O excesso de conteúdo não resolve a ausência de estratégia

Por Mariana da Rosa*

Um dos principais erros no marketing das empresas está na tomada de decisões sem o devido embasamento em dados e inteligência de mercado

Tenho observado uma contradição cada vez mais presente nas estratégias de marketing: ao mesmo tempo em que as empresas ampliam sua capacidade de produzir conteúdo, muitas perdem capacidade de gerar relevância.

Nunca se publicou tanto. Nunca houve tantas ferramentas, formatos, plataformas e possibilidades de distribuição. Ainda assim, grande parte das marcas enfrenta dificuldades para construir diferenciação, fortalecer percepção de valor e sustentar conexão real com o mercado.

Porque conteúdo, isoladamente, não constrói estratégia. Sem inteligência de mercado, ele tende apenas a ampliar volume. Esse movimento se intensificou nos últimos anos com o avanço da IA generativa e da automação, uma vez que produzir se tornou mais rápido, mais acessível e mais escalável. Mas existe um efeito colateral importante: quando a barreira operacional diminui, o excesso de conteúdo cresce em velocidade maior do que a capacidade das marcas de interpretar contexto. O resultado é um ambiente saturado de mensagens semelhantes, disputando atenção sem necessariamente gerar relevância.

Os dados ajudam a dimensionar esse cenário.

O relatório “State of Marketing 2025”, da HubSpot, mostra que a pressão por aumentar a produção de conteúdo cresceu significativamente impulsionada pela IA. Ao mesmo tempo, apenas 65% dos profissionais afirmam possuir dados de alta qualidade sobre seu público. Em outras palavras: muitas empresas estão ampliando sua capacidade de produzir sem ampliar, na mesma proporção, sua capacidade de compreender o mercado.

E esse é um ponto crítico.

Porque comunicação estratégica não começa na publicação, começa muito antes, na leitura de contexto. Antes de definir calendário editorial, formatos ou canais, existe uma etapa que considero essencial: compreender comportamento, interpretar mudanças culturais, identificar movimentos competitivos e entender quais tensões estão influenciando decisões de consumo.

Mariana da Rosa

Quando essa leitura não acontece, o conteúdo passa a responder mais à lógica do fluxo do que à lógica da estratégia. As marcas começam a comunicar porque “precisam estar presentes”, não porque possuem clareza sobre o que precisam construir no mercado.

Isso ajuda a explicar por que vemos tantas empresas produzindo conteúdo tecnicamente correto, visualmente bem executado e ainda assim pouco memorável. Falta profundidade de interpretação.

Desconfiança e conteúdos genéricos

Outro dado relevante aparece no Edelman Trust Barometer 2025. O estudo mostra que 64% dos brasileiros possuem um nível moderado ou alto de ressentimento em relação a empresas, governos e instituições, refletindo um cenário de confiança fragilizada e maior senso crítico por parte da sociedade. Esse dado é especialmente importante para quem trabalha com posicionamento e comunicação.

Em contextos de baixa confiança, as pessoas se tornam mais seletivas, mais críticas e menos receptivas a discursos genéricos. Isso significa que relevância deixa de ser apenas uma questão criativa e passa a depender cada vez mais da capacidade das marcas de demonstrar compreensão real sobre o contexto em que estão inseridas.

O próprio estudo da Edelman aponta que a relevância cultural influencia diretamente a confiança nas marcas. Consumidores tendem a confiar mais em empresas que conseguem refletir, de maneira legítima, as transformações e tensões da sociedade contemporânea.

Pesquisa, dados e inteligência de mercado

Na prática, isso reforça algo que considero central: conteúdo estratégico não nasce apenas da criatividade. Nasce da interpretação. Pesquisa, dados e inteligência de mercado não deveriam servir apenas para orientar expansão, inovação ou decisões comerciais. Eles também deveriam orientar narrativas, posicionamento e construção de marca.

Porque o excesso de informação não produz clareza. Pelo contrário.

Clareza surge quando conseguimos transformar dados, comportamento e leitura de mercado em direcionamento estratégico.

Na Palco, acreditamos que empresas tomam decisões melhores quando conseguem interpretar o mercado antes de agir e isso também vale para comunicação.

Em um ambiente onde todos conseguem produzir mais, a vantagem competitiva tende a migrar para outro lugar. Para a capacidade de compreender melhor antes de comunicar.

*Mariana da Rosa é Sócia e CMO da Palco Inteligência de Negócios, Doutora em Administração e mestre em Administração e Marketing

O futuro do marketing já chegou. E ele muda todos os dias.

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

Hoje comemoramos o Dia do Profissional de Marketing. Vale a questão então: que cenário e que desafios este profissional tem que encarar em seu dia a dia? Vamos tratar de algumas questões ligadas a essa pergunta.

Em um cenário marcado por transformações constantes, o profissional de marketing ocupa hoje uma posição cada vez mais estratégica dentro das organizações. Muito além da criação de campanhas e ações promocionais, sua atuação envolve análise de comportamento, interpretação de dados, construção de relacionamentos e desenvolvimento de experiências relevantes para consumidores cada vez mais exigentes e conectados. O marketing contemporâneo exige rapidez, adaptação e, principalmente, capacidade de compreender pessoas.

Um dos principais desafios atuais está relacionado ao excesso de informação. Nunca houve tanta disputa pela atenção do público. Redes sociais, plataformas digitais, influenciadores, anúncios personalizados e conteúdos em tempo real criaram um ambiente em que marcas competem por segundos de atenção. Segundo o World Economic Forum, a economia da atenção tornou-se um dos fatores centrais da comunicação contemporânea, exigindo das empresas mensagens mais relevantes, humanas e contextualizadas.

Outro ponto decisivo é a velocidade das mudanças tecnológicas. Ferramentas de automação, inteligência artificial, análise preditiva e plataformas de dados passaram a fazer parte da rotina do marketing. De acordo com a Deloitte, empresas que conseguem integrar tecnologia e experiência do consumidor tendem a construir relações mais fortes e sustentáveis com seus públicos. Nesse contexto, o profissional de marketing precisa desenvolver competências técnicas sem perder a sensibilidade criativa e estratégica.

Além da tecnologia, há também um consumidor mais consciente e criterioso. Hoje, marcas são observadas não apenas pelos produtos que oferecem, mas pelos valores que representam. Questões relacionadas à sustentabilidade, diversidade, transparência e posicionamento social passaram a influenciar decisões de compra. Segundo a Kantar, consumidores tendem a criar conexões mais profundas com marcas que demonstram propósito e coerência em suas ações.

Outro desafio importante envolve a análise de dados. O marketing atual produz uma quantidade gigantesca de informações, mas transformar dados em decisões inteligentes continua sendo uma tarefa complexa. Métricas, indicadores de desempenho, comportamento digital e monitoramento de tendências passaram a orientar estratégias em tempo real. O profissional da área precisa interpretar números sem perder de vista aquilo que é essencial: o comportamento humano por trás dos dados.

Também cresce a pressão por resultados imediatos. Em muitos contextos, campanhas precisam apresentar desempenho rápido e mensurável, o que aumenta a cobrança sobre equipes de marketing. Ao mesmo tempo, construir marca, reputação e relacionamento continua sendo um trabalho de médio e longo prazo. Equilibrar performance e construção de valor tornou-se uma das habilidades mais importantes da profissão.

Mesmo diante de tantos desafios, o marketing continua sendo uma área movida por criatividade, observação e inovação. Em um ambiente cada vez mais automatizado, ideias originais e conexões humanas autênticas ganham ainda mais relevância. O profissional de marketing contemporâneo precisa unir análise e sensibilidade, estratégia e criatividade, tecnologia e empatia.

Celebrar o Dia do Profissional de Marketing é reconhecer a importância de quem transforma informações em estratégias, tendências em oportunidades e comunicação em relacionamento. Mais do que vender produtos, esse profissional ajuda marcas a construírem significado em um mundo cada vez mais dinâmico, competitivo e conectado.

Como estimular o consumo de um público exausto?

Por Rodrigo Cerveira*

Vamos ser diretos: a gente se afogou. A indústria do consumo nos serviu um banquete de tendências tão indigesto que agora estamos de ressaca. É uma ressaca coletiva de “novidades” que nascem e morrem mais rápido que a bateria do seu celular. Os dados não mentem: as microtendências, que antes definiam eras, agora duram em média apenas de três a cinco meses antes de desaparecerem completamente da relevância mainstream.

O Pinterest cantou a pedra: o futuro é um grande e confortável sofá. E sua marca, onde entra nisso?

Entra em tudo. Enquanto o gestor de marketing arranca os cabelos para descobrir a “próxima grande coisa”, o target está exausto. As tendências, que antes eram um farol, hoje piscam 4,4 vezes mais rápido. É uma rave epiléptica de modismos que ninguém aguenta. O impacto dessa aceleração é brutal: 70% dos consumidores cancelaram a assinatura de e-mails ou comunicações de pelo menos três marcas nos últimos três meses devido ao volume excessivo de mensagens.

O resultado: 55% dos consumidores globais não querem mais saber de revolução; eles querem um refúgio, priorizando o conforto como uma necessidade diária fundamental. Querem a segurança daquela série que já viram oito vezes. Um comportamento de rewatch adotado por 92% dos consumidores no último mês, buscando previsibilidade e estabilidade emocional em um mundo superestimulado.

A busca incessante pelo hype virou opressão. O consumidor moderno, acuado por um futuro que ele mal consegue enxergar e sofrendo de exaustão digital, como relatam 73% dos jovens da Geração Z, desenvolveu um superpoder: a “curadoria intencional”.

Hoje, 42% deles só abrem a porta para o que realmente faz sentido com quem eles são. O resto? É ruído. É sua campanha caríssima sendo sumariamente ignorada. O movimento de-influencing (desinfluência) é a prova cabal disso: 78% dos consumidores da Geração Z afirmam ter sido influenciados a não comprar algo após assistirem a conteúdos que criticam o consumo excessivo.

