Coluna “Discutindo a relação…”

Não há motivo para fazer igual

Josué coluna correto

Por uma série de motivos diferentes, nas últimas semanas, tive a oportunidade de conversar pessoalmente com alguns proprietários de agências de propaganda (?). As conversas foram ótimas e bastante produtivas. Adoro falar sobre o negócio da propaganda (?) como um todo, principalmente com lideranças inteligentes.

Ouvi coisas interessantíssimas nestas conversas. principalmente em relação ao modo de atuar de algumas empresas. Ouvi muito da busca de um novo modelo de atuação para as empresas que lidam com comunicação e todos os seus (muitos) desdobramentos e novas possibilidades.

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Ouvi destas empresas com quem conversei novidades quanto ao modo de lidar com clientes, indo muito além da propaganda – por isso as interrogações entre parenteses no primeiro parágrafo – e do mero fornecimento de peças de comunicação. Ouvi que eles buscam novos tipos de clientes, novas maneiras de se remunerar e novas maneiras – o mais importante, creio – de serem percebidos e entendidos pelos clientes.

Sim, ouvi coisas animadoras. Trabalhar por projetos e não por fee, cobrar como consultoria, assessorar na gestão das empresas clientes, praticamente banir a remuneração por comissionamento e o modelo cristalizado muitas vezes imposto pela mídia tradicional. Trabalhar com equipes pequenas e com muitos trabalhos feitos por gente criativa de diferentes áreas e atuando independentes da agência, trabalhar com co-criação.

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Aliás, com todo respeito que eles merecem e devem ter, ouvi críticas (coma as quais concordo) sobre o modo de atuação das áreas comerciais das mídias de massa. Uma das principais é a de que eles não querem que nada mude no que se refere à relação cliente-agência-veículo, mas sem levar em conta que quem realmente mudou foram as pessoas e o modo como elas consomem comunicação e informação e, por consequência, marcas, produtos e serviços. Então não dá pra ficar no velho modelão. E muitas (agências) reclamam de uma pressão exagerada e desnecessária de alguns veículos sobre elas.

Deu para perceber que uma nova leva de agências de propaganda/comunicação, ou seja lá qual for o nome que possamos lhes dar, não vê mais no tradicional modelo de atuação o grande sonho a ser perseguido. Muitos recusam o modelo das grandes agências tradicionais. E buscam novos. E implantam novos.

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Cannes terminou recentemente e trouxe, mais uma vez, muitos questionamentos sobre a atuação da indústria de propaganda. Há muitos modelos de negócios fora do tradicional, do modelão. Em uma entrevista recente da ProXXIma com Nick Law, o lider criativo global da R/GA – uma das agências internacionais mais fora da curva que conheço – afirmou: “Sempre haverá espaço para certo tipo de propaganda, mas isso vai encolher. Em último caso, alguns formatos deixarão de existir. Aliás, é possível que nós, como indústria, encolhamos ao fazer essa transição.”

Tal afirmação parece assustadora, principalmente para nós brasileiros em função da crise econômica, mas ao mesmo tempo dá claros sinais de que as coisas já estão diferentes. E devem estar mesmo. E precisam ser encaradas com novas abordagens.

O questionamento que deve prevalecer agora não é o de por que fazer diferente, mas sim se há motivos suficientes para continuar fazendo o igual, continuar repetindo o modelão.

Pensemos, pois!

Coluna {De dentro pra fora}

O outro lado da moeda (ou um roqueiro num show de axé)

Vitor coluna

Depois de storytelling e conteúdo, a nova palavra do momento é engajamento. Em digital, a gente ouve muito sobre público engajado. Em Comunicação Interna não é diferente. Toda empresa quer ver seus empregados engajados. Vestindo a camisa, pra sermos mais leves e próximos. Pode vasculhar os briefings dos últimos tempos. Sem dúvida, engajamento vai estar entre os objetivos. Como se fosse assim: bum! Despertamos o engajamento. Não vou me aprofundar em definições de engajamento, mas partimos do princípio de que todos sabem que engajamento não é um botãozinho que será acionado e mudará tudo na mente do empregado. Muito menos que apenas comunicação será capaz de gerar engajamento.

Entendido isso, começa a batalha de RH e comunicação para o tão desejado engajamento. É pesquisa, é imersão, é alinhamento estratégico, é desenvolvimento de pessoas, é retenção de talentos, é clima organizacional. Movemos tudo para conseguir um nível de engajamento melhor. É pra funcionar, mas tem um fator muito importante nisso tudo. É o que eu chamo de o outro lado da moeda: o empregado.

Não dá pra engajar um roqueiro num show de axé. Ele pode até ir pra micareta em pleno Carnaval. Talvez como uma prova de amor! Porém, não dá pra sustentar isso por muito tempo. Ele vai, vive aquele momento e depois volta pro bom e velho rock. Vai ver o som que toca no carro dele!

Deixando essa comparação clara: o empregado precisa ter a mesma visão da empresa. Os valores precisam ser, pelo menos, parecidos. Se a empresa pensa de um jeito e o funcionário totalmente de outro, será quase impossível um engajamento verdadeiro. Ele poderá se envolver em um ou outro momento, mas não será algo constante. E inconstância afeta muita coisa no dia a dia profissional.

Resumindo: vai procurar um emprego ou contratar alguém? Cruze a cultura, a missão, a visão, os valores da empresa com os do candidato. Eles precisam ser coerentes. Os dois precisam ter uma visão de mundo parecida e um jeito de agir semelhante. E não me venha com essa história de que os opostos se atraem, rs. Não estou dizendo que a empresa não terá pessoas diferentes, de pensamentos distintos e plurais. Mas os pilares culturais precisam ser semelhantes para essa relação funcionar melhor.

Quando as empresas considerarem isso, o engajamento será quase natural. Quando você trabalha numa empresa em que você acredita e faz o que acredita, o envolvimento é espontâneo.

O engajamento nasce nos interesses comuns, quando o empregado acredita na empresa e quer fazer parte do que ela está fazendo no mundo. Dificilmente ele será despertado em uma campanha. É um processo que começa lá na seleção do candidato. Se queremos engajamento, precisamos dos empregados certos.

Coluna Alerta Spoiler

Um filme nacional com uma proposta diferenciada

Coluna Alerta Spoiler

Entre Nós, um termo usado por nós para demonstrar um tipo de situação de segredo ou intimidade. Mas, nesse caso entre nós é um filme nacional, que conta com atuações de Caio Blat, Paulo Vilhena, Carolina Dieckemann, Maria Ribeiro, Martha Nowill, Julio Andrade e Lee Taylor.

Uma proposta diferente que nosso cinema quis nos oferecer, saindo do comum e que mistura comédia com nosso drama social da desigualdade, Entre Nós, prende nossa atenção diante de um mistério simples, porém muito bem construído dentro de um drama entre sete amigos.

Logo no inicio, uma sequencia de cenas que mostra companheirismo, apresenta, Rafa, Gus, Lucia, Drica, Silvana, Casé e Felipe, sete amigos que aparentam ter uma irmandade sem igual, sendo recíproco um com o outro, tinham o costume de se encontrar em certa época do ano na casa de campo de Silvana, onde ficavam fazendo coisas que a idade e a juventude pedia e eles queriam. Rafa e Felipe, tinham a ‘’ganancia’’ de escrever um livro, e talvez viver disso. Rafa já tem o dele quase pronto e Felipe ainda tem um pouco de dificuldade para chegar a algo concreto do livro.

O primeiro conflito, aparece logo quando Rafa e Felipe vão até a cidade buscar mais bebida. Rafa diz que terminou seu livro, e enquanto um lê o outro conduz o carro, mas uma brincadeira estupida de Felipe causa um acidente resultando na morte de Rafael.

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O conflito e o drama da historia é todo em torno da morte de Rafael e sobre seu tal livro que ninguém além de Felipe leu. O roteiro foi bem cauteloso, não nos escondendo exatamente o que tinha acontecido, mas deixando na verdade no ar a real situação.

O longa começa datando 1992, nos mostrando o inicio de tudo, até o acidente, pulando para 2002 para nos apresentar como os 6 amigos agora estão (lidando com a perda do amigo) após dez anos.
O cuidado do roteiro do longa é a graça de tudo, logo nas cenas iniciais mostra o carisma total que Rafael tinha com todos. Há uma cena em que um passarinho cai de uma árvore e Rafa quase cai do barranco só para ajudar a ave.

Logo depois mostra o oposto: Felipe vê um besouro de patas para cima e ao invés de ajudar simplesmente ignora. Claro, que não se compara um pássaro a um besouro, porém dá para percebemos logo de cara o caráter dos amigos.
Antes do acidente, os sete tinham escrito uma carta e enterrado, com a promessa de ler após dez anos.

O plot do filme é sobre o amigo que é o personagem de Caio Blat, Felipe. É construído em cima de um ar de mistério, feições pesadas e como se algo em sua mente o culpasse – ele rouba o livro do outro amigo após sua morte, e finge ser de autoria dele, mas esconde isso de sua esposa e dos seus amigos.

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Além desse drama inicial, o longa gira em torno dos dramas internos de cada amigo, no caso de Drica e Casé, que é um casal, Drica quer ter filhos e Casé não. Lucia é livre e não tem problemas que a afligem, tirando a falta que ela sente de Rafa e a curiosidade sobre o que o livro dizia. Lucia é ex de Gus, mas é atualmente esposa de Felipe, que subiu na vida vendendo o livro do amigo e colocando o seu nome. Gus, não esconde a falta que sente de Lucia, mas o tempo passou.

O filme nos mostra bastante também como o passar do tempo muda as pessoas. Mostra o amadurecimento e as mudanças de pensamentos conforme o tempo vai passando e com as consequências de nossos atos.
Vemos nitidamente que a ideia do filme é nos trazer uma proposta diferenciada. Sua produção e fotografia comparada aos filmes que temos nacionais é diferente . Percebemos que estamos em uma nova fase do cinema nacional.

Temos bastante cenas paradas, apenas com sons ambientes, contamos também com uma coloração diferente, bastante paisagem natural e uma paleta de cores puxada para o marrom, vemos um pouco do cinza azulado, do ferrugem, do vinho, cores que causa aquela sensação de casa de campo, tempo frio e natureza.
O enquadramento das cenas é simples, fechadas e abertas quando necessária para mostrar a integração dos amigos.

O tempo em que se passa o filme é o ano de 2002. Em conversas dos amigos são discutidas coisas como o futebol e até a política da época, citando o ex presidente Lula. Algo que é diferente dentro de diálogos dos nossos longas nacionais, quando o foco não é ‘’criticar’’ o país.

A pena é não termos um plot twiste no fim do filme, o que acontece após o acidente fica um pouco previsível sobre o que vem em seguida, quebrando o plot que poderia ter.

No fim, Lucia acaba descobrindo o que Felipe fez, e Silvana também, mas ambas não fazem nada.

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Lembram do besouro que citei no começo? Então, ele aparece duas vezes depois, uma perto de Lucia que se assusta e grita, e Felipe apenas olha, e no final. Quando Lucia e Felipe estão indo embora, Gus olha para a sacada de madeira da casa e vê o pobre besouro virado para cima. Cuidadosamente pega e o vira para o lado certo. Acabando o filme fica no ar se a vida dos seis amigos agora irá seguir o rumo que eles realmente queriam.

Ganhamos também de brinde nesse filme cuidadosamente construído, música de Caetano Veloso, que os próprios cantam em roda para se divertirem.

E para finalizar, lembram também do tal pássaro que Rafael salva? Foi esse tal pássaro que ele salvou que deu inspiração para que Rafa terminasse seu livro com chave de ouro.

‘’Meus queridos companheiros, de fumo e de cana, em dez anos talvez não sejamos mais tão próximos, mas espero que esse momento esteja tão repleto de carinho e sacanagem quanto nossos dias nesse presente que nos parecera talvez, tão distante. Só torço para que quando me olhar no espelho ainda me reconhecer. Quem vamos encontrar? Teremos mudado o mundo, ou o mundo a gente? E se mais uma vez uma pedra fizer três amigos um só, então serei de novo um menino cuja infância se mistura com o desejo, salvando um pássaro como a si mesmo, puro, ingênuo, quase homem… Que puta saudade do que fomos. ’’