Dados, criatividade e conversão: a tríade que impulsiona as campanhas de Retail Media

Por Cyril Marchal*

Durante os últimos anos, o crescimento de Retail Media foi sustentado por argumentos bastante claros. Dados proprietários, proximidade com o momento da compra e capacidade de mensuração transformaram esse modelo em uma das principais apostas da publicidade global. Os números refletem esse movimento, segundo a eMarketer, o investimento global em Retail Media deve alcançar US$ 163 bilhões até 2027, enquanto o relatório Digital AdSpend 2025, do IAB Brasil em parceria com a Kantar IBOPE Media, aponta que o segmento já movimenta R$ 3,5 bilhões no Brasil.

Ao acompanhar as discussões em Cannes Lions este ano, no entanto, ficou evidente que essa narrativa já não explica sozinha a evolução desse mercado. Retail Media esteve presente em praticamente todos os debates sobre o futuro da mídia, mas sob uma perspectiva diferente daquela que dominou as conversas nos últimos anos. Em vez de eficiência, segmentação e performance, as discussões passaram a girar em torno de criatividade, experiência e relevância. Não porque esses atributos substituam os dados, mas porque os dados já não são mais um diferencial isolado e sim a base sobre a qual as marcas constroem experiências mais significativas.

A campanha Build Your Own Super Bowl Commercial, da Uber Eats, vencedora do Grand Prix de Media em Cannes Lions 2026, sintetiza bem essa mudança. Mais do que uma campanha apoiada em dados ou tecnologia, o reconhecimento veio pela capacidade de transformar um grande momento cultural em uma experiência de marca integrada ao consumo.

Quem acompanha de perto a rotina do varejo físico entende por que essa mudança era questão de tempo. A loja nunca foi apenas um ponto de venda, sempre foi também um espaço de decisão, de descoberta e, cada vez mais, de mídia. O que Cannes deixou claro é que o mercado publicitário finalmente está tratando esse espaço com a mesma exigência criativa que já aplica a qualquer outro canal, e isso muda o tipo de profissional e de ideia que Retail Media vai exigir daqui para frente. Não basta saber operar leilões de mídia ou segmentar audiências, é preciso saber contar histórias dentro do momento de compra, o que é um ofício bem diferente. Essa convergência também ficou evidente em outro tema recorrente ao longo da semana: o papel dos creators. Durante muito tempo, eles foram vistos principalmente como ferramentas de alcance e influência, mas em Cannes essa discussão evoluiu, passaram a aparecer como parte da construção da experiência da marca, produzindo conteúdos que transitam entre redes sociais, plataformas de Retail Media, Digital Out of Home e ambientes físicos de compra. O conteúdo, que antes cumpria apenas a função de gerar atenção, começa cada vez mais a acompanhar o consumidor ao longo da jornada, aproximando inspiração, contexto e decisão de compra.

Esse movimento ajuda a explicar por que Retail Media entra em uma nova fase. Sua capacidade de gerar resultados continua diretamente ligada aos dados e à inteligência sobre o comportamento do consumidor, mas o que passa a diferenciar uma estratégia é também a forma como essas informações são utilizadas para construir experiências capazes de criar conexão. À medida que tecnologia, inteligência artificial e plataformas se tornam cada vez mais acessíveis, o diferencial competitivo volta a estar nas ideias.

Talvez esse tenha sido o principal aprendizado deixado por Cannes este ano. Durante muito tempo, perguntamos como utilizar a criatividade para potencializar campanhas de Retail Media. Hoje, a questão que destaco é como Retail Media pode se tornar um dos ambientes mais criativos da publicidade. As campanhas mais relevantes apresentadas no festival sugerem que essa transformação já começou, e que o próximo ciclo de crescimento do setor será liderado não apenas pela expansão das redes de mídia, mas pela capacidade das marcas de transformarem dados, criatividade e conversão em experiências que façam sentido para as pessoas.

*Cyril Marchal é CEO da Unlimitail LatAm

OOH esbanja criatividade em Cannes

Por Josué Brazil

O Publicitando acompanhou ontem pela manhã (24/07) o webinar “Insights Cannes: o que a categoria Outdoor nos fala sobre tendências para o OOH”, promovido pela Central de Outdoor.

A Central convidou a Elisangela Peres do Marcas pelo Mundo para fazer uma apresentação sobre o que ela pode observar e anotar de mais importante na categoria OOH do celebrado festival mundial de criatividade. A Elisangela esteve em Cannes cobrindo o evento para o Marcas pelo Mundo.

E ela organizou uma apresentação deliciosa em torno de alguns eixos principais (veja as imagens abaixo) a partir de sua observação e análise dos cases vencedores da categoria. E, claro, apresentou alguns dos cases que exemplificavam os eixos.

Destaco aqui esse case da Lynx (Axe no Brasil) para lançar seu Lower Body Spray (um desodorante para as partes íntimas). A peça criada pela Lola MullenLowe transforma “coçar o saco” em ação de marketing com outdoor “coça e cheira”.

Outro case que destaco aqui entre os apresentados no webinar é a campanha “Phone Break”, que conquistou o Grand Prix de Outdoor. A campanha, criada pela VML Praga e com veiculação da Openmind, utilizou peças minimalistas em abrigos de ônibus e estações de metrô ao redor do mundo, substituindo imagens de pessoas olhando para seus celulares por barras de Kit Kat. O objetivo foi promover a pausa do uso de dispositivos móveis, utilizando o conceito “Have a Break” da marca de forma criativa e contextualizada.

