IA versus homem

Matrix corporativa: a inteligência artificial vai roubar o meu emprego?

Tecnologias inteligentes de automação já estão presentes em praticamente todas as indústrias. Na de publicidade isso não é diferente, e até mesmo a criatividade já pode ser replicada por máquinas.

por Rodrigo Lobato*

A Inteligência Artificial (IA) facilita muito a vida dos comerciantes, isso é fato. Como reflexo, hoje já não existem muitas indústrias onde os robôs ainda não estejam presentes. Um anúncio recente da Coca-Cola, por exemplo, indicou que a empresa pretende usar bots para atividades como criar músicas para anúncios, escrever scripts, postar nas redes sociais e comprar mídia. E esta é apenas uma das inúmeras iniciativas tecnológicas que estão em andamento e que nos mostram o quanto a revolução das máquinas está mexendo com a indústria da publicidade. E neste cenário de mudança, um questionamento recorrente é: qual será o futuro da força de trabalho humana?

Para se ter uma ideia, um novo relatório da PwC apontou que 38% dos empregos dos EUA serão substituídos por robôs ou algum tipo de Inteligência Artificial até o início de 2030. E embora possa parecer reconfortante pensarmos que características humanas como a criatividade e a empatia ainda são elementos exclusivamente nossos, experiências reais já nos mostram que a prática não é bem assim. E as máquinas não apenas já competem com os seres humanos, como também os superam em inúmeras funções.

Analistas de dados ou algoritmos de autoaprendizagem?

Vejamos a indústria de comércio eletrônico, por exemplo. Existem inúmeras tendências que nós, humanos, conseguimos prever facilmente. Sabemos que a Black Friday, por exemplo, traz um crescimento de vendas incrível. De fato, análises da RTB House mostram que na Black Friday as campanhas são mais de 100% melhores do que a média. Além disso, as terças e quartas possuem conversões mais altas do que outros dias da semana – até 40% a mais do que no sábado.

Mas apesar de serem informações muito úteis para o planejamento das campanhas, o público real não funciona apenas com base nessas restrições simplistas. Os padrões de compra podem ser extremamente específicos e combinar critérios múltiplos. É por isso que o marketing digital hoje é todo voltado para a segmentação individual, com anúncios moldados com base nos interesses e desejos mais pessoais de cada um. E, infelizmente, os seres humanos não conseguem perceber as mudanças mais sutis no comportamento de um comprador online. Já os robôs, não só identificam esses padrões, como fazem isso em tempo real e em larga escala.

Dados da RTB House com foco em retargeting personalizado também indicam que os algoritmos baseados em deep learning – um ramo altamente inovador de métodos de Inteligência Artificial que imitam o cérebro humano – podem responder a milhões de pedidos de compra e venda de anúncios por segundo. Isso é, obviamente, muito mais do que qualquer ser humano poderia analisar. Além disso, as máquinas não dormem, o que lhes permite observar o mercado 24 horas por dia, sete dias por semana e ajustar suas atividades sempre que preciso. Assim fica difícil competir.

O planejamento de mídia subsidiado por máquinas

Ao longo dos últimos anos o planejamento de mídia mudou pouca coisa em seus fundamentos básicos. Porém, o número de indicadores que precisam ser analisados antes, durante e depois de uma campanha explodiu. Hoje, cerca de 2,5 quintilhões de dados são produzidos diariamente e, de acordo com o IDC, menos de 0,5% deles são coletados, analisados e, de fato, utilizados.

Nesse novo cenário, as atividades que formam a espinha dorsal de qualquer processo de compra e venda de mídia, incluindo relatórios, auditoria, verificação periódica, etc., já podem ser totalmente automatizadas, permitindo que os especialistas se concentrem puramente na estratégia e na criatividade. Além de obter informações altamente precisas, é possível analisar rapidamente os crescentes conjuntos de dados coletados. No retargeting personalizado, por exemplo, as decisões sobre os produtos que devem ser exibidos nos anúncios geralmente são feitas em menos de 10 milissegundos – e isso é mais rápido do um piscar de olhos.

Por fim, a incorporação de algoritmos de autoaprendizagem possibilita analisar as pessoas individualmente, e não a partir de uma segmentação ordinária por grupos. Isso permite que os anunciantes comprem mídia considerando um cenário muito mais específico, sem aquela tradicional dúvida sobre onde um anúncio será colocado – agora a discussão é para quem o banner será mostrado.

Diretores de arte versus algoritmos

Por mais incrível que possa parecer, a Inteligência Artificial também está se fortalecendo para enfrentar o universo criativo. Recentemente a agência McCann-Erickson do Japão promoveu uma batalha interessante, colocando o primeiro robô Diretor de Arte do mundo, chamado AI-CD β, contra um homólogo humano, o Diretor Criativo Mitsuru Kuramoto. Ambos receberam a tarefa de criar um anúncio que seria julgado por votação popular.

Embora o computador tenha sido capaz de dirigir a peça publicitária com sucesso, analisando um banco de dados tagueado e também comerciais de TV antigos, a humanidade aparentemente triunfou nesse desafio. Kuramoto ganhou 54% dos votos populares em comparação com sua concorrente, a IA, que ficou com 46%. Mas temos que admitir que estamos muito próximos do empate.

Uma luz no fim do túnel

Somente o tempo nos dirá se a IA poderá se tornar ainda mais criativa e eficaz do que as mentes humanas, e como isso irá influenciar os locais de trabalho. Por enquanto, sabemos que a tecnologia felizmente também impulsionará o surgimento e o crescimento de muitos novos empregos – incluindo algumas categorias inteiramente novas.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que entram na escola primária hoje acabarão em empregos que atualmente não existem. Alguns papéis se tornarão extintos, outros serão criados. Mas no fim do dia, pelo menos no setor de marketing, é inegável que quando os algoritmos são capazes de aprender com os dados, definitivamente fica mais fácil para as marcas entenderem e se comunicarem de forma eficaz com os clientes.

*Rodrigo Lobato é country manager Brasil da RTB House, uma empresa de tecnologia europeia focada em oferecer um serviço completo e personalizado de retargeting baseado em algoritmos de deep learning. A RTB House opera atualmente mais de mil campanhas exclusivas para marcas globais em mais de 40 mercados da Europa, América Latina, África, Oriente Médio e Ásia-Pacífico.

 

Coluna Propaganda&Arte

7 dicas definitivas para ser mais criativo (e feliz)

Somos cobrados todos os dias para termos ideias criativas, “diferentonas”, fora da caixa etc, mas com o estresse e tempo escasso no trabalho fica mais difícil, não é? Diante desse desafio, será que existe alguma fórmula mágica para ter grandes ideias?

Claro que sim. E que não. Depende muito de cada um. Porém, o que sabemos é que algumas medidas podem ser tomadas para facilitar o processo das ideias em nosso cérebro e, isso sim, funciona igual para todo mundo. Para dividir com vocês, selecionei algumas técnicas que funcionaram comigo de forma surpreendente e que eu considero as mais relevantes.

1 – Selecione uma lista com músicas que te fazem sentir algo indescritível.

Sabe aquelas músicas que te lembram de uma época antiga? Ou um estilo de música que te faz relaxar, cantar ou emocionar? Guarde-as. Crie uma sequência musical para estes momentos de bloqueio e solte o play somente em urgências, não “gaste o cartucho”, para ver os resultados. Não precisa ser Bach ou outros clássicos (apesar de funcionar bem), basta ser um estilo que te leve para longe por alguns minutos.

2 – Desenhe e escreva com as duas mãos.

Isso é bem básico, mas ninguém faz. Escrever já é bom, com as duas mãos, é ainda melhor. O exercício faz com que você desenvolva o lado adormecido, afiando o cérebro por completo. Com mais conexões, você cria mais chances de novas ideias. Isso é comprovado pela ciência e faz muito bem à sua saúde. 5 minutos por dia, na hora do almoço, é o que eu indico. Já tem o seu caderno e lápis separados? Comece amanhã! Quem sabe você até descobre um talento para o desenho.

3 – Solte-se, esqueça os outros, relaxe e fique sozinho.

Se você trabalha com mais pessoas, não precisa ficar sozinho literalmente. Faça um isolamento mental, imagine-se em uma sala vasta e vazia, afinal a grande ideia precisa de espaço para nascer. Pense naqueles minutos que ninguém irá julgar a sua ideia. Comece pelas ideias mais “idiotas”, sem censuras internas. Faça piadas das primeiras soluções. Use-as para piorar ainda mais, comece a lapidar. Apague tudo e veja se algo diferente e interessante aparece na sala. Pode ser aquela solução que você nunca imaginou, porque estava se prendendo e pensando no que os outros diriam. Deixe o lixo nessa sala branca e saia apenas com o que realmente vale a pena para seu job.

4 – Descubra algo que não te interessa (toda a semana).

Você gosta de reggae? Ouça uma música clássica. Você curte MPB? Escute um funk. Você gosta de rock independente? Liga na rádio para saber o que toca na casa das pessoas. Isso vale também para leitura, filmes, canais no Youtube, desenhos, personalidades para seguir na internet, artigos, blogs etc. Ao buscar algo totalmente incomum para o seu perfil, você ganha repertório variado, amplia sua compreensão do mundo e recebe de bandeja novas ideias para criar conexões inesperadas. Qual vai ser o assunto que não te interessa que você vai descobrir essa semana?

5 – Saia do automático. Pare tudo!

Nosso corpo e mente funcionam no automático. As ideias e soluções mais comuns são sempre as mais fáceis. Se você quer realmente criar algo novo, verifique o que você tem feito. Pare uns minutos. Pesquise sobre o que o mercado tem feito. Pare de fazer sempre igual. Pare alguns instantes para tomar um café ou olhar para a rua. Apenas parar, já pode te ajudar a sair do redemoinho do dia, das tarefas comuns, para olhar de fora e tentar fazer algo novo. Se não der uma pisada bem forte no freio, o carro vai parar sempre na mesma vaga.

6 – Comece uma atividade física (pode ser qualquer coisa).

Eu sei que não é fácil. Praticar atividades físicas pode ser prazeroso para alguns e maçante para outros, mas faz um bem danado para sua saúde (e suas ideias). Essa dica precisa ser colocada aqui, pois vai muito além de ser criativo. Para ter grandes ideias é preciso estar bem com o cérebro. E ele precisa do corpo 100% também. Você quer uma ideia 100% ou 50%, 1%? Se você não está bem disposto, com saúde e feliz, do que adianta ter grandes ideias?

7 – Não siga nenhuma regra colocada aqui. Crie as suas!

Eu disse que funciona diferente para cada um, portanto nada mais justo do que deixar uma regra para você criar as suas próprias regras. Teste durante um mês e colha os resultados. Veja as técnicas que mais funcionam com você. Mande a sua técnica para mim. Quem sabe podemos unir nossas experiências e ter uma produtividade ainda melhor, mais original e prazerosa para todos.

Boa prática!

Artigo mostra como atuam os integradores de tecnologia

Integração tecnológica: expectativas e desafios

por Fábio Camara

O que vem a sua cabeça ao ouvir o termo ‘Tecnologia da Informação’? Há muita novidade nesse mercado, ao ponto de o termo “Informação” não ser mais suficiente para representar esse “guarda-chuva”.

Internet das Coisas (IoT) – que vai além do uso de dados -, Inteligência Artificial e Arquitetura Orientada a Serviços (AOS) são só alguns exemplos do que temos visto por aí, cada dia com mais força. Se a sua empresa ainda não adotou nenhum desses recursos, sem dúvida o fará em breve. Entretanto, o ponto de atenção que levanto diante desse cenário é o preparo do mercado para gerir tantas tecnologias. Estamos, de fato, prontos para torná-las diferenciais de negócios?

Acredito que as empresas que estão abertas a adotarem estratégias aderentes com as suas necessidades – e investirem nisso – conseguem administrar o uso das tecnologias de forma inteligente e, sim, torná-las de fato um gerador de oportunidades.

Até mesmo porque tenho observado que os projetos voltados a área de Tecnologia da Informação não são mais concebidos como eram antes. Isso porque evoluíram diante do crescimento de tantos recursos e possibilidades. O que não mudou foi o fato dos clientes ainda precisarem de soluções completas, que de fato permitam a gestão de suas informações de forma clara e rápida.

Para isso, investem no desenvolvimento do setor de tecnologia na empresa ou recorrem a parceiros que façam essa ponte. Neste processo, o que fica evidente é o importante papel dos profissionais que atuam como integradores de tecnologia, que hoje contam com uma série de metodologias que ajudam no desenrolar dos projetos. O reconhecimento das empresas que atuam nesse campo é uma tendência em evidência nos últimos anos.

Vejo que esse reconhecimento é reflexo do amadurecimento dos clientes, que estão mais bem preparados para lidar com iniciativas que lhes permitam melhorar seus indicadores de eficiência e ferramentas de produtividade. Além disso, as empresas também passaram a compreender a necessidade de ter um parceiro com visão “agnóstica” em termos de produtos e fabricantes.

Por isso, acredito que o DNA de uma empresa integradora de tecnologia deve ser o seu potencial exploratório. É preciso que ela detenha habilidades e conhecimentos diferenciados. Mais do que a escolha da melhor solução tecnológica, é necessário ver como ela afeta a organização. A consultoria, engenharia, projetos e a implementação devem ser previstas já no pré-projeto. Quanto maior o conhecimento das dores do cliente e da previsibilidade do contrato, melhor o resultado final.

Como profissional que atua diretamente na gestão de projetos que envolvem integração tecnológica, acredito que o melhor é olhar para o mercado com total objetividade e rigor – sabendo aproveitar quais tendências encaixam-se melhor ao seu negócio.

Em resumo? O importante é não perder de vista os objetivos da empresa e escolher parceiros comprometidos. Só assim seu negócio de fato conseguirá extrair o melhor do que este big mercado de Tecnologia da Informação tem a oferecer.

Fábio Camara é CBO da Engemon IT

Artigo aborda nova tendência em broadcast

Playout na nuvem é a nova tendência em Broadcast

*por Danillo Garcia

Como se adequar ao grande impacto da introdução das novas mídias e novos sistemas nos ambientes de produção de jornalismo e entretenimento? Um dos caminhos está na formação e na transformação do perfil dos profissionais que trabalham nesse segmento, além de investimentos na modernização da tecnologia.

A mudança nos perfis dos consumidores impôs uma demanda expressiva de ferramentas e tecnologia avançada para o setor. A tendência que vemos crescer agora é a necessidade de automação, sobretudo em conectividade, armazenamento e automatização dos processos, seja na área de produção ou na exibição, onde há uma grande busca por eficiência e metodologias.

Com essa evolução, a arquitetura de armazenamento de dados em nuvem foi incorporada a indústria por apresentar valores mais competitivos e por ser bastante flexível. Essa adoção impactou o mercado de broadcast e mudou a forma de trabalhar, antes setorizado e isolado, para um modelo mais colaborativo e com novos “players”.

Playout na nuvem

A solução baseada em nuvem, seja ela privada, hibrida ou publica, tende a ser o próximo passo dos canais televisivos para distribuição de conteúdo, as vezes com processos técnicos mais complexos, porem com de aumento de eficiência. Desta forma, poderão descartar arquiteturas pesadas de TI – que requerem altos investimentos – e migrar para uma plataforma alojada em uma estrutura com disponibilidade e confiabilidade muito elevadas, criando assim uma extensão na nuvem para um negócio já existente ou ainda permitindo, desde o início de um novo projeto, que toda a infraestrutura esteja focada na produção de conteúdo.

A aplicação de sistema de playout baseado em “cloud” abre um leque de possibilidades completamente novo para canais televisivos em todo o mundo, com acesso aos conteúdos descentralizados, favorecendo a troca de dados entre emissoras próprias e afiliadas.

Esta tecnologia permite uma gestão autônoma dos canais, importação de playlist a partir de sistemas de tráfego externos – via arquivo ou também via web -, controle de múltiplos canais a partir de um posto de trabalho e a criação de alinhamentos remotamente por acesso web.

Certamente as tecnologias adotadas dependem do perfil de cada companhia, mas os projetos de playout em cloud e automação de master e produção estão cada vez mais passando por processos de inovação, de modo que vale ficar atento às possíveis transformações para entender como elas poderão auxiliar o seu negócio.

* Danillo Garcia é diretor de Vendas da Seal Broadcast & Content, divisão da Seal Telecom