Oportunidade de mídia

Por Josué Brazil

Imagem de Mohamed Hassan por Pixabay

Na hora de selecionar os veículos mais apropriados e adequados para uma ação/campanha de comunicação, vários são os fatores que devem ser levados em consideração. Não se deve escolher os veículos que conduzirão as mensagens/conteúdos até o público desejado de maneira aleatória, sem critérios e sem técnica.

Essa escolha deve ser consequência, em primeiro lugar, de uma análise bastante aprofundada de seu cenário de mercado e comunicação. É a etapa de Objetivos dentro do planejamento de mídia. Já tratamos desta etapa em um artigo aqui que trata de planejamento de mídia.

Depois devemos levar em consideração as características naturais de cada veículo ou plataforma de comunicação. Eles não são iguais, sejam eles veículos tradicionais ou digitais. Cada um deles também oferecem vantagens e possuem limitações. É importante que isso seja pesado e discutido. O caminho ideal é aproveitar as vantagens que cada meio oferece de maneira estratégica (dando um papel para ele em sua estratégia de mídia) e evitar as limitações (tentar fazer com que o veículo cumpra um papel que el não consegue cumprir).

Há entretanto alguns outros fatores listados por Armando Sant’Anna em seu livro Propaganda: Teoria, Técnica e Prática: Podemos chamá-los de Fatores Essenciais para a escolha dos veículos mais adequados para uma campanha

Sant’ana afirma serem esses os fatores que podem e devem influenciar na hora de escolher os veículos:

a) o público alvo;
b) o âmbito da campanha – nacional, estadual, regional, local;
c) a natureza do produto – sazonalidade, ritmo de compra, qualidades que devem ser mostradas/demonstradas, possíveis restrições jurídicas;
d) a estratégia de comunicação dos concorrentes;
e) a natureza e o tipo de mensagem que iremos veicular;
f) as oportunidades de mídia;
g) o prestígios do meio;
h) a verba disponível para veiculação;
i) o tipo de distribuição, configuração do mercado, se há intermediários e quais são.

As oportunidades de mídia

Neste texto quero me concentrar nas oportunidades de mídia. Chamo de oportunidade de mídia algo que um veículo ou plataforma venha a disponibilizar como espaço para colocação de mensagens ou conteúdos de uma forma diferenciada, única, momentânea ou… oportuna.

Pode ser um patrocínio de um programa ou conteúdo novo que passa a fazer parte da grade ou da linha editorial. Pode ser o patrocínio da cobertura de um evento.

Também pode ser uma “temporada especial de vendas”, na qual espaços são ofertados por algum motivo com descontos antes inexistentes.

Outra possibilidade é a construção, em uma parceria agência-veículo, de um formato novo e exclusivo. Algo formatado só para aquela campanha. Essa possibilidade também pode ocorrer em uma iniciativa só do meio ou plataforma.

Quando surge a oportunidade de mídia muitas vezes podemos pensar em “encaixar” em nosso planejamento de mídia um meio que inicialmente não estava sendo cogitado, principalmente pela questão de custo. Ou mesmo de inadequação de programação, conteúdo e cobertura de público (audiência certa).

Assim como todos os outros fatores citados acima, a oportunidade de mídia não deve ser o único a ser considerado, pesado e analisado na hora de incluir um meio em seu plano estratégico de mídia. Devemos analisar todos os fatores ao mesmo tempo, em suas intersecções e sinergias.

Mas… fica a dica: fique sempre atento as boas oportunidades de mídia!

Coluna “Discutindo a relação…”

Tendências do mercado publicitário para 2025: o futuro tá chegando!

Por Josué Brazil

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Estamos na reta final de 2024. Tá naquela hora de olhar para o próximo ano e tentar enxergar e entender tendências. Com o avanço da tecnologia e as mudanças nos hábitos de consumo, o mercado publicitário se reinventa a cada ano.

E 2025 não será diferente! Para quem trabalha com marketing e publicidade, é essencial estar atualizado com as tendências que vão moldar o futuro das campanhas e estratégias. Vamos dar uma olhada mais profunda no que vem por aí?