O Publicitando acompanhou o webinar “Insights Cannes: o que a categoria Outdoor nos fala sobre tendências para o OOH” a convite da Central de Outdoor.

Coluna “Discutindo a relação…”

Propaganda boa se faz todo dia

Por Josué Brazil

Relacionamentos saudáveis são feitos de gestos cotidianos — e com a propaganda não é diferente. A boa propaganda, aquela ética, criativa, pertinente e eficaz, não nasce num raio de inspiração divina nem numa reunião relâmpago com pizza fria e post-it na parede. Ela é construída no dia a dia. No respeito às boas práticas, na escuta ativa do cliente e do consumidor, na responsabilidade com o que comunicamos e na disciplina criativa que move agências e departamentos de marketing.

Sempre disse e sempre defendi (e sigo defendendo) que boa propaganda é consequência do somatório de boas práticas de todo, ou da maior parte, do setor.

Sim, propaganda também tem rotina. E não estamos falando só de prazos, briefings e reuniões infinitas de alinhamento. Estamos falando da rotina que forma caráter: revisar o que se escreve, pensar no impacto social de uma campanha, lembrar que criatividade não justifica tudo, e que “ousado” não é sinônimo de “inconsequente”. A propaganda que queremos ver por aí começa com o cuidado que temos com o que fazemos aqui, agora, todo dia.

É claro que tem dias em que a inspiração brilha e tudo flui como numa grande ideia de Cannes. Mas a maior parte do tempo, o que temos é transpiração — e decisões éticas. A escolha por uma imagem mais representativa, por uma linguagem mais inclusiva, por uma piada que não humilha ninguém. A boa propaganda é feita dessas pequenas escolhas. É aí que se constrói uma reputação de verdade.

E quando todo o setor adota essa consciência no cotidiano, a entrega melhora para todo mundo. O cliente ganha mais que uma peça bonita — ele ganha confiança. O consumidor recebe mais que uma mensagem — ele se sente respeitado. E a gente, que trabalha nesse meio, passa a fazer parte de algo maior que a próxima campanha: a construção de um mercado mais saudável, coerente e relevante.

Se propaganda é reflexo da sociedade, então que sejamos o reflexo do que há de mais responsável e criativo nela. Não só nas premiações, mas no planejamento de mídia. Não só no post viral, mas no e-mail que pouca gente vai ler. A boa propaganda está nos detalhes — e eles são cultivados na rotina.

Portanto, se é para discutir a relação, que seja com honestidade: amar a propaganda é também cuidar do que ela diz e do jeito que diz. Todo dia. Porque ética, assim como criatividade, é prática diária.

12 Jurados brasileiros do Cannes Lions 2021 farão parte de hub de conteúdo publicitário do Estadão Blue Studio

Os jurados irão discutir os rumos da publicidade e qual o papel da nova operação do Estadão dentro deste universo

O hub “Uma nova história”, projeto lançado nesta sexta-feira (27), faz parte do processo de transformação digital do Estadão, que começou com o lançamento do Estadão Blue Studio. Os 12 jurados irão discutir sobre comunicação de marca e como a transformação digital impacta o futuro da propaganda e a criatividade nos negócios.

Anúncio criado por Sergio Gordilho – Agência Africa

Os grandes nomes que farão parte da iniciativa, são: Luiz Sanches, ALMAPBBDO; Marcelo Reis, Leo Burnett; Michel Motta, Triunfo Sudler; Rafael Pitanguy, VMLY&R; Sergio Gordilho, Africa; Vico Benevides, GTB; Daniela Ribeiro, Artplan; Domenico Massareto, Publicis; Flávio Waiteman, Tech and Soul; Hugo Veiga, AKQA; Keka Morelle, Wunderman & Thompson; e Luciana Haguiara da Media Monks. O anúncio criado por Gordilho, Presidente e CCO da Africa foi publicado nesta sexta-feira.

O pilar central de debate é definido pela máxima da “Transformação da Publicidade”, motivo pelo qual nasceu, também, o Estadão Blue Studio. A plataforma não definiu protocolos ou formatos fixos para a discussão do tema, os especialistas irão decidir a melhor maneira de compartilharem suas visões, experiências e sensibilidades sobre o mercado. Entre as possibilidades e modelos de conteúdo, contém a criação de um anúncio de página dupla para a publicação impressa no Estadão, junto ao espaço disponível no canal no Youtube e o podcast quinzenal, exclusivo ao projeto. Todas as peças serão divulgadas por meio do portal Estadão.com e, republicadas nas redes sociais do Estadão. Enquanto que no site do Estadão Blue Studio terá uma seção voltada especialmente para o conteúdo produzido pelos especialistas.

Para Daniel Canello, Diretor de Criação e Planejamento do Estadão Blue Studio, ter a participação dos jurados no projeto será de grande relevância, tanto para a publicidade quanto para o público. “Utilizar o Estadão Blue Studio para produzir e publicar as entrevistas, reforça a premissa inicial, entregar peças inovadoras e inteligentes 360º”, complementa.

Veja mais sobre o Estadão Blue Studio aqui

Sobre o Estadão Blue Studio

Estadão Blue Studio é a nova operação de publicidade do Estadão criada para gerar soluções criativas completas para marcas, em formatos inovadores e orientados a resultados.Fruto de um processo amplo de transformação digital, nasce para renovar e reforçar a intensa parceria do Estadão com as agências de publicidade e com os anunciantes.