O quanto as pessoas utilizam a tecnologia no dia a dia? Sabemos que quantificar essa resposta é impossível, uma vez que a população como um todo está altamente habituada a utilizar de recursos tecnológicos a seu favor, em ações que vão desde fazer uma compra, até mesmo, a realizar um autoatendimento. E, diante das novas resoluções de mercado e mudanças nos hábitos comportamentais, cabe às empresas estarem atentas a ascensão de novas tendências, e as utilizarem a favor do seu crescimento.
Felipe Barbi
No contexto atual da transformação digital, a agilidade e velocidade são requisitos essenciais para garantir a sobrevivência dos negócios frente aos novos desafios. Isso se torna nítido com a popularidade que vem ganhando a Inteligência Artificial – a qual, embora não seja uma tecnologia relativamente nova, vem despontando curiosidade acerca dos ganhos e alcance que essa ferramenta pode chegar.
Uma coisa é fato: as novas tecnologias estão transformando diversas frentes de serviços, dentre elas, a forma que fazemos negócios. Isso é, não há mais como o mercado não investir em canais digitais, uma vez que estes mecanismos vêm sendo amplamente eficazes para a criação de relacionamentos mais aprimorados com os clientes. Não à toa, segundo uma pesquisa da McKinsey, empresas que já detém maturidade digital apresentam desempenho superior e com taxa de crescimento de EBITA até 5 vezes maior que as demais organizações.
Diante disso, é importante estar atento as tendências que vem ganhando força nesse segmento. Confira as principais:
#1 B2C (Business to consumer):nessa modalidade, as empresas comercializam seus serviços ou produtos diretamente com o consumidor final. Em sua maioria, estas são plataformas de baixo custo para aqueles que querem lançar sua marca, em especial, usando da estrutura das redes sociais e influenciadores como grande canal de marketing e divulgação conectado a experiencia de compra. Não à toa, é amplamente utilizado no mercado de marketplace.
#2 B2B (Business to business): diferente da anterior, aqui as empresas comercializam com outras empresas. Esse modelo também ganha força uma vez que o mercado de fabricantes compreendeu a importância de digitalizar canais entre negócios, construindo assim, uma relação direta e abrangente.
#3 D2C (Direct to consumer): essa é uma importante tendência para o mercado de e-commerce. Ela é realizada sem a presença de intermediários, trabalhando diretamente com fabricantes e fornecedores, e vem ganhando notoriedade não apenas por grandes empresas, mas também pelas pequenas e médias.
#4 LogTechs: o termo define as startups que atuam no setor de logística, aplicando o uso de tecnologia. Considerando que o Brasil se trata de um país de tamanho continental, é demandada uma infraestrutura logística completa. Neste aspecto, com o apoio da IA, vêm sendo criadas soluções e recursos que visam encurtar essa distância, otimizando o custo e prazo. Por isso, este é mais um elemento que as organizações precisam estar atentas para aplicá-lo de forma eficiente para o negócio.
#5 Fintechs:as pessoas não querem se verem fixadas a um método específico para liquidarem seus gastos. Por isso, as fintechs, que atuam na reestruturação dos processos financeiros, utilizando recursos da tecnologia, vêm ganhando forte aderência no país. Como prova disso, está a prática de pagamentos instantâneos, que ganhou forte aderência na população – assim como foi o caso do Pix que, em pouco tempo, obteve ampla aceitação do público, e ajudou a dinamizar a relação de compra e venda em diversas empresas.
#6 CX (Customer Experience):investir na experiência do cliente deixou de ser uma tendência, e passou a ser uma necessidade. Para assegurá-la, as empresas precisam estar onde seus usuários estão, garantindo que conduzam sua jornada no canal onde preferirem. Proporcionar essa omnicanalidade, por meio da tecnologia, é essencial para que os consumidores se sintam satisfeitos e se fidelizem à marca.
