Coluna Branding: a alma da marca

Na era da informação teremos mais blanding e menos branding?

É sabido que boa parte dos especialistas indicam que as maiores marcas da atualidade tendem a perder importância ou até sumir nos próximos 10 anos. Isso se dá pelo fato da marca não conseguir ser digital. Digo ser, e não se adaptar, existe uma distância muito grande entre estas situações. O próximo passo da existência digital é não haver mais um meio digital e sim um mundo digital, onde as marcas deverão ser nativas deste modelo para terem competitividade. A chegada da internet das coisas, da inteligência artificial, da impressão 3D nas residências,da entrega por drone, tudo isto prevê modelos de negócios cuja interação estará cada vez mais por caminhos online.

Imagine a cena, uma mulher que escolhe um escarpam novo usado por uma atriz com quem se identifica, pelo vidro do seu box enquanto toma banho, assistindo a um filme. Verifica a modelagem 3D, se vendo em uma representação digital sua com o calçado, discute com uma atendente com inteligência artificial que rastreia seu perfil de compra por big data, compra por cripto moedas e recebe em 1 hora o produto em casa vindo de drone. Todas estas tecnologias aqui citadas já estão disponíveis, basta apenas que uma marca as implemente nativamente e a popularizem.

Imagem de rawpixel por Pixabay

O universo digital muito em breve assumirá o papel do maior shopping que já vimos e ocupará o espaço na vida das pessoas. Isso muda a cultura do comércio, isso muda a forma de produzir, isso muda a necessidades de empregar pessoas. Isso muda tudo.

O problema aí é que o mundo digital é tão veloz quanto fulgaz, e o trabalho de construção de marca pode aos poucos ir ficando obsoleto, para um tendência a perecividade da marca. Vejamos como exemplo a cadeia napster, torrent e o próprio Spotify. Chegaram, dominaram, explodiram como marca e perderam importância dentro de um mesmo segmento em poucos anos. São blandings, construções perecíveis de marcas e que contrapõe ao branding, como modelos de marcas criadas para não terem uma obsolescência programada. O mesmo vem acontecendo com as redes sociais Facebook com a tendência de queda e migração programada para o Instagram ou até outros.

Vejam que estas marcas são todas nativas digitais, portanto, vocês conseguem imaginar a dificuldade que possuem as marcas tradicionais para saltarem nessa direção?

Seria o fim do branding?

Vejam outro lado, notícias chamam a atenção para a volta do Mappin loja de varejo gigantesca que encerrou suas portas na década de 80 e que agora está de volta no mundo digital, usando toda uma construção de identidade física para credibilizar um serviço online. Isso não é branding?

Do meu ponto de vista o segredo desse novo mundo para a construção de marca é saber o que precisa ser construído com perenidade e também saber aproveitar aquilo que precisa ser perecível. Entender que o Branding precisará englobar o blanding e conviver com este barulho. Não acredito que o limite para essas tendências esteja claro para alguém ainda, em breve veremos aquilo que só precisa explodir por um tempo como uma tendência de moda e aquele negócio que precisa durar e ter uma promessa enraizada e profunda, ganharemos assim mais uma ferramenta na gestão de marcas.

Coluna Branding: a alma da marca

As marcas sobreviverão a era da opinião?

Pensem um pouquinho… seria possível há 20 anos alguém banalizar a autoridade de um presidente da república? Alguém questionar o valor das universidades federais? Alguém discutir a classificação biológica dos gêneros masculino ou feminino? Ou ainda, pensar diferente da certeza da circunferência da terra?

Sem entrar muito no mérito de certo ou errado deste contexto, o fato é que há uma clara deterioração das bases culturais do nosso estilo de vida.

Podemos perceber que não conseguimos mais nos ancorar em certezas, e a verdade está a cada dia mais relativizada no mundo presente, um mundo onde a opinião nos leva para onde quisermos, ou pior, para onde querem que acreditemos.

A sociedade da opinião já está instalada, sendo um reflexo da aldeia global, criada principalmente pelos meios de comunicação. Causas, efeitos e consequências são lidos agora por cada indivíduo da forma que lhe convém, não há mais um consenso que pode ser chamado de “versão oficial”. E agora, a força da “opinião pública” parece ter mais peso até que o conhecimento científico. A pós-verdade é inegável!

Neste sentido, a ciência se voltou contra ela mesma e todas as “certezas” científicas, por conta desta natureza teórica do processo embasado em tese, antítese e síntese, passam a ser desrespeitadas pela democratização da opinião.

