A era dos agentes: o que a NRF 2026 ensina sobre o futuro do varejo, do crédito e da tecnologia

Por Eduardo Mônaco*

Chegamos ao fim de mais uma NRF – feira sobre o varejo que acontece anualmente em Nova Iorque e traz insights importantes sobre o mercado. Mais uma vez, tive a oportunidade de acompanhar de perto as discussões, agora com o olhar atento para o impacto do mercado de crédito no varejo.

Se em edições anteriores a inteligência artificial era uma promessa, em 2026 ela se consolidou como infraestrutura. Mas o que realmente marcou esta edição não foi apenas a presença da IA em todos os palcos, foi a entrada definitiva do varejo na era dos agentes.

A tecnologia deixou de ser tratada como ferramenta isolada e passou a ocupar o papel de sistema operacional do negócio. Empresas se posicionam cada vez mais como AI-first, desenhando processos, jornadas e decisões a partir de modelos inteligentes.

Esse movimento ficou evidente na apresentação de Sundar Pichai, CEO do Google, ao introduzir o Universal Commerce Protocol, um padrão aberto que permite que agentes conversacionais não apenas recomendem produtos, mas executem transações diretamente no diálogo. Ainda não é algo que veremos em escala imediata, mas aponta para a arquitetura do próximo ciclo do e-commerce.

Da busca ao contexto: quando a jornada deixa de ser “procurada” e passa a ser “vivida”

Um dos insights mais relevantes do evento foi a transição das interfaces. Houve um tempo em que comprar online era sinônimo de acessar um site. Passamos do PC para o mobile e, agora, para a voz, para smart TVs, wearables e dispositivos conectados. A jornada deixa de ser linear e passa a ser situacional.

Estávamos acostumados a “buscar” produtos. O novo modelo inverte essa lógica: os produtos passam a entrar na rotina das pessoas a partir do contexto. É o avanço do content commerce, do conversational commerce e, sobretudo, do agentic commerce, no qual agentes entendem intenção, histórico e momento, executando ações de forma autônoma.

Essa mudança vai além da tecnologia: é essencialmente comportamental — e traz implicações profundas para empresas que operam em ambientes de decisão, especialmente no crédito.

À medida que a jornada de compra se torna mais conversacional, a jornada de crédito tende a seguir o mesmo caminho. Consumidores já recorrem a modelos de IA para entender opções e tomar decisões financeiras. O próximo passo é a oferta de crédito integrada a esses ambientes, de forma fluida e contextual.

Essa transformação também alcança o universo B2B. Gestores de risco passam a interagir diretamente com seus modelos de crédito, solicitando simulações, entendendo decisões e testando políticas em tempo real. Motores de crédito conversacionais representam não apenas uma nova interface, mas uma nova forma de governar risco, estratégia e eficiência. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a atuar como copiloto da tomada de decisão — um futuro que já estamos construindo na Serasa Experian.

Outro aprendizado relevante do evento foi a expansão do varejo para além do transacional. Retail media, serviços logísticos e, sobretudo, embedded finance se consolidam como frentes estruturais de receita em uma indústria que já movimenta mais de US$ 148 bilhões. O desafio passa a ser criar novas camadas de valor, integrando serviços financeiros à experiência do cliente não como complemento, mas como parte natural da jornada.

O futuro das lojas (e das agências): a tecnologia a serviço da humanização

Curiosamente, em meio a tanta automação, um tema foi recorrente: humanização. A loja física não desaparece, ela se transforma. Passa a atuar como hub logístico, centro de serviços, espaço de conteúdo e experiência de marca. Tudo otimizado por IA, mas desenhado para encontros humanos.

O paralelo com o setor financeiro é direto. Agências bancárias deixam de ser pontos operacionais para se tornarem ambientes de relacionamento, aconselhamento e experiência. Temos exemplos do terminal VIP de um aeroporto até um café-coworking.

A tecnologia viabiliza. A diferenciação vem da experiência.

IA como cultura, não como projeto

Talvez o insight mais estratégico da NRF 2026 seja este: IA não é uma tendência a ser “adotada”, mas uma transformação a ser incorporada à cultura organizacional. Empresas que tratam a IA como um projeto isolado rapidamente encontram limites. As que avançam de forma consistente são aquelas que a colocam no centro da educação, da infraestrutura e da governança, sempre com supervisão humana.

Não se trata de substituir pessoas, mas de ampliar a capacidade de decisão, combinando escala algorítmica com julgamento humano.

Volto da NRF 2026 convencido de que estamos entrando em uma nova era: a era dos agentes, dos ecossistemas e da inteligência como infraestrutura. Para o varejo, para o crédito e para a tecnologia, o desafio já não é “se” a IA fará parte do negócio, mas como ela será integrada à estratégia, à cultura e à experiência. O futuro não será definido apenas por quem adotar a melhor tecnologia, mas por quem souber combiná-la com visão de negócio, responsabilidade e foco genuíno no cliente — e por quem tiver coragem de fazer as perguntas certas antes que o mercado imponha as respostas.

*Eduardo Mônaco é vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian

Marketing Preditivo: o futuro da estratégia de negócios

Foto de Mark König na Unsplash

Por Josué Brazil (com a ajuda de IA)

Você sabe o que é Marketing Preditivo?

Marketing preditivo é uma abordagem baseada no uso de dados, inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina para antecipar tendências de consumo, comportamentos dos clientes e resultados de campanhas. Essa estratégia permite que empresas tomem decisões mais informadas e personalizadas, otimizando investimentos e aumentando a eficiência das ações de marketing.

O conceito de predição no marketing não é novo, mas os recentes avanços tecnológicos possibilitaram uma precisão cada vez maior. Hoje, algoritmos sofisticados analisam grandes volumes de dados para prever o comportamento do consumidor, permitindo ações proativas e personalizadas.

Como a gente faz para praticar o Marketing Preditivo?

Para implementar o marketing preditivo de forma eficaz, algumas etapas e ferramentas são essenciais:

1 – Coleta e Análise de Dados: O primeiro passo é reunir dados relevantes sobre clientes e mercados. Isso pode incluir históricos de compra, interações em redes sociais, comportamento no site e padrões de resposta a campanhas anteriores.

2 – Uso de Modelos Preditivos: Algoritmos de aprendizado de máquina identificam padrões e fazem previsões baseadas em tendências passadas. Modelos como regressão estatística, análise de clusters e redes neurais são frequentemente utilizados.

3 – Segmentação Avançada: Com base nas previsões, as empresas podem criar segmentos de público altamente refinados, garantindo que mensagens e ofertas sejam direcionadas com maior precisão.

4 – Automação e Personalização: Ferramentas de automação de marketing utilizam insights preditivos para entregar comunicações personalizadas no momento certo. Isso pode incluir e-mails, notificações push, anúncios segmentados e recomendações de produtos.

5 – Monitoramento e Ajuste Contínuo: O marketing preditivo não é um processo estático. A análise contínua dos resultados permite ajustes e refinamentos para aumentar a eficácia das campanhas.

Vantagens que o Marketing Preditivo entrega

A adoção do marketing preditivo traz diversos benefícios para as empresas, entre os quais destacam-se:

1 – Tomada de decisão baseada em dados: As ações deixam de ser baseadas em intuição e passam a ser fundamentadas em análises precisas.

2 – Maior eficiência nas campanhas: O direcionamento mais preciso reduz desperdícios de recursos e melhora o retorno sobre o investimento (ROI).

3 – Experiência personalizada para o cliente: A comunicação se torna mais relevante, aumentando o engajamento e a satisfação do consumidor.

4 – Antecipação de demandas: Empresas podem prever tendências e ajustar sua oferta antes mesmo que os clientes expressem suas necessidades.

5 – Redução de riscos: A análise preditiva ajuda a minimizar erros estratégicos, evitando investimentos em campanhas que poderiam ter baixa performance.

Para tentar resumir…

O marketing preditivo é uma ferramenta poderosa para empresas que desejam melhorar a eficiência de suas campanhas e oferecer experiências mais personalizadas aos consumidores. Com a crescente digitalização e a disponibilidade de dados, essa abordagem se torna cada vez mais acessível e indispensável para marcas que querem se destacar no mercado. Implementá-lo de forma estruturada pode ser o diferencial competitivo necessário para alcançar o sucesso nos negócios.

Como usar inteligência artificial para personalizar campanhas de marketing?

Por Ricardo Migliani*

A personalização de campanhas de marketing deixou de ser um diferencial e tornou-se uma necessidade em um mercado cada vez mais competitivo. Hoje, a inteligência artificial (IA) permite criar experiências altamente personalizadas em escala, atendendo as expectativas de consumidores que demandam relevância e conveniência. De acordo com um estudo da Salesforce, 73% dos clientes esperam que as empresas compreendam suas necessidades e expectativas. (Salesforce, 2023).

Para explorar mais o tema, Ricardo Migliani, COO e CCO da Amper e membro do Conselho do Ampere Grupo, explica um pouco mais neste artigo sobre como usar IA para personalizar campanhas de marketing de maneira eficaz, maximizando engajamento e conversões.

1. Por que a personalização importa no marketing?

Personalização não é apenas um recurso adicional — é o que diferencia marcas que se destacam daquelas que perdem relevância. Os benefícios incluem:

Melhor experiência do cliente: Consumidores preferem mensagens adaptadas às suas necessidades.

Aumento de conversões: Conteúdo relevante tem maior chance de gerar vendas.

Fidelização de clientes: Um cliente satisfeito tem mais chances de retornar.

Segundo a McKinsey, empresas que investem em personalização geram um aumento médio de 40% na receita de marketing (McKinsey, 2023).

2. O papel da IA na personalização de campanhas

A IA transforma dados brutos em insights acionáveis, permitindo campanhas mais eficientes e segmentadas. Ela atua em diferentes frentes:

2.1. Coleta e análise de dados

A IA coleta dados de diferentes fontes, como comportamento de navegação, histórico de compras e interações em redes sociais. Ferramentas como o Google Analytics 4 e o Hotjar usam IA para mapear jornadas de clientes. Exemplo: Um e-commerce pode identificar que um cliente frequentemente compra itens de eletrônicos e, com base nisso, recomendar produtos semelhantes ou ofertas exclusivas.

2.2. Segmentação Avançada

Com IA, a segmentação de público vai além de dados demográficos. Ferramentas como o HubSpot utilizam aprendizado de máquina para criar microsegmentos com base em comportamentos específicos. Um estudo da Forrester destaca que a segmentação baseada em IA aumenta a taxa de engajamento em 50%.

3. Estratégias para personalizar campanhas usando IA

Abaixo estão as melhores práticas para usar IA na personalização de campanhas.

3.1. E-mails personalizados em escala

E-mails segmentados e personalizados geram taxas de abertura significativamente mais altas. A IA permite:

Ajustar o título e o corpo do e-mail com base nos interesses do destinatário.

Enviar e-mails no momento ideal, baseado no comportamento histórico.

Exemplo prático: Ferramentas como o Mailchimp usam IA para analisar quais assuntos atraem mais cliques.

3.2. Recomendações de produtos e conteúdos

Sistemas de recomendação baseados em IA, como os usados pela Amazon, sugerem produtos relevantes com base no histórico de navegação e compras. Dica: Ferramentas como o Dynamic Yield permitem criar experiências personalizadas em websites.

3.3. Publicidade Programática

A IA otimiza campanhas de mídia paga, ajustando lances e segmentação em tempo real. Exemplo: O Google Ads usa aprendizado de máquina para determinar os melhores momentos e audiências para exibir seus anúncios.

4. Ferramentas essenciais para personalização com IA

4.1. Plataformas de CRM com IA

Ferramentas como o Salesforce Einstein e o Zoho CRM permitem automação e previsões baseadas em IA, ajudando a personalizar a experiência do cliente.

4.2. Chatbots inteligentes

Chatbots como o Intercom oferecem respostas personalizadas, otimizando o suporte ao cliente. Segundo a Gartner, até 2027, 80% das interações de clientes serão gerenciadas por IA (Gartner, 2023).

4.3. Ferramentas de análise avançada

Soluções como o Tableau permitem criar relatórios visualmente ricos, ajudando a identificar padrões para personalização.

5. Desafios e como superá-los

Embora a IA ofereça vários benefícios, é importante lidar com desafios comuns:

5.1. Privacidade de dados

Com leis como a LGPD e o GDPR, é essencial garantir que o uso de dados seja transparente e seguro. Dica: Utilize ferramentas de conformidade, como o OneTrust, para gerenciar permissões e consentimentos.

5.2. Implementação complexa

Integrar IA em processos existentes pode ser desafiador. Considere começar com soluções plug-and-play antes de avançar para customizações.

6. Tendências futuras na personalização com IA

A IA está em constante evolução. Tendências emergentes incluem:

Personalização em realidade aumentada: Experiências imersivas em e-commerce.

Modelos de linguagem natural (NLP): Ferramentas como o ChatGPT tornam interações mais naturais.

Previsões avançadas: IA que antecipa as necessidades dos clientes antes mesmo que eles percebam.

IA como catalisador de resultados personalizados

A inteligência artificial não apenas transforma campanhas de marketing, mas também redefine as expectativas dos consumidores. Ao incorporar IA em suas estratégias de personalização, você pode criar experiências significativas, aumentar engajamento e impulsionar resultados.

Para empresas que desejam se destacar em um mercado competitivo, a adoção de IA não é mais uma opção, mas uma necessidade.

*Ricardo Migliani é da agência Amper

Marketing: as 5 lições mais valiosas para aplicar em 2025

Por Marcela Fernandes*

Em 2024, o marketing passou por uma série de transformações, muitas delas impulsionadas por inovações tecnológicas e pela evolução do comportamento do consumidor. As mudanças que marcaram o ano, que podem ser agrupadas em cinco áreas (inteligência artificial, sustentabilidade, inclusão e diversidade, automação de processos e experiências imersivas), têm tudo para se consolidar como tendências que as marcas precisarão adotar para se manter competitivas em 2025 e além.

O futuro do marketing já chegou

Sem dúvida, a adoção da inteligência artificial foi uma das revoluções mais marcantes de 2024. Segundo a Kantar, 67% dos profissionais de marketing estão empolgados com as possibilidades da IA generativa, uma tecnologia que permite criar campanhas personalizadas e automatizadas de forma mais eficaz.

Embora já utilizemos a IA para entender e segmentar o comportamento dos consumidores, o futuro vai exigir ainda mais dessa personalização. As empresas precisarão ir além e criar campanhas ainda mais direcionadas e relevantes.

A IA, portanto, não será apenas uma tendência passageira; ela vai se consolidar como uma ferramenta indispensável para melhorar o engajamento e aumentar a eficiência nas estratégias de marketing.

Ao mesmo tempo, o movimento em prol da sustentabilidade se firmou como uma necessidade crescente, com 87% dos brasileiros afirmando querer adotar um estilo de vida mais sustentável, segundo a Kantar. Isso reflete uma tendência global que não pode ser ignorada.

As marcas, então, precisam realmente se comprometer com práticas sustentáveis se quiserem se destacar no mercado. E isso não é algo que pode ser feito apenas para cumprir tabela: as ações precisam ser concretas, como a redução de emissões de carbono, o uso responsável de recursos e o apoio a causas sociais e ambientais.

Além disso, comunicar essas práticas de maneira transparente e genuína é essencial para conquistar a confiança dos consumidores. Afinal, no mercado de hoje, “sem sustentabilidade, sem negócios” é o que está em jogo. Quem não se adaptar a essa nova demanda corre o risco de perder relevância, especialmente diante de um público cada vez mais consciente de seu poder de compra.

As pautas de inclusão e diversidade também ganharam destaque em 2024. Quando aplicadas de maneira verdadeira, essas iniciativas ajudam a construir uma imagem de marca sólida e geram maior engajamento e lealdade dos consumidores; a HubSpot, por exemplo, aponta que campanhas com foco em valores sociais e de inclusão tiveram um ROI muito mais alto em 2024.

Isso significa que as marcas precisam olhar para dentro e adotar uma abordagem mais inclusiva em diversos aspectos, da escolha de fornecedores diversos à promoção de um ambiente de trabalho que seja, de fato, inclusivo, sem se esquecer da construção de produtos e serviços que atendam às necessidades de todos os consumidores.

Eficiência e engajamento

A automação de processos continua sendo uma prioridade para as empresas, especialmente com vistas a 2025. Ferramentas de automação são essenciais para otimizar campanhas publicitárias, personalizar mensagens em grande escala e analisar dados em volumes cada vez maiores – tudo isso contribui para aumentar a eficiência e reduzir custos operacionais.

A Kantar aponta que a inovação disruptiva, especialmente por meio da automação, será um fator de diferenciação importante para empresas que buscam crescimento sustentável. Nos próximos anos, será necessário que os profissionais de marketing integrem ainda mais essas ferramentas automatizadas em suas rotinas diárias, permitindo uma comunicação mais estratégica e eficiente com os consumidores.

Por fim, uma das formas mais eficazes de engajar o consumidor em 2024 foi a criação de experiências imersivas. Tecnologias como realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) foram amplamente exploradas para oferecer experiências de marca inovadoras e memoráveis.

Essas experiências têm o poder de captar a atenção do público de maneira única, criando uma conexão emocional com a marca em um ambiente saturado de informações. Investir em experiências imersivas pode ser uma excelente maneira de fidelizar os consumidores, especialmente quando se oferece a eles momentos marcantes que agreguem valor à marca de forma impactante.

O marketing de 2025 e além

Em resumo, está muito claro o que podemos tirar de tudo isso: o marketing de 2025 (e dos anos que virão) será determinado pela capacidade de adotar novas tecnologias, promover a sustentabilidade de forma autêntica, abraçar a diversidade, automatizar processos e criar experiências imersivas. O mercado estará cada vez mais competitivo e as empresas precisam se adaptar a essas tendências.

*Marcela Fernandes é Analista de Marketing da Fornalha Mineira