Vamos falar mais um pouquinho do universo da comunicação digital e do marketing digital
Por Josué Brazil
A chegada das tecnologias digitais, da internet e, por consequência, das redes sociais, mudou drasticamente o cenário da comunicação, do marketing e da propaganda.
A comunicação digital institui uma nova forma de comunicação afetando o conjunto das relações sociais, não apenas as estritamente comunicacionais, mas em todos os níveis, na comunicação relações pessoais, interpessoais, no trabalho, nas instituições, na indústria
Joseph Jaffe, autor do livro O declínio da mídia de massa, afirma que em apenas uma geração o poder saiu das mãos do marketing e foi para as mãos dos consumidores.
Imagem de Karolina Grabowska por Pixabay
As marcas, que antes impunham um discurso, agora são praticamente obrigadas a dialogar com seus públicos. A comunicação passou a ser uma via de mão dupla. E os anunciantes, as empresas de modo geral, perceberam que, de uma vez por todas, o poder estava migrando para as mãos dos consumidores.
Com o digital, a internet, os buscadores e as redes sociais, o consumidor virou prossumidor. Ou seja, ele agora não só consome comunicação: ele a comenta, interage instantaneamente com ela, a ressignifica e, o mais complexo, ele produz sua própria comunicação. Sim, no cenário de comunicação digital cada pessoa passou a ser um canal.
As pessoas também deixaram de ser meras expectadoras e passaram a ser interatoras. Elas não mais recebem comunicação passivamente. Elas reagem, devolvem, dialogam. Elas interagem. E pobre da marca que não interagir com seus públicos.
Antonio B. Duarte Jr. afirma: “A tecnologia digital oferece todas as possibilidades já exploradas na imprensa escrita, no rádio e na televisão, com duas vantagens: a velocidade e a interação. O indivíduo não fica somente no papel de receptor passivo, há a possibilidade de escolha, há decisões a serem tomadas.”
Dentro deste cenário surge o marketing digital. Ele pode ser enetndido como o conjunto de ações de comunicação que as empresas podem se utilizar por meio da Internet e da telefonia celular e outros meios digitais para divulgar e comercializar seus produtos, conquistar novos clientes e melhorar a sua rede de relacionamentos.
Ou seja, o marketing digital traduz-se em ações de Marketing adaptadas aos meios digitais, de forma a obter, nestes canais, a mesma eficiência e eficácia do marketing tradicional e em simultâneo potenciar os efeitos do marketing tradicional. Na sua operacionalização são, normalmente, utilizados canais, meios e ferramentas digitais.
Do ponto de vista da indústria da comunicação, o cenário digital trouxe novos desafios, mas também novas oportunidades. E claro, novas funções, cargos e profissões.
De acordo com o Think With Google, 63% das jornadas de compra se iniciam online. As pessoas passam cada vez mais horas nas redes sociais, consumindo conteúdo, pesquisando preço e adquirindo novos produtos.
Isso significa que as marcas que não estão presentes no digital, ou que não tem um bom posicionamento, já saem atrás da concorrência na disputa pela atenção do consumidor.
Imagem de Gerd Altmann do Pixabay
Por isso é fundamental ter as empresas bem posicionadas no espaço digital, principalmente nas redes sociais. O responsável por fazer isso com excelência é o setor de marketing. Por isso, deixo algumas dicas sobre como construir esse setor dentro de uma empresa.
Primeiro passo: terceirizar o serviço ou montar um time internamente?
Ter um grupo de pessoas imersas, olhando e respirando a cultura do negócio, e dedicando 100% da sua energia produtiva, é muito melhor do que uma equipe que está atendendo outras empresas, simultaneamente. Na prática, ter o próprio time é muito mais poderoso porque trará mais resultados. O oposto disso acontece quando se deixa o marketing nas mãos das agências, que influenciam em desempenhos e resultados inferiores.
Mas, o que acontece na realidade é que a maioria das empresas não possuem recursos para investir em um time próprio de marketing. Nesse caso, a melhor solução é terceirizar o serviço. Por mais que os resultados sejam menores, eles existem.
O importante é ter um marketing ativo dentro da empresa, porque ele será responsável por gerar demanda e, consequentemente, pela expansão da organização.
Encontre um bom head
O piloto do time será o Head. Por isso, ao decidir montar um time, o primeiro passo é encontrar a pessoa que vai ser a cabeça desse grupo.
Essa pessoa precisa ter um combo de skills, sendo as principais:
Conhecimento em marketing;
Visão empreendedora;
Entendimento sobre alocação de recursos;
Ter um perfil analítico;
Ter habilidades de liderança.
Depois de conhecer a fundo esse profissional, identificar as habilidades e ver os resultados que estão sendo gerados para a empresa, uma possibilidade é fazer com que ele também seja um membro decisor no conselho.
Por onde começar a contratar?