1. Publicidade Baseada em Inteligência Artificial (IA)
A inteligência artificial já é uma realidade em vários setores, e na publicidade, seu impacto será ainda maior em 2025. Marcas vão usar IA não apenas para analisar dados de consumidores, mas também para criar campanhas mais personalizadas e eficientes. Ferramentas de IA permitem ajustar anúncios em tempo real, de acordo com o comportamento dos usuários. Imagine um anúncio que muda conforme as preferências de cada pessoa, oferecendo o produto certo.

2. Marketing Sustentável e Socialmente Responsável
Os consumidores de 2025 serão mais conscientes e exigentes em relação ao impacto das marcas no mundo. As gerações mais jovens, como os millennials e a Geração Z, valorizam quem faça o bem.

As campanhas publicitárias precisarão mostrar, de maneira óbvia, como as empresas estão contribuindo para a sustentabilidade, seja com práticas ecológicas, seja promovendo a diversidade e a inclusão. E não pense que é só “marketing verde”! Em 2025, o público estará atento e será exigente. O chamado “greenwashing” (quando uma empresa finge que é sustentável sem realmente ser) será rapidamente identificado e punido.

3. Comércio Social em expansão
As redes sociais não serão apenas um lugar para ver fotos e vídeos dos amigos, mas também um espaço cada vez mais integrado com o comércio. O comércio social. Instagram, TikTok, Pinterest e até o WhatsApp estão implementando cada vez mais recursos de compra, como catálogos de produtos, pagamentos diretos e integração com lojas. Para as marcas, essa será uma grande oportunidade de criar uma jornada de compra mais fluida e envolvente, ao mesmo tempo que aproveitam o poder de influenciadores e criadores de conteúdo.

4. Conteúdos em vídeo e Lives mais interativas
Se 2020 já foi o ano do vídeo com o boom do TikTok e Reels, em 2025 os conteúdos em vídeo vão dominar ainda mais as redes. Mas não será qualquer vídeo: os consumidores vão querer interatividade e personalização. Ferramentas que permitem ao público participar, votar ou até personalizar suas próprias experiências dentro de vídeos serão uma tendência. As lives interativas também.

5. Metaverso: um novo mundo publicitário
Grandes marcas já estão investindo em experiências de realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) dentro desses espaços, e o metaverso abre infinitas possibilidades para criar campanhas imersivas, colaborativas e únicas. Será uma maneira de as empresas se conectarem com o público de uma forma mais envolvente, oferecendo experiências que vão além do que é possível no mundo real.

6. Transparência e privacidade dos dados
Com as novas regulamentações de privacidade de dados, como a LGPD, as marcas precisarão ser transparentes em relação aos dados que coletam e como os utilizam. Empresas que colocam a privacidade como uma prioridade e se comprometem com uma abordagem ética do uso de dados garantem um passo à frente.

7. O Impacto dos Influenciadores Híbridos e Virtuais
Os influenciadores digitais não irão desaparecer, mas à maneira como as marcas trabalham com eles vai evoluir. Em 2025, veremos uma ascensão dos influenciadores híbridos.

Os influenciadores híbridos são uma tendência que combina a atuação de influenciadores tanto no mundo digital quanto no físico. Ao invés de limitar sua presença exclusivamente nas redes sociais, esses influenciadores têm uma participação mais ampla, envolvendo-se em campanhas e experiências que acontecem em várias esferas, como eventos financeiros, reforços ao vivo, e até no metaverso

Influenciadores virtuais – como avatares criados por IA – também ganharão destaque, especialmente no metaverso. Esses personagens digitais poderão representar marcas de formas criativas e inusitadas, sendo uma extensão das campanhas publicitárias em universos digitais.

Como será o amanhã?!

O mercado publicitário em 2025 será um ecossistema ainda mais dinâmico, interativo e guiado por tecnologia. À medida que as agências, os publicitários e os profissionais de marketing se adaptam a essas tendências e se concentram em construir relacionamentos genuínos com seus consumidores, serão mais qualificados para o sucesso. Afinal, o futuro do marketing e da propaganda não é apenas sobre vender produtos, mas sobre criar experiências que conectem as pessoas e deixem um impacto positivo no mundo.

A prospecção (em agências) é uma necessidade básica

Por Josué Brazil

Sim, meus amigos e amigas: prospectar é preciso!

Imagem de Robert Owen-Wahl por Pixabay

E aí muita gente pode perguntar: o que é prospecção mesmo?

Basicamente podemos afirmar que a prospecção é busca por novos clientes. Uma agência deve sempre buscar novas contas. E, normalmente, quem faz esse trabalho é o profissional de atendimento.

A palavra “Prospecção” vem do método empregado para localizar e calcular o valor econômico das jazidas minerais.

Prospectar clientes seque a mesma lógica, pois é uma técnica de vendas utilizada para encontrar e selecionar os potenciais clientes(chamados de prospects), que são os clientes que têm maior chance de comprar da empresa determinado produto/serviço e que possuem maior valor para a empresa.

E por que devemos prospectar?

Todas as empresas estão sempre perdendo alguns clientes e ganhando outros.

A prospecção de clientes é um hábito que deve ser cultivado. No começo pode ser um pouco mais difícil, mas aos poucos irá sendo incorporado ao cotidiano.

Ela é essencial para repor clientes perdidos e que desfalcaram a carteira da agência e para promover crescimento.

Como prospectar?

Primeira etapa: ENTENDER

1 -Análise do SEU negócio

  • quero crescer ou apenas repor clientes que deixaram a minha carteira?
  • quantos novos clientes consigo atender bem?
  • qual as potencialidades e exclusividades do meu negócio?
  • tenho capacidade instalada para crescer ou vou ter que ampliar estrutura e pessoas?

2 – Análise do SEU mercado

  • está crescendo, parado ou decrescendo?
  • há novos anunciantes?
  • quantos são seus concorrentes e como eles atuam?
  • há brechas? segmentos de mercado não atendidos ou despercebidos?

Segunda etapa: ESTRATÉGIA (o QTTC)

1 – Definir QUANTIDADE de novos clientes a serem buscados;
2 – definir em quanto TEMPO você quer conquistar essa quantidade de clientes
3 – definir TAMANHOS de clientes a serem buscados (por exemplo, você vai buscar 06 novos clientes, sendo dois de grande porte, dois de porte médio e dois de pequeno porte);
4 – definir COMO vai buscar estes clientes (são as ações que você desenvolverá para se aproximar de empresas e apresentar sua agência, como participar de feiras e congressos, dar palestras, participar de associações comerciais/industriais, ler publicações de negócios e economia, anunciar sua agência, pedir indicações aos já clientes e fornecedores e etc)

Fatores determinantes na prospecção em agências

1 – Contas de segmentos ainda não atendidos;

2 – Rentabilidade das possíveis novas contas;

3 – Visibilidade e prestígio que os novos clientes podem trazer.

Bora prospectar então?!

Commerce Media: 10 princípios fundamentais da modalidade que cresce mais rapidamente na publicidade digital

Por Tiago Cardoso*

Em alguns círculos publicitários, você pode ter começado a ouvir a expressão “commerce media” surgindo. Isso porque é uma nova abordagem de publicidade digital que está mudando a forma como o comércio é realizado. No entanto, commerce media é um daqueles termos que parecem simples, mas quando alguém tenta explicá-lo, a maioria fica confusa.

Commerce media é a publicidade que conecta os consumidores a produtos e serviços ao longo de toda a jornada de compra, tanto em pontos de contato físicos quanto digitais, vinculando diretamente o investimento em publicidade às transações.

Embora pareça simples, commerce media é uma abordagem publicitária multifacetada que ainda é muito nova. Abaixo estão dez fatos-chave sobre commerce media para esclarecer seus princípios fundamentais:

1. Commerce media é um conceito novo em evolução

O termo ganhou popularidade com a divulgação de receita publicitária da plataforma Amazon, em 2022, acompanhada de uma promessa de acesso inédito a dados comerciais para as marcas, além de um novo fluxo de receita para varejistas. Apesar de haver uma alta de adesões à commerce media, o ecossistema tem um longo caminho a percorrer para aproveitar ao máximo seus benefícios.

2. Commerce media independe do canal de venda

A commerce media envolve a conexão de todas as mídias que podem ser associadas a transações de vendas on-line e off-line, ou que usam dados comerciais para enriquecer e otimizar a segmentação do público. A modalidade é a oferta de produtos em lojas físicas, marketplaces e e-commerces, ou ainda plataformas de conteúdos e notícias.

3. Commerce Media não existe sem dados e IA

A segmentação e definição de públicos-alvo da commerce media tem base em dados comerciais (sinais e transações de intenção/viagem do cliente no mundo real) para informar as decisões de marketing, melhorar a segmentação, criar anúncios eficientes e eficazes e proporcionar experiências de consumo otimizadas.

Isso só é possível por meio da inteligência artificial, que é capaz de analisar e trabalhar dados comerciais para desenvolver modelos preditivos que aprimorem as recomendações e biddings. E também podem ajudar os publishers a melhorarem seus públicos a fim de monetização.

4. Commerce media multiplica receitas também para não-anunciantes

Muitos tipos de negócios podem se beneficiar da modalidade, incluindo anunciantes, agências, plataformas de análises de dados, de mensuração de mídia, entre outros players que apoiam os operadores de mídia a impulsionar resultados, multiplicando, assim, suas receitas.

5. O maior inibidor da commerce media é a fragmentação

Não existe uma única abordagem para a commerce media –cada player do comércio (varejistas, marketplaces ou e-commerces) tem sua própria maneira de negociar anúncios, definir públicos, políticas e utilizar dados. Para as marcas, isso dificulta o alcance de seus públicos-alvo, bem como a mensuração de ROI das campanhas. Assim, um esforço de padronização e unificação do mercado pode ser a principal melhoria para ampliar receitas a todos os participantes.

6. Commerce media não é retail media

Os varejistas estão entre os primeiros players da commerce media, mas a modalidade conta com novos players, os recém-chegados, Mas outras indústrias, como a automotiva, companhias aéreas, hotéis e a economia compartilhada, trazem seus próprios conjuntos de dados e capacidades únicos, bem como diferentes tipos de transações.

7. Commerce media agrega insights que vão além do varejo

Por não ser apenas multi-comercial, mas também multi-setorial, a commerce media tem conjuntos de dados de comportamento e de transações de um escopo mais amplo de ambientes e públicos. Esses insights podem melhorar ainda mais a segmentação e a personalização, além de ampliar o mix de marketing.

8. Commerce media amplia oportunidades no ecossistema digital

A commerce media expande o escopo dos canais programáticos tradicionais, ao conectar experiências onsite e display nos pontos de venda e offsite na web aberta e lojas físicas. A modalidade gera oportunidades para anunciantes não-endêmicos nos sites de varejistas, permite que publishers implementem estratégias de monetização orientadas para o comércio e capacita compradores e vendedores de mídia a identificarem valor de seus dados primários.

9. Commerce media é omnichannel e full-funnel

A commerce media não se limita a alcançar clientes no ponto de venda, mas em todos os canais, e ao longo de todas as etapas do funil de compra –desde que os pontos possam ser atribuídos a transações. Isso significa que a estratégia pode ser ser atribuída desde o estágio inicial de pesquisa até a compra final –conscientização, consideração e conversão.

10. Commerce media é multiformato e multicanal

Para se conectar com os consumidores em todo o funil, o commerce media adota uma variedade de formatos e de canais, muito além dos anúncios patrocinados tradicionalmente associados à retail media, incluindo também vídeo, display, contextual, shoppable ads, CTV, OOH e SMS, entre outros.

Atualmente, a commerce media na internet aberta é fragmentada, com plataformas do lado da demanda (DSPs), plataformas do lado da oferta (SSPs) e SSPs de varejo operando separadamente. Mas, à medida que a privacidade continua sendo uma prioridade em todo o ecossistema, profissionais de marketing e proprietários de mídia buscarão soluções mais integradas para gerenciar, escalar e ativar dados primários e audiências endereçáveis. Espera-se que o espaço de mídia comercial avance rapidamente nessas áreas, tornando mais fácil para profissionais de marketing e proprietários de mídia trabalharem juntos para oferecer experiências mais ricas aos consumidores.

*Tiago Cardoso é Managing Director LATAM na Criteo