Uma ideia, muitos palcos: como a multicanalidade está reinventando a criação publicitária

Por Josué Brazil (com apoio de IA)

A multicanalidade deixou de ser diferencial e virou condição básica do jogo. O consumidor já não percorre uma jornada linear, do tipo “vi um anúncio, entrei na loja e comprei”. Ele descobre uma marca no Instagram, pesquisa no Google, vê reviews no YouTube, recebe um remarketing, compara preços em um marketplace e, às vezes, finaliza a compra no ponto de venda físico. Segundo a própria Google, o processo de decisão atual é cheio de idas e vindas, com momentos de exploração e avaliação contínua. Isso muda profundamente a forma como pensamos estratégia e criação publicitária.

Da campanha ao ecossistema: a nova lógica da estratégia

Do ponto de vista estratégico, a primeira grande mudança é que não existe mais “a campanha” isolada, mas sim um ecossistema de comunicação. De acordo com Philip Kotler, o marketing contemporâneo é cada vez mais integrado e orientado por dados, o que exige coerência entre pontos de contato. Isso significa que TV, redes sociais, mídia programática, e-mail, influenciadores, PDV e atendimento não podem falar línguas diferentes. A marca precisa ter uma espinha dorsal clara — propósito, tom de voz, proposta de valor — que se desdobra de forma consistente em todos os canais.

Ideias que nascem para se espalhar, não para se encaixar

Para a criação, o impacto é direto: a ideia criativa já não nasce para um único formato. Ela precisa ser “adaptável por natureza”. Um conceito forte hoje é aquele que funciona em vídeo curto, banner, post estático, experiência interativa e até num chatbot. Segundo a Meta, campanhas com variações criativas pensadas para diferentes posicionamentos e formatos tendem a performar melhor do que peças únicas replicadas mecanicamente. Ou seja, não é só cortar o filme de 30 segundos: é pensar a ideia desde o início como modular e expansível.

Cada canal é um momento diferente da mesma pessoa

Outro ponto essencial é o papel do contexto. Na multicanalidade, a mesma pessoa é impactada em momentos emocionais e racionais diferentes ao longo do dia. Segundo a Nielsen, a atenção e a receptividade à mensagem variam conforme o ambiente, o dispositivo e a situação de consumo de mídia. Isso exige uma criação mais sensível ao momento: o tom de um anúncio em streaming pode ser mais imersivo e emocional, enquanto um anúncio em busca paga precisa ser direto, funcional e orientado à solução de um problema imediato.

Dados que medem, insights que moldam a criação

A multicanalidade também transforma a forma como medimos resultados — e isso retroalimenta a criação. Com dados vindos de múltiplos pontos de contato, as marcas conseguem entender quais mensagens funcionam melhor em cada etapa da jornada. De acordo com a Salesforce, consumidores esperam experiências conectadas entre canais, e marcas que usam dados para personalizar comunicações tendem a gerar maior engajamento. Para o criativo, isso significa trabalhar cada vez mais próximo de mídia, BI e performance, ajustando narrativas com base em comportamento real, e não apenas em intuição.

Da explosão de mídia à presença contínua de marca

Por fim, talvez a maior mudança seja cultural: sai o pensamento de campanha pontual e entra o de presença contínua. A marca passa a ser uma conversa permanente, distribuída em vários espaços, e não um discurso concentrado em um único grande momento. Para estudantes e profissionais de publicidade, isso exige uma visão mais sistêmica: entender jornada, dados, plataformas e comportamento é tão importante quanto ter uma boa sacada criativa. No cenário da multicanalidade, a grande ideia ainda é rainha — mas só reina de verdade quando sabe circular bem por todos os reinos onde o consumidor está.

Economia dos dados cresce e falta de profissionais capazes de interpretar informações abre espaço para comunicadores

Foto:n Reprodução/Freepik

Empresas buscam profissionais capazes de construir análises inteligentes e traduzir o que os dados dizem em linguagens simples

Cerca de 65% das empresas do Brasil já têm cultura de dados na área de comunicação, é o que revela um estudo desenvolvido pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), em parceria com a Cortex. Entretanto, o mercado ainda enfrenta uma escassez de profissionais qualificados para análise de dados, especialmente fora da área de ciências exatas.

Mais de 173 zettabytes de dados foram criados, capturados, copiados e consumidos globalmente em 2025. Com o avanço da inteligência artificial, já existem plataformas capazes de gerar gráficos e insights com base nesses dados, a partir de simples prompts. O que as empresas estão buscando nesse momento, são profissionais capazes de formular as perguntas certas para produzir análises realmente inteligentes.

Em contrapartida, de acordo com dados do Censo da Educação Superior do INEP, mais de 300 mil profissionais foram formados em ciências sociais nos últimos cinco anos. Área de estudo onde são desenvolvidas habilidades essenciais para o que o mercado busca em análise de dados, como pensamento crítico, comunicação clara e questionamentos bem direcionados.

Nesse cenário, grupos como Comunidade Examanas — que tem o objetivo de aproximar profissionais da área de humanas de habilidades práticas de exatas — ganham espaço. Para o especialista em business intelligence Kaique Oliveira, que atua há mais de dez anos com análise de dados e fundou a comunidade, o crescimento do setor de dados não tem sido acompanhado pela formação de novos profissionais em exatas, mas existe uma oportunidade no campo de humanas.

“O que os indicadores de escassez não evidenciam é que a principal lacuna do mercado não está apenas na dimensão técnica, mas na falta de profissionais capazes de interpretar dados de forma crítica. Essa habilidade está no cerne da formação em comunicação. É nesse contexto que surge a Comunidade Examanas: pensada para quem deseja transitar entre humanas e exatas, com o propósito de ensinar métricas para quem não é de exatas e atender à crescente demanda do mercado por perfis capazes de transformar dados em decisões estratégicas”, afirma.

Com isso, iniciativas de capacitação prática se tornam necessárias. Um exemplo é o workshop “Meu primeiro dashboard”, que será realizado no dia 24 de janeiro, das 9h às 13h, em São José dos Campos (SP). A proposta da realizadora do evento, Comunidade Examanas, é apresentar conceitos básicos de análise de dados a profissionais da área de comunicação que nunca tiveram contato com o tema, por meio da resolução de um problema prático.

● Dashboards são painéis visuais que organizam dados, métricas e indicadores de desempenho em gráficos e tabelas, permitindo análises rápidas e decisões mais embasadas em diferentes setores.

As inscrições para o evento estão abertas, e o especialista Kaique Oliveira está disponível para comentar o cenário do mercado de Big Data, a falta de profissionais qualificados e as perspectivas da área para os próximos anos.

As inscrições para o evento estão disponíveis neste link.

Litoral Norte de SP espera 7 milhões de turistas durante verão

Litoral Norte de SP espera 7 milhões de turistas durante verão; Ubatuba lidera fluxo e aquece mercado de imóveis para veraneio e investimento

O Litoral Norte de São Paulo vive uma temporada de verão movimentada para o lazer e também para os negócios. Projeções das associações de hotelaria e das prefeituras da região indicam que cerca de 7 milhões de pessoas devem circular por Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião até o fim do verão.

O grande destaque é Ubatuba, que sozinha deve atrair 4 milhões de visitantes entre dezembro e março. O município acaba de ser reconhecido pelo Ministério do Turismo como “Município Turístico”, a mais alta categoria da nova classificação do Governo Federal, que destaca os destinos brasileiros com maior volume de visitantes, atrativos naturais relevantes e infraestrutura de qualidade.

A certificação amplia a visibilidade da cidade e atrai novos investimentos, refletindo diretamente na valorização imobiliária para quem decide morar ou investir na região.

Esse cenário consolida a cidade como um polo estratégico para negócios imobiliários. De acordo com dados da plataforma Booking.com, Ubatuba foi classificada como o segundo destino mais procurado do Brasil para o verão, um indicador que impulsiona investidores em busca de rentabilidade e qualidade de vida.

O mercado imobiliário de Ubatuba vive um ciclo de crescimento robusto. Os números são atrativos para quem busca comprar imóvel para veraneio ou para investimento. Para quem busca adquirir imóvel para locação, estimativas apontam uma rentabilidade anual de cerca de 12% do valor do imóvel.

Outro comportamento observado é a consolidação do trabalho remoto que transformou o perfil do comprador, que agora busca no litoral um refúgio para moradia permanente ou veraneio prolongado, priorizando o contato com a natureza sem abrir mão da infraestrutura urbana.

Fonte: Alameda Comunicação

Onde termina o marketing e começa a propaganda?

Por Josué Brazil (com uma ajuda da IA)

A pergunta “onde termina o marketing e começa a propaganda?” é comum entre estudantes e jovens profissionais da área de comunicação. Em muitos contextos, os dois termos são usados como sinônimos, o que gera confusão. Embora estejam profundamente conectados, marketing e propaganda não são a mesma coisa — e entender essa diferença é essencial para quem deseja atuar de forma estratégica no mercado.

O marketing pode ser entendido como um processo mais amplo e contínuo. Ele envolve estudo de mercado, análise de comportamento do consumidor, definição de público-alvo, posicionamento de marca, desenvolvimento de produtos, estratégias de preço, canais de distribuição e, claro, comunicação. Ou seja, o marketing começa muito antes de qualquer campanha ir ao ar e continua mesmo depois que ela termina.

Já a propaganda é uma das ferramentas do marketing. Ela entra em cena quando a estratégia já foi pensada e o objetivo é comunicar uma mensagem de forma criativa e persuasiva. A propaganda transforma dados, insights e decisões estratégicas em narrativas, peças, campanhas e experiências capazes de gerar atenção, desejo e lembrança de marca.

Como entender melhor essa relação?

Uma boa forma de visualizar essa relação é pensar que o marketing decide o que será dito, para quem, por quê e em qual momento. A propaganda, por sua vez, define como isso será dito: o tom, a linguagem, o conceito criativo, os formatos e os canais. Quando a propaganda não está alinhada ao marketing, o risco é criar campanhas bonitas, mas ineficazes.

No dia a dia do mercado, especialmente em agências e departamentos de comunicação/marketing, essas fronteiras nem sempre são tão visíveis. Profissionais de propaganda precisam entender de marketing para criar mensagens mais relevantes, assim como profissionais de marketing dependem da criatividade da propaganda para dar vida às suas estratégias. É uma relação de interdependência, não de oposição.

Entender é importante

Para quem está iniciando a carreira, compreender onde termina um campo e começa o outro ajuda a construir repertório, dialogar melhor com diferentes áreas e tomar decisões mais conscientes. Não se trata de escolher um “lado”, mas de entender o papel de cada disciplina dentro do ecossistema da comunicação.

Um único objetivo!

No fim das contas, marketing e propaganda caminham juntos rumo ao mesmo objetivo: gerar valor para marcas e consumidores. O marketing pensa o caminho; a propaganda ajuda a contar essa história. Quando ambos trabalham em sintonia, o resultado é mais do que visibilidade — é relevância.