Inteligência Artificial aplicada à comunicação é tema da nova edição do Doses de Mercado, da APP Vale

A inteligência artificial já deixou de ser tendência para se tornar ferramenta estratégica no mercado de comunicação. E é justamente esse o foco da segunda edição de 2026 do Doses de Mercado, iniciativa promovida pela APP Vale — Associação dos Profissionais de Propaganda do Vale do Paraíba — que acontece no próximo dia 26 de maio, em São José dos Campos.

Com o conceito de ser um “suplemento vitamínico para o mercado de comunicação do Vale do Paraíba”, o Doses de Mercado tem como objetivo aproximar empresas, empresários, profissionais e consumidores da área de comunicação, promovendo desenvolvimento profissional, networking e geração de negócios nos segmentos de propaganda, marketing e comunicação.

Nesta edição, o evento traz como tema central o uso da inteligência artificial para potencializar atividades de planejamento e criação publicitária — duas áreas fundamentais para o presente e o futuro do setor.

A programação contará com duas palestras especiais. A primeira será conduzida por Yasmin Duarte, diretora de marketing digital na Área Comunicação, que abordará o tema “Planejamento e Inteligência Artificial”. Com dez anos de experiência em marketing, Yasmin possui trajetória voltada à integração entre branding, performance e análise de dados, tendo atuado com marcas nacionais e internacionais como Magazine Luiza, Guaraná Antarctica, Grupo Bimbo e Louis Vuitton (Clarins).

Na sequência, o público acompanha a palestra “Criação e Inteligência Artificial”, ministrada por Guilherme Meneghetti, coordenador de criação e conteúdo digital do Crea-SP. Formado em Comunicação e Multimeios, com especialização em criação publicitária e jornalismo digital, Guilherme acumula experiência em conteúdo, moda e publicidade, tendo trabalhado com marcas como Einstein, Renner, Avenue e Paketá.

Segundo a organização, a proposta do Doses de Mercado é criar um ambiente de troca de conhecimento, atualização profissional e fortalecimento do ecossistema de comunicação da região. A escolha da inteligência artificial como tema reflete a crescente transformação do mercado e a necessidade de profissionais e empresas compreenderem como utilizar essas ferramentas de forma estratégica, criativa e competitiva.

O evento será realizado no Auditório do Sincomercio, em São José dos Campos, das 19h às 21h30. As inscrições já estão abertas.

Serviço
Doses de Mercado — Inteligência Artificial aplicada a Planejamento e Criação
Data: 26 de maio de 2026
Horário: das 19h às 21h30
Local: Auditório do Sincomercio — São José dos Campos
Realização: APP Vale

Inscrições por aqui

Dizer uma coisa e ser outra? Não quando o endomarketing é levado a sério

Por Liu Ferrari*

Tem muita empresa que ainda trata endomarketing como apoio. Uma campanha interna aqui, uma ação de engajamento ali, um calendário de comunicação para manter o time “conectado”. Isso é reduzir um sistema poderoso a uma simples ferramenta. Só que o Endomarketing, quando levado a sério, alinha a empresa toda.

Falta planejamento, propósito e alinhamento de discurso adequados em muitas empresas? Sim. Mas grande parte delas tem o básico minimamente estruturado. O problema é a distância entre o que a liderança define, o que a marca promete e o que as pessoas realmente vivem no dia a dia. Quando essa distância é ignorada (ou nem percebida) a empresa se torna inconsistente. E uma empresa inconsistente pode até crescer por algum tempo, mas dificilmente de forma saudável. É por isso que falar de endomarketing, no fundo, é falar de coerência.

Vamos subir alguns degraus. O Branding define a identidade da empresa: quem ela quer ser, que valor pretende entregar e que direção escolheu seguir. Aí vem a Cultura e transforma isso em comportamento. Mostra como a empresa decide, lidera, reconhece, cobra e tolera. O resultado dessa equação é a Marca Empregadora construída a partir da experiência real de quem trabalha ali. Isso não se constrói com discurso, mas com vivência.

Se a empresa fala de autonomia, mas centraliza tudo, isso aparece. Se fala de desenvolvimento, mas não cria ambiente para crescimento, isso aparece. Se fala de colaboração, mas premia apenas competição interna, isso aparece também. A reputação como lugar para trabalhar não nasce de campanha, mas vaza da operação.

O Endomarketing sustenta tudo isso, garantindo que identidade, comportamento e percepção não entrem em choque. Esse ponto costuma ser ignorado e os efeitos raramente são associados às causas. Isso já explica por que endomarketing não pode ser reduzido a comunicação interna.

Liu Ferrari, especialista em endomarketing da Octopus

Sem dúvida, comunicar é parte importante da disciplina, mas está longe de representá-la por completo. O papel do endomarketing é traduzir direção estratégica em entendimento coletivo, ativar comportamento coerente e sustentar a empresa no mesmo caminho. Em outras palavras, é o sistema que conecta o que a marca diz, o que a liderança quer e o que a operação pratica.

Nesse processo, entram agentes determinantes.

O CEO aponta o objetivo. A alta administração define o rumo. Mas quem consolida (ou destrói) a coerência no cotidiano é a liderança intermediária. É nela que a cultura ganha corpo. É nela que o discurso vira prática ou cinismo. Quando a média liderança não reforça prioridades, não vive os valores e não toma decisões alinhadas com a direção da empresa, o endomarketing vira decoração.

Quem perde muito com isso é a cultura organizacional. Ela não brota. Mora nos rituais, nas metas, nos critérios de promoção, na forma como se dá feedback, no que se reconhece e no que se tolera. A empresa sempre se torna mais parecida com o que ela incentiva do que com o que ela declara. Se há desalinhamento entre mensagem e incentivo, o incentivo vence. Sempre.

Mais clareza, menos contradição. Desde o onboarding, passando pela forma como a estratégia é desdobrada, pela cadência da liderança, pelos rituais internos, reconhecimentos, experiência de desenvolvimento e até pela saída das pessoas, lá está o Endomarketing. Não como campanha, mas estrutura.

O clima ganha muito com isso. Mas os benefícios extrapolam: a empresa reduz ruído, acelera decisões, fortalece a confiança interna, transformando-se em consistência na experiência entregue para fora.

Não existe marca forte lá fora quando é confusão o que reina lá dentro.

*Liu Ferrari, especialista em endomarketing da Octopus, agência de publicidade e propaganda com quase cinco décadas de atuação e operações nos estados de São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Minas Gerais

Uma ideia, muitos palcos: como a multicanalidade está reinventando a criação publicitária

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

A multicanalidade deixou de ser diferencial e virou condição básica do jogo. O consumidor já não percorre uma jornada linear, do tipo “vi um anúncio, entrei na loja e comprei”. Ele descobre uma marca no Instagram, pesquisa no Google, vê reviews no YouTube, recebe um remarketing, compara preços em um marketplace e, às vezes, finaliza a compra no ponto de venda físico. Segundo a própria Google, o processo de decisão atual é cheio de idas e vindas, com momentos de exploração e avaliação contínua. Isso muda profundamente a forma como pensamos estratégia e criação publicitária.

Da campanha ao ecossistema: a nova lógica da estratégia

Do ponto de vista estratégico, a primeira grande mudança é que não existe mais “a campanha” isolada, mas sim um ecossistema de comunicação. De acordo com Philip Kotler, o marketing contemporâneo é cada vez mais integrado e orientado por dados, o que exige coerência entre pontos de contato. Isso significa que TV, redes sociais, mídia programática, e-mail, influenciadores, PDV e atendimento não podem falar línguas diferentes. A marca precisa ter uma espinha dorsal clara — propósito, tom de voz, proposta de valor — que se desdobra de forma consistente em todos os canais.

Ideias que nascem para se espalhar, não para se encaixar

Para a criação, o impacto é direto: a ideia criativa já não nasce para um único formato. Ela precisa ser “adaptável por natureza”. Um conceito forte hoje é aquele que funciona em vídeo curto, banner, post estático, experiência interativa e até num chatbot. Segundo a Meta, campanhas com variações criativas pensadas para diferentes posicionamentos e formatos tendem a performar melhor do que peças únicas replicadas mecanicamente. Ou seja, não é só cortar o filme de 30 segundos: é pensar a ideia desde o início como modular e expansível.

Cada canal é um momento diferente da mesma pessoa

Outro ponto essencial é o papel do contexto. Na multicanalidade, a mesma pessoa é impactada em momentos emocionais e racionais diferentes ao longo do dia. Segundo a Nielsen, a atenção e a receptividade à mensagem variam conforme o ambiente, o dispositivo e a situação de consumo de mídia. Isso exige uma criação mais sensível ao momento: o tom de um anúncio em streaming pode ser mais imersivo e emocional, enquanto um anúncio em busca paga precisa ser direto, funcional e orientado à solução de um problema imediato.

Dados que medem, insights que moldam a criação

A multicanalidade também transforma a forma como medimos resultados — e isso retroalimenta a criação. Com dados vindos de múltiplos pontos de contato, as marcas conseguem entender quais mensagens funcionam melhor em cada etapa da jornada. De acordo com a Salesforce, consumidores esperam experiências conectadas entre canais, e marcas que usam dados para personalizar comunicações tendem a gerar maior engajamento. Para o criativo, isso significa trabalhar cada vez mais próximo de mídia, BI e performance, ajustando narrativas com base em comportamento real, e não apenas em intuição.

Da explosão de mídia à presença contínua de marca

Por fim, talvez a maior mudança seja cultural: sai o pensamento de campanha pontual e entra o de presença contínua. A marca passa a ser uma conversa permanente, distribuída em vários espaços, e não um discurso concentrado em um único grande momento. Para estudantes e profissionais de publicidade, isso exige uma visão mais sistêmica: entender jornada, dados, plataformas e comportamento é tão importante quanto ter uma boa sacada criativa. No cenário da multicanalidade, a grande ideia ainda é rainha — mas só reina de verdade quando sabe circular bem por todos os reinos onde o consumidor está.