Coluna “Discutindo a relação…”

Não terminou. Apenas começou.

Lá pelos idos de 1990 e 2000 em minha agência de propaganda trabalhávamos duro para vender uma campanha ao cliente e depois colocá-la no ar. Era duro, era cansativo e não tínhamos tantos recursos computacionais e de automação como existem atualmente.

Entretanto, depois que a campanha ia para a rua o trabalho para aquela conta “terminava”, ou ganhávamos um fôlego até o desenvolvimento de uma nova campanha.

Os tempos definitivamente mudaram nos últimos anos. Colocar a campanha no ar está longe, hoje em dia, de significar o “fim do trabalho”. Ao contrário, o trabalho apenas começa.

Uma frase ou expressão que pode definir o trabalho de propaganda e comunicação atual é “End to End”. A propaganda agora acontece para além do plano de mídia e das peças veiculadas. Há de se monitorar, cuidar, dialogar, interagir, reagir, corrigir, rever e seguir.

Imagem de Gerd Altmann do Pixabay

As mídias digitais mudaram definitivamente as regras deste jogo. A ação de comunicação, a campanha, segue viva e passível de alterações de rota.

O conceito ou ideia de campanha também vem ficando ultrapassado já há algum tempo e talvez o conceito que melhor traduza o trabalho de propaganda/marketing/comunicação seja o de construir plataformas de negócios. As plataformas não têm início-meio-fim. Elas são uma base de relacionamento constante. E nesta construção deve haver intensa participação da agência, do cliente e de parceiros com expertises muito específicas para a formatação da plataforma.

São tempos de agências líquidas, mutantes e antenadas o tempo todo.

Lá se foi o tempo em que por a campanha na rua significa alguns momentos de paz e certa tranquilidade. Agora é só o começo!

Metaverso: as possibilidades da revolução digital

Por Binho Dias*

O metaverso ainda está emergindo, mas muitos componentes já começaram a tomar forma e estão revolucionando as mais diversas áreas. Já pudemos acompanhar recentemente shows interativos virtualmente de grandes nomes da música, como Ariana Grande e Travis Scott no ‘Fortnite’, para mais de 12 milhões de usuários. Na área corporativa, os eventos no metaverso estão tomando conta das empresas. Acontecimentos nos quais os participantes podem criar ou interagir dentro de salas virtuais são uma constante.

Do ponto de vista tecnológico, já existem iniciativas que suportariam, teoricamente, milhares de usuários, algo ainda simbólico em comparação com festivais presenciais, que comportam uma audiência muito maior, mas muito relevante no cenário que vivemos hoje, no qual o online convive com o presencial todo o tempo, para evitar aglomerações.

A ideia de metaverso é a experiência imersiva que ele traz, a possibilidade de realmente estar em um universo digital onde a interação é diferenciada e complementar ao offline.

O primeiro nível do metaverso é a experiência.

A imersão da qual falei acima é parte do que compõe o metaverso, que não é apenas uma lojinha em que você faz compras online, mas a experiência e interatividade em estar ali, fazendo uma compra com seu avatar virtual. Ou seja, existe a experiência de estar em um lugar novo e entender como aquele ambiente atua, quais suas funcionalidades e como usufruir daquilo da melhor forma possível.

O segundo nível é o descobrimento.

Descobrir é algo intrínseco à tecnologia, pois as descobertas dos próprios usuários moldam os novos formatos de como o virtual irá se desenvolver. Assim como aconteceu com o Second Life, vivemos em um momento tecnológico que, muitas vezes, o próprio público ainda não consegue compreender, por conta de limitações, sejam elas técnicas, como a falta de conexão ou infraestrutura de acesso, seja por falta de opções. No entanto, vejo nosso momento muito mais promissor para o metaverso, diferente da época do Second Life, o público tem muito mais acesso à tecnologia e, por isso, ela não se restringe apenas a um grupo seleto de pessoas que não multiplicam as tendências. O descobrimento destas novas tendências afloram, prova disso é a atual popularização do termo metaverso.

O novo mercado

Essas tendências geram um poder de escolha que antes não tínhamos, ao oferecer para o usuário a possibilidade de optar pela maneira como consumir um conteúdo, seja presencialmente ou apenas online.

Com a pandemia, a incerteza em relação a nossos ambientes presenciais fez com que o mercado se adaptasse ao improvável. Um evento presencial possui seus benefícios em experiência, mas nem sempre é uma possibilidade; o que não acontece no evento virtual, que sempre será uma alternativa possível e inclusiva.

*Binho Dias é Diretor de Produto na Blitzar

Vaga em marketing

Shopping busca assistente de marketing

O Via Vale Garden Shopping, em Taubaté, está buscando um assistente de marketing. Confira o detalhamento da vaga na arte abaixo.

Dia do rádio e os podcasts

O podcast é o novo rádio?

Desde o dito popular “a mídia impressa morreu”, muitas analogias também foram feitas sobre outros meios de comunicação tradicionais. Por exemplo, falou-se que a televisão seria substituída pelo streaming ou que o rádio está dando lugar ao podcast, que nos últimos anos tem ganhado mais importância como canal de comunicação.

Image by s__grafik from Pixabay

Recentemente, e no âmbito do Dia Internacional do Rádio (13 de fevereiro), a discussão sobre a “morte do rádio”, ou sua substituição por novas tecnologias sonoras, está mais forte do que nunca. Sem dúvida, a Internet muda tudo o que toca, e o rádio não é uma exceção: a transmissão de conteúdo sonoro está se tornando cada vez mais popular e entrou em cena através do que conhecemos como podcast.

A expansão deste meio possibilitou a muitas pessoas redescobrir o mundo do conteúdo sonoro. Especialmente porque o podcast pode ser ouvido em qualquer lugar e toca em assuntos que não estão no rádio tradicional.

Mas, o contexto nacional e global não deixou o rádio à sua própria sorte: na era das mídias sociais ele não é um meio obsoleto. Ainda é o meio de comunicação mais utilizado no mundo. Além disso, mostrou que pode se adaptar facilmente a situações de crise. Por exemplo, no início da pandemia da COVID-19, o rádio voltou a aparecer como um meio essencial para organizar ações de solidariedade em todo o mundo para reduzir as consequências da emergência sanitária. Portanto, a resposta é não, o rádio não está morto e o podcast não tomará seu lugar.

Por que o rádio sobrevive?

Desde que foi criado, o rádio é o maior meio de comunicação de massa, pois pode alcançar os cantos mais distantes do mundo, sendo acessível a pessoas de todas as etnias e estratos sociais. Apesar do advento de novas tecnologias, o rádio continua sendo a plataforma mais poderosa, dinâmica, participativa e versátil para que todos façam suas vozes serem ouvidas a partir de uma perspectiva ampla e diversificada.

Então, em vez de falar de substituição, por que não falar de dois meios de comunicação que podem se complementar e crescer por meio de suas diferenças? Aqui estão algumas diferenças básicas entre o rádio tradicional e o que alguns ainda chamam de “novo rádio”, ou seja, o podcast:

  • O sinal de rádio é local, com restrições legais, geográficas e tecnológicas devido a seu meio de transmissão.
  • O podcast é internacional, sem essas limitações.
  • O rádio se dirige a uma audiência ampla. Os podcasts são destinados a uma audiência de nicho.
  • O rádio oferece, principalmente, entretenimento e informações atuais. O podcast oferece conteúdo temático mais especializado, que agrega valor único e específico.
  • Na rádio, o diretor de programação decide o formato e o tipo de conteúdo que um produtor deve seguir. No podcast, o produtor ou mantenedor decide como personalizar o conteúdo de acordo com a reação do público.
  • No rádio, a emissora é a principal atração para o ouvinte. No podcast, os títulos de cada episódio são um gancho chave que atrai o ouvinte.
  • No rádio, alguns acreditam que a formação de comunidades não traz retorno de audiência. No podcast, o foco está em criar comunidades.
  • O rádio é escutado em segmentos, enquanto que os podcasts são ouvidos em sua totalidade, em uma única transmissão.

Em resumo, o rádio está mais vivo do que nunca e não apenas como uma das mídias de maior alcance global, mas, também em termos de estratégias de comunicação, como um canal que dá maior reputação aos porta-vozes, já que ainda é mais relevante se apresentar em um programa de rádio estabelecido do que em um podcast. Porém, os gêneros não estão em conflito, nem um derrotou o outro. Neste ecossistema, a coexistência é possível e o rádio e o podcast são prova disso.

Fonte: Another – agência independente que tem como objetivo revolucionar a comunicação estratégica por meio de campanhas poderosas e eficazes para posicionar várias marcas perante seus públicos.