Todas essas tendências têm em comum que são operadas na modalidade multicanais. Apesar de não ser uma missão simples, pode se tornar mais fácil tendo o apoio de uma ferramenta especializada nesse tipo de serviço e abordagem. Afinal, por meio de uma solução personalizada nesse nicho, é possível encurtar todo esse caminho, trazendo maior acessibilidade a integração de novas tecnologias que irão ajudar a aperfeiçoar e sanar as dores e desafios enfrentadas nos negócios.
Entretanto, quando falamos em obter uma ferramenta para esse segmento, muitos ainda estão presos a buscarem uma plataforma SaaS ou no code – mas, considerando que cada empresa possui suas particularidades, é importante que, durante esse processo, elas contem com o apoio de uma organização especializada nessa abordagem, que além de prestar o serviço, busque acelerar o crescimento do negócio viabilizando o uso destas soluções sob medida, atendo suas demandas específicas.
Para o mercado, agora é a hora de entender onde devem ser investidos os próximos passos para obter resultados assertivos. A IA segue sendo o assunto do momento, mas sua utilização já vem sendo aplicada desde muito antes em diversas modalidades. Não há como eliminar o uso da tecnologia como um item principal para a potencialização dos canais digitais, porém, mais do que entender sua importância, é preciso sempre buscar métodos que tragam ganhos para os negócios.
*Felipe Barbi é diretor de operações da Viceri-Seidor
Creator Economy: Veja quais foram as marcas e suas respectivas ações com criadores de conteúdo que se destacaram no primeiro semestre
Análise reforça como co-criar com creators e influenciadores pode ajudar marcas a se conectarem genuinamente com seu público-alvo; Club Social, iFood e Intimus são algumas das marcas que tiveram ações de destaque
Atrair e engajar consumidores por meio de ações de marketing tem se tornado um grande desafio, exigindo das equipes envolvidas cada vez mais criatividade e conhecimento sobre o público que se pretende impactar. Neste cenário, as iniciativas co-criadas com criadores de conteúdo e influenciadores, por exemplo, são uma alternativa bastante eficiente e têm proporcionado ótimos resultados para as marcas. É o que destaca Luiz Menezes, fundador da martech Trope, consultoria de geração Z.
Foto de ConvertKit na Unsplash
“Autenticidade, identificação e diversidade devem estar no centro das estratégias de comunicação, especialmente quando estas buscam a atenção de consumidores membros da Geração Z. Com o apoio de criadores de conteúdo, as marcas têm a oportunidade de proporcionar estes fatores de forma genuína para o seu público, colocando estes profissionais no centro da estratégia e tornando-os, também, tomadores de decisão”, diz Luiz.
Em um contexto brasileiro em que a tendência é o baixo vínculo de fidelidade entre consumidor e marca, Luiz ainda destaca que furar a bolha vai além do sucesso de impressões e engajamento, sendo necessário também “promover mudanças efetivas na sociedade”.
Para exemplificar como tais ações de comunicação podem ser bem sucedidas, a Trope, por meio do InstitutoZ, frente da empresa especializada em estudos de comportamento e consumo da Geração Z pelo olhar de verdadeiros nativos digitais, analisou quais foram as marcas e suas respectivas ações de comunicação com influenciadores que mais se destacaram nos primeiros seis meses do ano e por quê.
Club Social
A empresa faz parte de uma iniciativa que visa incentivar a profissionalização de novos talentos da creator economy. Para isso, uniu forças com a Trope no Fundo de Investimentos, que apoia produtores de conteúdo no início de suas carreiras. Além de alavancar novos nomes da indústria de conteúdo, o projeto criou um grupo de influenciadores ligados à cultura urbana. O diferencial dessa iniciativa está no interesse genuíno da marca em fomentar a profissionalização desses influenciadores, criando uma conexão autêntica com o nicho e contribuindo para impulsionar a economia brasileira.
Club Social é uma marca consolidada e apresenta uma comunicação jovem e autêntica, com foco em se conectar mais com a Geração Z, cativando a atenção de seu público-alvo. Colocar a marca em ambiente de cultura de rua ainda é quebrar a lógica de pesquisas de mercado, que visualizam números e invisibilizam as mudanças rápidas e constantes que acontecem na cultura urbana.
iFood
Por meio de suas recentes iniciativas, o iFood conseguiu estabelecer uma forte conexão com o público jovem, ao mesmo tempo em que fortaleceu o compromisso social da empresa. Vale destacar a parceria entre iFood e o Instituto Kondzilla, que possui duas frentes de atuação: uma dedicada à estruturação e expansão do programa de impacto social e educação chamado “Escola de Criadores”, voltado para jovens das periferias, e outra com foco na capacitação e promoção de carreira para entregadores que desejam se tornar criadores de conteúdo.
Além disso, os participantes do programa, fruto desta parceria, recebem uma bolsa-auxílio no valor de R$ 500 durante o curso. A análise do InstitutoZ aponta que iniciativas como essa destacam o iFood como uma empresa de delivery que promove transformação social, identificando as lacunas existentes na sociedade em que atua e utilizando sua capacidade e ferramentas para fazer a diferença. Além disso, essa ação direciona o olhar para o futuro da comunicação, evidenciando o papel fundamental da creator economy e do protagonismo dos jovens neste processo.
A Trope também desempenhou um papel nesse projeto, proporcionando um workshop de edição de conteúdo virtual para os alunos do programa, contribuindo, desta forma, para o objetivo de co-criar soluções de negócios com a Geração Z e impulsionar o crescimento sustentável desse mercado. “Quanto mais empresas se unirem nesse processo de profissionalização de um mercado emergente, maior será a capacidade de crescimento alcançada”.
Intimus
Por fim, podemos destacar a ação da Intimus, empresa de produtos para higiene menstrual. A sacada, neste caso, foi colocar um homem para responder perguntas sobre menstruação, tema este restrito a mulheres na maioria das vezes. A criadora de conteúdo Bibi Tatto pediu para que o seu irmão respondesse os questionamentos e ele acertou todas as perguntas, fazendo com que o vídeo viralizasse, alcançando mais de 1 milhão de visualizações no TikTok, um grande feito para uma publi sem tráfego pago. Este, segundo a análise, é um ótimo exemplo de como fazer uma publi sem cara de publi e que prenda atenção do público-alvo da marca. Com uma linguagem jovem e um formato amigável para o TikTok, a Intimus conseguiu comunicar sobre um produto estritamente feminino numa estrutura moderna e leve, demonstrando que há formas de fazer diferente sem precisar reinventar a roda.
Sobre o InstitutoZ
O InstitutoZ é o primeiro no mercado voltado especificamente para o estudo de comportamento e consumo da Geração Z. Trata-se de uma iniciativa da Trope, martech especializada em soluções de negócios para marcas com foco na geração Z e Alpha. O braço de pesquisa da empresa tem como foco interpretar dados e tendências da GenZ, bem como da creator economy brasileira. O objetivo é trazer dados que supram a demanda reprimida do mercado por estudos desenvolvidos por verdadeiros nativos digitais e, desta forma, poder contribuir para estratégias mais assertivas de pesquisa e desenvolvimento, criação de novos produtos e serviços, intraempreendedorismo e inovação.
O avanço tecnológico tem trazido mudanças significativas no comportamento do consumidor e, com essa evolução, o ecossistema de marketing digital também passa por transformações para se manter relevante e gerar impacto. De acordo com o estudo Digital AdSpend Brasil, produzido pelo IAB Brasil em parceria com a Kantar Ibope Media, a publicidade digital nacional movimentou R$ 14,7 bilhões no primeiro semestre de 2022.
Neste âmbito de consumo cada vez mais digital, os profissionais se deparam com um universo em que as possibilidades são vastas e as audiências fragmentadas. Com isso, os dados emergem como a ferramenta necessária para conhecer a audiência e impulsionar estratégias publicitárias eficazes e personalizadas. Por meio deles, é possível ter uma visão holística dos consumidores, que permite criar campanhas segmentadas e de alto impacto.
Desvendando o poder dos dados
O processo de coletar, organizar e interpretar dados provenientes de diversas fontes, permite às marcas não apenas entender quem são seus consumidores, mas também como eles se comportam, o que desejam e como interagem com as mensagens. Contudo, nesta tarefa, os anunciantes podem se deparar com o desafio de escolher em qual conjunto de dados basear suas decisões.
Hoje, plataformas e adtechs modernas oferecem ferramentas estratégicas para combinar e filtrar métricas, e são grandes aliadas nas análises detalhadas. Por meio delas, é possível, por exemplo, cruzar dados de custo por mil impressões (CPM), budget e alcance total para obter insights profundos sobre a eficácia de uma campanha. Essa abordagem quantitativa também ajuda a definir e mensurar objetivos claros, como conscientização, aumento de cliques ou conversões, que garantem resultados mais concretos e direcionados.
Ou seja, por meio dessas soluções, o impacto da campanha pode ser avaliado em tempo real, permitindo que ajustes sejam feitos com agilidade para maximizar o impacto da ação. Essa percepção aprofundada sobre os resultados cria uma base sólida para que ações futuras sejam altamente direcionadas e personalizadas, aumentando exponencialmente sua eficácia e relevância.
Outra vantagem da análise de dados na publicidade é a possibilidade de integrações com sistemas de CRM e plataformas de e-commerce, que proporcionam um conhecimento mais profundo sobre os hábitos de consumo, revelando aspectos como market share e aumento nas vendas. Isso transcende o simples impacto da campanha e possibilita um mergulho nas operações internas, gerando conhecimento para moldar a estratégia da marca.
Essa visão preditiva é mais uma vantagem de mercado, pois com a volatilidade das relações de consumo, análises que dependem do comportamento anterior do usuário nem sempre são uma boa base de informações. Em vez disso, focar na predisposição objetiva de certos segmentos de público para produtos anunciados pode abrir a possibilidade de visualizar tendências que trarão retornos mais gratificantes aos anunciantes.
A jornada do consumidor em diferentes canais
Outro desafio enfrentado pelos profissionais de marketing ao criar campanhas é considerar a jornada do consumidor em diferentes plataformas. Como cada canal oferece uma oportunidade única para se envolver com o público, a análise de dados é necessária para decifrar padrões comportamentais distintos em cada plataforma, permitindo a adaptação de estratégias para otimizar a experiência do usuário.
O uso crescente de celulares e tablets, por exemplo, exige a criação de publicidade específica para esses dispositivos, tornando o impacto mais adequado às demandas dos consumidores nesses canais. Segundo dados da Abcomm, o consumo via dispositivos móveis representou 55% das vendas do e-commerce em 2022, ultrapassando as compras em plataformas desktop.
Dados para informar, informação para conquistar
Por fim, é importante considerar que a análise de dados na publicidade digital não é apenas um exercício numérico, mas uma ferramenta que transforma informações frias em insights inspiradores. A utilidade dos dados reside em sua acessibilidade e interpretabilidade e, por isso, os profissionais precisam saber como apresentá-los de maneira clara e concisa, para que as equipes de marketing tomem decisões embasadas e assertivas.
Neste contexto, mais recentemente, a ascensão da inteligência artificial generativa aparece como mais um impulsionador da capacidade de processar dados em larga escala. A colaboração entre a IA e a intuição humana cria uma sinergia única, em que os dados se tornam a matéria-prima da criatividade, e a interpretação humana é capaz de perceber nuances, contextos e tendências que vão além dos números.
Ainda que o mundo digital se apresente muitas vezes como um labirinto repleto de oportunidades, a análise de dados pode transformar essa complexidade em vantagem competitiva. As marcas que compreendem e abraçam esse poder estão mais próximas de conquistar a atenção do público digital e construir conexões profundas e duradouras que transcendem os limites da tela.
*Camilla Veiga é Head of Sales da plataforma global de publicidade MGID.