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No “novo mundo” há um viés sofista de democracia e opinião, que oportuniza a todos o acesso ao que se pode ou não pensar como verdade, e aos poucos vai fazendo prevalecer o que a maioria consegue “compreender” impondo uma régua baixa de desconhecimento aos demais.

Então, as teses aceitas não são mais as da academia de mestres e doutores. Não acabei de dizer que se questiona até o valor da universidade!? Mas agora vale o que democraticamente é aceito entre os populares, a democratização da opinião pública.

Assim, a pergunta que faço é: Se podemos questionar até comprovações científicas, como as marcas podem garantir que não serão rapidamente questionadas? Até quando iremos conseguir conter que este fenômeno corrosivo da democratização da verdade não atinja o mercado consumidor? Como as marcas irão reagir quando essa nova onda chegar?

Esses serão os temas que conversaremos nesta coluna nos próximos meses deixem seus comentários e opiniões. Afinal elas tem muita importância na nova sociedade!

Coluna “Discutindo a relação…”

Parabéns, Natura

Já há algum tempo que venho defendendo – em textos, conversas e palestras – que as marcas devem se posicionar. Devem assumir um propósito, uma causa. Claro que esse posicionamento e/ou propósito deve estar alinhado aos valores da marca. Mais que isso: deve ser verdadeiro. Deve ser  estar alinhado às práticas da empresa/marca/produto.

Assumir uma postura clara e defender abertamente um ponto de vista nem sempre é fácil. Ainda mais em terrras brasilis nos dias atuais. O momento é de antagonismo, de pouca tolerância, de nós contra eles e etc.

Tal cenário só reforça a coragem da Natura. A marca colocou no ar na última segunda-feira (13), a nova campanha da linha de maquiagem Coleção do Amor. Alguns internautas apoiaram a proposta de inclusão da marca enquanto outros criticaram fortemente a veiculação de propagandas com casais lésbicos. A ação faz foco no Dia dos namorados.

A peça principal da campanha, um vídeo de 1m22s divulgado no canal do YouTube da marca, mostra casais de lésbicas trocando beijos e reforça o apoio da marca à causa LGBT. Três casais aparecem e na legenda da publicação, a Natura afirma que a coleção “Faces é para todos, o amor também”.

A revista Exame publicou: “No Twitter, a hashtag #BoicoteNatura amanheceu entre o assuntos mais comentados da rede social no Brasil. Usuários repudiaram a campanha, afirmando que “a propaganda foi desnecessária”, não respeita a “família tradicional brasileira” ou que o público da marca é majoritariamente composto por mulheres conservadoras.” Veja a matéria completa aqui.

A marca permanece firme em seu propósito e declarou acreditar “no valor da diversidade”. Ao assumir um claro propósito a marca deve desagradar parte da população, sem dúvida. Mas ganha muitos pontos positivos com aqueles consumidores que se identificam com a causa.

Vimos exemplos recentes de posicionamentos que geraram controvérsia em campanhas da Nike (com o atleta Kaepernick) e da Gillete (que debateu a ideia de masculinidade tóxica). Veja mais sobre essas campanhas aqui e aqui.

Vamos ver até que ponto estratégias ousadas e corajosas como a da Natura seguirão surgindo no cenário da propaganda brasileira.

Eu só posso aplaudir e dar parabéns ao anunciante. Longa vida às marcas e aos posicionamentos corajosos!

Coluna Propaganda&Arte

Resiliência: a palavra da moda tem muito a dizer sobre você

Esta capacidade de se moldar a qualquer situação é louvável. Primeiro, porque demanda treinamento e musculatura exemplares. Depois, porque vai muito além do aspecto físico, estou falando da resiliência emotiva, mental, energética e, quiçá, espiritual.

Resiliência foi a palavra mais pesquisada no Google (Brasil e Portugal) em 2015, o que
demonstra que apesar de muitos já nascerem resilientes, só fomos aprender seu significado poucos anos atrás. (Valeu, Google!)

Qual a importância de ter consciência daquilo que se é?

Se você é resiliente, ótimo. Seus costumes e sua postura no trabalho, em casa, numa
situação adversa, vão continuar assim. Agora, se você toma consciência que possui esse atributo, pode intensificá-lo. E isso serve para qualquer conceito, qualidade ou defeito seu (daí você não intensifica, mas suaviza).

Ao identificar algo, você traz para uma área consciente do cérebro, pode melhorar ou
tirar o foco daquilo que não interessa. Afinal, quanto mais nos conhecemos, e isso faz parte do autoconhecimento, você poderá organizar e administrar suas ações e reações melhor.

Será que você precisa trabalhar a paciência ou a resiliência?

Não se cobre mais do que irá aguentar, vá com calma. Ser resiliente pode ser algo nato
ou aprendido, então veja só.

Bruce Lee, em uma de suas belas passagens, fala que gostaria de ser como a água, que se molda a situações com perfeição. Num copo de água, por exemplo, ela está na forma do copo, e logo se ajusta para sair de lá para qualquer outro local, em um movimento perfeito, adaptando-se e até ferindo o seu oponente, se ela for direcionada com a intensidade e potência necessárias, vide os cortadores industriais que conseguem, através de jatos de água, cortar perfeitamente chapas de metal.

A comparação com a natureza é fundamental, pois desde quando começamos a andar
sob duas pernas, nós gostamos de nos comparar com aquilo que mais se parece com a gente.

Os animais e as outras formas de vida sempre foram inspirações, afinal estamos todos
juntos nessa. Somos diferentes tipos de combinações celulares, moleculares, atômicas, mas somos todos tipos específicos de seres vivendo e convivendo numa mesma frequência espectral, vibracional e energética que nos permite existir e interagir, para o bem ou para o mau, mas nos modificando para evoluir sempre.

Resiliência talvez seja a peça fundamental da evolução.

Os mais resilientes conseguiram fugir dos ursos e animais ferozes que os atacaram,
dando a volta por cima e atacando-os.

Os mais resilientes decidiram se arriscar em uma situação diferente, ao encontrar uma
fogueira ou uma árvore pegando fogo após um raio acertá-la.

As reações mais comuns seriam as mais cômodas: fugir, evitar, não prestar atenção, menosprezar, desviar, despistar ou deitar e dormir em sua caverna escura e segura. Essa não era uma postura resiliente, não mesmo. E não estamos falando apenas de coragem, pois aqueles que se atiravam na boca do tigre também não sobreviviam para contar a história, nem representavam um ser evoluído, pois não deixava prole.

Os resilientes, todavia, cientes de suas capacidades, agiam na hora certa, usavam a pressão do momento para ter a atitude certa, mudavam até seus próprios conceitos e compreensões: aprendendo algo novo com humildade, sentindo a pancada, mas se levantando com ânimo, como se não fosse o fim da linha.

Você tem vontade de se transformar e evoluir todo dia?

Esse tipo de atitude precisa ser parte da conduta dessa pessoa que se diz “resiliente” no currículo. Caso contrário, será apenas mais uma palavra da moda, que todos querem ter e pendurar em suas vitrines de habilidades, mas que poucos realmente são.

Resiliência é uma mistura de resistir com paciência, claro, numa interpretação minha e não etimológica. Uma versão muito mais poética do que qualquer coisa. Até porque sua origem etimológica tem muito mais a ver com a minha história aqui citada: resiliens, do latim, saltar para trás, voltar… tá aí! Pronto, se um tigre, leão ou urso aparecer na sua frente, seja no trabalho, em casa ou no seu dia a dia, já sabe o que fazer. Salte para trás, mas não fuja, saiba que para sobreviver, cedo ou tarde, você vai precisar abater esse problema. Começando pelos seus próprios medos.

As marcas de hoje são resilientes?

Agora, deixando de lado essa parte de autoajuda (que eu acho muito importante, sem ser clichê), podemos voltar o tema para as marcas e empresas que enfrentam suas próprias provas, crises e desafios.

Algumas são resilientes sim, aprendem e evoluem. Outras preferem evitar o confronto e perdem uma grande oportunidade de crescer. No futuro, só marcas resilientes, que se adaptam às mudanças, poderão sobreviver e, acredite, pessoas resilientes farão parte da equipe.

Se você chegou até o fim deste texto, saiba que você foi resiliente. Poucos resistem a uma leitura mais longa e logo que veem um texto maior, fogem. Parabéns! Agora talvez seja a hora de pensar: na sua vida, você tem sido resiliente também? Você está preparado para “saltar para trás”, mas sem fugir e sim para enfrentar com mais preparo e foco os desafios?

Prevejo muitos leões para matar nos próximos anos. Grandes amigos da tribo, preparem-se para a luta.