Qual será o papel da propaganda na retomada? Ou: vamos criar um climão?
Antes de qualquer coisa preciso escrever aqui que não há condição de prever o que virá com um mínimo de confiabilidade. E que a proposta desse texto não é um exercício de futurologia.
O que quero discutir aqui é o que a propaganda pode fazer para tornar o cenário pós isolamento social menos desastroso. Discutir que papel a propaganda pode exercer na retomada da economia e dos negócios.
Dito isso tudo vamos em frente!
Criar um ambiente positivo
A propaganda pode e deve trabalhar junto às marcas para criar um bom ambiente para o país. Buscar um discurso que reconheça as dificuldades, mas que ao mesmo tempo motive a população a enfrentar e ter esperança. Tem que ser um discurso positivo aliado a ações concretas por parte dos anunciantes.
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Creio que as agências e seus clientes devem pensar e por em prática coisas que ajudem as pessoas. Que as motivem. O que exatamente será eu não sei. Marcas e agências vão ter que buscar o que é mais sensível e urgente em cada segmento. Já vimos um ensaio disso durante a pandemia por parte de alguns anunciantes e suas agências.
O que importa são as pessoas
O centro de tudo deve ser o lado humano. A preocupação verdadeira com as pessoas. As marcas precisam e devem vender. Produtos e serviços precisarão ser escoados. Mas entender o que pode de fato ser decisivo para que as pessoas retomem uma “vida normal” e comunicar e apoiar iniciativas em torno disso é fundamental.
A propaganda sempre foi motivadora
Sim, a propaganda ao longo da história ajudou a educar, a mudar e construir hábitos. Agora mais do que nunca deve buscar o diálogo, a comunicação de mão dupla. Ou melhor, multidirecional. Participar das conversas e construir discursos que resgatem a auto estima das pessoas. Que apoiem as pessoas em busca de novos caminhos e de novas soluções.
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Tornar visíveis as novas oportunidades
As marcas e as agência podem e devem mostrar às pessoas onde há novas oportunidades. Onde há espaço para uma nova colocação, um novo emprego, uma nova área de atuação econômica e até mesmo uma área que careça de empreendedores.
Sim, como diz aquele banco em suas peças publicitárias…
Só não dá pra ficar parado, só não dá pra não fazer nada. Temos que tentar. Mesmo que a gente erre. Mesmo que muitos digam que não estamos ajudando muito. Não importa. Temos que fazer.
Vamos começar a criar um climão positivo acima de todas as diferenças. Tá difícil. A política não ajuda. O isolamento também não. Mas não importa.
Acredito que temos a obrigação de fazer! Vamos criar esse climão!!!
Outback inova com campanha produzida totalmente à distância para relançar o seu fondue
Com assinatura das agências Santa Clara e Ionz, projeto contou com conteúdo dirigido remotamente e com produtor, fotógrafo e diretor de arte como personagens
O Outback Steakhouse segue inovando em seus processos criativos e anuncia essa semana sua campanha direcionada para as plataformas digitais e que contempla o relançamento do fondue da marca. Como grande diferencial, essa é a primeira vez que a marca aposta em conteúdos feitos 100% à distância, respeitando as orientações atuais de distanciamento. Para isso, a empresa contou com a ajuda da tecnologia para criar formas disruptivas de produção e continuar se comunicando com os seus clientes em um tom divertido, como sempre fez.
O projeto, que tem assinatura das agências Santa Clara e Ionz, traz com um filme que será veiculado nas redes sociais oficiais do Outback (@OutbackBrasil). Além disso, a produção também contou com a parceria dos fotógrafos Ricardo De Viqc e Danilo Quadros, que fizeram todas as sessões do novo produto para as redes sociais da marca. Todo o processo também foi coordenado à distância pela equipe de marketing do Outback e todas as peças fotografadas foram produzidas na casa dos profissionais, que tiveram que preparar um “miniestúdio” com utensílios de cozinha que trouxessem a identificação do restaurante, levando em consideração objetos icônicos e cores.
“A inovação está no nosso DNA e o desejo de sempre querer pensar em novas experiências está refletido nessa campanha. Para nós foi um processo completamente diferente do que estávamos acostumados, porque levamos em consideração diversos fatores, como o atual cenário e como a gente poderia continuar conversando com os fãs da marca”, explica Renata Lamarco, diretora de Marketing do Outback Brasil.
Como principal desafio, a companhia fixou o objetivo de garantir o padrão de qualidade da produção para que os consumidores – já acostumados com a linguagem da marca – fossem impactados logo no primeiro momento. Por isso, para o filme, a empresa decidiu usar profissionais que já estavam escalados para trabalhar no projeto (fotógrafos, assistente de direção e a diretora de arte) para serem os próprios personagens da campanha. Afinal, essas pessoas já são familiarizadas com fundamentos técnicos.
Já para as gravações, que foram dirigidas remotamente pelas agências por videoconferências, a empresa utilizou uma estrutura especial, com câmeras, celulares e equipamentos de luz que pudessem ser ajustados de longe. Todas as filmagens aconteceram dentro das casas dos personagens – o fotógrafo contracenou com a sua família, a diretora de arte com os seus colegas de apartamento, a assistente de arte com o seu namorado e o outro fotógrafo com a sua esposa, que é culinarista. Dessa forma, a empresa conseguiu construir diferentes enredos, considerando três diferentes temáticas: amigos, famílias e casais. E o mais importante: sem nenhum produtor precisar ir até à casa dessas pessoas.
“Foi um grande desafio filmar um comercial, nos padrões Outback, à distância. Para trazer o appetite appeal de sempre e a identificação com os diferentes públicos da marca – no contexto atual – precisamos usar a criatividade também na produção. O formato do filme, com visão table top, foi pensado para que pudesse ser filmado em qualquer lugar mantendo um padrão estético. Uma família, um grupo de amigos e um casal, todos morando juntos, receberam direto do restaurante os produtos e foram dirigidos com maestria pelos Los Pibes, da produtora Awake. Os recursos e tecnologias usados nessa produção trouxeram novas possibilidades que certamente vão ser utilizadas nas produções futuras, mesmo que sem as restrições atuais”, conta Bernardo Machado, sócio-diretor de criação da Santa Clara.
“Esta campanha é inovadora e tem sua raiz no digital. A filmagem foi realizada de uma forma diferente e contemporânea de produção, totalmente adequada ao nosso período. Mas o diferencial é o uso de uma ação que já é presente na estética do digital: trazer o ponto de vista no olhar do consumidor. As pessoas se filmam e interagem com nossos produtos dando uma sensação de participação maior que somente os formatos Top View conseguem traduzir. Esta linguagem atualiza nossa comunicação e traz maior identificação junto ao público” diz Marcio Villar, diretor de criação da ÍONZ.
Ao todo, foram três dias de gravação à distância que resultaram em clipes com versões de 30, 15 e seis segundos. Os novos fondues da marca já estão disponíveis no delivery, pelo aplicativo iFood.
Magazine Luiza, Netflix e iFood são as marcas mais transformadoras durante a pandemia, aponta estudo
HSR Specialist Researchers realiza maior estudo de marcas do País e aponta as que se mantiverem de forma mais consistente entre as que estão construindo maior relevância
Especialistas em sustentabilidade indicam que mudanças radicais de comportamento ocorrem quando o ser humano é forçado a seguir um curso diferente do usual, exatamente como ocorre neste momento. Desde 24 de março, início da pandemia em razão do novo coronavírus, a HSR Specialist Researchers vem realizando o ranking Marcas Transformadoras, com o objetivo de identificar as empresas mais capazes de construir relevância para o consumidor e a força desse ativo no longo prazo. Dez empresas têm se destacado como as marcas que se mantiverem de forma consistente no ranking que já realizou 18 mil entrevistas, sendo o maior estudo de marcas já realizado no Brasil.
Em dois meses e meio de medições (dez medições semanais, no total), as dez marcas que se mantiverem de forma mais consistente no ranking foram, na ordem: Magazine Luiza (241 pontos – índice de transformação médio no período), Netflix (233), iFood (171), Natura (163), Ambev (151), O Boticário (147), Nestlé (144), Lojas Americanas (134), Mercado Livre (126) e Samsung (124).
Tanto Magazine Luiza como Netflix se consolidaram com uma distância de mais de 60 pontos em relação ao terceiro lugar, o que demonstra a consistência em ambas as gestões de marca ao longo de suas existências. “Magazine Luiza é o que todas as empresas deveriam ser, relevante para todos seus stakeholders na sua essência. A empresa respira solidariedade, engajamento social e inovação não só em momentos de mudança ou crise, apresenta um histórico de atividade social contínuo, o que em momentos críticos ressoam como verdadeiras”, comenta Valéria Rodrigues, sócia-diretora da HSR Specialist Researchers.
Apoio e comunicação direta com a sociedade – Um exemplo claro durante a pandemia, foi a inclusão gratuita dos pequenos varejistas e autônomos em suas plataformas de e-commerce, com todo o suporte necessário para quem nunca tinha tido um contato tão íntimo com o digital; além de suas campanhas contra a violência doméstica que protegem a mulher.
As ações das marcas Netflix e iFood já estão inseridas no cotidiano das pessoas, cujos serviços ganharam muita relevância durante a pandemia – entretenimento indoor e serviços de entrega. A Netflix teve maior destaque entre os jovens, já que é uma marca conhecida por comunicar-se nas redes sociais com uma persona que utiliza ironia, bom humor e transparência. No Twitter, ela se coloca com uma voz ativa, opinando e indicando séries e filmes da concorrência por meio de posts, demonstrando verdadeira preocupação com os consumidores e um espírito democrático, além de indicar também clássicos da literatura para contribuir com seus seguidores durante o período de quarentena.
iFood foi a marca mais ágil na comunicação de suas ações, atuou em diversas frentes garantindo segurança ao entregador e ao consumidor e comunicou o Fundo de Auxílio aos pequenos restaurantes, incentivando o consumo de bairro. A propaganda mais recente mostra todo o ecossistema de seu negócio e como atua, de forma criativa e incluindo ações de solidariedade. “Uma entrega leva a outra. Por isso, a nossa entrega será continuar pensando formas para que todos se entreguem ainda mais”, essa é a assinatura que garante conexão emocional com o consumidor.
“Netflix realizou ajustes na qualidade da transmissão para não sobrecarregar as redes de internet em um momento em que muitas pessoas estão usando ao mesmo tempo. Assim pode continuar a oferecer uma boa experiência para o usuário, evitando quedas de velocidade e travamento nos filmes”, completa Karina Milaré, sócia-diretora da HSR Specialist Researchers.
Inovação e soluções aos consumidores – As três marcas mais bem pontuadas conquistaram índices muito altos em inovação e soluções aos consumidores em momentos de crise e estão na liderança de Marcas Transformadoras, demonstrando o legado que as organizações terá daqui pra frente, na retomada da economia e mostrando caminhos para lidar com o novo perfil do consumidor após o período de grande isolamento social.
“Nesse sentido, as marcas precisam fazer uma leitura minuciosa do cenário para ir ao encontro das necessidades emergentes. A valorização do indivíduo, foco atual das empresas, não será suficiente para as marcas se manterem relevantes e admiradas. Essa equação passa a ter outras demandas, como postura voltada à sociedade, sustentabilidade econômica e visão de longo prazo, entre outros aspectos”, conclui Valéria Rodrigues.
Metodologia – O ranking formado pelo estudo Marcas Transformadoras vai além das métricas tradicionais, agregando atributos de imagem alinhados com as tendências de relevância de marca, visibilidade e power of voice (potencial de comunicação da marca considerando o número de seguidores nas redes sociais). A identificação das marcas mais transformadoras passa por um cálculo, combinando essas três informações, gerando pontuação entre 0 e 300 pontos, sendo 100 para cada categoria de dados. Quanto maior a pontuação, mais a marca está associada à postura transformadora.
Para se aferir a relevância da marca e chegar ao resultado final, são identificados seis atributos essenciais neste novo momento, abrangendo: ações voltadas à sociedade; investimentos na segurança de seus consumidores; preparação para oferecer soluções aos clientes em momentos de crise; busca de inovação em momentos de crise; e atuação justa e ética.
O estudo Marcas Transformadoras não faz distinção por área de atuação da empresa e quase todos os segmentos da economia estão presentes no ranking. Desde 24 de março, a HSR já ouviu mais de 18 mil pessoas, das classes sociais A, B e C, em todas as regiões do País.