Juliana Freitas formou-se ano passado em publicidade e propaganda pela Universidade de Taubaté e já bateu as asas em direção ao mercado da capital paulista.
A jovem publicitária está batalhando firme para enfrentar o concorrido mercado e atuando como Assistente de Atendimento na Vapt Filmes.
A coluna “Discutindo a relação…” deste mês calhou de cair bem no Dia dos Professores. Prato feito para falar do ensino superior de propaganda e das suas consequências para o mercado.
Há clareza de que tudo mudou no mercado de comunicação nos últimos 20 anos. E o que não mudou ainda, por pura resistência e teimosia de alguns players, mudará. H.á necessidade de busca por novas práticas, novos modelos de atuação, novos profissionais.
E o ensino de propaganda? Mudou? Acompanhou a mudança radical de cenário? Não em todos os casos… Infelizmente.
Boa parte do que vi e vejo ao longo deste 24 anos de atuação como professor em cursos superiores de propaganda (Unitau, UBC e Cásper Líbero) e em passagens por módulos de pós graduação aqui e ali indica que repetimos modelos e vícios do mercado no ensino de propaganda nas faculdades.
É claro que temos que ensinar o básico. Temos que mostrar o modelo que surgiu a mais de 50 anos. Mais temos também que ensinar a pensar de modo diferente. Ensinar que novos modelos de atuação publicitária podem e devem ser testados. Que o modelo testado e aprovado há 50 anos já não funciona tão bem. E que por conta disso nossa atividade perde relvância. E a crise atual só amplia esse problema.
Mais do que ensinar modelos, roteiros, fórmulas, apostilas de dicas e de “como fazer” devemos ensinar a pensar a partir de conceituação e fundamentação fortes.
Temos que descobrir novas maneiras de ensinar. Como cobrar que nosso aluno seja criativo, inventivo e inovador se o que ele vê, ouve e anota nas salas de aula nada tem disso tudo?
Tudo mudou no cenário de comunicação e muito desta mudança se deve ao fato de que as pessoas mudaram. Alunos são pessoas. Óbvio! Então, meus caros, os alunos de hoje são totalmente diferentes dos alunos de 20 anos atrás. Temos que ensinar de modo diferente. Temos que ensinar de um modo mais atrativo, sedutor, criativo, inventivo, desafiador.
É fácil?! De modo algum. É bem mais difícil…Mas como sempre digo aos alunos que reclamam que determinado trabalho ou exercício é difícil: se fosse fácil qualquer um faria.
Parabéns, professores de propaganda pela data de hoje. Temos motivos para comemorar. Mas temos muito o que refletir. Para ter um mercado melhor precisamos entregar a este mesmo mercado profissionais melhores. Gente que reflete, analisa, propõe, cria e modifica.
No começo, o projeto era apenas para o TCC. Hoje, a ideia está muito além
Alunos do último ano do curso de Sistemas de Informação da UNITAU estão desenvolvendo uma nova rede social, chamada Dreampper. É uma rede de entretenimento, direcionada para pessoas que gostam de séries de TV, de jogos e de literatura! Sim, literatura. A rede social é também voltada para leitores e escritores.
O projeto, na realidade, começou apenas com uma ideia para o trabalho de conclusão de curso (TCC), porém os alunos queriam mais, então resolveram expandir a equipe. Atualmente, o projeto conta com uma design do Rio de Janeiro, outra de Niterói e outra de Brasília, com o intuito de lançar o projeto em uma escala maior.
“No começo, o meu orientador me deu várias ideias, porém, eu sempre quis ter algo para chamar de meu, então eu criei a Dreampper”, conta o aluno Felipe Santana, criador da rede social.
O diferencial da Dreampper é que o usuário pode encontrar características de grandes redes sociais, porém com conteúdos mais elaborados. Ela é separada em dois níveis, a primeira será liberada para pessoas publicarem conteúdos em geral, e a segunda parte é para pessoas criarem álbuns de entretenimento.
Felipe conta que sempre gostou de redes sociais e o curso de qualidade que faz o ajuda muito. “Eu sempre gostei de redes sociais e, no mundo de hoje, quando você faz um curso de qualidade como o meu, você quer ter um destaque. Criando uma rede social, terá que passar por várias partes da tecnologia e com certeza isso é um diferencial”, finaliza o aluno.
Coisinhas importantes que vi, ouvi e li no 27° Fest’up
Neste último fim de semana fui, com um grupo de cerca de 40 alunos da Comunicação Social da Unitau, participar de mais uma edição do Fest’up (Festival Universitário de Propaganda) promovido pela APP.
A edição deste ano foi muito bem organizada e contou com ótimos temas e palestrantes. Vou passar alguns pontos que considerei bacanas de alguns dos palestrantes que acompanhei. Vamos lá:
Construíndo significados
Comecei assistindo ao Márcio Oliveira, da LewLara/TBWA. Boa escolha.
Márcio falou sobre disruption, o ponto de ruptura para construir bons posicionamentos de comunicação. Apresentou o case de Gatorade que, durante a Copa do Mundo do Brasil, desenvolveu uma fórmula exclusiva da bebida para cada jogador da seleção brasileira a partir dos testes que a equipe médica e de preparação física realizou nos jogadores.
Marcio Oliveira
Apresentou dois conceitos interessantes. O primeiro foi o de disruption live, a quebra da convenção em tempo real. E falou que isso se aproxima muito do jornalismo: pautas são feitas em torno de assuntos que interessam e se relacionam com as marcas. O segundo foi o da geração Agoracêntrica, os jovens que querem tudo rápido e customizado, on demand.
E afirmou que as marcas devem ajudar a construir significados, estabelecer pontos de vista e valor.
Marcas são pontes
Fui acompanhar a palestra da Regina Augusto por dois motivos: sempre fui fã absoluto dela nos tempos de Meio&Mensagem (ótimos editoriais) e também porque sua nova agência tem uma proposta nova e interessante.
A Gume (agência da Regina) tem foco em Relações Públicas, reputação e engajamento.
Regina Augusto da Gume
Ela falou sobre o mundo de conexões múltiplas e de extremos. Um mundo em que tudo é amplificado pelo poder de expressão fornecido pelas novas ferramentas de comunicação. E propôs alguns códigos para este novo mundo:
relevância;
colaboração;
experiência;
propósito;
transparência
Regina terminou dizendo que, ao trabalhar sua comunicação fortemente a partir destes códigos, uma marca deve servir como ponte entre os públicos e seus anseios e maneiras de ver o mundo.
Participar de modo natural da vida das pessoas
Outra palestra que vou destacar aqui é a do Sérgio Prandini da Grey. Homem de atendimento por excelência, Sérgio deu um show de fluidez e naturalidade em sua apresentação. mas mostrou mais.
Mostrou que a efemeridade da comunicação e de seus meios é um dos grandes desafios do momento atual. Temos (marcas e agências) que estar atentos às mudanças e ter capacidade de rápida adaptação. E que a partir de muita análise e compreensão devemos (profissionais de comunicação)estabelecer o modo mais orgânico de participar da vida do consumidor.
Sérgio Prandini em sua palestra no 27° Festup
Sérgio disse algo que acho fundamental: o papel importantíssimo do CONHECIMENTO e da EXPERIÊNCIA como base para que se possa entender e propor soluções de comunicação e de negócios. E disse aos alunos: é fundamental estudar muito e sempre.
Buscando pessoas e resultados
Não conhecia a Heloisa Lima, da BFerraz. Arrisquei ao escolher essa palestra. E me dei muito bem. Além de divertida, bem humorada e falando no tom certo para sua audiência (estudantes), a Heloisa mostrou sacar tudo de mídias digitais e estratégia.
Uma das coisas muito bacanas que ela disse (entre tantas outras) foi: “no digital quando você está começando a se sentir em casa alguma coisa muda.” E aí você deve aprender novamente. E rápido.
Heloisa Lima palestrando no 27° Festup
Aplaudo o momento da palestra em que ela lembrou enfaticamente que não podemos esquecer de onde viemos. Destacou os grande nomes da propaganda brasileira e também as grandes agências. Mostrou que não há inovação e modernidade sem entender a história e a base da atividade publicitária. Merece toneladas de aplausos!!!
Heloisa disse que o trabalho de mídia, seja digital ou não, deve buscar por pessoas e resultados. E que para comprar mídia bem é só planejar melhor ainda. Trouxe também o conceito de Avaliação de Journey (jornada do consumidor) e explicou muito sucintamente Mídia Programática.
Show de bola, Heloisa!
Além destes que destaquei com mais detalhes aqui, vale também citar alguns outros palestrantes que acompanhei e que você, leitor do Publicitando, pode pesquisar e conhecer melhor: Leonardo Macias (DM9DDB), Ricardo Al Makul (KES), Flávio Ferrari (Ipsos), Márcio Beauclair (Africa), Romolo Megda (Babel Publicidade), Regina Bittar (Clube da Voz), Ruy Lindenberg e Luis Lui (Salve).