já oferecíamos antes, mas com todas as funcionalidades que esse modelo permite. Esse é mais um passo que estamos dando na direção de responder aos anseios do mercado, especialmente no que diz respeito a digitalização e métricas. Cada vez mais enxergamos o cinema como o melhor player de vídeo que existe, onde marcas conversam com sua audiência com a máxima qualidade de som e imagem e, especialmente, com atenção exclusiva”, complementa Cristiano Persona, Vice Presidente Comercial e de Operações da FLIX Media.

A mesma automatização também permite agilidade na hora de avaliar uma campanha e seus resultados, otimizar recursos e de receber relatórios precisos sobre o alcance de cada anúncio. Ao final do trabalho, como já acontecia antes, o cliente recebe um relatório de pós-venda com um nível de transparência acima da média do mercado, já que o meio cinema conta com os relatórios de venda de ingressos feitos pela Comscore para entregar e garantir a audiência prometida nas campanhas.

“Na Magnite, estamos extremamente entusiasmados com a nossa nova parceria com a FLIX, que possui impressionantes 91% de market share na capital paulista e 93% na cidade do Rio de Janeiro. Esse trabalho colaborativo inovador reforça nosso compromisso contínuo de melhorar a automação do processo de compra e venda entre anunciantes e veículos. Os resultados alcançados até agora têm sido muito positivos e estamos orgulhosos de cumprir, mais uma vez, a missão de transformar o mercado publicitário com soluções avançadas e eficientes”, afirma Salomão Júnior, Vice Presidente de Vendas da Magnite para a América Latina.

Alguns clientes que já estão negociando espaço com a FLIX nesse novo formato são Itaú, GM, Pic Pay, Colgate, MRV e Americanas. E a expectativa é de que esse número cresça, já que muitas empresas atualmente destinam boa parte de sua verba de publicidade a plataformas de mídia programática.

Sobre a FLIX Media

Empresa brasileira especializada na comercialização de publicidade para o mercado de entretenimento, a FLIX Media foi criada em 2011 com o intuito de estruturar e explorar a mídia de cinema de uma forma eficaz, aproveitando todo o potencial e encantamento desse universo. Atualmente, oferece ao mercado soluções inteligentes para proporcionar experiências completas e relevantes tanto para o público, quanto para marcas. Com mais de 2.000 salas espalhadas pelo Brasil, a empresa unificou o mercado da mídia cinema e tem parceria firmada com as redes de exibição Cinemark, Kinoplex, Cinesystem, Centerplex, GNC, Cinépolis, UCI, Moviecom, Reserva Cultural, Cine Araújo, Cineart e PlayArte. Entre as soluções criadas pela empresa está o Flix Channel, canal de conteúdo exibido antes do início de cada sessão e ideal para branded content.

Fonte: Paula Pizzi