A inteligência artificial nivela o jogo na publicidade

Imagem gerada pela IA do Canva

A nova era da propaganda não começa nos estúdios, mas nos prompts

Por Rodrigo Martucci*

Durante décadas, campanhas publicitárias de alto impacto estavam restritas a poucas empresas com acesso a orçamentos milionários, estúdios, equipes técnicas, diretores renomados, atores, modelos e edição de alto nível. Era um território delimitado por barreiras financeiras e operacionais. Hoje, no entanto, esse panorama está mudando de forma radical. Com o avanço da inteligência artificial (IA), altos patamares de produção têm sido alcançados por aqueles que consideravam desafiador chegar lá.

Trata-se de uma virada estrutural do mercado, não somente pela redução de custos, mas pelo que isso representa em termos de acesso. Pela primeira vez, pequenos e médios players têm à disposição a mesma potência criativa que as grandes agências. Mais do que igualar ferramentas, a IA está equiparando oportunidades – e isso exige um novo olhar sobre o que diferencia talento, estratégia e propósito.

De acordo com uma pesquisa do IAB Brasil realizada em parceria com a Nielsen, 80% dos profissionais de marketing no país já utilizam a IA em suas rotinas. A criação de conteúdo lidera o uso (71%), seguida por análise de dados (68%), e automação e otimização de campanhas (53%). A alta adesão da tecnologia revela o tamanho da transformação em curso. Contudo, é nesse estágio de aceleração que se torna imprescindível fazer uma pausa crítica: não basta empregar as ferramentas; é preciso entender as implicações de um mercado no qual todos, tecnicamente, podem produzir como se fossem gigantes.

No fim do dia, o impacto da IA vai muito além da execução. O que está em jogo é a lógica da diferenciação: se todos têm acesso aos mesmos recursos, o que passa a valer é a forma como esses recursos são utilizados – e por quem. A criatividade continua sendo central, porém, agora em um ambiente onde a velocidade, a adaptabilidade e a inteligência no uso das tecnologias definem vantagem competitiva.

Nesse novo cenário, a ausência de assimetria técnica entre grandes e pequenas estruturas cria uma espécie de “campo zerado”. Não há domínio consolidado. Ninguém é, ainda, especialista. O conhecimento é construído em tempo real e, esse fato abre espaço para experimentação, reinvenção e protagonismo de vozes que antes não conseguiam nem sequer competir. Por outro lado, escancara a necessidade urgente de curadoria crítica, ética aplicada e domínio interpretativo diante de conteúdos gerados artificialmente.

A necessidade de regulação e ética no uso da tecnologia na indústria publicitária foi exposta nesta edição do Cannes Lions, maior festival de criatividade do mundo. A organização retirou o Grand Prix da categoria Creative Data concedido à campanha Efficient Way to Pay, da DM9, depois de descobrir que o vídeo apresentado ao júri usava conteúdo gerado e manipulado por IA para simular eventos e resultados que não ocorreram de fato. A decisão levou, inclusive, à retirada de outros dois cases da agência, também questionados quanto à veracidade das informações.

O episódio expõe os limites entre o uso legítimo da tecnologia e a manipulação de dados e contextos. Mesmo com todos os recursos disponíveis, a IA não pode substituir a integridade narrativa de uma campanha, especialmente em casos em que autenticidade, impacto e veracidade são valores inegociáveis. A criatividade, se desconectada da verdade, perde legitimidade. A IA, quando utilizada de ponta a ponta sem a mediação humana, deixa de ser uma aliada.

Ainda que eficiente no desenvolvimento de boa parte dos processos, a tecnologia não sente e não interpreta a ambivalência e o contexto. Ela é veloz, mas não intuitiva. Aprende padrões, mas não conhece rupturas culturais. Na publicidade, na qual o valor de uma campanha está muitas vezes no que ela consegue dizer sem precisar explicar, essa ausência é significativa.

Sem profissionais à frente do processo e da condução da tecnologia, sua utilização pode cair na homogeneização criativa, repetição de vieses e perda de autenticidade. É nesse ponto que a inteligência humana se torna insubstituível como curadora, editora e crítica. A boa notícia é que o talento não depende mais de estrutura, a escala deixou de ser um privilégio, e a excelência está ao alcance de quem souber combinar sensibilidade com experimentação. A IA nivelou o jogo e agora cabe aos profissionais entenderem que competir e performar bem envolve muito mais do que dominar a tecnologia.

*Rodrigo Martucci é CEO da Nação Digital, empresa do Grupo FCamara

“Cases” do mercado

Grupo Boticário revoluciona e-commerce com IA inspirada em uma consultora de beleza que cria rotinas, recomendações personalizadas e ainda ajuda a escolher presentes

Desenvolvida com a infraestrutura da Amazon Web Services (AWS), a assistente virtual recomenda do melhor skincare ao presente ideal e replica o atendimento das lojas físicas da marca O Boticário, oferecendo uma experiência natural, envolvente e verdadeiramente personalizada aos consumidores. Somente no primeiro mês de implementação, a assistente apresentou um aumento de 46% em conversão de vendas

O Grupo Boticário anuncia o lançamento da sua primeira assistente de inteligência artificial (IA) para e-commerce via aplicativo, que promove uma evolução na experiência de compra online dos consumidores da companhia. Projeto com o uso da tecnologia Amazon Bedrock Agents, da AWS, conectada ao e-commerce, busca resolver um dos maiores desafios do comércio digital: a personalização e a conexão humana na experiência de compra do consumidor, oferecendo ainda mais conveniência.

Imagine entrar no aplicativo de uma marca e, em vez de navegar por menus e filtros ou, até mesmo, usar a busca tradicional, ter uma conversa fluida e natural com uma especialista que ajuda a encontrar o produto perfeito. Essa é a proposta da assistente virtual, que se diferencia dos chatbots tradicionais por sua capacidade de interação 100% em linguagem natural, além da integração completa do portfólio de produtos, como se o consumidor estivesse interagindo com uma consultora de beleza. Com a capacidade de compreender mais profundamente os contextos dos clientes, a IA generativa vem se tornando uma ferramenta cada vez mais popular para auxiliar nas decisões de compra, na resolução de problemas cotidianos. Graças à sua capacidade de entender o contexto, ela oferece mais do que apenas recomendações de produtos. Por exemplo, a IA pode sugerir um creme para o corpo, explicar por que ele é ideal para um tipo de pele específica, como usá-lo e ainda montar uma rotina completa de cuidados. Isso proporciona uma experiência mais detalhada e personalizada ao consumidor.

A assistente, que inicialmente está disponível no app da marca de consumo O Boticário, foi treinada com base no modelo de atendimento proprietário do Grupo Boticário, para replicar a experiência acolhedora e especialista das lojas físicas no ambiente virtual, reforçando a visão omnicanal da empresa. Para tornar a experiência ainda mais pessoal, ela identifica o perfil, ajustando suas sugestões de acordo com esses dados, e é capaz de oferecer recomendações de produtos, consultar preços, verificar o status de pedidos e informar sobre o programa de fidelidade Beautybox, finalizando a jornada com a adição dos itens à sacola de compras.

A aposta em inovação utilizando inteligência artificial generativa se traduziu em resultados concretos para o Grupo Boticário: em seu primeiro mês de implementação, a assistente apresentou um aumento de 46% em conversão de vendas. Esse sucesso se reflete também no valor das transações, já que o ticket médio dos consumidores que usam a assistente virtual é 7,4% superior ao dos que não a utilizam. “O consumidor está mais exigente e busca experiências diferenciadas e únicas ao mesmo tempo. Atentos a essa necessidade, entendemos que era preciso ir além dos chatbots tradicionais para oferecer uma solução que não apenas simplificasse a descoberta de produtos, mas que também encantasse e fidelizasse”, explica Renato Pedigoni, CTO do Grupo Boticário. “A assistente de IA é uma importante alavanca comercial, mas seu lançamento vai além. Ela faz parte da jornada de aceleração da digitalização e inovação consolidada do Grupo, com mais de 60 projetos de IA proprietários que já impactam toda a cadeia de valor”, completa.

O próximo avanço já previsto para a ferramenta é a habilidade de conversar por áudio com a assistente virtual, ampliando ainda mais a acessibilidade e levando a experiência de compra a um novo nível de experiência do usuário, atendendo também uma característica do público consumidor brasileiro. A visão de longo prazo é transformar a assistente em uma consultora de beleza pessoal que acompanha o cliente em toda a sua jornada, da descoberta ao pós-venda.

Diferenciais, funcionalidades e futuro

A tecnologia por trás da assistente de IA utiliza a infraestrutura do Amazon Bedrock Agents, que permite criar assistentes de IA que podem entender solicitações de linguagem natural, e executar ações complexas. “Este é um exemplo claro de como a IA generativa pode ir além da eficiência operacional e realmente impactar a experiência do consumidor final. O assistente virtual é uma inovação que não apenas resolve um desafio de negócio, mas também encanta e fideliza o consumidor”, comenta Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil.

Integrada às APIs do e-commerce de O Boticário, a assistente opera com acesso a informações em tempo real sob sólidas medidas de segurança, precisão e integridade; garantindo a confidencialidade e a privacidade dos dados. Outro diferencial está em sua capacidade de ir além de um roteiro fixo. A assistente virtual foi desenvolvida para conectar pontos durante a conversa, funcionando como um modelo LLM (Large Language Model) integrado ao ecossistema de beleza do Grupo Boticário, permitindo a compreensão do contexto, a intenção e as nuances da interação, oferecendo recomendações e respostas muito mais ricas e assertivas do que os chatbots tradicionais, que geralmente seguem árvores de decisão.

“A nossa assistente de IA atua como uma verdadeira consultora de beleza pessoal. Ao entender o contexto da conversa com o cliente, ela consegue oferecer recomendações de produtos extremamente personalizadas, replicando a experiência de uma loja física diretamente no aplicativo. Essa abordagem elimina a necessidade de o consumidor navegar por menus complexos ou aplicar filtros, permitindo uma jornada de compra mais fluida e assertiva. Com a capacidade de sugerir itens que complementam a rotina de beleza do usuário, verificar o status de pedidos e até mesmo informar sobre o programa de fidelidade, a ferramenta se torna um guia essencial, simplificando a descoberta de produtos e garantindo que o cliente encontre exatamente o que precisa de forma rápida e eficiente”, reforça Pedigoni.

Fonte: Maquina Cohn Wolfe

ChatGPT e gestão de tráfego: como o marketing está mudando com a IA generativa

Na era da inteligência artificial (IA), as estratégias de marketing digital estão se reinventando — e o ChatGPT emergiu como protagonista dessa transformação. A crescente adoção da IA generativa está redefinindo a forma como marcas atraem audiências, otimizam conteúdos e impulsionam a gestão de tráfego digital.

A tecnologia vem ganhando relevância como motor de busca alternativo. Dados da Semrush mostram que a plataforma da OpenAI já gera tráfego de referência para mais de 30 mil sites, sobretudo nos segmentos de educação e tecnologia — um sinal claro de mudança no comportamento dos usuários. Hoje, mais de 54% das consultas são respondidas sem que haja necessidade de recorrer a uma busca tradicional na web, evidenciando a ascensão de um modelo centrado em respostas instantâneas e conversacionais.

No cenário global, ferramentas de busca com IA, como ChatGPT e Perplexity, já capturam 5,6% do tráfego de buscas em desktops nos EUA (junho de 2025), um salto expressivo em apenas 12 meses. Esse avanço impulsiona novas abordagens de otimização, como a Generative Engine Optimization (GEO), que busca tornar conteúdos visíveis e confiáveis para respostas geradas por inteligência artificial — uma evolução do SEO tradicional.

Profissionais de marketing vêm se adaptando rapidamente. Um artigo recente da Forbes destacou cinco prompts eficazes para potencializar o ChatGPT na geração de tráfego, aplicáveis desde pesquisas de mercado e definição de palavras-chave até a criação de rascunhos alinhados ao público-alvo. Na prática, marcas já utilizam a ferramenta para:

● Criar ideias de conteúdo e pautas (content ideation)
● Mapear público e comportamento (audience research)
● Redigir posts, e-mails e roteiros (content creation)
● Explorar oportunidades em eventos ou campanhas sazonais
● Transformar linguagem técnica em textos envolventes e acessíveis

Com mais de 180 milhões de usuários de internet e penetração de 86,6%, o Brasil é um terreno fértil para inovações digitais como o uso do ChatGPT em marketing e gestão de tráfego. A combinação de alto engajamento online e busca por eficiência coloca os profissionais diante de uma encruzilhada: insistir nos modelos clássicos de SEO ou abraçar a criação de conteúdo conversacional otimizado para IA.

“Ferramentas de inteligência artificial conversacional não substituem os buscadores tradicionais, mas inauguram um novo paradigma de engajamento digital”, afirma Matheus Mota, estrategista de conteúdo e Head de Marketing da Portão 3 (P3). “O foco deixa de ser apenas o SEO clássico, centrado em cliques, e passa a valorizar o que chamamos de GEO: a otimização para respostas geradas por IA. Marcas que souberem integrar essas tecnologias em suas estratégias sairão na frente, especialmente em um cenário onde a visibilidade começa já na primeira interação automatizada.”

Fonte: Jangada Consultoria de Comunicação

Criação de autoridade digital: como a Inteligência Artificial redefine quem tem voz no marketing B2B

Mario Soma – Polvora Comunicacao

Por Mário Soma*

A revolução da Inteligência Artificial (IA) não está apenas mudando o jogo. Ela está trocando o tabuleiro. No marketing digital, o que antes era medido em campanhas e cliques, hoje se traduz em relevância, semântica e credibilidade digital.

A sigla SEO (Search Engine Optimization), que por muito tempo soou técnica e distante, ganhou nova vida com a IA. Agora, não basta estar nas buscas. É preciso ser a resposta. E a resposta precisa ser reconhecida como confiável antes mesmo do primeiro contato com o cliente.

Mais da metade das buscas já não geram cliques. Vivemos a era da Zero-Click Search, em que resumos destacados e caixas de resposta entregam tudo no próprio Google. Se o seu conteúdo não aparece ali, talvez ele nem exista para o decisor.

A jornada de compra também mudou de rota. Pesquisas mostram que 70% dos compradores B2B chegam à mesa já decididos. E 80% percorrem sozinhos os caminhos de pesquisa antes de falar com alguém de vendas. A primeira impressão agora vem de um algoritmo, não de um vendedor.

Nesse novo contexto, a pergunta certa não é “como vender mais?”, mas “como ser encontrado com autoridade por quem já está se preparando para comprar”?

O conteúdo deixou de ser apenas informativo para se tornar estratégico. A IA reconhece quem ensina de verdade e penaliza quem apenas empilha palavras-chave. E isso já está mais do que comprovado. Em uma análise conduzida por Kevin Indig, ex-SEO de Shopify e G2, foram avaliadas mais de 8.000 respostas geradas por IA.

O resultado mostra claramente as fontes mais citadas pelas máquinas:

  1. Wikipedia: 47%
  2. NYT, BBC, Reuters: 35%
  3. Publicações acadêmicas: 12%
  4. Blogs e especialistas confiáveis: 6%

Ou seja, para ser visto e citado por uma IA, é preciso construir autoridade real em ambientes respeitados.

No marketing B2B, isso se traduz em cinco pilares indispensáveis:

  1. E-E-A-T, que representa Experience, Expertise, Authority e Trustworthiness. Sem isso, nem os algoritmos te levam a sério.
  2. Entidades, já que IA e buscadores agora entendem conceitos e não apenas palavras. Sua marca precisa estar ligada a temas estratégicos como “IA”, “automação” ou “analytics”.
  3. Branding e SEO, que formam uma dobradinha obrigatória. Quem é lembrado, é buscado. Quem é buscado, é encontrado.
  4. Infraestrutura técnica, ainda essencial. Dados estruturados, site leve e conteúdo indexado fazem toda a diferença.
  5. Topic Clusters, pois em vez de apostar em textos soltos, vale mais criar um ecossistema de conteúdo. Um núcleo forte com subtemas conectados constrói autoridade semântica.

No fim das contas, ranquear não é apenas aparecer. É influenciar a decisão de compra antes do primeiro contato humano.

A IA nos obriga a repensar o que é presença digital. Não se trata mais de empurrar anúncios. É sobre ser a fonte que o algoritmo reconhece e que o comprador confia.

No marketing B2B, ser invisível digitalmente é o mesmo que ser irrelevante. E nesse novo jogo, não basta jogar bem. É preciso ser notado pelas máquinas e pelas mentes.

*Mário Soma é CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação