Coluna Propaganda&Arte

It’s all about the money? (Nem tudo, my friend)

Oh, as redes sociais! Nós vivemos em um sistema onde as marcas possuem dinheiro, onde a publicidade pode ser cara ou barata e onde os influenciadores recebem uma grana para falar do seu produto (ou fazem de graça!). Um ecossistema novo e imerso no capital. Difícil pensar algo sem ele, porém, podemos melhorar as relações (e muito!) quando falamos desse tema.

Você também está diretamente ligado a isso, comprando, trabalhando, vendendo e, muitas vezes, valorizando ou não o trabalho alheio. Essa relação com o dinheiro ainda é um pouco complexa quando falamos de marcas se posicionando no digital. Você ainda acha que tudo é sobre dinheiro? (It’s all about the money?) Então, saca só esse debate a seguir!

Influenciadores influenciando (para o bem ou mau?)

Tudo começa com um perfil despretensioso na rede social do momento. De repente, bate a casa do milhão de seguidores. Normalmente, as marcas vão procurar o superstar em questão para tentar espaço publicitário na rede social que está bombando.

Sem muito profissionalismo, o influencer aceita tudo, faz todo tipo de publicidade, se vende por completo e, com ele, seus valores pessoais e conexões com seguidores. De um dia para o outro, ele perde toda credibilidade. Quem pagar mais terá seu apoio. Os seguidores que não são bobos percebem tal mudança de postura, de originalidade no conteúdo, já não olham com os mesmo olhos. Sacou?

Essa história hipotética que contei pode resumir basicamente os últimos 10 anos de trabalhos de marcas e influenciadores no meio digital. Sem planejamento, sem olhar claro de valores e conexões entre marcas e pessoas (influenciadores de grande repercussão no digital). Isso se explica por uma falta de compreensão de seu papel, tanto da marca como do influenciador digital. Assim, todo mundo sai perdendo, mesmo que a pessoa envolvida receba uma grana alta. No final, você vai entender que não é só sobre dinheiro, calma aí.

Marcas buscando seus propósitos, isso parece promissor!

Com a evolução do Marketing, como diria Kotler, agora estamos em uma nova Era. Um Marketing 4.0 onde o que importa não é mais o produto, seus benefícios e diferenciais técnicos, até econômicos. Se os valores e princípios éticos da marca não baterem com o do público-alvo, ninguém vai comprar. Assim diz a teoria. E na prática? Será que estamos comprando conforme nossos valores pessoais e propósitos da marca? Sempre?

Da mesma forma que as marcas estão procurando e definindo seus propósitos, abraçando causas e mudando a forma de se posicionar no mercado, as pessoas também estão. Nessa hora, lembramos daquele influencer do início do texto, que acabou se vendendo e topando fazer qualquer tipo de inserção publicitária em um espaço que antes era todo seu, pessoal, personalizado e autêntico.

Talvez agora, ele, em conjunto com empresas e marcas mais conscientes, façam uma análise mais criteriosa para saber se uma parceria seria interessante para todas as partes envolvidas: marca, influenciador e público, sendo este último o mais importante. Pois não vai adiantar anunciar em parceria com alguém famoso se seus seguidores não consomem o produto ou nem têm interesse em tal.

O que também não justifica os valores estratosféricos para esse tipo de parceria, o que acaba gerando uma inflação no mercado digital, mexendo com egos, confundindo o que é trabalho oportuno com oportunista.

Troque valores por Valores

Já temos muitos exemplos de marcas que não souberam se posicionar no digital. Ou de influenciadores que se contradisseram ao anunciar um produto contrário aos seus valores iniciais.

Image by Gerd Altmann from Pixabay

O público sabe muito bem ler as entrelinhas, sabe interpretar e sente na pele quando algo é forçado. Marca nenhuma vai passar batida se não tiver feeling para entender o influencer e quem segue ele. Qual o perfil, quais anseios e interesses reais dos seguidores?

Antes de ter estas respostas, não adianta fazer parceria com o cara ou a mina mais famosa da internet. Precisamos pensar cada vez menos em valores (dinheiro) e mais em Valores (princípios e propósitos), pois é isso que vai gerar conexões reais no final do dia e, se tudo estiver alinhado, concretizar em interesse de compra e vendas.

É melhor investir pouco e certo do que, muito e errado, pois se você colocar a sua marca em uma cilada, fazendo parcerias com influencers polêmicos, poderá gastar ainda mais grana para mudar a imagem da empresa (e pode nem conseguir).

Acredite, no final, pode até ser tudo sobre dinheiro, mas ele não é tudo.

Coluna “Discutindo a relação…”

Estão automatizando a propaganda

Há alguns dias ouvi um podcast que tratava de automação de propaganda e suas vantagens, principalmente no que se refere à customização, individualização e extrema segmentação de conteúdo.

Também tive a oportunidade de acompanhar, na última quinta feira, o webinar Hiperpersonalização da Automação de Marketing, organizado pela ABRADI.

Em ambas as oportunidades ficou claro o quanto a automação de partes do processo publicitário pode e poderá trazer ganhos significativos para anunciantes e agências de comunicação.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Os recentes e vertiginosos avanços tecnológicos nas áreas de Inteligência Artificial, Big Data, Machine Learning e Computação em Nuvem têm aberto novas possibilidades para que possamos entregar uma mensagem publicitária realmente One to One, ou, como muitos têm preferido chamar, Human to Human.

Um dado que corrobora tudo isso foi trazido recentemente pela newslettering Morse News: as Martechs brasileiras levantaram US$ 20 milhões em 2021. A Morse traz informações de levantamento realizado pela Distrito, que aponta que nos primeiros dois meses deste ano, as startups de tecnologia em marketing (as martechs) levantaram US$ 20 milhões em aportes. O melhor início de ano para o setor. O período ultrapassa o primeiro bimestre de 2016, recordista até então, quando a plataforma de automação Pipefy levantou US$ 16 milhões.

Aos publicitários da velha guarda como eu essas novas práticas causam um certo estranhamento e, confesso, um certo receio. Causam aquela sensação de que “não vou conseguir acompanhar tudo isso”. Normal, não é?! Realmente é muita coisa nova para tentar compreender em pouco tempo.

De todo modo podemos entender de que sempre desejamos enviar a mensagem certa para a pessoa certa e no momento mais adequado. E que agora isso é amplamente possível.

Lembro também de ter assistido no último Fest’up presencial (acho que foi em 2019) a palestra de Walter Longo que levou o mesmo título de seu último livro: O fim da idade média e o início da idade mídia. O que ele colocou em sua fala foi o conceito de antes a propaganda trabalhava com a média. A média de seu público. A média de seus gostos, de seus desejos, de seus hábitos etc. E que agora, graças às novas tecnologias poderia, finalmente, trabalhar de forma individualizada e customizada.

Tudo leva a crer que este é um caminho sem volta, principalmente nos ambientes digitais. É melhor que todo publicitário ou “aspirante a “ comece a tentar entender as novas possibilidades. Não precisa ser um técnico, um expert em tecnologia. Nada disso. Precisa é conhecer e entender que essa mudança chegou.

Era Multidirecional e o consumo de mídia

por Josué Brazil

Estamos vivendo a chamada Era Multidirecional quando consideramos o cenário de comunicação, mídia e marketing. Iniciado no ano de 2003 (segundo especialistas) este período caracteriza-se por algumas características ou fatos:

  • Cada pessoa é um canal
  • Não importa o que a marca fale, o consumidor sempre sabe mais através dos seus contatos
  • Os filtros mais comuns são rede de amigos e/ou contatos via redes sociais e os buscadores
  • Embora tenha havido uma grande evolução, algumas marcas ainda tem medo de entrar neste mundo
  • Mas, querendo ou não, entrando ou não, as pessoas já estão falando sobre sua marca ou produto
  • Marcas precisam criar engajamento, para ganhar alcance. Maior engajamento, maior alcance. Marcas precisam dialogar com o consumidor.

Dentro deste cenário de mídias multidirecionais e multicanalidade, como fica o consumo de mídia? E mais! Como fica o consumo de mídia de acordo com as diferentes gerações?

Um estudo muito interessante da GWI colocou luz sobre estas questões e apresentou resultados bastante interessantes para a análise de anunciantes e agências. O estudo foi conduzido também para detectar o consumo de mídia no período pandêmico do Covid 19. Veja só:

Começando pelos Baby Boomers, pessoas nascida entre 1946 e 1964.

E a chamada Geração X, que agrupa os indivíduos nascidos entre meados da década de 1960 e o início da década de 1980, como consome mídia? Olhe só:

A geração que sucedeu a X é chamada de Geração Y ou Millennials e é formada pelas pessoas nascidas entre 1980 e 1996. E elas se comportam assim em relação às mídias:

Para finalizar temos a Geração Z, que reúne aqueles que nasceram entre a segunda metade dos anos 1990 até o início do ano 2010. Portanto, é a geração totalmente nativa digital.

Fica evidente que as diferentes gerações consomem mídia de maneira diferenciada dentro deste universo de múltipla oferta de plataformas e veículos. O domínio de plataformas digitais é fator decisivo para as gerações Baby Boomers e X, assim como o desejo de consumir conteúdo sem interrupção é determinante para as gerações Y e Z.

O estudo traz insights interessantes para marcas e agências tomarem decisões estratégicas na condução da comunicação dentro da realidade multicanal e multidirecional.

Como o 5G impacta as estratégias do consumidor

por Alberto Pardo*

A maior parte da população mundial depende fortemente da conectividade sem fio para suas atividades diárias. A tecnologia 4G está migrando para 5G em todo o mundo. Embora a pandemia tenha impedido sua implantação, especialmente no Ocidente, este ano trará melhorias contínuas na infraestrutura de rede e maior apoio governamental.

Todos os fabricantes líderes de smartphones terão lançado sua versão para 5G, o que significa melhores processadores, telas de qualidade superior e o fim dos problemas de capacidade de armazenamento, com os aplicativos deixando de ocupar espaço nos smartphones e passando a hospedar-se na nuvem. Essas são as principais razões pelas quais espera-se um impulsionamento na adoção da tecnologia por parte do consumidor. Um relatório recente do mercado global de celulares mostra que 16% (mais de 700 milhões) de todos os smartphones ativos estarão prontos para 5G até o final deste ano, contra apenas 5% em 2020. E, em 2023, estima-se que essa participação será de 43% (fonte: https://newzoo.com/).

Alberto Pardo

Os profissionais concordam que há duas áreas principais que essa nova conectividade transformará: velocidade e dados. Como resultado, mais usuários poderão acessar a Internet em um maior número e variedade de dispositivos ao mesmo tempo. Os consumidores poderão acessar o conteúdo, via streaming, a uma velocidade 10 ou 20 vezes maior do que a que existe agora, tornando o conteúdo de vídeo mais poderoso do que nunca e, portanto, os serviços OTT.

O 5G levará as marcas a redesenhar o seu marketing digital e a estratégia de publicidade, com foco em um consumidor que está procurando por conteúdo online aqui e agora, em seu celular e sem espera. Em termos específicos da indústria de anúncios, o 5G nos dará a oportunidade de conectar muitos novos dispositivos com anúncios em tempo real. Além disso, a compra programática será uma das grandes beneficiadas, uma vez que ineficiências no processo podem ser corrigidas sem latência e novos atores podem ser adicionados, com segurança ao circuito, como o Out Of Home – OOH, onde a integração com a compra programática e publicidade em dispositivos móveis permitirá maior eficiência.

Dessa forma, abre-se a possibilidade de criar novos formatos de publicidade digital e uma gama de opções de vídeo criativas que apresentarão novas disciplinas em termos de produção, monetização e telas. O comércio eletrônico, também, será beneficiado, pois não se trata apenas de criar anúncios com formatos inovadores suportados por vídeo, mas, também, de oferecer maior e melhor integração com a realidade aumentada em novas plataformas. A combinação do 5G com a realidade aumentada terá um impacto positivo nos negócios digitais, uma vez que as lojas online poderão oferecer aos seus clientes uma interação e experiências muito mais reais com o produto.

Entre os benefícios que essa tecnologia traz para a publicidade digital, podemos citar:

Melhores experiências: o carregamento de conteúdo, inevitavelmente, vai melhorar a experiência do usuário, levando ao aumento do Click Through Rate – CTR (taxa de cliques) e à redução nas taxas de rejeição previsíveis.
Personalização: permite, por meio da análise do perfil do usuário, como, por exemplo, a localização em tempo real de cada indivíduo ou quais produtos já adquiriu, mostrando conteúdos adequados ao momento.
Análise em tempo real: coleta e exportação de dados em tempo real, que facilita a resposta e a tomada de decisões.

5G impactará diretamente a Internet das Coisas e, com ele, a evolução acelerada de objetos inteligentes

Isso vai transformar um grande número de indústrias e espera-se que elas usufruam de enormes benefícios como resultado direto, como o móvel, porque o 5G permite o envio e recebimento de uma quantidade maior de dados a qualquer momento, a possibilidade de criação de jogos mais complexos e divertidos e a eliminação da latência e buffer. O futuro dos jogos aponta para o desenvolvimento de plataformas mais complexas com experiências imersivas que ajudarão na garantia de fidelidade à marca ao longo do tempo, incluindo interações ao vivo com outras pessoas. As empresas que escolhem jogos para celular para anúncios, naturalmente, ganharão um número maior de seguidores leais.

Image by ADMC from Pixabay

Concluo que a indústria digital vai evoluir a um ritmo vertiginoso com o 5G. Esses foram apenas alguns exemplos, e há muito mais que ainda desconhecemos. As marcas devem se preparar para os próximos anos, que, sem dúvida, trarão um grande futuro digital.

*Alberto Pardo é CEO e fundador da Adsmovil América Latina

Fonte: