Por que o Retail Media é o futuro do Marketing?

Por Amanda Sobrinho*

O Retail Media evoluiu de uma estratégia de mídia dentro do varejo para um pilar central do novo ecossistema comercial. Por isso, está cada vez mais claro que o uso dos canais digitais e físicos do varejista para veicular publicidade altamente segmentada com base em dados proprietários e comportamento real de compra traz resultados concretos para as marcas e cumpre a missão de conectá-las com os consumidores nos contextos mais relevantes para eles. Seu poder está justamente em entregar a mensagem certa, no momento decisivo, com impacto direto na conversão.

Esse funcionamento depende do uso estruturado de dados coletados ao longo da jornada, os chamados first-party data. Segundo estudo da MMA (Marketing and Media Alliance), quase 70% dos anunciantes afirmam que pretendem ampliar investimentos em Retail Media, evidenciando a consolidação do modelo. O seu grande diferencial está tanto no retorno financeiro quanto na capacidade de mensuração direta sobre vendas, algo que historicamente sempre foi o grande desafio do marketing.

Mas o cenário atual vai além da segmentação tradicional, pois estamos entrando na era do Agentic Commerce, em que agentes de IA passam a intermediar decisões de compra. Essa é a maior mudança que já vivemos no marketing desde o nascimento do digital: agora, a barra de busca começa a perder protagonismo para assistentes que selecionam produtos com base em critérios objetivos, histórico e contexto. Nesse ambiente, as marcas não competem somente por atenção humana, e também entra na equação a disputa por relevância algorítmica. Comunicar para máquinas exige consistência de dados, reputação digital estruturada e sinais claros de autoridade.

Estudos apresentados recentemente pela consultoria norte-americana Arthur D. Little mostram que agentes de IA tendem a penalizar produtos excessivamente marcados como “patrocinados”, enquanto priorizam indicadores como “mais vendido” ou “escolha da plataforma”. Isso inaugura uma nova lógica, na qual brand equity passa a ser também um ativo legível por algoritmos. Retail Media, nesse contexto, mais do que mídia, é infraestrutura de decisão.

Ao mesmo tempo, o ambiente físico ganha novo protagonismo, e telas digitais em loja, etiquetas inteligentes e superfícies conectadas transformam o ponto de venda em mídia endereçável em tempo real. Uma pesquisa da Babson College indica que telas digitais em lojas podem gerar aumento médio de 8,1% nas vendas e até 24,7% em lançamentos. Ou seja, além de um canal de distribuição, a loja se consolida como ativo de mídia mensurável.

Mais do que impulsionar vendas, o Retail Media fortalece a tomada de decisão estratégica. Como os dados são proprietários e conectados ao sell-out real, possibilitam ajustes rápidos de sortimento, preço, margem e comunicação. Assim, o varejo passa a operar como ecossistema, integrando dados, mídia, experiência física e inteligência artificial de forma coordenada.

Além disso, ele se posiciona como ponto principal de um novo modelo comercial em que dados, IA e experiência convergem. Em um cenário no qual decisões podem ser delegadas a agentes inteligentes e a jornada se fragmenta entre canais, quem dominar essa integração vai vender mais e ter vantagem estrutural na nova lógica do varejo.

*Amanda Sobrinho é Gerente Comercial da Unlimitail, liderando a operação exclusiva de Retail Media do Grupo Carrefour para o Sam’s Club. Com mais de 15 anos de experiência em Trade Marketing e Retail Media, conecta marcas e shoppers por meio de estratégias de alta performance e forte orientação a resultados. Antes da Unlimitail, atuou como Gerente Nacional de Trade Marketing do Grupo Carrefour Brasil e passou por empresas como Saint-Gobain (Telhanorte e Tumelero), agências de publicidade e bureaux de mídia. Combina visão estratégica, excelência comercial e foco em execução para fortalecer marcas no varejo e nos canais de mídia.

Tem vaga aberta para Gestor de Tráfego

Vaga para Gestor de tráfego

RESPONSABILIDADES:

  1. Gestão de Mídia Paga: Planejar, criar e escalar campanhas no Meta Ads, Google Ads, YouTube, etc.
  2. Estratégia de Funil: Definir públicos, ofertas e jornadas de conversão (Topo, Meio e Fundo).
  3. Otimização de Performance: Monitorar KPIs diariamente para melhoria de CTR, CPL e ROAS.
  4. Análise de Dados: Configurar rastreamento (GA4/GTM) e gerar relatórios de ROI e receita.
  5. Foco em Vendas: Alinhar a qualidade dos leads com o time comercial e CRM.
  6. Testes e Escala: Executar testes A/B de criativos e públicos para expansão de resultados, alem de fazer as otimizações necessarias da conta.

PROPOSTA:

  • Regime de contratação CLT
  • Local: 100% presencial em São José dos Campos (Centro)
  • Ramo: Cemitério e Crematório
  • Salário R$ 3 .500,00
  • Vale Refeição R$ 28,32 (dia, pago em dinheiro)
  • Vale Transporte (pago em dinheiro)
  • Seguro de Vida
  • Clube de Benefícios
  • Horário:De 8h às 18h de segunda à quinta e das 8h as 17h na sexta, com 1h de intervalo

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“AI Slop”: por que consumidores estão rejeitando publicidade gerada por IA

Por Caroline Mayer, VP da RelevanC no Brasil*

As duas maiores feiras de tecnologia e varejo do mundo aconteceram neste mês com uma mensagem clara: a Inteligência Artificial Agêntica deixou de ser promessa e virou infraestrutura. Ao mesmo tempo, um movimento contra intuitivo ganhou força nos corredores da NRF e da CES: marcas passaram a satirizar o excesso de IA, enquanto varejistas como o Trader Joe’s reforçaram o contato humano ao eliminar o self-checkout.

Esse paradoxo não é uma contradição, mas o mapa do caminho que o Retail Media precisa seguir em 2026.

Quando a automação encontra a autenticidade

Na NRF, o conceito de Agentic Commerce dominou os debates. O Walmart apresentou o Sparky, seu assistente de compras com sponsored prompts, e lançou o Marty, da Walmart Connect, para automatizar campanhas de Sponsored Search. No CES, plataformas como Reddit, Viant e PubMatic avançaram em soluções de automação completa de mídia.

Os números impressionam: 81% dos clientes do Walmart afirmam que usariam o Sparky para verificar disponibilidade de produtos. Mas, fora dos palcos, outro fenômeno ficou evidente. Campanhas como a da Equinox (que contrapôs imagens artificiais a pessoas reais) captaram um sentimento crescente de rejeição ao que o mercado já chama de “AI slop”: conteúdo genérico, impessoal e artificial, gerado sem critério.

Dados reais como antídoto ao genérico

Aqui está a grande oportunidade do Retail Media: usar IA onde ela realmente agrega valor (nos bastidores) e manter a comunicação com o consumidor relevante e contextual.

Segundo a Nielsen, 56% dos profissionais de marketing pretendem aumentar investimentos em Retail Media nos próximos 12 meses. Já o eMarketer projeta que os aportes na América Latina mais que dobrem até 2029. O motivo é claro: dados first-party permitem personalização genuína, baseada em comportamento real, não em probabilidades genéricas.

Quando a DoubleVerify apontou que 46% dos usuários latino-americanos usam bloqueadores de anúncios, ficou evidente que o público está rejeitando a interrupção, e não a oferta em si. O Retail Media responde a esse cenário posicionando a mensagem dentro da própria jornada de compra, fazendo a publicidade funcionar até mesmo como um serviço, um auxílio na busca da oferta ideal.

Automação invisível, experiência humana

A Target trouxe uma das lições mais claras da NRF 2026 ao usar IA para liberar seus funcionários de tarefas repetitivas, ampliando o tempo dedicado ao atendimento. Como resumiu John Furner, CEO do Walmart U.S.: “Dados, personalização e jornada de compra passam a operar como um único fluxo inteligente”.

No Retail Media, isso se traduz em IA agêntica nos bastidores – otimizando segmentação, orçamento e disponibilidade de produtos – enquanto o consumidor percebe apenas ofertas mais relevantes, no momento certo.

O físico voltou digitalizado

A mídia in-store voltou ao centro da estratégia, mas com uma regra clara: sutileza. O elogio ao Costco na NRF não veio pela quantidade de telas, mas pela capacidade de integrá-las sem transformar a loja em um “circo visual”.

Análises conduzidas pela RelevanC com o ecossistema do GPA comprovam esse impacto: entre clientes do programa de fidelidade, o uplift de vendas foi de +4% quando impactados pelas telas de DOOH e de +5% quando a ativação in-store foi combinada com extension audience em mídia programática, demonstrando que o valor da tecnologia é maximizado quando aplicada no contexto correto.

Execução, não experimentação

O consenso das feiras foi direto: “menos hype, mais execução”. A fase piloto acabou. O desafio atual consiste em operacionalizar a IA preservando a essência humana que garante a conexão real com o consumidor.

O Brasil, ainda em estágio anterior aos EUA e Europa, tem uma vantagem estratégica: aprender com os erros alheios e evitar a saturação do AI slop. O futuro da publicidade é híbrido – uma tecnologia para amplificar a humanidade, não para substituí-la.

Esse é o paradoxo. E também a oportunidade.

*Caroline Mayer possui mais de 20 anos de experiência na área comercial internacional com forte atuação na França e no Brasil, atuando principalmente na abertura de novos negócios e subsidiárias, reforço de marca, liderança de times e estratégias de vendas com parceria com grandes agências. Desde 2021, é VP Brazil da RelevanC, especialista em soluções de Retail Media que, no Brasil, atua nas ações do GPA.