Então, pare e pense. Sua missão, agora, é muito mais terrena e, acredite, muito mais lucrativa: seja o cobertor. Seja o abraço. Seja a alegria no meio do caos. Em vez de perguntar “o que é novo?”, comece a perguntar “o que traz conforto?”

Em vez de gritar “seja diferente!”, sussurre “está tudo bem ser você mesmo”. A nostalgia é uma ferramenta poderosa nesse arsenal: 75% dos consumidores têm maior probabilidade de comprar quando os anúncios evocam memórias afetivas, pois o storytelling sentimental impulsiona decisões reais.

O futuro do branding não está na novidade a qualquer preço, mas em resgatar o que é humano e real. A confiança substituiu a novidade como o principal motor de conversão, igualando-se ao preço e à qualidade como fator decisivo de compra.

No fim do dia, depois de mais uma avalanche de “obrigações” estéticas, tudo o que as pessoas querem é um lugar seguro para descansar. Se esse lugar evidenciar alguma marca é sinal de que o marketing entendeu tudo.

*Rodrigo Cerveira é sócio e CMO da Vórtx e co-fundador do Strategy Studio. Com 30 anos de experiência em estratégia, liderança e desenvolvimento de negócios globais e locais, é especializado em construção de marca e estratégia criativa. É formado em Publicidade e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero, com Extensão em Gestão pelo INSEAD (Instituto Europeu de Administração de Negócios).

O que faz o consumidor perder a confiança nas marcas?

Por Larissa Lopes*

Vivemos em uma era marcada pelo excesso de informação. São inúmeras mensagens chegando por todos os lados: ofertas, lembretes de pagamento, cobranças, convites e muito mais. Mas, ao invés de facilitar a vida do consumidor, essa enxurrada de comunicação, muitas vezes, causa o efeito inverso, gerando desconfiança, irritação e distanciamento entre o consumidor e as marcas. Sendo isso algo extremamente prejudicial para o destaque de qualquer empresa, e que deve ser uma prioridade internamente.

Um dos maiores problemas que acaba ocasionando essas insatisfações está nas bases de contato desatualizadas, fazendo com que muitas dessas mensagens sejam enviadas para as pessoas erradas, em canais inadequados ou em horários inoportunos. Dados incorretos levam a inúmeras tentativas frustradas de contato, e qual o resultado disso? Um consumidor que não quer mais atender chamadas, abrir e-mails ou interagir com marcas de forma geral.

Segundo um relatório da CX Trends, como prova disso, 65% dos consumidores já desistiram de comprar de uma marca após terem tido uma experiência ruim. Além disso, de tanto receber ofertas que não fazem sentido, o cliente simplesmente desliga da comunicação – algo que não ocorre apenas de uma ineficiência operacional.

Quando uma marca aborda o usuário de forma inadequada, ela mina a credibilidade que levou tempo para construir, o que ocasiona em dinheiro perdido, campanhas ineficientes e ROI baixíssimo. Afinal, ao disparar uma comunicação em massa para pessoas erradas, o investimento nunca retornará. Algo que pode, certamente, ser evitado com alguns cuidados diários.

Para reverter esse cenário, é essencial priorizar a relevância e a precisão na comunicação. Isso significa, antes de mais nada, que é preciso ter certeza de que a mensagem chegará à pessoa certa. Hoje, felizmente, já é possível cruzar os números de contato ao CPF do usuário através de ferramentas que certificam que o contato da marca será feito, exatamente, com quem ela quer falar.

Além disso, investir em canais interativos e não invasivos é fundamental. O RCS, sistema de mensageria do Google, por exemplo, permite que as marcas interajam com seus clientes de forma criativa e eficiente, usando mensagens ricas em conteúdo que incluem o envio de texto, fotos, gifs, e um carrossel completoTudo isso, em uma caixa de entrada separada daquela que eles usam para assuntos pessoais no dia a dia.

Quando uma empresa se preocupa em falar com a pessoa certa, os benefícios são claros. Para o consumidor, a maior assertividade neste contato com o apoio de tecnologias e sistemas que elevem a interação e riqueza na comunicação contribuem para uma menor quantidade de contatos indesejados e, consequentemente, um maior número de mensagens mais relevantes para seu perfil e necessidades.

Para as empresas, esses investimentos permitirão uma maior eficiência nas campanhas, assertividade no contato com o usuário certo e uma maior economia ao evitar mensagens para pessoas erradas.

A comunicação respeitosa, no final, sempre será a grande chave para que consumidores confiem nas marcas. Àquelas que estão enfrentando desafios nessa missão, é hora de repensar como se conectar com seu público e priorizar a construção de relações baseadas em relevância para o usuário, não só para marca. Isso é o que impulsionará a empresa como uma grande referência em seu segmento, fortalecendo e enriquecendo sua relação com seus clientes.

*Larissa Lopes é Head de Marketing e Pré-vendas da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, chatbot e RCS.