O metaverso ainda está emergindo, mas muitos componentes já começaram a tomar forma e estão revolucionando as mais diversas áreas. Já pudemos acompanhar recentemente shows interativos virtualmente de grandes nomes da música, como Ariana Grande e Travis Scott no ‘Fortnite’, para mais de 12 milhões de usuários. Na área corporativa, os eventos no metaverso estão tomando conta das empresas. Acontecimentos nos quais os participantes podem criar ou interagir dentro de salas virtuais são uma constante.
Do ponto de vista tecnológico, já existem iniciativas que suportariam, teoricamente, milhares de usuários, algo ainda simbólico em comparação com festivais presenciais, que comportam uma audiência muito maior, mas muito relevante no cenário que vivemos hoje, no qual o online convive com o presencial todo o tempo, para evitar aglomerações.
A ideia de metaverso é a experiência imersiva que ele traz, a possibilidade de realmente estar em um universo digital onde a interação é diferenciada e complementar ao offline.
O primeiro nível do metaverso é a experiência.
A imersão da qual falei acima é parte do que compõe o metaverso, que não é apenas uma lojinha em que você faz compras online, mas a experiência e interatividade em estar ali, fazendo uma compra com seu avatar virtual. Ou seja, existe a experiência de estar em um lugar novo e entender como aquele ambiente atua, quais suas funcionalidades e como usufruir daquilo da melhor forma possível.
O segundo nível é o descobrimento.
Descobrir é algo intrínseco à tecnologia, pois as descobertas dos próprios usuários moldam os novos formatos de como o virtual irá se desenvolver. Assim como aconteceu com o Second Life, vivemos em um momento tecnológico que, muitas vezes, o próprio público ainda não consegue compreender, por conta de limitações, sejam elas técnicas, como a falta de conexão ou infraestrutura de acesso, seja por falta de opções. No entanto, vejo nosso momento muito mais promissor para o metaverso, diferente da época do Second Life, o público tem muito mais acesso à tecnologia e, por isso, ela não se restringe apenas a um grupo seleto de pessoas que não multiplicam as tendências. O descobrimento destas novas tendências afloram, prova disso é a atual popularização do termo metaverso.
O novo mercado
Essas tendências geram um poder de escolha que antes não tínhamos, ao oferecer para o usuário a possibilidade de optar pela maneira como consumir um conteúdo, seja presencialmente ou apenas online.
Com a pandemia, a incerteza em relação a nossos ambientes presenciais fez com que o mercado se adaptasse ao improvável. Um evento presencial possui seus benefícios em experiência, mas nem sempre é uma possibilidade; o que não acontece no evento virtual, que sempre será uma alternativa possível e inclusiva.
Desde o dito popular “a mídia impressa morreu”, muitas analogias também foram feitas sobre outros meios de comunicação tradicionais. Por exemplo, falou-se que a televisão seria substituída pelo streaming ou que o rádio está dando lugar ao podcast, que nos últimos anos tem ganhado mais importância como canal de comunicação.
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Recentemente, e no âmbito do Dia Internacional do Rádio (13 de fevereiro), a discussão sobre a “morte do rádio”, ou sua substituição por novas tecnologias sonoras, está mais forte do que nunca. Sem dúvida, a Internet muda tudo o que toca, e o rádio não é uma exceção: a transmissão de conteúdo sonoro está se tornando cada vez mais popular e entrou em cena através do que conhecemos como podcast.
A expansão deste meio possibilitou a muitas pessoas redescobrir o mundo do conteúdo sonoro. Especialmente porque o podcast pode ser ouvido em qualquer lugar e toca em assuntos que não estão no rádio tradicional.
Mas, o contexto nacional e global não deixou o rádio à sua própria sorte: na era das mídias sociais ele não é um meio obsoleto. Ainda é o meio de comunicação mais utilizado no mundo. Além disso, mostrou que pode se adaptar facilmente a situações de crise. Por exemplo, no início da pandemia da COVID-19, o rádio voltou a aparecer como um meio essencial para organizar ações de solidariedade em todo o mundo para reduzir as consequências da emergência sanitária. Portanto, a resposta é não, o rádio não está morto e o podcast não tomará seu lugar.
Por que o rádio sobrevive?
Desde que foi criado, o rádio é o maior meio de comunicação de massa, pois pode alcançar os cantos mais distantes do mundo, sendo acessível a pessoas de todas as etnias e estratos sociais. Apesar do advento de novas tecnologias, o rádio continua sendo a plataforma mais poderosa, dinâmica, participativa e versátil para que todos façam suas vozes serem ouvidas a partir de uma perspectiva ampla e diversificada.
Então, em vez de falar de substituição, por que não falar de dois meios de comunicação que podem se complementar e crescer por meio de suas diferenças? Aqui estão algumas diferenças básicas entre o rádio tradicional e o que alguns ainda chamam de “novo rádio”, ou seja, o podcast:
O sinal de rádio é local, com restrições legais, geográficas e tecnológicas devido a seu meio de transmissão.
O podcast é internacional, sem essas limitações.
O rádio se dirige a uma audiência ampla. Os podcasts são destinados a uma audiência de nicho.
O rádio oferece, principalmente, entretenimento e informações atuais. O podcast oferece conteúdo temático mais especializado, que agrega valor único e específico.
Na rádio, o diretor de programação decide o formato e o tipo de conteúdo que um produtor deve seguir. No podcast, o produtor ou mantenedor decide como personalizar o conteúdo de acordo com a reação do público.
No rádio, a emissora é a principal atração para o ouvinte. No podcast, os títulos de cada episódio são um gancho chave que atrai o ouvinte.
No rádio, alguns acreditam que a formação de comunidades não traz retorno de audiência. No podcast, o foco está em criar comunidades.
O rádio é escutado em segmentos, enquanto que os podcasts são ouvidos em sua totalidade, em uma única transmissão.
Em resumo, o rádio está mais vivo do que nunca e não apenas como uma das mídias de maior alcance global, mas, também em termos de estratégias de comunicação, como um canal que dá maior reputação aos porta-vozes, já que ainda é mais relevante se apresentar em um programa de rádio estabelecido do que em um podcast. Porém, os gêneros não estão em conflito, nem um derrotou o outro. Neste ecossistema, a coexistência é possível e o rádio e o podcast são prova disso.
Fonte: Another – agência independente que tem como objetivo revolucionar a comunicação estratégica por meio de campanhas poderosas e eficazes para posicionar várias marcas perante seus públicos.
O retorno das férias parece uma jornada do herói (e você nem percebeu isso)
Já ouviu falar na Jornada do Herói? Basicamente é a ideia de que todas as histórias seguem uma estrutura em comum desde a antiguidade, das obras de milhares de anos atrás, como óperas, até os filmes mais recentes de Hollywood, como Guerra nas Estrelas. Podemos acrescentar algumas propagandas, com o uso do storytelling e, arrisco dizer, até em nossa vida, como no retorno das férias, quer ver? Então bora pra história!
Storytelling é vida
Toda propaganda moderna se baseia nos conceitos de storytelling. Ou seja, explora-se o nosso desejo latente de ouvir histórias, algo que praticamos desde quando nos reunimos ao redor de uma fogueira quando homens das cavernas (talvez falando em sinais rs).
Essa premissa de contar histórias, que seria a tradução livre do termo storytelling em inglês, vem sendo aplicada em muitas propagandas, seja para vender um novo carro ou para fazer você investir em algum curso com alguma nova fórmula para enriquecer.
Resumindo: sempre temos um narrador contando algo, tentando nos envolver, mostrar situações, gerar empatia, dar seu endosso, mostrar sua cara e “abrindo o jogo” com você na mais louca e frenética tentativa de gerar um vínculo com quem estiver ouvindo.
Sendo assim, quando chegar um vídeo desse para você no Youtube, pode anotar os passos e se preparar para uma história de como aquele produto fez bem, como a pessoa era infeliz antes ou como ela era pobre e superou tudo etc. Temos sempre uma história sendo contada e, convenhamos, gostamos mesmo de histórias, basta ver o sucesso de livros e filmes mundo afora. Pessoas, escritores, grandes mercados de entretenimento bilionários baseados simplesmente em “histórias” estão aí e provam isso. Concorda? Prendi sua atenção até aqui?
Sobre a Jornada do Herói
Joseph Campbell foi um professor e mitologista norte-americano que dedicou sua vida ao estudo dos mitos. Ele então chegou ao que chamamos hoje de Jornada do Herói. Comparando antigos livros com os mais recentes percebeu que todas as histórias tinham muitas partes parecidas de conflitos e resoluções, como se fossemos programados para falar e ouvir sempre as mesmas coisas. Como se essa fosse a essência de toda história desde sempre.
Não quero entrar em detalhes, pois vale a leitura de todos os conteúdos sobre o tema, mas muitos desses processos foram aplicados também por roteiristas de Hollywood nos maiores sucessos do cinema. Esse conceito foi dissecado pelo escritor do livro A jornada do escritor, Christopher Vogler, que indicarei para quem quiser aprofundar no tema.
Etapas da Jornada do Herói
1- Mundo comum
2- Chamado à aventura
3- Recusa do chamado
4- Encontro com o mentor
5- Travessia do limiar
6- Provas, aliados e inimigos
7- Aproximação
8- Provação Central
9- Recompensa
10- O caminho de volta
11- Ressurreição
12- Retorno com o Elixir
Essa é a estrutura que provavelmente contempla todos os atos de qualquer filme, livro, propaganda e vídeos de Youtube que tentou convencer você de que existe um método fácil de ganhar muito dinheiro com a internet, sem trabalhar. Inclusive, arrisco dizer que podemos aplicar em nossas vidas, como, por exemplo, em nosso retorno das férias. Posso dizer então que criei a Jornada do trabalhador ou do CLT. Se você se reconhecer, parabéns! Considere-se um herói/heroína.
A jornada do CLT
1- Mundo comum
Aqui está você trabalhando e pensando nas férias, cansado, estressado, cheio de preocupações, vivendo a rotina normal de acordar cedo, ir pro trabalho, voltar etc.
2- Chamado à aventura
Alguém te convida para uma viagem de férias, pode ser um amigo, um familiar, sua esposa, tanto faz.
3- Recusa do chamado
Em um primeiro momento, você recusa, pois não quer gastar dinheiro ou qualquer outra desculpa para não viajar. Em alguns casos, até diz que “vai pensar”.
4- Encontro com o mentor
Alguém irá guiar você para essa viagem, pode até ser um guia de viagens ou seu parente que sabe tudo sobre a viagem e vai te convencer.
5- Travessia do limiar
Daqui em diante não tem volta, você já comprou as passagens, já fez os planos, já está até se imaginando lá no lugar.
6- Provas, aliados e inimigos
Durante suas férias, você pode aprender alguns macetes da viagem, alguns problemas podem ser evitados, você acaba superando problemas e contratempos, alguns aliados aparecem, como um bom lugar para comer ou um lazer incrível que você quer ir novamente.
7- Aproximação
Você vive alguns momentos de surpresas pelo caminho, vai criando uma expectativa para algo ainda mais incrível que pode ocorrer. Até pode acontecer mesmo!
8- Provação Central
Você vive uma grande viagem, tem momentos realmente inesquecíveis com pessoas queridas, vive o auge das férias. Seria o clímax nos filmes.
9- Recompensa
Qual a melhor recompensa de tirar férias? Relaxamento, tranquilidade, paz, saúde, tudo que quiser colocar aqui e levar pra casa. Podem até ser brindes e lembrancinhas. Você merece!
10- O caminho de volta
Essa é a parte mais triste, mas necessária. Você precisa voltar para casa, já está no caminho de volta, literalmente. Você revê todo trajeto e já sente saudades.
11- Ressurreição
É o momento de mostrar que você realmente curtiu as férias, provar que valeu a pena. Você posta fotos que ainda não postou, você sorri para quem pergunta, comenta com alguém sobre como as férias foram boas, tudo é válido para comprovar sua grande jornada.
12- Retorno com o Elixir
Você começa sua segunda-feira de trabalho meio distante, porém, apesar do peso do retorno, parece que algo mudou dentro de você. Pode até ser que tenha mudado mesmo, pois o ócio também leva ao estado de reflexão e até a grandes ideias. E se a rotina não te engolir novamente, você pode até rever toda sua jornada e escrever novos caminhos.
Essa é minha reflexão do início de ano.
Você conseguiu viajar? Já viu histórias assim?
Que comece a sua jornada para 2022!
Texto inspirado no livro “A jornada do escritor – Estrutura mítica para escritores” de Christopher Vogler.
O impacto do Metaverso no mundo do trabalho e na área de Aprendizagem Corporativa
*por Tatiany Melecchi
Desde que o Facebook anunciou o investimento estrondoso nesta tecnologia, o que ocasionou a mudança do nome da empresa para META, o Metaverso se tornou “o grande hype do momento”, as pessoas passaram a se interessar pelo assunto e a se questionar: “O que é?”, “Como funciona?”
Depois da leitura de alguns artigos e entendimento mínimo do que se tratava, vieram outras inquietações:
Como essa tecnologia irá impactar o mundo do trabalho?
Como revolucionará a área de treinamento e desenvolvimento?
Quais são as empresas que já estão liderando projetos de aprendizagem com foco nesta tecnologia?
Mas, antes de tentar responder estas perguntas e compartilhar as pesquisas e insights, vamos entender melhor o que tudo isso representa?
O que é esse tal de Metaverso?
“Metaverso” é uma junção do prefixo “meta” (que significa além) e “verso” (universo). O termo é normalmente usado para descrever uma espécie de mundo alternativo digital.
Um mundo onde os usuários poderão criar seus próprios avatares, que serão suas representações nesse ambiente digital e, por meio deles, poderão aprender, comprar, trabalhar, socializar e se conectar com colegas de trabalho, amigos e familiares. Ou seja, essa tecnologia replica o que fazemos no mundo real, só que de forma 100% digital.
Sue Young, diretora de produtos do Facebook, fala que “ao invés de apenas olhar para a tela dos dispositivos, você estará nela”.
E qual o impacto do Metaverso para o mundo do Trabalho?
Faço um convite para você usar a sua imaginação. Feche os olhos e visualize-se usando um óculos de realidade virtual. Com seu próprio avatar, você começa a interagir com todo o ambiente corporativo da sua empresa: anda pelo corredores, cruza com os colegas quando vai tomar água, tirar dúvidas e trocar ideias nos corredores, pausa para um cafezinho ou conversa com outros colegas no almoço, tudo isso de forma virtual. Ou imagine outro cenário: você está na sua casa, usando seu óculos de realidade virtual e participando de feiras, eventos ou entrevistas de emprego dentro do Metaverso, onde praticamente todo o processo seletivo acaba acontecendo via realidade aumentada.
A Samsung e a Hyundai são bons exemplos de companhias que mesmo antes do lançamento do Facebook e todo o buzz do assunto, já se valiam da estratégia de adotar realidade aumentada nos processos de recrutamento e seleção de novos profissionais.
E aí, qual o seu sentimento?
Você pode estar sentindo um certo fascínio, curiosidade e vontade de vivenciar tudo isso logo, ou quem sabe sentindo algum tipo de insegurança sobre o futuro do seu trabalho e da sua profissão. Todos esses sentimentos e outros são completamente normais e esperados, pois o Metaverso propõe mudanças significativas e pode representar ameaças às nossas necessidades básicas como segurança, estabilidade e pertencimento.
Por outro lado, os especialistas comentam que essa tecnologia visa recriar o ambiente presencial no digital e proporcionar uma experiência de maior proximidade relacional, na qual o trabalho virtual será menos solitário e com relacionamentos mais espontâneos e naturais.
Como o Metaverso irá impactar a aprendizagem corporativa?
Durante a pandemia vimos muitas empresas criarem seus estúdios para gravação de minivídeos, lives e afins. Atualmente, já temos algumas empresas criando espaços de aprendizagem imersivos, nos quais os participantes e instrutores interagem uns com os outros com os seus avatares, navegando em simuladores de desempenho hiper-realistas por meio de headsets de realidade virtual, telefones, iPads e PCs com RV (realidade virtual), onde eles aprendem uns com os outros em simulações práticas.
As farmacêuticas Pfizer, Novartis e Bristol Myers Squibb são algumas das empresas que estão usando essa tecnologia para praticar habilidades essenciais, voltadas a salvar vidas em laboratórios de realidade virtual seguros.
Além disso, os profissionais da área comercial terão a possibilidade de percorrer o universo digital e aprender sobre seus produtos, fazer simulações de controle de objeção, interagir com os clientes, treinar abordagens, compartilhar os benefícios dos produtos, apresentar soluções e recursos adicionais sem custos de deslocamento e de forma realista.
O uso crescente destas tecnologias vai exigir muita adaptação e resiliência dos profissionais e das empresas, além de demandar uma série de novos conhecimentos, habilidades, condutas e dinâmicas sociais nos próximos anos. E nós profissionais de T&D temos de estar na vanguarda desta nova maneira de aprender, trabalhar e interagir. A Cult já publicou as novas profissões que já estão surgindo e irão ganhar espaço com o Metaverso. https://cult.honeypot.io/reads/10-metaverse-jobs-that-will-exist-by-2030/
10 empregos que existirão até 2030 no Metaverso
Cientista de pesquisa do Metaverso
Estrategista de Metaverso
Desenvolvedor de ecossistemas
Gerente de segurança do Metaverso
Construtor de hardware do Metaverso
Storyteller do Metaverso
Construtor de mundos
Especialista em bloqueio de anúncios
O Facebook Brasil anunciou seis vagas para trabalhar com Metaverso, ou seja, essa profissão já é uma realidade.
Sobre Tatiany Melecchi
Tatiany Melecchi é mestre em Marketing pela Massey University, Nova Zelândia, a primeira brasileira certificada como Professional in Talent Development pela ATD (Association for Talent and Development) nos EUA, Coach ACC pela ICF pela International Coach Federation e Facilitadora Internacional Certificada pela LTEN (Life Sciences Trainers & Educators Network) nos EUA e facilitadora Internacional certificada em Neurociência da Gestão da Mudança pela 7th Mind, Inc nos EUA.