2026: por que a fragmentação da atenção é sua maior aliada (e não um problema)

Por Igor Coelho*

Se você considera que a disputa pela atenção do consumidor já é intensa, o cenário de 2026 apresenta um desafio ainda maior. O mercado caminha para um ponto de saturação onde a inteligência artificial será a ferramenta por trás de quase todo o conteúdo criado e disponível online. Essa mudança profunda na forma como o conteúdo é gerado deve transformar também a maneira como as marcas são recomendadas, exigindo que as empresas foquem muito mais em credibilidade real do que em cliques imediatos.

Essa nova estrutura de consumo, onde algoritmos definem o que cada pessoa vê em tempo real, torna a atenção dividida a condição comum do mercado publicitário. Com o investimento global em publicidade projetado para atingir marcas históricas, a prioridade das marcas deixa de ser o alcance geral para focar na entrada em grupos específicos. O objetivo agora é garantir que o conteúdo seja interessante o suficiente para que os sistemas decidam mostrá-lo aos usuários, priorizando o tempo de qualidade na tela e a verdade da mensagem, em vez de apenas contar quantas vezes um anúncio apareceu.

Historicamente, o mercado publicitário funcionou focado apenas no alcance total. Essa métrica, se tornou um indicador vazio diante da nova economia da atenção. Em 2026, o alcance sem contexto perde o sentido prático, já que o público transita entre grandes programas e pequenos trechos de informação nas redes sociais. A escolha do usuário impõe uma nova regra: a presença inteligente. O destaque das marcas não nasce do barulho constante, mas da capacidade de acompanhar o movimento do consumidor com algo relevante. Como as pessoas se tornaram mais exigentes e buscam ajuda imediata, as marcas que desejam manter o destaque precisam planejar sua presença para acompanhar essa mudança constante, focando na construção de comunidades fortes em vez de apenas buscar grandes números de visualizações.

A relevância será um privilégio dado pelo consumidor com base na qualidade da experiência oferecida. O sucesso das marcas estará ligado à total transparência. Em um ambiente cheio de conteúdo artificial, a honestidade torna-se a nova segurança do público. O objetivo central não é prender o usuário por obrigação, mas garantir que o tempo dedicado àquela marca seja útil. No fim, a disputa pela atenção será vencida por quem respeitar a liberdade e a inteligência de quem consome o conteúdo. O futuro não pertence a quem interrompe, mas a quem soma conteúdo.

*Igor Coelho é fundador do Flow Podcast e CEO Grupo Flow, hub pioneiro na produção de videocasts e conteúdo digital

Natal reforça convergência “phygital” e consolida novo papel da mídia na jornada de compra

Caroline Ferrari, especialista da Octopus, destaca que anúncios em sites influenciam decisões mantendo relação importante dos marketplaces e varejo físico

Em mais um ano de uma das épocas mais aguardadas do calendário, o Natal confirma a consolidação de uma jornada de consumo cada vez mais ‘figital’, em que estímulos digitais e experiência física se complementam na decisão de compra. A data, considerada a mais importante do varejo e que reúne diversas tendências de consumo, traz cada vez mais um consumidor informado e exigente, em busca de novas experiências.

Para Caroline Ferrari, Diretora de Novos Negócios Corporativos da Octopus, agência de publicidade e propaganda, o Natal deste ano evidencia a maturidade da omnicanalidade no varejo brasileiro. O consumidor transita entre o clique e o físico sem perceber barreiras, encontrando no digital conveniência, comparação e influência, e no ponto de venda a confiança, o imediatismo e a experiência que a data proporciona.

“A publicidade digital se tornou o gatilho da intenção. O cliente é impactado, navega, compara preços e só então conclui a compra, seja online ou presencialmente. O papel da comunicação é garantir que essa jornada seja contínua e sem atrito”, comenta. Segundo a profissional, a convergência entre esse estímulo digital e experiência física é o que deve impulsionar o desempenho do varejo neste fim de ano.

Essa navegação do consumidor entre o digital e o físico também foi apresentada recentemente na pesquisa Consumer Insights 2025, da UOL, e aponta que a internet segue como elemento central na formação de intenção, com 41% dos consumidores afirmando que anúncios em sites e portais influenciam diretamente o processo de escolha, enquanto 39% reconhecem que esses ambientes determinam quais marcas ou lojas entram na sua lista de possibilidades. Os dados reforçam o papel estratégico da publicidade digital como ponto de partida dessa jornada, que começa no impacto e na pesquisa online, mas se desenrola em múltiplos canais, marketplaces, e-commerces próprios, lojas físicas e, especialmente, shoppings centers.

“O grande desafio também está na atenção do consumidor, exigindo campanhas capazes de unir criatividade, dados e eficiência. O digital assume protagonismo na fase de descoberta, enquanto os shoppings e marketplaces se fortalecem como ambientes de conversão, cada um cumprindo um papel complementar no ecossistema de compra”, complementa Ferrari.

Caroline Ferrari

Caroline destaca que as grandes tendências para o Natal deste ano e próximas datas importantes do calendário do varejo se resumem a uma omnicanalidade madura, uma mídia digital como base da descoberta, aumento da competição por atenção, shoppings e marketplaces que complementam jornadas e pressão por eficiência.

“O Natal deste ano não é sobre onde o consumidor compra, mas sobre como ele se move entre os canais. As marcas que entenderem essa jornada fluida vão capturar participação de mercado e valor de marca ao mesmo tempo”, finaliza a especialista.

Psicologia do consumidor: como ela pode transformar a estratégia de vendas?

Por Renata Reis*

Em um mundo onde a atenção do consumidor é escassa e as opções são infinitas, o cliente não quer só ser ouvido: ele quer se sentir compreendido, de forma quase preditiva. Decifrar seu comportamento, desejos e expectativas não é mais um diferencial, mas sim uma necessidade estratégica para impulsionar vendas e construir relacionamentos duradouros – algo que pode ser muito bem estruturado e conquistado através da psicologia do consumidor.

Vivemos a era do cliente híbrido: que transita entre o racional e o emocional, entre o físico e o digital. O desafio, portanto, não está apenas em coletar dados a respeito de seu perfil e preferências, mas em extrair significados relevantes em tempo real e agir com empatia e personalização neste atendimento. Afinal, seu comportamento evolui junto com o contexto, a tecnologia e o próprio sistema de crenças de onde está inserido.

Segundo um estudo da Harvard Business Review, entre 85% e 95% das decisões de compra, hoje, são impulsionadas por fatores inconscientes e emocionais. O pertencimento e a validação social são pontos que se destacam nesse sentido, uma vez que o consumidor não quer mais, apenas, comprar um produto, mas se ver representado na marca, adquirindo uma causa, uma comunidade, e um estilo de vida.

Marcas que criam experiências fluidas, rápidas e personalizadas geram uma maior sensação de cuidado, o que ativa o sistema límbico da decisão. O fator “segurança” se sobrepõe ao “preço”, onde provas sociais, garantia, comunicação clara e reputação se tornaram os grandes influenciadores atualmente. Estratégias, portanto, que criem conexões emocionais profundas com os consumidores, capazes de proporcionar resultados bastante positivos para o destaque competitivo.

Empresas que colocam o comportamento do cliente no centro da estratégia conseguem reduzir o CAC (Customer Acquisition Cost) com mensagens mais assertivas; elevar o LTV (Lifetime Value) ao criar vínculos emocionais duradouros; e obter ciclos de vendas mais ágeis, antecipando objeções com conteúdos relevantes. Aquelas que tiverem esse norte estratégico não só encantarão seu público-alvo, como também criarão uma maior confiança e advocacy, o que no mundo digital, é o maior motor de crescimento orgânico que qualquer negócio pode ter.

Mas, como captar esses dados com qualidade e segurança? Diversas ferramentas robustas podem ser incorporadas nos canais oficiais de comunicação da marca para coletar informações referentes a todo o movimento e jornada que cada usuário tiver em sua jornada no site, incluindo cliques, tempo de permanência, abandono, histórico de compras, interações e dores relatadas. Aplique essas métricas em todos os meios onde seus clientes estiverem (redes sociais, fóruns, reviews), que terão maior chance de compreender o que realmente pensam ou sentem sobre sua marca.

Dê voz ativa a eles, criando um espaço de escuta ativa e sem filtro para que compreendam os sinais de mudanças que devem ser ajustadas imediatamente – o que pode ser feito através de feedbacks diretos ou pesquisas de satisfação, como o eNPS. A interseção desses dados, com inteligência, se transformará em um mapa emocional de decisão estratégico para embasar as tomadas de decisões futuras.

Para transformar esses dados em insights que transformem a estratégia de vendas da sua empresa, aplicar uma segmentação emocional e comportamental é um ponto de partida essencial. Vá além da persona demográfica, e crie clusters por necessidade, valor percebido e estado emocional. Com essas informações em mãos, troque os famosos pitches de vendas por narrativas envolventes. O cérebro humano responde mais à emoção do que à lógica, e uma boa história converte mais do que uma lista de benefícios.

Explore, também, a automação para entregar a mensagem certa, no canal certo, no momento certo — mas com autenticidade, não só escala. E, acima de tudo, não se prenda a um único plano: teste, aprenda e ajuste sempre. O que encanta um cliente hoje, pode ser irrelevante amanhã, o que não a torna uma ciência exata, mas algo vivo e em constante evolução.

A psicologia do consumidor é um dos maiores ativos não declarados das empresas, capaz de gerar receita previsível, relacionamento duradouro e vantagem competitiva sustentável. Compreender seus desejos e anseios, atendendo essas demandas com empatia e personalização, é o que impulsionará a imagem de sua marca no mercado junto a uma prosperidade contínua.

*Renata Reis é CRO da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, chatbot e RCS.

Relatório de visão das redes sociais na América Latina aponta que credibilidade cultural e transparência são essenciais para os consumidores da GenZ

Estudo feito pela Labelium, consultoria de performance digital, ressalta comportamento dos clientes na região e o desempenho das mídias sociais

Imagem de Gerd Altmann do Pixabay

A próxima geração de consumidores de luxo busca credibilidade cultural e criação de comunidades online, visto que estes movimentos estão em ascensão, principalmente no TikTok. Atualmente, as dicas de cultura vão além da qualidade do produto e estão diretamente atreladas a como a marca se posiciona em seus conteúdos de mídias. Portanto, é um quesito fundamental para atrair novos consumidores. As informações foram extraídas do estudo “Visão das redes sociais: setor de luxo na América Latina”, promovido pela Labelium, consultoria de performance digital focada em empresas de moda, beleza, turismo e luxo.

“Não podemos deixar de fora a colaboração e a participação que marcam a GenZ – a troca cultural acontece quando as marcas se conectam com as vozes reconhecidas por essa geração e o luxo, por si, é um setor que tem a ver com tradição e história, no entanto, a participação é fundamental para impulsionar o envolvimento destes novos consumidores. Usar uma marca é usar uma causa.”, detalha Gustavo Franco, Country Manager da Labelium.

Para as marcas, a atenção do consumidor é um dos recursos mais importantes disponíveis nas redes sociais. Ao mesmo tempo, torna-se cada vez mais difícil para as marcas criarem disponibilidade mental nos clientes. Nessa linha, o TikTok se mostra como detentor do maior engajamento de todas as redes sociais, isso indica que os criadores de conteúdo são importantes, principalmente com comunicações descentralizadas e co-criação com os consumidores.

Outros valores importantes são a autenticidade e a transparência. A credibilidade nas mídias é fator fundamental ao redor do mundo. Em países com cenários políticos mais complexos, por exemplo, existe uma maior dificuldade em alcançar a atenção do consumidor. Criadores, storytelling e conexões profundas podem ajudar as marcas a obterem sucesso. E, por último, quanto mais curto o conteúdo, melhor. Com as pessoas cada vez mais sobrecarregadas com vídeos, textos e anúncios, qualidade também significa ter um material rápido e direto.

O novo papel das agências de comunicação social

O relatório da Labelium ainda traz uma reflexão sobre o novo papel das agências de comunicação: anteriormente a estratégia e o tático eram misturados tendo em vista as necessidades de negócios, de marketing e de mídia com o intuito de melhorar o desempenho das empresas por meio de gerenciamento ativo, recomendações táticas e conhecimento especializado de canais. Hoje, a estratégia é separada do tático, porém ainda respeitando os pontos de negócios, marketing e mídia, porém com o objetivo de entender os motivadores de negócios, os insights de cada categoria e os propósitos de marketing para fornecer informações precisas para mídias sociais orientadas por IA.

Desempenho das redes sociais

O estudo ainda aponta que mais usuários da internet usam as redes sociais na região da América Latina do que em qualquer outro lugar do mundo. O relatório também indica que, principalmente em países como Brasil e Colômbia, as plataformas sociais representam a maior parte do mix de anúncios digitais.

Dados de 2023 da empresa de pesquisa de mercado e-marketer apontam dados semelhantes: a mídia social está florescendo na América Latina: quase 400 milhões de pessoas usarão redes sociais na região até o final de 2023, isso representa 59,0% da população total da região.

Quanto às redes sociais, o Facebook continua sendo a plataforma líder, por enquanto. Em 2023, a base de usuários na América Latina será 1,4 vezes maior que a do Instagram e mais que o dobro da do TikTok. Porém, a estimativa é que o Instagram ultrapassará o Facebook no Brasil, seu maior mercado na América Latina, em 2025. E, em 2023, a taxa de penetração do Facebook entre os utilizadores de redes sociais cairá para 85,3% – o nível mais baixo desde 2012.

Já o Twitter, entre 2022 e 2024, perderá 5,4 milhões de usuários na América Latina. Plataformas como o aplicativo de mídia social indiano Koo são as que mais se beneficiam à medida que os usuários procuram alternativas ao Twitter. O TikTok, por sua vez, será a rede social que mais crescerá até o final deste ano, apesar da desaceleração do crescimento frente à concorrência regional com o Instagram e no Brasil com o Kwai.

Tendência nova no mercado das redes, o threads mobilizou 101 milhões de usuários em apenas 5 dias. “Para as marcas, é aconselhável ter uma presença orgânica na rede para testar as novidades e entender o que os usuários buscam neste canal.”, finaliza Franco.

Sobre a Labelium:

A Labelium é um ecossistema de soluções para performance digital especializada em gerar receita e valor para empresas no setor de beleza e luxo, principalmente. A companhia de origem francesa tem atuação em 23 países por meio de 15 empresas que oferecem consultoria de campanhas no ambiente on-line. Ao adotar valores como transparência, sustentabilidade e governança, a empresa se destaca por oferecer uma rede colaborativa que atua como parceiro estratégico e operacional para seus clientes a nível global. A Labelium aposta na utilização de inteligência artificial para melhoria de determinação de público-alvo e personas e previsibilidade de vendas nas empresas. Além disso, também é realizado um estudo da maturidade dos diferentes canais onde estão presentes os clientes das companhias. Nomes como Dior, Shopluxo, Kenzo, Lacoste, Arbonne e MSC Cruzeiros são clientes da Labelium no Brasil.