Agentes de IA já são porta de entrada para o varejo de bens de consumo, indica Comscore

Imagem gerada pela IA do Canva

Acesso a sites de grandes varejistas via ChatGPT cresceu 181% em um ano e redefine a jornada de compra online

A inteligência artificial generativa passou a ocupar um papel estrutural na jornada de compra online. Dados do estudo Panorama Digital 2025 – Bens de Consumo, da Comscore, mostram que o acesso a sites de grandes varejistas via ChatGPT cresceu 181% em um ano (Paramorana Digital 2025 – Bens de Consumo YoY setembro 2025), transformando a plataforma de IA em um novo ponto de entrada para consumidores que buscam produtos de categorias como moda, eletrônicos, supermercado e itens do dia a dia.

O movimento ocorre em um mercado de grande escala. Segundo a Comscore, o ecossistema digital de bens de consumo reúne 1,2 bilhão de visitantes únicos mensais globalmente em setembro de 2025, considerando consumidores e potenciais compradores que acessam propriedades online de varejo em múltiplas categorias. O Brasil integra o grupo de mercados monitorados no Worldwide Rollup da companhia, ao lado de países como Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido, reforçando a relevância do consumidor brasileiro no cenário global.

Entre os dez maiores varejistas digitais do mundo (Amazon, Flipkart, TEMU, Shein, eBay, Walmart, Apple, Alibaba, Mercado Livre e Shopee), o crescimento do acesso via plataformas de IA sinaliza uma mudança na lógica tradicional de descoberta e consideração de produtos, com impactos diretos sobre estratégias de tráfego, visibilidade e conversão.

“A IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a atuar como um novo ponto de entrada na jornada de compra. O crescimento de quase 200% no acesso a grandes varejistas via inteligências generativas mostra que o consumidor já começa sua decisão em ambientes conversacionais, o que exige das marcas uma revisão profunda de como pensam visibilidade, conteúdo e mensuração”, afirma Ingrid Veronesi, country manager da Comscore no Brasil.

A Amazon mantém a liderança global em escala, enquanto a TEMU se destaca como o varejista que mais cresce no mundo, com alta de 35% ano a ano e 254 milhões de visitantes únicos, impulsionada por sua estratégia de preços e expansão internacional. Plataformas de fast fashion, como a Shein, também concentram a atenção dos consumidores, especialmente na categoria de vestuário, a de crescimento global mais acelerado.

Redes sociais concentram descoberta, interesse e intenção de compra

Além da IA, as redes sociais seguem como um dos principais vetores de descoberta e influência no consumo. Dados da Comscore Social mostram que 139 milhões de usuários adultos do Facebook no mundo demonstram interesse simultâneo na Amazon e em marcas de beleza, evidenciando a sobreposição entre grandes marketplaces e categorias de alto apelo emocional e recorrente (beleza e cuidados pessoais) dentro das plataformas sociais (Paramorana Digital 2025 – Bens de Consumo -Outubro2025)

Em setembro de 2025, os usuários globalmente passam em média 23 horas por mês em redes sociais que concentram quatro funções estratégicas para o setor de bens de consumo: alcance massivo, canal de descoberta, construção de comunidade e formatos de conteúdo comprável. Para marcas que atuam no Brasil, esse ambiente se consolida como um ponto decisivo de influência antes da conversão final em marketplaces ou sites próprios.

“Quando analisamos dados de audiência e interesse nas redes sociais, fica claro que a descoberta de produtos acontece muito antes do clique final. A combinação entre redes sociais e grandes varejistas cria um ecossistema contínuo de influência, especialmente em categorias como beleza, moda e itens do dia a dia”, complementa Ingrid.

Categorias líderes e mudanças no comportamento do consumidor

Do ponto de vista de categorias, Vestuário/Moda e Alimentos/Supermercados/Mercearia lideram o consumo digital global, cada uma atraindo mais de 460 milhões de visitantes únicos mensais (Bens de Consumo, setembro 2025) o que dialoga diretamente com o comportamento do consumidor brasileiro, historicamente engajado com moda, beleza e compras recorrentes online.

Na categoria de Vestuário, os cinco principais players online são a Shein, os varejistas indianos Myntra e AJIO, a plataforma de segunda mão Vinted e a tradicional marca esportiva Nike.

Entre os varejistas focados em alimentos e itens essenciais do dia a dia, o McDonald’s lidera globalmente com 93 milhões de visitantes únicos, seguido a uma distância considerável por serviços de quick commerce como Zomato e DoorDash.

Na Índia, a JioMart se destaca pelo forte ritmo de expansão, registrando um crescimento superior a 28% na comparação ano a ano entre setembro de 2024 e setembro de 2025

Influência cultural e sazonal amplia o impacto nas redes

O estudo também aponta mudanças relevantes no comportamento das novas gerações. Nos Estados Unidos, entre setembro e outubro de 2025, a parcela da Geração Z que valoriza comprar produtos locais cresceu 21% em apenas um mês, durante o período que antecede grandes datas promocionais como Prime Day e Black Friday. O dado indica uma combinação entre sensibilidade a preço, identidade cultural e preferência por consumo percebido como mais próximo ou alinhado a valores locais, uma tendência com potencial de impacto também em outros mercados.

Também durante a Black Friday de 2025 em novembro de 2025, conteúdos no TikTok associados ao evento e ao TikTok Shop estiveram fortemente ligados a termos de beleza e alimentação, evidenciando o peso dessas categorias no social commerce.

Na Índia, durante o Diwali (uma das principais temporadas de compras no país em outubro de 2025), colaborações entre marcas e influenciadores, como Samsung com Kalyani Priyadarsha, Top10 & Funcho e Coca-Cola com Manasvi Vashist, também reforçaram a capacidade do marketing de influência de conectar marcas e consumidores em períodos de alta saturação publicitária.

Esse padrão também se repete em datas globais, como o Natal. A parceria entre Mariah Carey e a Sephora, no início da temporada natalina, gerou 5,6 milhões de ações nas redes sociais em escala global, sendo 3,5 milhões apenas no Instagram, evidenciando o peso das ativações culturais e do capital simbólico de celebridades na amplificação de campanhas de bens de consumo.

“O que os dados mostram é uma jornada cada vez menos linear. O consumidor transita entre feeds sociais, marketplaces e buscas conversacionais antes de decidir. Para o mercado brasileiro, isso significa que compreender onde a audiência está e como ela chega aos pontos de venda digitais se tornou um fator decisivo para planejamento de mídia, investimento e crescimento”, conclui a executiva da Comscore.

Para acessar o levantamento completo, clique aqui.

Vaga aberta para Estagiário(a) de Marketing

A Conexão Conveniada FGV está com vaga aberta para Estagiário(a) de Marketing

Se você é estudante, criativo e está em busca de uma oportunidade para colocar em prática seus conhecimentos em uma empresa referência em educação executiva no Vale do Paraíba e região, essa vaga é para você!

A Conexão FGV integra a Rede Conveniada da Educação Executiva da Fundação Getulio Vargas e oferece cursos de curta e média duração, Pós-Graduação, MBAs e Programas Internacionais.

Estamos buscando estudantes que queiram se desenvolver em um ambiente dinâmico, criativo e estratégico.

Estágio presencial: das 9h às 16h
Aprendizado prático em campanhas reais.
Contato direto com projetos de educação executiva.
Bolsa estágio: R$ 1.000,00/mês

Benefícios:

• Assistência médica;
• Assistência odontológica;
• Vale-refeição;
• Vale-transporte.

Local: CenterVale Shopping – Av. Dep. Benedito Matarazzo, 9403 – Jardim Oswaldo Cruz, São José dos Campos/SP

Envie seu curriculo para: marketing@conexao.com

Oportunidade de Freela de projeto de site

Freela de projeto: WEB DESIGN NO ESTÚDIO

Estúdio Design&Co busca um(a) profissional para desenvolver, de forma freelancer, a estrutura e a experiência de um site para um projeto.

O que a empresa espera de você:

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Envie seu cv e portfólio (se tiver) para:
contato@estudiodesign.co

Assunto: Web Design – Estúdio

www.estudiodesign.co

A era dos agentes: o que a NRF 2026 ensina sobre o futuro do varejo, do crédito e da tecnologia

Por Eduardo Mônaco*

Chegamos ao fim de mais uma NRF – feira sobre o varejo que acontece anualmente em Nova Iorque e traz insights importantes sobre o mercado. Mais uma vez, tive a oportunidade de acompanhar de perto as discussões, agora com o olhar atento para o impacto do mercado de crédito no varejo.

Se em edições anteriores a inteligência artificial era uma promessa, em 2026 ela se consolidou como infraestrutura. Mas o que realmente marcou esta edição não foi apenas a presença da IA em todos os palcos, foi a entrada definitiva do varejo na era dos agentes.

A tecnologia deixou de ser tratada como ferramenta isolada e passou a ocupar o papel de sistema operacional do negócio. Empresas se posicionam cada vez mais como AI-first, desenhando processos, jornadas e decisões a partir de modelos inteligentes.

Esse movimento ficou evidente na apresentação de Sundar Pichai, CEO do Google, ao introduzir o Universal Commerce Protocol, um padrão aberto que permite que agentes conversacionais não apenas recomendem produtos, mas executem transações diretamente no diálogo. Ainda não é algo que veremos em escala imediata, mas aponta para a arquitetura do próximo ciclo do e-commerce.

Da busca ao contexto: quando a jornada deixa de ser “procurada” e passa a ser “vivida”

Um dos insights mais relevantes do evento foi a transição das interfaces. Houve um tempo em que comprar online era sinônimo de acessar um site. Passamos do PC para o mobile e, agora, para a voz, para smart TVs, wearables e dispositivos conectados. A jornada deixa de ser linear e passa a ser situacional.

Estávamos acostumados a “buscar” produtos. O novo modelo inverte essa lógica: os produtos passam a entrar na rotina das pessoas a partir do contexto. É o avanço do content commerce, do conversational commerce e, sobretudo, do agentic commerce, no qual agentes entendem intenção, histórico e momento, executando ações de forma autônoma.

Essa mudança vai além da tecnologia: é essencialmente comportamental — e traz implicações profundas para empresas que operam em ambientes de decisão, especialmente no crédito.

À medida que a jornada de compra se torna mais conversacional, a jornada de crédito tende a seguir o mesmo caminho. Consumidores já recorrem a modelos de IA para entender opções e tomar decisões financeiras. O próximo passo é a oferta de crédito integrada a esses ambientes, de forma fluida e contextual.

Essa transformação também alcança o universo B2B. Gestores de risco passam a interagir diretamente com seus modelos de crédito, solicitando simulações, entendendo decisões e testando políticas em tempo real. Motores de crédito conversacionais representam não apenas uma nova interface, mas uma nova forma de governar risco, estratégia e eficiência. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a atuar como copiloto da tomada de decisão — um futuro que já estamos construindo na Serasa Experian.

Outro aprendizado relevante do evento foi a expansão do varejo para além do transacional. Retail media, serviços logísticos e, sobretudo, embedded finance se consolidam como frentes estruturais de receita em uma indústria que já movimenta mais de US$ 148 bilhões. O desafio passa a ser criar novas camadas de valor, integrando serviços financeiros à experiência do cliente não como complemento, mas como parte natural da jornada.

O futuro das lojas (e das agências): a tecnologia a serviço da humanização

Curiosamente, em meio a tanta automação, um tema foi recorrente: humanização. A loja física não desaparece, ela se transforma. Passa a atuar como hub logístico, centro de serviços, espaço de conteúdo e experiência de marca. Tudo otimizado por IA, mas desenhado para encontros humanos.

O paralelo com o setor financeiro é direto. Agências bancárias deixam de ser pontos operacionais para se tornarem ambientes de relacionamento, aconselhamento e experiência. Temos exemplos do terminal VIP de um aeroporto até um café-coworking.

A tecnologia viabiliza. A diferenciação vem da experiência.

IA como cultura, não como projeto

Talvez o insight mais estratégico da NRF 2026 seja este: IA não é uma tendência a ser “adotada”, mas uma transformação a ser incorporada à cultura organizacional. Empresas que tratam a IA como um projeto isolado rapidamente encontram limites. As que avançam de forma consistente são aquelas que a colocam no centro da educação, da infraestrutura e da governança, sempre com supervisão humana.

Não se trata de substituir pessoas, mas de ampliar a capacidade de decisão, combinando escala algorítmica com julgamento humano.

Volto da NRF 2026 convencido de que estamos entrando em uma nova era: a era dos agentes, dos ecossistemas e da inteligência como infraestrutura. Para o varejo, para o crédito e para a tecnologia, o desafio já não é “se” a IA fará parte do negócio, mas como ela será integrada à estratégia, à cultura e à experiência. O futuro não será definido apenas por quem adotar a melhor tecnologia, mas por quem souber combiná-la com visão de negócio, responsabilidade e foco genuíno no cliente — e por quem tiver coragem de fazer as perguntas certas antes que o mercado imponha as respostas.

*Eduardo Mônaco é vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian