Com o “boom” do streaming e vídeos, o audiovisual é o futuro para as marcas

Por Leandro Alvarenga, CEO da Prime Arte*

Está cada vez mais evidente que o setor audiovisual está passando por transformações drásticas em suas formas de produção. As plataformas de streaming, que já estavam crescendo antes da pandemia, tiveram seu papel potencializado durante o confinamento da pandemia. Já a comunicação entre público e marcas constantemente está sendo feita via vídeos gravados de formas espontâneas nas redes sociais, sem a necessidade de uma grande produção de marketing. Dentro deste cenário, qual o futuro das produções audiovisuais?

Primeiramente, é interessante analisar que, durante o período de isolamento, o consumo de conteúdos audiovisuais se tornou um hábito diário, – de acordo com um estudo divulgado pela Kantar IBOPE Media, quase 99% dos brasileiros assistiram à plataformas de streaming, TV, lives, redes sociais e videochamadas todos os dias. Por isso, diversas empresas começaram a investir neste tipo de plataforma, incentivadas pelos novos comportamentos dos consumidores. A explicação para esse fenômeno é a simplicidade em que esses conteúdos chegam às pessoas de forma muito confortável, já que agora é possível ter acesso a lançamentos de filmes e séries direto de casa por um valor mais barato, ou assistir suas celebridades favoritas muitas vezes ao vivo pela tela do smartphone.

Além disso, as novas produções cinematográficas e a visualização intensa de vídeos já são uma realidade que veio para ficar mesmo após o fim de qualquer traço da pandemia. O novo normal para os cinemas são, de fato, as plataformas de streaming. Observe que, no Oscar de 2021, os filmes produzidos por esses serviços conseguiram ultrapassar os estúdios tradicionais, com mais de 40 indicações à estatueta. Isso confirma o que muitos esperavam: as salas de cinema vão continuar a existir, mas com menos força e relevância.

Já as marcas descobriram que o formato de vídeos só beneficiaram os negócios ao notarem o poder da conexão criada com o seu público nesse período. Ainda assim, o papel das produtoras audiovisuais não muda, apenas se adapta. Nesse movimento de transformação, o audiovisual e seus profissionais são o futuro. O mundo gira em torno de imagem e som.

É importante que as empresas comecem a arriscar e acompanhar as mudanças digitais, modificando seus processos, soluções e produtos. O modelo tradicional com que o audiovisual foi consagrado já não é viável. Agora, além da qualidade de um vídeo não ser o mais importante, e sim, a mensagem que ele traz, qualquer pessoa com um celular na mão, um programa mediano de edição e um bom olho, pode produzir algo eficiente e poderoso.

Imagem de Tumisu do Pixabay

O mercado abriu um leque maior de oportunidades, até para aqueles que não possuem um background relevante de cinema ou de TV, mas dispõem de ferramentas tecnológicas capazes de sobrepor a qualidade da produção audiovisual. Muitas vezes, tornando-a algo secundária, portanto esse nicho precisa caminhar conforme as outras áreas. A comunicação atual demanda tecnologia. Cada vez mais os consumidores querem ver conteúdos personalizados, que sejam direcionados para os seus interesses, e muitas marcas já entendem isso.

O streaming e a nova forma de consumir vídeos não devem ser interpretadas como uma ameaça para o audiovisual. Essa realidade veio para ampliar o potencial desse setor, expandindo cultura e informação, inovando em criatividade e inclusão, e gerando empregos. Não há o que temer, porém, é melhor que todos se preparem. O momento pós-pandemia para o segmento será muito mais digital.

*Leandro Alvarenga é CEO da Prime Arte, produtora audiovisual especialista em tecnologia

Coluna “Discutindo a relação…”

Uns + uns = todo

Antes de qualquer coisa… Que título é esse, Josué?! Enlouqueceu? Esqueceu que é professor de redação publicitária?!

Calma. Vou tentar explicar.

Tenho dito a algumas pessoas com as quais tive a oportunidade de conversar (boas conversas) nos últimos dias que quando recebi o convite para retomar a APP (Associação dos Profissionais de Propaganda) do Vale do Paraíba o meu primeiro impulso foi recusar. Mal havia me ambientado no cargo de diretor da unidade de ensino na universidade em plena pandemia.

A conversa em torno da ideia com o Toni, da Executiva Nacional da APP, acabou me fazendo aceitar. Isso porque ao longo da conversa foi ficando claro para mim que aquela era a oportunidade de tentar alcançar algumas coisas em relação ao mercado. Coisas que acredito que sejam necessárias e quase urgentes.

A primeira delas: precisamos resgatar a ideia de um mercado de propaganda na nossa região. Em conversas com algumas pessoas próximas do mercado já há algum tempo venho percebendo que essa ideia não existia mais. Era cada um cuidando do seu negócio. Até os veículos, que na minha época de agência muitas vezes faziam o papel de aglutinadores, haviam se afastado dessa ideia.

Imagem de mohamed Hassan do Pixabay

A segunda delas: eu sou professor de publicidade e propaganda. Torço pelo sucesso de meus alunos e ex-alunos e quero um mercado forte, atraente e que segure aqui os muitos talentos que todas as universidades e faculdades da região formam. Quero um mercado próximo da academia e a academia perto do mercado. Um mercado promissor garante empregos, vagas e muitos alunos buscando os cursos da área de comunicação e marketing.

A terceira delas: a mais motivadora, talvez. O mercado precisa ser pensado e construído a partir de um pensamento coletivo de colaboração, parceria, troca e busca por excelência. As demandas dos clientes são cada vez maiores (isso gera inúmeras especificidades e áreas de especialização) e dar conta de tudo fica quase impossível para as agências de propaganda/comunicação e as assessorias. Ainda mais na nossa região em que verbas não tão grandes resultam em estruturas enxutas. É preciso juntar forças, buscar parcerias para somar expertises e entregar resultado. É não olhar o outro apenas como concorrente. É olhá-lo como parte de seu mercado e como um provável parceiro em algumas demandas. É isso!

A bola da vez é a colaboração, a troca, o diálogo. A bola da vez é parar de falar mal do mercado de propaganda regional. A bola da vez é parar de falar mal dos players que disputam esse mercado com você.

É matemática maluca, mas das boas. Uns + uns = todo. Players de propaganda e marketing trocando e colaborando, construindo uma ideia de mercado constroem um todo. E, podem acreditar, o todo é mais importante que cada um. Sem o todo, o mercado forte e consistente, com boas práticas, cada um vai sofrer mais. Uns e uns devem trabalhar pelo todo.

Precisamos do todo. Precisamos resgatar o nosso mercado. Mostrar que ele existe. Que está aí e que é importante para a economia e os negócios de nossa região e até do país.

Embarca nessa ideia comigo?!

Coluna Propaganda&Arte

E quando a Propaganda não é o problema, mas sim o Produto?

Eu já trabalhei com diferentes perfis e tamanhos de empresas. Não tem problema você ser uma empresa pequena se você tem claro seus objetivos. O problema é quando você encontra uma empresa que não sabe responder algumas perguntas-chave como “quais são seus diferenciais?”, “quem são seus concorrentes?”, “como o cliente consome e decide consumir seu produto?”, dentre outras perguntas para um desenvolvimento básico de plano de marketing e, por consequência, um trabalho de marketing digital.

“Eu não tenho concorrente”

Todo mundo escuta isso alguma vez na vida quando trabalha com propaganda, estratégia ou negócios. A consultoria que realizo hoje me deu flexibilidade para lidar com esse tipo de “fato”, baseado 0% em dados e 100% em achismos. Nenhum produto é tão revolucionário a ponto de não ter concorrentes diretos. Concorrentes indiretos nem se fale. Eu sempre deixo bem claro que primeiro o empresário precisa arrumar a casa, entender seus objetivos, diferenciais percebidos pelo cliente e benefícios reais do produto. Não pode ser achismo. Eu até brinco: me mande diferenciais reconhecidos pelos clientes, me manda o print do cliente enaltecendo esse diferencial no seu WhatsApp ou nos comentários da rede social. Precisamos de dados!

Os 4 Ps mudaram no digital, você deveria mudar também

O Marketing nos pede que analisemos os 4 Ps, ou seja, Produto, Preço, Praça e Promoção de uma empresa para qualquer planejamento estratégico. Isso se mantém no digital e nas tecnologias novas.

O novo Produto

O seu produto não pode ser vendido pelo digital? Se você vendia livros impressos antes, agora temos e-books. Se você dá suporte técnico, pode oferecer vídeos com dicas e tutoriais?

O novo Preço

Se você recebia os pagamentos em dinheiro na loja física, talvez agora você precise gerar cupons, aceitar pix e até criptomoedas. Seu valor pode ser sua imagem, autoridade ou seu conteúdo. Já pensou nisso?

A nova Praça

O local que você está, sua praça, mudou. Um site bem feito, uma loja virtual, pode ser muito mais importante que dar aquele tapa na fachada da sua loja física. A sua nova cara é a rede social (seu perfil do Instagram, só para dar um exemplo simples).

A nova Promoção

E por último, precisamos entender que a Promoção evoluiu. Não fazemos tanto TV, mas temos muito conteúdo no Youtube. Não temos mais revistas em peso, mas os aplicativos oferecem espaços para divulgação direcionada pensando na geolocalização do cliente. As promoções de massa foram substituídas aos poucos por ações pontuais, direcionadas e personalizadas que só o digital pode fazer. Isso não quer dizer que as mídias de massa, como a TV, morreram. Prova disso é o sucesso de cases como da Globo com o Big Brother, mas até isso mudou, pode ter certeza, integrando ações nas redes sociais.

Você já pensou em quanto você pode evoluir os 4 Ps da sua empresa? Talvez começando pelo primeiro P de Produto?

Se o seu produto for um problema, não tem propaganda que resolva. Vamos arrumar a casa?

Coluna “Discutindo a relação…”

É bom, mas é ruim

Durante um bom tempo na propaganda brasileira fomos inspirados por grandes profissionais. Mulheres e homens que atraiam todos os olhares e ouvidos e geravam uma enorme atração para a profissão e a atividade de propaganda. Durante esse período que durou – provavelmente e no máximo – até a primeira década dos anos 2000, muitos dos jovens que entravam nas faculdades de propaganda eram influenciados por estes ídolos.

E isso era bom!

A profissão de propaganda frequentava a novela das oito da Globo. E as publicitárias e publicitários das novelas eram chiques, sexys e bem resolvidos financeiramente. Além de tudo isso tinha a criatividade. Ahhh, a criatividade! Que legal seria ter ideias incríveis e colocar um comercial na Globo e uma página dupla na Veja!!!

Essa fase foi importante para a propaganda. Mas passou…

E veio uma era em que o trabalho publicitário é mais horizontal. Não é mais Romário (ou Pelé, Ou Zico, Ou Maradona, ou Messi) e mais 10. Não tem mais o cara ou a cara que é o craque que atrai multidões. O negócio agora é equipe, é time. A propaganda ficou mais colaborativa, mais ágil e com menos… brilho.

E isso é bom!

Muito embora os jovens talvez já não se sintam tão atraídos pela profissão porque não há grandes estrelas – e isso se reflete diretamente na queda de entrada de alunas e alunos nos cursos de publicidade e propaganda – acredito firmemente que a atividade publicitária ficou mais legal.

Então… é bom, mas é ruim.

Vamos – nós da educação ao lado do mercado – ter que buscar caminhos e soluções para que, mesmo nesse modelo horizontal e sem os grandes figurões ou figuronas, possamos mostrar que a propaganda ainda é criativa (mais do que já foi), atraente, sexy, divertida e uma baita opção de carreira. As agências têm que voltar a ser um lugar realmente bacana pra se trabalhar. A gente tem que trabalhar para mostrar pra garotada que tá lá no ensino fundamental e médio que esse negócio de ser publicitária e publicitário é muito legal!

Vamos nessa?