Com o head definido, é ele quem vai dar início as próximas contratações. É esse profissional que vai planejar e dizer quais são os cargos que precisam ser preenchidos no primeiro momento.
Nessa etapa, é muito importante ter definida a pessoa que vai dar a direção e o planejamento das ações, para só então começar a contratar os especialistas em copywriting, design, e outras funções.
Sobretudo, se o investimento para admitir os profissionais não for o suficiente, uma opção é reter um profissional multidisciplinar e aproveitar o advento das inteligências artificiais para agilizar as tarefas.
Qualificando e treinando a equipe
No início, o ideal é refinar o conhecimento teórico por meio de cursos e treinamentos, e depois abrir espaço para aplicar tudo na prática.
A partir da prática, o líder direto começa a lapidar as habilidades com feedbacks. Ele vai apontar o que está bom e o que precisa melhorar, vai trazer referências e novas fontes de aprimoramento. Esse é o processo de rampagem pelo qual todos os profissionais precisam passar.
Mantenha o time motivado e produtivo
A melhor forma de manter o time motivado e engajado com o propósito da empresa é dar uma visão de futuro e de crescimento para o colaborador.
Mesmo assim, é difícil manter todos motivados e com a mesma energia. Com isso, alguns se destacam e outros acabam se mostrando incompatíveis com a cultura da empresa. As pessoas erradas vão sair naturalmente. É assim que se começa a construir uma cultura forte e um ambiente mais agradável.
Olhe onde ninguém mais está olhando
É fundamental começar pela performance, gerar demanda para a equipe comercial vender. Quando o capacity do comercial estiver 100% ocupado com as demandas que o marketing está gerando, significa que a equipe teve sucesso na primeira etapa.
A partir disso, o marketing começa a gerar ROI (Retorno sobre o investimento) para a empresa, e aí sim é a hora de ir para a segunda etapa: investir na parte subjetiva, como o branding.
Depois, o foco é projetar e gerar reconhecimento de marca, focando cada vez mais na experiência, autoridade e se tornar a marca preferida dos seus consumidores.
Nesse processo, existe uma vantagem competitiva que poucas empresas estão olhando. Essa vantagem chama-se audiovisual.
A maioria das empresas e das agências não trabalham com a produção audiovisual dentro do time, sendo comumente um processo terceirizado. Muitos criam peças para anúncios e redes sociais, mas não conseguem trabalhar em grandes produções. No B2B, ter um conteúdo audiovisual forte vai trazer a vantagem de fazer o que ninguém mais está fazendo, de difundir a marca e contar histórias para vender mais.
Todas essas etapas compõem um trabalho de marketing ligado à receita, que gera resultados e impulsiona o crescimento da empresa.
*Wagner Wolff é CMO da 3C Plus – SaaS para contact center. Teve sua primeira experiência como empreendedor na área de Telecomunicações no qual não teve sucesso. Isso o levou aos estudos sobre mercado digital e investimentos. O conhecimento adquirido o levou a tornar-se sócio da maior agência de publicidade de Guarapuava, no Paraná. Em 2020, já como especialista em estratégia digital, E-commerce e gestão de tráfego, fundou uma agência de lançamentos. Em 2022 se tornou sócio da 3C Plus, assumindo como CMO. Além da startup, ele também é membro do board da FiqOn e da Trade de Valor.
Combinação entre físico e digital é a modalidade favorita para quem já conhece o melhor dos dois mundos e deseja uma boa experiência de compra
O mercado varejista passa por transformações significativas há certo tempo. Com o crescimento do comércio eletrônico e a popularização de dispositivos móveis, algumas estratégias do setor tornaram-se essenciais para a movimentação e crescimento de vendas, como a omnicanalidade. Entre os consumidores, em especial os que fazem parte da Geração Z – jovens nascidos entre meados dos anos 90 e início dos anos 2010, conhecidos por serem uma comunidade totalmente conectada e digital –, algumas preferências devem ser levadas em consideração.
Imagem: Freepik
Por já terem crescido em um ambiente com internet e dispositivos eletrônicos em pleno funcionamento, eles estão à frente das mudanças na forma como as marcas e os varejistas se relacionam com os consumidores. De acordo com o estudo Uniquely Gen Z, realizado pelo IBM Institute For Business Value, 67% dos consumidores da Geração Z preferem realizar compras em lojas físicas; no entanto, por terem acesso à internet e redes sociais desde pequenos, optam pelo caminho integrado, em que o mundo físico e digital podem fornecer experiências híbridas e personalizadas que combinam o melhor dos dois mundos.
“O consumo phygital foi, com certeza, impulsionado não somente pelas transformações tecnológicas, mas também pelo público. A nova geração de consumidores, mesmo que sem grande poder aquisitivo, influencia as outras a realizarem suas compras de diferentes maneiras”, afirma Juliano Ricardo Regis, gerente comercial do Myrp, sistema de gestão empresarial voltado às grandes operações franqueadoras do varejo de moda.
O varejo que possibilita a realização de compras em diferentes canais, como lojas físicas, sites, aplicativos e redes sociais, é valorizado pelo público que, atualmente, necessita desta disponibilidade. “Os consumidores sabem quais são as vantagens do atendimento presencial mesmo com as facilidades do online, e com as lojas cada vez mais digitais, a união dos ambientes é a modalidade de compra que mais se destaca”, comenta o executivo.
Algumas soluções, como telas interativas, espelhos inteligentes, realidade aumentada e outras, são inseridas com o foco total em customer experience (experiência do consumidor), o que acaba fortalecendo o varejo. Os negócios devem se manter atentos às novas gerações e seus hábitos de compra, já que, segundo pesquisa do Bank of America, até o ano de 2030 estima-se que a geração Z será detentora de uma renda de US$ 33 trilhões, e que, junto à geração Alpha, será cerca de metade da população, demonstrando a relevância de ambas. Desde já, é importante atentar-se a essas gerações, seus interesses e impeditivos antes de comprar.
As empresas que conseguirem entender as preferências desses consumidores e oferecer experiências que atendam às suas expectativas terão uma vantagem competitiva no mercado. Segundo estudos da consultoria GoAkira e a Fecomércio, 97% dos jovens possuem mídias sociais como principal fonte de inspiração na hora de consumir, e é também um público sempre em busca de experiências imersivas. “A geração Z assume um papel de oportunidade de crescimento e expansão no mercado digital. Uma estratégia de vendas omnicanal é capaz de conquistar a fidelidade desses consumidores e garantir um futuro no mercado de consumo”, finaliza Juliano.
Quero começar este texto lembrando o discurso do meu amigo Gustavo Gobbato, proferido há alguns anos em uma formatura dos cursos de Comunicação Social da Unitau. Na época lecionavamos juntos lá. Ele disse que construímos pontes. Pontes que ligam pessoas, marcas, instituições e organizações. E está corretíssimo. Mas gostaria de acrescentar que as pontes que construímos precisam, mais do que nunca, de um ingrediente fundamental para que sejam duradouras, resistentes e talvez eternas.
Este ingrediente essencial e nem sempre presente é algo que, nos dias conturbados que vivemos atualmente, faz e fará toda diferença. Este ingrediente, caros leitores, é a verdade!
Imagem de Gerd Altmann do Pixabay
Mais do que nunca, meus queridos, precisaremos ser sinceros, transparentes, éticos e verdadeiros. Precisamos praticar, de verdade, a verdade.
Os relações públicas terão que usar e abusar do ingrediente verdade para construir relacionamentos duradouros entre os stackholders. Todos sabemos que relacionamentos baseados em verdades são infinitamente mais fortes. Entreguem a verdade a seus públicos, mesmo que inicialmente os empregadores resistam.
Convença-os que, para o Brasil que já vive esse momento e para aquele que emergirá desse período, a verdade será elemento aglutinador e motivador. Será cola que ligará para sempre empresas/insituições e organizações às comunidades.
Os jornalistas já buscam a verdade por formação. Sei do compromisso e da seriedade de meus amigos professores e profissionais de jornalismo. Mas vale mesmo assim a recomendação. Ouçam todos os lados com ainda mais atenção, vasculhem, busquem, duvidem e estejam ainda mais comprometidos com a verdade. Creiam que, apesar de todas as mentiras em todas as declarações, falas, discursos, depoimentos e entrevistas, ela, a verdade, está por aí. Viva. E necessária! O país precisa, e muito, das verdades colocadas pela imprensa.
E por fim quero dizer aos meus colegas de publicidade: usem e abusem da verdade. Mostrem às marcas e empresas que vocês atendem e atenderão que nada é mais motivador, encantador, charmoso, persuasivo, decisivo e útil que a verdade. Construam campanhas verdadeiras. Achem argumentos verdadeiros. Encontrem a verdade de seu público alvo. Acreditem e respeitem sempre suas verdades e seus valores. Façam propaganda verdadeira!
Nada está e estará tão em evidência quanto a verdade. Ela é o fator decisivo para os minutos, horas, dias, meses e anos que virão. A verdade é o ingrediente que pode, e com certeza vai, mudar o país e a carreira de vocês. Para melhor!
Vão a luta. Usem a verdade e o coração em tudo que fizerem desde já e para sempre.
Não poderia terminar esse texto sem uma das minhas frases/citações favoritas:
“O futuro não é mais como era antigamente”.
A comunicação também não. Os desafios são maiores e em maior número. E isso é desafiador e delicioso.
PS.:Esse texto é uma adaptação de um discurso de formatura feito por mim há alguns poucos anos. E, por uma série de motivos, acredito que ele ainda caiba muito bem nestes dias que vivemos.